2016-03-09 10:54:24

Afinal o Ferrari...

O Ferrari tem novo condutor, novas peças e pode ser vendido pelo dobro do preço

Afinal o Ferrari tem condutor. E dos bons! A diferença é que Rui Vitória não quer ser Ayrton Senna. Prefere ser um mecânico inteligente: o Ferrari tem um bom condutor, peças renovadas e para muitos anos e ainda um valor mercado muito superior àquele que tinha quando foi adquirido. É obra!


No clássico, ficou dissipada a questão estatística: não é por fazer menos remates que Jonas joga pior ou melhor. Neste jogo, a sua movimentação para a ala esquerda foi fundamental para o Benfica se equilibrar. Mas, sobretudo, o Benfica esteve bem na primeira parte a sair com lucidez, com controlo de bola, da pressão que o Sporting lhe fazia constantemente. Contudo, foi no ataque que o Benfica teve o seu elemento mais produtivo. Notável Mitroglou na forma como segurou os centrais, se deu à marcação e permitiu avanços cirúrgicos da equipa em momentos críticos. André Almeida e Samaris exibiram-se também a um nível muito alto, sobretudo em termos de posicionamento e cobertura de espaços. Determinante a entrada de Fejsa, ele que é forte em termos de transição defensiva e, com isso, deu um novo equilíbrio à equipa após algum desnorte de Renato Sanches na segunda parte.


Se o Benfica é o “tal Ferrari”, o Sporting é um sistema complexo. Um corpo laboratorial , em que todos os sectores se interligam, e onde todas as decisões são pensadas antes de serem executadas. O Sporting não falha na transição defensiva, pois os jogadores sabem o que têm de fazer; não falha na análise dos pontos fracos dos adversários, pois eles já foram meticulosamente analisados. Falta é dar um pontapé na enciclopédia. Falta criatividade. Falta Carrillo.


Na segunda parte, a falta de criatividade evidenciou-se de forma aguda. Quase a papel químico: bola no flanco esquerdo, variação rápida de flanco, entrada de um jogador nas costas para o cruzamento, onde apareciam dois elementos: Slimani no primeiro poste e Ruiz no segundo. Sempre ou quase sempre. E custa criticar o costariquenho Ruiz, ele que foi o azarado da noite mas ainda assim o elemento que procurou dar alguma latinidade às acções ofensivas leoninas.


Outra questão: como é possível o Braga não ter mais pontos do que aqueles que tem? Qualidade tremenda! Organização em todos os sectores, determinação a rodos nas transições ofensivas e, sobretudo, bom jogo interior. Para o Porto, tratava-se de um desafio bicudo: isto porque, se analisarmos ambas as equipas, até é mais provável o Porto bater o Benfica do que bater o Braga. Porque o Braga é letal onde o Porto é mais fraco. Nas transições defensivas.


Há, quanto a mim, três premissas que definem a forma de jogar do Braga: centrais a iniciarem o processo ofensivo, adiantamento dos laterais, e avançados que se dão às marcações, prendendo os centrais. Ou seja, era necessário ao Porto povoar o meio-campo para impedir que o Braga ganhasse supremacia naquele sector e, sobretudo, impedir também que o Braga começasse a ganhar fôlego em termos de transição ofensiva. O Porto temeu o Braga e com alguma razão.


Acontece que o Braga também tem pontos fracos. Contra o Benfica, por exemplo, os arsenalistas foram facilmente derrotados. Isto porque o Benfica puxou o jogo muito para as alas, o que obrigou o Braga a espraiar-se no terreno e a perder a sua zona de conforto: o miolo. Menos capaz que o Benfica mas também com um jogo inteligente, o Sion fez uma abordagem semelhante e causou muitas dificuldades aos minhotos Agora, para o Porto isso seria um problema. Porquê? Mais do que perder o jogo, seria um quase que regresso ao passado, à obsessão de jogo pelas alas que limitou o Porto de Lopetegui. Falta de equilíbrio temporal.


Porém, o jogo ficou marcado por erros individuais. De Marcano no primeiro golo, por exemplo. A perder, com pouco tempo para terminar, Peseiro apostou na subida das linhas da sua equipa e soube que, a partir daí, o Braga conseguiria sair na transição ofensiva e causar perigo. Risco total. Com Maxi muito dedicado ao processo ofensivo sobrou espaço no lado esquerdo do Braga para o ataque. E o Braga matou o jogo. De forma fria. Um Braga que tem Rafa, que decide e dribla em velocidade e que, quando o jogo acelera, torna-se absolutamente imprevisível. Rafa e Stojilikovic. Robusto, rápido nos movimentos, o sérvio é um destaques desta Liga!

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