2017-01-05 15:28:55

Benfica é a equipa mais realista

Benfica é a equipa mais realista

Porto e Sporting enfrentam problemas de gestão de plantel. Benfica está um passo à frente

Mais do que falarmos dos árbitros, para mim não há milagres. O Porto falhou o apuramento para a fase final da Taça CTT porque não tem a versatilidade suficiente para enfrentar da mesma forma os ditos “grandes” e “pequenos”. E não deixou de se apurar porque perdeu frente ao Moreirense, equipa que é extremamente dotada do meio-campo para a frente.

O jogo frente ao Chaves, em que os dragões venceram por 2-1, não serviu para se afastarem os fantasmas nem para se chegar à conclusão de que o Porto resolveu o problema. Serviu, sobretudo, para se perceber que o Porto atingiu um sistema estável de jogo, que permite respostas razoáveis frente a equipas de bloco defensivo muito recuado. Na minha opinião, a participação do Porto na Taça CTT foi uma tentativa de se testarem novas hipóteses tácticas e novas soluções. De se tirar o Porto de um onze e de um sistema definido que é a melhor solução para se enfrentarem todos os adversários, mas que ainda assim é bem mais conveniente para o Porto se bater frente aos “grandes” do que frente aos “pequenos”.

O Porto vive de muitos pontos fortes, como aquela boa convivência entre Jota e André Silva na frente de ataque. Um baixa o outro desmarca-se; um alimenta o centro enquanto o outro compensa no flanco. Mais jogo interior. Sobretudo um factor de sustentação de uma equipa que vai tendo alguns pontos menos bons. Já falei, por diversas vezes, da falta de ofensividade dos centrais portistas, ao contrário do que acontece nos seus rivais com Lindelof e Ruben Semedo. Mas o médio Francisco Geraldes, do Moreirense, deu a conhecer outra debilidade: o Porto dá muito espaço à entrada da área e mesmo o Chaves, para o campeonato, marcou também golo naquela zona específica de decisão.

É lógico que a Taça CTT não é uma prioridade e também é um facto que o Porto tem algumas razões de queixa em relação às arbitragens. No entanto, a forma de jogar do F.C.Porto não reduz a preponderância do árbitro em relação ao jogo. Esse é o problema. E salta à vista a preocupação em se garantir uma boa gestão do grupo, sobretudo quando é preciso mudar a forma de jogar no decurso das partidas.

No Sporting, por exemplo, as preocupações de gestão não são tanto de carácter táctico mas incidem mais sobre as respostas dos jogadores. O Sporting contratou bem mas os jogadores contratados continuam com dificuldades em assimilarem tudo aquilo que Jorge Jesus pretende. Daí ter-se um problema muito semelhante àquele que Marco Silva enfrentou: um fosso entre a primeira linha (titulares) e a segunda linha.

Falta sobretudo João Mário. Não há jogadores insubstituíveis mas João Mário tinha uma característica rara de se ver, e que Jorge Jesus explorou ao máximo: a capacidade de desequilibrar através das movimentações que realizava. Através da conquista de espaços. É certo que Jesus criou novas soluções, como Gelson, que é mais dotado tecnicamente e explora outras zonas do terreno. Não que os esteja a comparar. Agora, que o futebol do Sporting está ainda mais formatado à presença de João Mário lá isso é um facto.

O Benfica prepara-se, ao que tudo indica, para perder Lindelof, e com isso a tal ofensividade definida nos centrais. Todavia, a preponderância dos laterais faz-se sentir. São eles que, no processo ofensivo, se cotam como verdadeiros médios e conquistam zonas interiores. Com isso, os extremos podem muitas vezes pender para as alas, criando-se mais soluções e dando-se melhores respostas ofensivas. Se os jogos da Taça CTT não trouxeram dificuldades de maior ao Benfica, há aspectos curiosos a reter, como a disposição dos encarnados nas bolas paradas com Lisandro Lopez em campo, ele que não é titular. Argentino ao segundo poste e assistência para o primeiro, como aconteceu no golo de Mitroglou. Isso e muito mais. O Benfica, a atacar, é a equipa que mais soluções tem. Ou seja, e não entrando da discussão de quem é melhor, o Benfica é a equipa que melhor percebe o contexto do campeonato português. 

 

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