2016-09-07 11:43:16

O erro holandês

O erro holandês

Ausência da Holanda no Euro 2016 deve servir de exemplo aos portugueses

Foi uma lição de humildade vinda da Suiça. Assim não. É necessário não cair no chamado erro holandês. A Holanda, semifinalista do Mundial de 2014, entrou no apuramento para o Euro 2016 com uma profunda remodelação táctica. Do 3x5x2 sólido ao 4x3x3 “pseudodominador”, da derrota frente à Islândia, contra a República Checa. Do oitenta ao oito. E fora do europeu. Portugal não pode cair nesse erro.

É certo que Portugal precisa de realizar uma mudança de paradigma pois não pode jogar tanto em função do adversário como o fez no Europeu. Agora, a mudança não pode ser tão abrupta. Portugal é o Campeão Europeu mas não é a melhor equipa da Europa. Isto é a realidade. E jogar frente à Suiça sem a consistência defensiva necessária dá asneira. Porque os suiços são bons. E perder frente ao adversário directo do grupo de qualificação não é positivo sobretudo quando temos a sensação de que, com o contexto adequado, Portugal não perderia o jogo. Dificilmente perderia o jogo.

No jogo de ontem não gostei de Portugal e, pela primeira vez, não gostei da abordagem de Fernando Santos (com excepção das substituições). Portugal começou a partida num ritmo alto. Demasiado alto cometendo, por curiosidade, o mesmo erro que a França cometeu na final do Europeu. Adivinhava-se um jogo partido, de transições, jogo esse que pediria mais um elemento bloqueador dessas mesmas transições (Danilo Pereira) e não William Carvalho, que é menos eficaz em transição defensiva mas que tem a capacidade de pegar no jogo mais à frente. Depois, se há jogo em que Portugal deveria ter jogado em função do adversário seria este. Com Nani e Bernardo Silva a procurarem zonas interiores a partir da faixa e Éder em busca do espaço daí resultante, Portugal foi perdendo elementos no meio-campo, permitindo as acelerações da equipa suiça que causaram mossa no europeu. Ou seja, quanto a mim, jogar com Bernardo Silva foi um risco tremendo, pensando-se mais na componente da exploração dos pontos fracos do adversário do que na salvaguarda de uma equipa que lá por ser campeã da Europa não deixa de ter pontos fracos. Depois, na frente de ataque, André Silva está bem mais definido para jogar em 4x4x2 do que Éder. Em suma, Portugal pensou no jogo compulsivamente para o ganhar e dar uma demonstração de força que não tem. O tal efeito “pseudodominador”.

Na segunda parte Portugal esteve mais consistente. Voltou à fórmula do euro. André Silva e João Mário equilibraram a equipa. As pequenas diagonais e os movimentos interiores de André Silva bem como a capacidade de circulação oferecida por João Mário puseram a equipa mais perto daquilo que ela realmente é. Mais perto da sua realidade actual. Depois, pós-equilíbrio da equipa, a presença de Quaresma nas faixas deu o desequilíbrio necessário à criação de oportunidades. Em termos de substituições nada a dizer. O problema foi correr-se escusadamente atrás do prejuízo. É claro que a tudo isto há que juntar os erros individuais. Não se admite o laxismo que William Carvalho mostrou no segundo golo suíço, por exemplo. E já nem vou mais longe. Acima de tudo, lição de humildade e o valor de Portugal colocado no seu devido lugar. Portugal não é a melhor equipa da Europa.

Boas notícias para os sub-21. É fundamental a presença das equipas jovens portuguesas na fase final de grandes competições. Para depois se ver o efeito-réplica na selecção sénior. Nos sub-21 cresce a importância de Gelson Martins, aproveitando-se o bom trabalho que o extremo tem realizado no Sporting. Fosse como fosse o importante era mesmo a vitória.

Sobre os clubes, nota para um pequeno pormenor por parte de Luís Gonçalves, novo responsável máximo do futebol dos dragões, que não posso deixar de registar. Kelvin regressa em Dezembro. O tal que marcou um golo ao Benfica que se tivesse sido o Messi teria sido de génio mas como foi de Kelvin foi simplesmente um laivo de jogador castiço de cabelo extravagante. Eu continuo a achar que há muito mais jogador por detrás de Kelvin do que aquilo que se pensa. Mas, para já, Kelvin ainda é apenas um pequeno pormenor!

 

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