Gestão do jogo, da equipa e das competições

Gestão do jogo, da equipa e das competições

A crítica ao treinador surge de todo o lado. A verdade é que todo o Português é um treinador de bancada, e mesmo aqueles que se dignam de não acompanhar futebol, têm o hábito de deixar a sua opinião, muitas das vezes crítica e não construtiva. Deste modo a profissão de treinador torna-se uma das mais criticadas, se não mesmo a mais criticada em Portugal e no mundo.


Todos gostam de ver os melhores a jogar, e todos têm os seus favoritos, fazendo com que nesta multiplicidade de opiniões haja sempre várias que sejam críticas à tomada de decisão do treinador, seja no onze inicial, seja nas substituições, seja no modelo de jogo, seja na colocação/posicionamento dos jogadores em campo, etc.


No entanto o treinador tem a responsabilidade de não pensar como um adepto, ver o jogo no seu todo e pensar qual será a melhor estratégia para alcançar o objectivo para esse jogo e para a competição ou competições em que participa, tendo em conta os seus jogadores, o momento de forma destes, a equipa adversária, o contexto, as situações que podem decorrer no jogo, o próximo jogo, a proximidade deste, a gestão do esforço dos atletas, etc, e deste modo trabalhar a estratégia que lhe parece mais acertada, podendo esta por vezes não ser vista como a mais correcta para a generalidade dos adeptos/espectadores.

 

 

Abordemos então por temáticas:


- 11 inicial. Terá este de ser composto pelos melhores jogadores do plantel? Não, de modo algum. Um plantel carenciado de equilíbrio ou de jogadores em bom momento de forma, pede que a gestão do onze inicial seja bastante cuidada, de modo a permitir que haja soluções viáveis no banco e que estas possam trazer algo novo ao jogo. Uma equipa sem soluções no banco é uma equipa que não vai conseguir alterar o rumo do jogo, no entanto, uma equipa com jogadores em baixo de forma, facilmente poderá fazer substituições e mudar o rumo dos acontecimentos, quer na procura de um resultado positivo quer na defesa de um resultado favorável;


- Sistema táctico/modelo de jogo. Este varia de treinador para treinador, e da sua perspectiva de abordagem ao jogo. Há treinadores que utilizam sempre o mesmo sistema e modelo de jogo seja qual for o adversário, há aqueles que variam consoante o adversário, moldando a sua equipa em função do que acham mais correcto para atingir o seu objectivo nesse jogo. Por muito que se opine, o treinador é que está dentro do processo e sabe a condição dos jogadores do seu plantel, gerindo estes em função do seu objectivo;


- Substituições. Como já referido anteriormente, as substituições tornam-se fundamentais num jogo, podendo dar mais projecção ofensiva à equipa de modo a procurar um resultado favorável ou procurar fechar a equipa na manutenção deste. Torna-se absolutamente fundamental que no banco estejam jogadores em forma capazes de trazer soluções à equipa, nem que para isso se tenha de ceder um bocado no 11 inicial. A equipa não deve ser construída em função dos melhores jogarem de início mas numa base de estudar todas as possibilidades e gerir o jogo consoante os seus momentos e necessidades;


- Gestão das competições. Essencialmente em torneios de curta duração e multiplicidade de competições, é importante fazer uma gestão dos jogadores consoante a importância das competições e dos jogos. Em competições com fase de grupos e eliminatórias, como as competições continentais e inter-continentais, essencialmente no final de uma época desportiva desgastante, pode ser importante gerir os jogadores na sua primeira fase para se apresentarem em melhores condições físicas para as eliminatórias. Assim como, havendo multiplicidade de competições, sendo os jogos bastante próximos uns dos outros, haver uma gestão cuidada dos plantéis de modo a que não haja um desgaste dos jogadores para a parte final dos campeonatos, onde normalmente surgem as decisões.

 

Dito isto, a posição do treinador é sempre complicada. Sujeito a críticas por parte dos adeptos caso não coloque a jogar de início os jogadores que estes acham que devem jogar, sujeito à pressão da direcção na busca dos objectivos da equipa, sujeito a calendários sobrelotados de jogos, ainda tem que saber gerir a equipa de modo a poder competir em todas as frentes, gerir os jogadores de modo a estes não acusarem fadiga nos jogos e nas fases de decisão e procurar com tudo isto gerir jogo a jogo de modo a alcançar os objectivos propostos.

 

 

Serginho

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Sobre Serginho Lopes

Serginho Lopes

Licenciado em Psicologia do Desporto e Exercício pela Escola Superior de Desporto de Rio Maior - Instituto Politécnico de Santarém. Treinador de futebol com curso UEFA B pela Federação Portuguesa de Futebol. Experiência em futebol sénior, futebol feminino, futebol de formação, futebol de praia, futsal e coordenação de departamento de futebol. Treinador competente, apaixonado por...

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