Defesa à Zona - Organização defensiva do séc. XXI

Defesa à Zona - Organização defensiva do séc. XXI

Artigo que descreve os princípios fundamentais da defesa à zona e que relata a base de um estilo de organização defensiva no futebol.

A defesa à zona é atualmente um dos temas mais debatidos no futebol e teve um impacto tremendo no início deste século em Portugal com o sucesso de José Mourinho a nível nacional e internacional, apesar deste tema, ser já estudado e divulgado há vários anos na Europa.

A 1ª definição de defesa à zona encontrada na literatura foi a de Garel (1974, cit. por Amieiro, 2005), e diz que defender à zona consiste em manter um bloco defensivo entre a bola e a baliza, onde cada jogador é responsável por uma zona, atuando nesse espaço quando a bola entra nesse mesmo espaço, não se preocupando com os adversários.

Apesar de a definição anterior ter alguns pontos concordantes com o conceito de defesa à zona, ela está na sua maioria em desacordo com o que realmente é, no entanto, existem muitos treinadores que ainda veem este tipo de organização defensiva como se cada jogador fosse responsável defensivamente por uma zona ou definem zona como defenderem todos jogadores atrás da linha da bola. Erros graves sobre o conceito de defesa à zona.

A defesa à zona surge a partir da necessidade de resolver dois problemas: 1º – a dificuldade de num determinado momento do jogo em que estamos a defender, ser impossível tapar todos os espaços de progressão do adversário; 2º – a orientação defensiva em função do adversário quando temos numa determinada situação de jogo objetivos distintos, aumentará a dificuldade de quem defende, porque os defensores serão guiados pelos atacantes para zonas que mais convém à equipa com bola.

Então, na defesa à zona a principal referência defensiva da equipa é a posição da bola e não do adversário e, com a impossibilidade de cobrir todos os espaços de progressão, a defesa à zona considera que existem espaços mais valiosos que outros, ou seja a defesa à zona define os espaços próximos da bola, os espaços entre a bola e a baliza e os espaços que o treinador considera importantes de defender para o seu tipo/estilo de jogo como os mais valiosos.

Outra referência importante no comportamento defensivo de cada jogador é o posicionamento dos companheiros de equipa, isto é, em função do posicionamento da bola, deve haver uma forma coordenada de defender os espaços mais valiosos por parte de todos os jogadores, principalmente a preocupação com as distâncias entre setores, com a comunicação entre jogadores do mesmo setor e com um sistema de coberturas constantes em função da posição da bola. Muitas vezes, a simples desconcentração ou a preocupação exagerada com o adversário de um determinado jogador pode desorganizar todo o bloco defensivo de uma equipa.

Nesta forma de organização defensiva em zona, o único adversário que será referência, será o portador da bola, porque um dos princípios da defesa à zona é a pressão ao portador da bola e zonas próximas, condicionando ao máximo as suas ações. Neste sentido toda e qualquer marcação a adversários sem bola, será sempre como consequência de um correto posicionamento em função da bola, onde os adversários sem bola poderão situar-se circunstancialmente.

Exemplo de organização defensiva em zona

Resumindo, pegarei nas palavras de Amieiro (2005) para clarificar os princípios de defesa à zona. Este autor diz: 1) os espaços são a referência-alvo de organização defensiva; 2) a grande preocupação é “fechar como equipa” os espaços mais valiosos (os espaços próximos da bola); 3) a posição da bola e, em função desta, a posição dos companheiros são as grandes referências de posicionamento; 4) cada jogador, de forma coordenada com os companheiros, deve fechar diferentes espaços, de acordo com a posição da bola; 5) existência de um “sistema de coberturas sucessivas” entre a bola e a baliza é um aspeto vital; 6) pressão ao portador da bola para este estar condicionado em termos de tempo e espaço para pensar e executar; 7) é a ocupação racional dos espaços mais valiosos, que permite “por arrastamento” controlar os adversários sem bola; 8) qualquer “marcação” próxima a um adversário sem bola é sempre circunstancial e consequência dessa ocupação espacial racional.

Portanto, como amantes do futebol, quando observarem uma equipa na TV ou ao vivo, se verificarem que essa equipa defensivamente está compacta tanto em largura como em profundidade (bascula, tem setores juntos), que permite poucos ou nenhuns passes para a frente na zona da bola, que cria superioridade numérica nos espaços que eles consideram mais valiosos, que as zonas e os momentos de maior pressão ao portador da bola são preferencialmente as mesmas do início ao fim do jogo ou até alguma alteração estratégica e que não se verificam constantes perseguições aos adversários, essa equipa apresenta como grande princípio defensivo a organização defensiva coletiva à zona.

 

Pontos-Chave:

A Defesa à Zona é uma forma de organização defensiva que está em moda nas grandes equipas europeias e mundiais.

A Defesa à Zona surge como resposta à impossibilidade de ocupar todo o espaço de progressão do adversário e à cada vez maior vulnerabilidade da defesa individual (marcação homem a homem)

A Defesa à Zona é uma forma de organização defensiva coletiva, que tem como referência defensiva fundamental o posicionamento da bola em detrimento do posicionamento do adversário, considerando como espaços mais importantes, os espaços próximos da bola, os espaços que estão entre a bola e a baliza.  

 

Cláudio Costa

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Sobre Cláudio Costa

Cláudio  Costa

Sou treinador de futebol desde que acabei a minha licenciatura em Ciências do Desporto pela Universidade de Coimbra. Reforcei o meu conhecimento com mestrado em Treino Desportivo para Crianças e Jovens também na UC e desenvolverei a partir deste ano um conhecimento ainda maior com entrada no mestrado em alto rendimento desportivo na Universidade do Porto. Portanto a minha área profissional...

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