2016-04-06 11:51:12

Fejsa - o mosqueteiro encarnado em Munique

Bayern obrigado a lateralizar o jogo foi presa «aparentemente» fácil. Pequenas «lascas» impediram um grande Benfica de alcançar melhor resultado.

 

Dentro do esperado. A derrota tangencial do Benfica em Munique estava dentro das

previsões. De facto, e em termos colectivos, não há uma diferença substancial entre ambas as

equipas. As diferenças reflectem-se no plano individual. No jogo da Alemanha, o Benfica foi fiel

à sua identidade e não se descaracterizou.

 

Pep Guardiola tinha a lição bem estudada. Os encarnados não gostam muito de defender a

toda a largura perto da área(foi assim que perderam frente ao Porto e vacilaram frente ao

Boavista) mas não se coíbem de subir as suas linhas para defender alto. O Bayern apostou em

contínuas variações de flanco mas, em face do arrojo encarnado em subir as suas linhas, as

situações de duelo individual foram praticamente inexistentes. A atacar, o Benfica foi

ligeiramente diferente: procurou um jogo mais directo, com cruzamentos rápidos de flanco a

flanco. Objectivo: aproveitar as faltas de rotinas dos ditos centrais do Bayern, pensados mais

em termos de construção de jogo e menos em termos de rotinas assimiladas. Daí, também, o

aproveitamento dos lançamentos de linha lateral perto da área adversária.

 

Foi um Benfica lúcido e inteligente. Lúcido porque sempre percebeu que, caso o jogo se

resolvesse na Alemanha, nunca seria a seu favor. Isso seria uma utopia. Inteligente porque

arriscou sempre o quanto baste. Com cuidado. Para não perder as referências em termos de

organização defensiva. Quanto a mim, faltaram algumas lascas para o Benfica sacar o empate:

faltou um bocadinho mais de Sálvio, que tarda em explodir; uns pozinhos mais de Mitroglou; e

uma limagem de falhas pontuais em termos colectivos, como aquela que deu o golo do

Bayern. Mas, de resto, temos Benfica. Um grande Benfica europeu. E um Benfica que vai

tendo um jogador que se vai colando ao trio(Gaitán-Jonas-Júlio César), trio esse que faz a

diferença. Falo de Fejsa: impressionante a eficácia do sérvio ao nível da transição defensiva. Na

Alemanha foi, quanto a mim, o melhor em campo.

 

No Porto, os tempos não são fáceis. Nada fáceis. A melhor forma que encontro para descrever

o actual momento dos dragões é voltar aos tempos de escola: e lembrar-me daquele aluno

que tirou 10 no primeiro teste. Depois melhorou e obteve um 12; depois um 11 e um 13. O

pior foi que neste último teste tirou um 2. Ou seja, o Porto estava a registar melhorias,

sobretudo ao nível da construção ofensiva. Até que repente surge este jogo, frente ao

Tondela, em que não houve “ponta por onde se lhe pegue”. Zero. Estarmos a descrever o que

se passou naquela partida é supérfluo: pouca intensidade, pouca dinâmica, inexistência em

termos de estratégia. Um autêntico nada. Frente a um Tondela que, sendo último, é das

equipas que melhor ataca em Portugal.

 

A partir daqui há dois caminhos: ou o Porto entrou claramente em crise, com anarquia

instalada e arrastada até final da época; ou então o jogo frente ao Tondela foi a excepção que

não confirma uma regra de melhorias generalizadas. Sobretudo no plano ofensivo, o Porto

estava a ser mais versátil. Com mais soluções. Agora, e neste momento, podemos especular. É

o que vou fazer agora. Na minha opinião, o Porto esperava que o Benfica, sem Fejsa e Gaitán,

não passasse no Bessa e a partir daí começasse a perder gás. O golo de Jonas provocou(ou terá

provocado) uma autêntica tempestade de desanimação para os lados do Dragão. Balde de

água gelada. Era ali que era suposto o Benfica escorregar.

 

Quem não escorregou foi o Sporting. Neste jogo, era também expectável que não

escorregasse. O Belenenses tem uma filosofia própria: jogar de peito feito contra todas as

equipas, deixando para segundo plano as previsíveis derrotas frente aos ditos grandes. Com o

Sporting a recuperar muito alto(excelente exibição de Adrien), os leões apostaram num

futebol repleto de tabelinhas, boas triangulações, e jogadas aparentemente simples em que o

portador da bola tem sempre várias linhas de passe. Dentro do habitual, sem radicalismos. O

4x4x2 dá-se bem com o Sporting, e Teo Gutierrez dá-se bem com esse sistema. Entende-o na

perfeição.

 

Ora, se o jogo do F.C.Porto não teve ponta alguma, o do Sporting teve apenas uma. Com as

duas equipas a baterem-se de igual para igual, o Golias venceu naturalmente o David. Estava

escrito: em Belém nunca haveria muito para escrever.

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