2016-09-21 10:43:39

O leão também tem dias assim

O leão também tem dias assim

É preferível o caminho da meritocracia em vez da pseudo lição de humildade

Eu não diria que o Sporting recebeu uma lição de humildade. Ir por esse caminho seria ter um pensamento radical: o Sporting seria uma das melhores equipas da Europa depois da performance de Madrid e agora seria uma banal equipa da liga portuguesa depois da derrota em Vila do Conde. Nem tanto ao mar nem tanto à terra. O Barcelona também perdeu em casa com o Alavés e isto para não puxar mais pela cabeça.

E seria, também, tirar mérito a um Rio Ave que jogou bastante bem. Que aproveitou, quanto a mim, a falta de coesão de um meio-campo leonino que pareceu construído com legos soltos e não definido por uma camada compacta. Foi uma espécie de problema de filtragem e de efeito dominó: o ataque leonino não defendia e permitia a subida da defensiva contrária. O meio-campo sofria indirectamente com esse problema e deixava espaço aberto aos criativos de Vila do Conde. E a defesa sofria em demasia com um problema iniciado no ataque e prolongado no miolo. Em vez de se falar na eventual lição de humildade ao Sporting seria mais sensato, na minha opinião, falar-se do mérito do Rio Ave, que percebeu que o Sporting, tal como o Real Madrid, tem pontos fracos como qualquer outra equipa. E o Sporting ficará com a lição aprendida de que a gestão do plantel terá de ser prudente, porventura com mais risco na defesa e no miolo e com maior contenção na frente de ataque. Viu-se na segunda parte em que Ruiz e Dost puseram a casa “relativamente” em ordem.

Nuno Espírito Santo está preocupado com o Porto e tem razões para isso, sabendo-se de antemão que “preocupado” e “alarmado” são adjectivos diferentes. O Porto está com gripe mas não está com pneumonia. Em Tondela, a equipa apresentou em 4x4x2 e esse, quanto a mim, é o sistema indicado para se triunfar na liga portuguesa, sobretudo numa equipa com problemas de criatividade na frente de ataque. É mais provável ao Porto ganhar ao Leicester (que jogará mais aberto) do que ao Tondela (mais fechado). Isto porque o Porto anda com problemas de espaço: ou porque não o consegue criar, ou então porque não consegue desequilibrar quando o espaço é reduzido. Daí que procure “pedradas no charco”. E a inclusão de Brahimi num onze em 4x4x2 foi uma boa tentativa de “pedrada”, bem como a troca de Danilo Pereira por Rúben. E o Porto desespera pelo regresso de Maxi! Seja como for, nem tudo é mau. Nuno já diagnosticou perfeitamente o problema da equipa e tenta resolvê-lo. Realismo em vez de teimosia. 

Por falar em jogadores decisivos, Fejsa é fundamental neste Benfica. Os encarnados raramente sofrem golos com o sérvio em campo que, entre outras qualidades, é exímio em termos de transição defensiva. Sem Jonas, o jogo do Benfica parte-se mais frente de ataque e, desse modo, eleva-se o papel de um Fejsa que surge como uma espécie de bastião. Os encarnados, frente ao Braga, tiveram mais tempo a bola na frente de ataque consequência da inclusão de Mitroglou. O grego proporcionou a melhoria desse mesmo aspecto e também a conquista de uma maior profundidade na frente de ataque algo que, por analogia, também Slimani oferecia ao Sporting. Com Mitroglou no onze, o Benfica tirou da ribalta as acelerações e as diagonais dos alas, dando mais destaque à exploração do jogo pelos corredores através dos laterais. Ou seja, o regresso de Mitroglou proporcionou a potenciação do Benfica à imagem de Rui Vitória.

Na Liga Portuguesa destaque para o Chaves que ainda não perdeu. E destaque também para o aparecimento de Matheus Índio, o tal “prodígio” do Vasco da Gama que se falou poder vir a ser reforço do F.C.Porto e que nesta jornada brilhou ao serviço do Estoril. Grande exibição e já não me lembrava de ver um golo de canto directo com tanta classe. Dos tais jogadores de quem se espera que rebentem a qualquer momento, como também é o caso de Nelson Oliveira, que se destacou neste fim-de-semana com a camisola do Norwich.

A primeira “chicotada” da temporada deu-se no Marítimo. A aposta em Paulo César Gusmão não deu frutos e o despedimento surge na sequência de exibições sofríveis e de um cenário alarmante. Aqui, sim, a situação é “alarmante”. Miguel Leal, que durante duas épocas mostrou trabalho de excelência no Moreirense, é nome falado e com razão. Qualidade e conhecimento do jogo não lhe faltam!

 

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