2016-04-14 11:29:15

Guardiola perspicaz elimina Benfica

Guardiola perspicaz elimina Benfica

O técnico do Bayern povoou o meio-campo e com isso causou imensos problemas a um Benfica de muito mérito

 

Foram demasiados os constrangimentos que impediram o Benfica de sonhar com a qualificação. Ou, melhor dizendo, o Benfica não podia ter constrangimentos. Mas, na qualificação do Bayern, houve um tremendo mérito de Pep Guardiola. O espanhol acertou em cheio: abdicou de um ponta-de-lança em detrimento de um médio. Com o meio-campo fortalecido, e com o Benfica limitado, a supremacia tendeu naturalmente para o lado dos alemães, que assim conseguiram, também, explorar mais as alas do que aquilo que fizeram em Munique. Douglas Costa é um craque do outro mundo!

Faltou Jonas. E, sobre Jonas, diz-se muitas vezes que o brasileiro perde fulgor nos ditos jogos de maior importância. Puro engano. Puro engano sobretudo em termos de folha de excel, que não mede a importância do brasileiro na forma como cria linhas de passe a partir da zona defensiva, impedindo com isso que a equipa se parta, e acrescentando-se como mais um elemento no miolo. Impedindo, no caso, a superioridade do meio-campo alemão. Ou seja, o 4x2x3x1 foi a única solução que o Benfica tinha, e até teria sido uma boa estratégia caso Guardiola não tivesse percebido isso antes de todos os outros. Depois, o golo do empate do Bayern sentenciou a eliminatória. A partir daí pouco havia a fazer. Mas foi um tremendo Benfica europeu e, registe-se, não era nenhuma utopia eliminar um Bayern que vai somando erros defensivos em demasia para um candidato à vitória final na Liga dos Campeões.

Quem vive tempos difíceis é o F.C.Porto. Os dragões vivem numa nuvem de ansiedade em que qualquer erro é multiplicado inconscientemente em mais e mais erros, gerando-se uma espécie de maremoto de negatividade que leva tudo à frente. Em sentido contrário os aspectos positivos: tudo o que se faça de bem quase que desaparece de imediato. Como uma onda do maremoto.

Em Paços de Ferreira, a aposta em Suk mereceu reflexão: é certo que o coreano acrescenta poder de fogo a jogar de cabeça mas, quando tido como única referência no eixo do ataque, parece perdido. Parece formatado a ter um parceiro de ataque. Neste jogo, pedia-se que descesse e desse apoio aos médios. Tal nunca apareceu e isso foi fatal para um Porto que teve posse de bola, alguma segurança a defender e mesmo uma primeira fase de construção com racionalidade. Depois, defender com poucos homens cá atrás não é cisma: é assim que as equipas de Peseiro jogam. Com poucos homens no processos defensivo.

 

A contestação em torno do treinador é legítima e aceita-se como válido o argumento de que o dito maremoto pode não dar o elan emocional que uma equipa grande precisa para triunfar. Aí há que mudar. Há um barco mas há um conjunto de remadores que argumenta que o rumo é para norte e um outro que argumenta que o rumo é para sul. Eu acho que o Porto precisa de gelo. De tranquilidade. Se a palavra “cisma” não cola, talvez a mais apropriada seja “karma”. Lembremo-nos do primeiro ano de Vítor Pereira, em que uma derrota frente à Académica por 3-0 levou à critica generalizada. Vítor Pereira era o aselha em forma de treinador. Certo é que o mesmo Vítor Pereira, quando o mar se tranquilizou, levou o Porto mais fraco dos últimos anos ao título nacional e aos oitavos de final da Liga dos Campeões. Um verdadeiro caso de estudo!

No Sporting, a opção para o resto da temporada parece estar tomada: é em 4x4x2 que se vai, e Teo Gutierrez é o jogador que personifica todo esse sistema. No entanto, não é um jogador decisivo. Decisivo é Adrien Silva: sem ele, o Sporting perde muita capacidade em termos de reacção à perda. Com isso, o seu futebol de posse, ensaiado e treinado ao milímetro, parece fazer-se uns bons metros atrás daquela que seria a zona de perigo. Depois, a opção por Bruno César é bem sacada nalguns jogos, mas cria dúvidas noutros: frente ao Marítimo, os rápidos avançados insulares aproveitaram muito o espaço deixado vago numa retaguarda que se apresenta bem mais sólida em termos de jogo aéreo: Coates e Rúben Semedo parecem estar de pedra e cal.

Cá para baixo, o Tondela vai reagindo naturalmente, ciente de que o seu ataque tem capacidade para marcar golos em todas as partidas. Já a Académica parece ter limitações básicas em termos de plantel. No Boavista, o fim-de-semana foi pautado por alguma infelicidade: seja como for, os axadrezados aproveitaram o mercado de inverno para criarem referências em termos de processo ofensivo. Com isso, tornaram-se mais sólidos e quase que obliteraram meio bilhete para a presença na liga principal do próximo ano. 

 

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