2016-04-27 16:00:57

O cérebro vale mais que o orçamento

O cérebro vale mais que o orçamento

Benfica com dificuldades para contrariar grande organização defensiva do Rio Ave. Pedro Martins é um dos melhores treinadores do campeonato português

O Benfica venceu em Vila do Conde e somou mais três pontos na luta pelo título. Mas, acima de tudo, conseguiu vencer-se a si próprio e tornar residuais alguns problemas que vai tendo. O Ferrari do Benfica tem um óptimo motor mas uns parafusos fora do sítio. Sobretudo do lado direito. Ou seja, é um Benfica que vai procurando um flanco esquerdo para atacar em vez de um flanco direito que se ressente da quebra de rendimento de Pizzi e do eclipse de Nelson Semedo(André Almeida tem outras características).

Não deixa de ser um Benfica interessante. No entanto, palmas para o Rio Ave. No jogo do passado domingo, Pedro Martins provou, mais uma vez, que não é preciso ter uma equipa com um grande orçamento para se saber defender de forma notável. Impecável. Os vila-condenses foram exímios no controlo da profundidade, tornando difícil a penetração e a descoberta de espaços. Tornando difícil a tabelinha e o “escarafunchar”, ou seja, o jogo de improviso que tantas vezes resolve jogos. O Rio Ave foi puxando o provável para o seu lado, deixando pouco espaço à surpresa e ao acaso.

Se a surpresa e o acaso foram contrariados, só mesmo uma infelicidade deu o golo aos encarnados. É certo que Rui Vitória teve mérito nas substituições efectuadas, sobretudo por ter conseguido sobrecarregar  uma dianteira de soluções e contrabalançar esse mau desígnio do seu flanco direito. Mas foi um Benfica afortunado. Sobretudo afortunado. Uma fortuna que se construiu também numa organização defensiva notável, onde Fejsa vai cimentando a sua exímia em termos de transição defensiva. Nesse aspecto específico do jogo, é o melhor do campeonato.

Por falar em melhores do campeonato, se há jogador que lucrou com a vinda de Jorge Jesus para o Sporting foi João Mário. Dos mais inteligentes do campeonato, com clara noção de quando deve equilibrar o jogo, seja através da ala, seja através do miolo. Mas há algo que chama mais a atenção: a forma como interpreta os ritmos de jogo. Acorda-o, adormece-o e agita-o. Com Slimani a marcar pontos ao nível dos apoios frontais, destaca-se no Sporting a forma como os jogadores estão juntos e, de forma automática, têm sempre diversas linhas de passe ao dispor.

É certo que o treinador vai fazendo opções específicas em função do adversário. No caso, surpreendeu a inclusão de Bruno César em detrimento de Bryan Ruiz. Há diferenças entre os dois jogadores: se Bruno César procura zonas mais centrais, Ruiz desequilibra mais a partir do flanco esquerdo; Ruiz é também mais eficiente ao nível do passe longo. No entanto, Bruno César(o tal triplista que o Benfica vai tendo em Talisca e o Porto em Sérgio Oliveira), tem um melhor rendimento em termos de passes decisivos.

Por falar em Sérgio Oliveira, trata-se de um jogador que tem aproveitado a “era Peseiro” para se afirmar. É um elemento que, pisando os terrenos certos, tem uma capacidade inata de sair de zonas de conflito(ganhar duelos) e fazer transportar a bola para áreas mais adiantadas. O Porto vai crescendo em termos de posse de bola e, ao contrário do Benfica, tem um flanco direito bastante fértil em soluções:  Maxi é praticamente um ala, sendo solicitado de forma constante pelos colegas.

Quanto a mim, e numa análise imediata, há dois aspectos que fazem o Porto estar melhor: o primeiro diz respeito à preocupação dos jogadores em realizarem remates devidamente enquadrados com a baliza, enquadrando também os modelos de jogo com essa premissa. Rematar sim mas rematar bem. O segundo diz respeito à tal questão das transições defensivas. É lógico que a opção por Danilo Pereira assenta bem em jogos frente a equipas que defendem muito pois, no caso, os centrais são os primeiros médios e o Porto não estava a ser propriamente um exemplo em termos de construção de jogo a partir de trás. Tudo isso é válido. No entanto, é toda a forma como a equipa se reposiciona quando perde a bola que tem sido melhor. Bem melhor. E José Peseiro lá vai ganhando as suas pequenas batalhas, e tornando o Porto mais preparado para as guerras vindouras!

 

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