O jogo e as ideias

O jogo e as ideias

Há já muito tempo que o clubismo me deixou.  A razão e a paixão pelo jogo, levaram-me para longe dos fundamentalismos que reinam na opinião pública. 

Hoje em dia, não desvalorizando o gosto que tenho pelo meu clube, são as ideias que me apaixonam. Vejo-me a torcer por equipas em função daquilo que elas trazem para o relvado. 

As ideias. São elas que me tornam adepto. 

Ontem, como em muitas outras noites, vi-me agarrado ao ecrã a torcer por aqueles que defendem aquilo em que acredito. 

Ontem, não foi a "posse de bola" que perdeu. Foi muito mais que isso. 

No final, vejo comentadores a rejubilarem com a derrota do maior pensador da modalidade. " A diferença está na qualidade da organização defensiva", dizem eles. 

Mas qual organização defensiva?! 

É certo que há mil formas de ganhar. Mil caminhos para o sucesso. Mas para bem do jogo, é bom que se valorizem as boas propostas....as boas ideias. 

E a avaliação das ideias não surge por gosto pessoal. As que permitem a criação de um maior número de oportunidades de golo ao mesmo tempo que não concedem chances ao adversário, são as melhores. Porquê? Porque é essa génese do jogo. É isso que ele pede. Marcar mais que o adversário. 

Existem mil e um caminhos para o sucesso mas não podemos afirmar que aqueles que diminuem as probabilidades de sucesso são os melhores. Um treinador que proporciona que a sua equipa vá uma vez à baliza adversária, nunca poderá ser melhor do que aquele que dá aos seus jogadores ferramentas que lhes permitem criar dez vezes mais oportunidades. 

Ah, mas nem todos tem as mesmas armas. Verdade. 

Mas será este o caso? O Atlético é uma equipa grande, com um orçamento gigante e com um gasto em transferências superior ao do Bayern. O Atlético não é uma equipa sem armas....é uma equipa que não quer ter armas. 

Jackson não serviu, Óliver não serve... tudo porque a equipa se nega a ser grande. Não criam menos porque não podem ou não conseguem...criam menos porque querem e acreditam que é a melhor forma de ganhar. É, sobretudo isto, que não gosto. 

Há muito a aprender com Simeone. A forma como é capaz de influenciar os seus jogadores é fantástica. Colocar jogadores talentosos a jogar aquele tipo de jogo, sucessivamente, com aqueles níveis de agressividade, é sinal de competência. Talvez por nunca terem sido treinados por Guardiola, os jogadores desfrutam. Do jogo? Não me parece...acho que desfrutam da vitória. 

Ninguém sonha ser futebolista para sofrer e lutar. 

No dia em que isso acontecer vamos ter mais Simeones que Guardiolas, e, aí,quando ninguém quiser ter a bola, vão ter saudades de quem a tratava bem. 

 

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Sobre Bruno Fidalgo

Bruno Fidalgo

"Gosto de ser genérico. No futebol, tens de tratar de entender os momentos do jogo e dar as soluções que o momento do jogo precisa. Às vezes tens espaço, às vezes não tens, tens que o procurar. Ao fim ao cabo queremos tudo. Ser capazes de entender bem cada momento e dar respostas a esse momento. Sabendo, efectivamente, que queremos ter bola, queremos ser protagonistas. Sabemos que às...

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