2016-09-15 17:00:53

Super Sporting traído por detalhes

Super Sporting traído por detalhes

Sporting mostrou argumentos de grande equipa europeia. Fora do campo, leões mais sólidos na transmissão da mensagem

Um Sporting destemido. Destemido e realista. Um Sporting que percebeu que teria de ser dominado mas que nunca se acanhou. De tal forma que a derrota até acaba por ser o tema residual de uma exibição de gala. E ficou uma candidatura séria a um lugar de destaque na Liga dos Campeões deste ano.

O Sporting continua a ter o melhor colectivo do campeonato português. E está a reagir bem ao facto de estar a “levar por tabela” do Europeu de França. Frente ao Real Madrid, os leões tiveram sempre a preocupação de ter a superioridade numérica no meio-campo, de forma a não cair no duelo individual. Ou seja, o Real Madrid pode-se dar ao luxo de ter uma equipa tacticamente estática, pois os momentos em que o adversário cai no erro do duelo individual tendem sempre a seu favor. O Sporting não caiu nesse erro e, inclusive, soube provocar a recuperação de bola em zonas adiantadas do terreno como é, aliás, apanágio da equipa portuguesa.

É claro que nestas situações há detalhes que não correm bem. Frente ao Real Madrid os detalhes têm de ser reduzidos ao mínimo. A vitória do Real Madrid acaba por surgir não por uma questão de contexto, não por uma questão de percepção daquilo que devia ter sido feito, mas antes por questões individuais que têm de ser trabalhadas. Depois, claro está, as entradas de James, Morata e Lucas Vasquez deram um novo fôlego a um Real que é lúcido durante 100 minutos de jogo. O Sporting vai-se desligando a partir dos 90. Detalhes que valem jogos. Destaque individual para Gelson Martins: craque puro. Craque puro em tudo mas também pelo determinante detalhe de enfrentar da mesma forma um jogador da distrital ou um consagrado como Sérgio Ramos.

O Sporting vai crescendo também externamente. Está menos efervescente, falando menos mas de forma mais assertiva. Corrige uma situação verificada na temporada passada em que criou uma espécie de turbulência de fora para dentro. Agora, até pelo apoio dos adeptos em Madrid, realiza um bem sucedido processo inverso de direccionar as energias de dentro para fora. Efeito-réplica. Caminho correcto.

Ao Porto faltou mobilidade ofensiva para desequilibrar em ataque organizado. Depois, os dragões não se sentem propriamente cómodos quando têm de enfrentar equipas que joguem com laterais subidos. Mérito para o Copenhaga, que estudou muito bem o Porto e soube “massacrar” os dragões nesses dois aspectos específicos do jogo. Há também uma questão individual chamada Miguel Layún: o mexicano é tecnicamente evoluído, sabe jogar e ofensivamente desequilibra. O problema é que joga a lateral-direito. Recebe e vai para dentro. Recebe e vai dentro. Com isso, o jogo do Porto naquele sector perde a dimensão necessária em termos de faixa. Há ali um problema. Há ali um problema de haver um jogador com rotinas de médio a jogar a lateral quando seria preferível ter um lateral menos evoluído tecnicamente a desempenhar bem o seu papel .Como lateral.

O Benfica teve problemas ofensivos frente ao Besiktas. Sem Jonas, sobretudo, os encarnados perdem capacidade de temporização na frente de ataque, fazendo com que a circulação de bola se faça em zonas mais recuadas. Isso e outros factores, como a ligação da ala ao meio, por exemplo, que serviu de génese à dinâmica ofensiva evidenciada na época passada.

 Tal como o Copenhaga, também o Besiktas realizou um bom trabalho de casa, sobretudo na segunda parte. Os turcos perceberam que estavam a lateralizar demasiado o seu jogo ofensivo e colocaram Talisca em campo. Passaram a ser mais perigosos e a desviar o centro de acção do jogo. O Benfica usava e abusava das diagonais dos alas para criar perigo, até porque não havia outro caminho para assustar os turcos. O Besiktas empatou com fortuna, é certo, mas já o merecia há algum tempo.

Mas o Besiktas, mesmo a entrar no jogo, não o fez à toa. O Benfica vai continuando permeável em termos de jogo aéreo e, daí também, o Besiktas não ter tido problemas em apostar nos cruzamentos vezes sem conta.

Os três jogos deixam no ar uma reflexão importante: o estudo pormenorizado do adversário, às vezes, vale mais que o talento. Um estudo que vai derrubando os obstáculos e os detalhes.  Nesse raciocínio enquadram-se Sporting, Copenhaga e Besiktas, os ditos menos favoritos que saem desta jornada europeia com a moral em alta. Um pouco na onda daquilo que aconteceu à selecção portuguesa no Europeu. Não frente à Suiça. A selecção portuguesa Campeã da Europa.

 

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