Scouting - Do Scout ao Treinador

Scouting - Do Scout ao Treinador

A importância do trabalho do scout e o tranfere do mesmo para o treino/jogo em concordância com as ideias do treinador

Muito se fala de Scouting, mas afinal o que é isto do Scouting?

       Talvez esta devesse ser a primeira questão. Tal como o treino o scouting deverá dar-nos indicadores para aquilo que iremos fazer no jogo ou como eventualmente se vai comportar o adversário, ou seja, é uma ferramenta de trabalho que permite dar respostas a algumas questões que vão surgindo ao longo do processo. Mas o scouting não atua apenas ao nível do treino/jogo ele pode ir muito mais longe que isso, mas para que isso seja uma realidade ele tem de ser potencializado e utilizar todas as suas valências.

       O scouting, como processo de observação, coloca desde logo algumas questões que no nosso entender são essenciais, “observar o quê e como que intuito”? Antes de se começar a observar é essencial que se saiba o que se quer observar e para quê? Se isso não acontecer é provável que fiquemos perdidos mesmo antes de começar. Hoje existem muitos dados disponíveis e por vezes isso acaba por ser tornar num problema, quando na realidade deveria antes ser o caminho para a solução. 

       Se o scouting permite atuar em áreas distintas (observação individual e coletiva), então o que poderemos explorar dentro de cada uma delas? A observação individual pode ser relativa aos jogadores da própria equipa ou a jogadores que possam interessar ao clube no futuro (contratações). Relativamente à observação coletiva a lógica de pensamento é a mesma, análise à própria equipa ou aos adversários. Qual o papel do Scout? Numa visão muito superficial este tem como missão reportar todos os dados pertinentes recolhidos ao treinador, de acordo com o estipulado por este, posto isto as filtragens são fundamentais para evitar que se “perca tempo” com dados que não vão ser utilizados.  

 

Do Scout ao Treinador

 

       Os scouts realizam um trabalho essencial no futebol moderno, desta forma parece-nos lógico que exista uma relação cada vez mais estreita entre o treinador e o scout.

       No nosso entender, achamos que este deverá estar algumas vezes presente no treino, iremos explicar mais adiante o porquê.

       O scout tem que deixar de ser apenas alguém que recolhe dados, porque ele precisa de saber o que filtrar e em que altura, por uma questão de rendimento. Muitas vezes, os treinadores adjuntos realizam este trabalho, no entanto, o trabalho de scout exige tanta minúcia que não lhes restará tempo para preparar e realizar treinos, em situações onde seja possível estes não acumularem estas funções seria o mais indicado. No fundo, todos os treinadores são scouts pois realizam constantemente observações e análises aos seus jogadores, mas com um nível de profundidade mais reduzido.    

       Voltemos um pouco atrás, quando referimos que os scouts deveriam estar presentes no treino, fizemo-lo com o intuito de alertar para um conjunto de questões que nos parecem demasiado pertinentes para serem ignoradas, vejamos:

 

Observação e análise individual (jogadores da nossa equipa/ adversários/ contratações):

 

       - É pertinente o scout conhecer os jogadores da equipa para ajudar a restante equipa técnica nas análises a realizar;

       - O scout deve ter conhecimento das relações existentes entre os jogadores da própria equipa, para entender as dinâmicas desenvolvidas no treino e no jogo;

       - Este pode ter uma palavra a dizer em situações onde o treinador tenha dúvidas, relativamente às suas opções;

       - O scout para procurar novos jogadores tem de conhecer bem as ideias de jogo, do treinador e do que ele pretende;

 

 Observação e análise coletiva (Equipa/Adversário):

 

        - À imagem do que sucede na observação e análise coletiva, o conhecimento real da equipa (como um todo) para o qual se faz o scouting é essencial;

        - A análise à própria equipa, com dados concretos e bem trabalhados, permite que depois o treinador explore alguns aspetos com a equipa na análise pós-jogo, e além disso o modo como estes podem influenciar a preparação da sessão de treino/micro ciclo seguinte;

        - O conhecimento da equipa em vários níveis (psicológico, físico, tático, técnico e humano), é decisivo para que seja possível queimar etapas relativamente à observação adversária, pois sabendo o que se procura e o que realmente interessa, permite simplificar um pouco todo este processo que por si só é já muito moroso e complexo;

        - O conhecimento das equipas adversárias permite que o trabalho da própria equipa seja consolidada da melhor forma, exponenciando o rendimento explorando os pontos fracos e anulando os pontos fortes.

 

       Este tipo de questões levam-nos a refletir acerca do que ainda está por fazer no processo que ocorre entre Scout/Treinador e como este poderá melhorar. No entanto, devemos referir que muitas são as questões que podem ser colocadas ao processo de scouting, cabendo aos seus intervenientes definir prioridades.

       Mais que indicar soluções, queremos questionar e levantar questões pertinentes que devem ser alvo de reflexão por parte de cada um. O debate e a troca de ideias fará com que sejamos melhores a cada dia que passa, nos diferentes âmbitos de intervenção de cada um de nós. O futebol e o scouting não são excepção, por isso defendemos a importância do trabalho dos scouts, o tempo irá mostrar-nos que será cada vez mais difícil obter melhores resultados sem a ajuda do scouting.

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Sobre André Mendes

André Mendes

Quem gosta de futebol tem de se preparar para trabalhar em diversos contextos de trabalho, esse facto leva-nos a um crescimento que acabará por ser fundamental no nosso desempenho....

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