2016-06-08 12:04:39

Portugal pode ganhar o Euro

Portugal pode ganhar o Euro

Selecção «A» trabalhada em rede e não em silo com benefícios à vista

Podemos ganhar o euro!

 

Digo-o sem emoção e com toda a racionalidade. Nunca estive tão confiante em relação a uma competição internacional como estou este ano. E já nem me refiro à qualidade “pura e dura” da equipa portuguesa. Que existe, sem dúvida. E, olhando para as demais selecções, concordo na íntegra com Fernando Santos: em condições normais dificilmente alguém nos ganha. Mas a minha confiança reside em dois outros factores que “apareceram” este ano.

 

Sempre defendi que a abundância de alas talentosos era um “benefício com espinhos” para a selecção portuguesa. Isto porque a espectacularidade que conferem não é propriamente sinónimo de eficiência. O futebol evoluiu noutro sentido: cresceu a importância do 4x4x2, do jogo interior e dos laterais ofensivos, de propensão para o jogo ao longo de todo o corredor. Hoje, o lateral até pode valer mais que o ala. É claro que há excepções à regra mas atente-se naquilo que se passa ao nível dos clubes e da sua formatação no 4x4x2 – o dito “sistema da moda”. Mais ou menos losango, com mais ou menos linhas paralelas, certo é que o 4x4x2 veio para ficar. E para triunfar. Neste momento, o 4x4x2 vale mais que o 4x3x3.

 

Veja-se, por exemplo, por que razão Cristiano Ronaldo conseguiu dar um salto de qualidade considerável em relação aos outros alas que saíram de Portugal. Para além de ter adquirido rotinas de ponta-de-lança nas camadas jovens do Sporting (teve treinadores que perceberam isso) também ele próprio se preparou para pisar terrenos mais centrais, ser um goleador, afirmar-se como o goleador mais eficaz do mundo. Agora, o passo colectivo nacional é seguir as pisadas do nosso jogador mais conceituado.

 

Esse é o primeiro factor extra da minha confiança. Portugal assumiu a tendência e rendeu-se ao 4x4x2. E não foi de forma abrupta mas sim de forma ponderada. Veja-se o que aconteceu no europeu de sub-21 de 2015 onde Portugal, em 4x4x2, chegou à final da competição. Um pouco na sequência da “geração trabalho” de 2011, vice-campeã do mundo de sub-20, onde os primeiros resultados começaram a surgir.

 

Aliás, o principal exemplo do malefício do 4x3x3 aconteceu em 2006 com Luiz Felipe Scolari. Portugal chegou às meias-finais do mundial e era, até de longe, claramente a melhor equipa das quatro que chegaram àquela fase da competição (com França, Itália e Alemanha). Naquela meia-final, a ladina França deixou Portugal refém do seu 4x3x3 e de um treinador pouco hábil na forma como antes nunca trabalhara a sua equipa a jogar noutro sistema. Resultado: qualificaram-se os ladinos, ficaram para trás os melhores. Mas muito melhores naquela altura!

 

Scolari fez, a propósito, o contrário daquilo que devia ter sido feito. Olhou para a selecção como uma ilha e não como uma sequência de selecções que, trabalhando em rede, devem caminhar para um mesmo fim. De 2003 a 2011, as selecções jovens de Portugal tiveram resultados muito aquém das expectativas. Com isso, gerou-se uma factura que foi paga por Carlos Queiroz e por Paulo Bento. Dois treinadores que, malgrado todos os defeitos tácticos que lhes possam ser imputados, tiveram o mérito de perceber e interpretar a visão de selecção em rede e nunca em silo.

 

E o segundo factor extra da minha confiança é mesmo esse: o trabalho em rede. Que começa na base da pirâmide e termina no seu topo (selecção principal). Agora, é tempo de recolhermos os frutos dos bons resultados obtidos pelos mais jovens eles que, com experiência internacional no passado, estão mais tarimbados para vencerem no futuro.

 

Por isso, vencer o europeu não é uma utopia. Pode ser uma realidade.

 

 

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