2016-05-24 12:27:19

Braga foi vencedor injusto

Braga foi vencedor injusto

Qualidade colectiva dos arsenalistas não está em questão. Mas devia ter sido o F.C.Porto a levar o troféu

A Taça de Portugal teve um vencedor injusto. Na realidade, o Braga não foi superior ao Porto e foi mesmo neutralizado em termos ofensivos. É claro que a frieza do desfecho dita as suas regras. O Braga venceu com dois golos anedóticos. O Porto perdeu ao marcar dois golos resultantes de envolvimento colectivo. Mas supostamente tudo vai mal no dragão.

 

Ou não. É claro que não podemos ser obtusos e dizer que o Porto está forte. Mas, ainda assim, estará mais perto da glória do que da catástrofe. No Jamor, foi a única equipa que quis ganhar, sobretudo na segunda parte, quando corrigiu um grande problema chamado Chidozie.

 

O jovem jogador nigeriano até que nem é inapto. É bom nos duelos aéreos e, a sair a jogar, até tem critério e capacidade de decisão. O problema é o psicológico. A defesa do F.C. Porto vive tempos de grande tensão e Chidozie é o primeiro a ressentir-se. No Jamor, tal reflectiu-se em anarquia de posicionamento, hesitações constantes e uma instabilidade que tornou a equipa vulnerável. Notou-se, na equipa, algo que já aconteceu (jogo com o Moreirense, por exemplo): uma formação com medo de subir as suas linhas porque, caso se partisse, a transição ofensiva do adversário poderia ser fatal.

 

Na segunda parte, e apesar do golo caricato, os dragões instalaram-se no meio-campo adversário. Mesmo faltando mais soluções entrelinhas, os dragões mostraram versatilidade. André Silva, entre o central e o lateral, abriu espaço para o meio e flanco direito, onde o Porto é mais forte. Frente a um Braga que praticamente abdicou de jogar, refugiando-se em linhas de excessiva prudência e na sua forte organização defensiva. Mas era preciso muito mais para ser um justo vencedor.

 

Na Taça da Liga, houve um vencedor natural. No entanto, o Marítimo foi a equipa que mais atacou. Não deixa de ser estranho. A chave da vitória esteve na organização defensiva e na forma como o Benfica não se desorganizou quando perdeu a bola, ao contrário do que aconteceu com os insulares. Verdade seja dita, o Marítimo até que tem um bom ataque. Foi assim que foi pensado no início da época por Ivo Vieira.

 

Mais um troféu para um Benfica que vive tempos de gáudio. A águia vai serena e comunica bem, estancando a euforia generalizada. Nesta final da Taça da Liga, o Benfica continuou a mostrar-se coxo pelo flanco direito, fazendo valer-se da produção ofensiva pelo centro e pela esquerda para se tornar eficaz. Todavia, e em face da enxurrada ofensiva de um lado e do outro, nem foi dos melhores jogos de um Benfica que se apresentou neste final de época um bocadinho abaixo daquilo que produziu.

 

Agora, é tempo de se falar de selecção. De facto, temos selecção para ter ambição. Concordo com Fernando Santos: bem afinados, dificilmente alguém nos ganha. Um seleccionador prudente nas abordagens, que aposta numa defesa experiente e com menor propensão ao erro (um pouco em antítese com o que acontece com o F.C.Porto); um seleccionador que vai interpretar as virtudes do 4x4x2, retirando vícios de futebol pela ala que estavam obsessivamente encarreirados no ADN da selecção; e um seleccionador que tem a particularidade de apostar de forma felina nos últimos minutos de jogo (mais descontos) e daí tirar excelentes dividendos.

 

É claro que a selecção é, na verdade, uma sequência de selecções. Mais do que o triunfo da selecção de sub-17, o que importa reter é a regularidade de resultados. Ainda há poucos meses os sub-21 marcavam presença num final. E tal reflectir-se-ia à posteriori  também na selecção nacional, com jogadores habituados a grandes competições e finais. Em termos de camadas jovens, a selecção recupera de um quase fatal período de carência entre 2003 e 2011. Um quase fatal período de carência que começou por ser redefinido por Queiroz e depois por Paulo Bento, com uma nova visão para as selecções jovens. E daí o efeito dominó até à equipa principal. O problema do efeito dominó é que geralmente só se olha para a última peça e nunca para a primeira. Um pouco com o que acontece com Peseiro no F.C.Porto. É futebol. É a lei da vida.

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