AS 10 MEDIDAS QUE A FIFA ESTÁ A ESTUDAR - ?REVOLUCIONAR? OU ?PREJUDICAR? O FUTEBOL?

AS 10 MEDIDAS QUE A FIFA ESTÁ A ESTUDAR -  ?REVOLUCIONAR? OU ?PREJUDICAR? O FUTEBOL?

O Futebol é um espetáculo universal, enraizado praticamente em todo o Mundo com milhões de fãs, que vibram com os jogos e os seus ídolos. De entre os vários fatores que tornam o Futebol um sucesso, encontram-se as regras, pois devido à sua especificidade, estas tornam-se difíceis de serem reproduzidas em outras modalidades tornando este desporto único. Recentemente foi comunicado à imprensa que a FIFA anda a estudar algumas medidas para alterar algumas regras do futebol, tentando aproximá-lo de outras modalidades desportivas.

O Futebol é um espetáculo universal, enraizado praticamente em todo o Mundo com milhões de fãs, que vibram com os jogos e os seus ídolos.

De entre os vários fatores que tornam o Futebol um sucesso, encontram-se as regras, pois devido à sua especificidade, estas tornam-se difíceis de serem reproduzidas em outras modalidades tornando este desporto único.

Recentemente foi comunicado à imprensa que a FIFA anda a estudar algumas medidas para alterar algumas regras do futebol, tentando aproximá-lo de outras modalidades desportivas.

1 – Abolir o Fora de Jogo (A ideia de acabar com o Fora de Jogo surge na expetativa que ao acabar com esta regra, teoricamente haverá muitos mais golos)

À primeira vista não vejo essa alteração como sinónimo de existir mais golos, isto porque tendencialmente poderá eventualmente acontecer duas situações: as equipas tornarem-se ainda mais defensivas, colocando o seu bloco defensivo mais perto da baliza em organização defensiva; ou então assistir-se a uma fragmentação do bloco da equipa, com os setores muito separados e consequentemente haver menos jogadores a atacar. Equipas mais defensivas ou equipas que ataquem com menos jogadores, terão menos probabilidade de marcar golos, portanto penso que esta medida não irá beneficiar em nada ao espetáculo.

2 – Introdução das Exclusões de Tempo (A ideia das exclusões de tempo por 5 a 10 minutos seria o de substituir o cartão amarelo)

Atualmente quando existe uma expulsão (cartão vermelho) perde-se sempre algum tempo de jogo, quer seja porque os jogadores reclamam junto do árbitro da sua decisão ou então o jogador expulso (caso beneficie a sua equipa) demora sempre algum tempo a sair do terreno de jogo. Embora estejamos a falar de uma exclusão temporária, os comportamentos dos jogadores não deveriam de alterar muito, prejudicando assim o tempo útil de jogo. Ora para que o tempo útil de jogo não diminua ainda mais, juntamente a esta alteração, deveriam reformular a forma de cronometrar o jogo, ou seja, passar de uma cronometragem de tempo corrido (como é atualmente), para uma cronometragem em que o tempo pára sempre que a bola não se encontra em jogo.

Outro ponto a ter em conta é se estas exclusões de tempo teriam as mesmas sanções que tem atualmente o cartão amarelo, ou seja, à 2ª exclusão um jogador seria expulso (sendo que a partir desse momento a equipa jogaria com menos 1 jogador) e a acumulação de X exclusões em diferentes jogos daria 1 jogo de castigo. Assim sendo, caso as exclusões de tempo tenham as mesmas sanções que o atual cartão amarelo e se o tempo de jogo passe a ser cronometrado, penso que o futebol poderia sair beneficiado com esta alteração.

3 – Shoot-Out em vez de penaltis para desempatar os jogos (Jogador arrancar com a bola controlada a uma distância de 25 metros e tentar marcar golo em 8 segundos)

Não nos podemos esquecer que a marcação das grandes penalidades serve exclusivamente para determinar um vencedor de determinado jogo/eliminatória. Se no penalti apenas está presente um gesto técnico (remate), em que se o atacante por algum motivo cometer um erro, já não poderá emendá-lo, com o shot-out o avançado (devido aos vários gestos técnicos que pode efectuar – condução, finta/drible e remate) caso cometa algum erro, poderá ainda emendá-lo (dentro dos limites do tempo), para além de poder finalizar ainda mais perto da baliza, em relação ao penalti. Se existe a possibilidade de emendar e de finalizar mais perto da baliza, logo a probabilidade do golo será maior, o que irá prolongar ainda mais o desgaste dos jogadores (nomeadamente dos guarda-redes) e alongar ainda mais o tempo de jogo (90’+30’+…), logo não concordo com a inclusão do Shoot-Out.

4 – Paragem do relógio nos últimos 10 minutos (Como forma de combater o anti jogo)

O anti jogo não é feito apenas nos últimos minutos da partida (embora seja neste período que se intensificam esses comportamentos), pode ser feito em qualquer momento da partida, quando o resultado é benéfico para uma das equipas, portanto a melhor forma de o combater é parar o tempo sempre que a bola não esteja em jogo. Sendo que atualmente, em tempo corrido, a FIFA considera que 70 minutos é o tempo útil de jogo ideal, os jogos eventualmente poderiam passar a ser de 70 minutos (35’+35’) com paragem de tempo sempre que a bola não se encontra em jogo. Sendo assim, sou contra a paragem do tempo de jogo apenas nos últimos 10 minutos, mas a favor da paragem de tempo de jogo sempre que a bola não se encontra em jogo (com eventualmente a diminuição de 90’ para 70’ de tempo total de jogo).

5 – Só o capitão fala com o árbitro

Na minha opinião, esta medida já devia ter sido colocada em prática há muitos anos.

6 – Limitação do número de faltas (ao fim de X nº de faltas, o jogador é excluído)

A primeira questão que surgiu, quando li esta medida foi: o jogador que é excluído por faltas pode ser substituído? Em caso afirmativo poderíamos assistir aqui a um conjunto de “contornos à regra” (um entre vários exemplos: um jogador que esteja extremamente cansado e cujo treinador já não pode fazer mais substituições, começa a fazer faltas até ao limite para ser excluído e substituído por outro mais fresco).

Um dos parâmetros para a amostragem do cartão amarelo a um jogador é quando este recorre frequentemente às faltas. Ora se esse parâmetro já está contemplado na amostragem dos Cartões Amarelos, não vejo necessidade de excluir um jogador da partida, se este atingir um determinado X de faltas.

7 – 8 vs 8 na Formação (para os escalões de formação e maiores de 45 anos).

Penso que a atual configuração dos diferentes campeonatos, nos diferentes escalões estão bem (7 vs 7; 9 vs 9 e 11 vs 11). Não vejo motivos para uma alteração de número de jogadores nos diferentes escalões.

8 – Menos Jogos (aumentar a qualidade dos jogos reduzindo o jogos por época para no máximo 50 jogos)

Não tenho dúvidas que reduzindo o número de jogos por época, a qualidade dos mesmos aumentava, devido sobretudo ao menor desgaste físico que os atletas estariam sujeitos, mas a própria FIFA aqui neste ponto entra em contra censo, pois se por um lado quer aumentar a qualidade dos jogos, por outro lado aumenta, por exemplo o número de equipas participantes na Fase Final do Mundial.

Contra censos à parte, a grande questão é que para haver uma redução de jogos implicaria uma grande reformulação ao nível de todas as competições (tanto Nacionais como Internacionais). Estarão os Organismos que organizam as diferentes competições dispostos a estas grandes transformações? E os Patrocinadores veriam com bons olhos a redução do número de jogos (menciono os patrocinadores, pois o Futebol vive muito dos grandes patrocínios)?

9 – Mais substituições (nos prolongamentos haver a possibilidade de existir mais 1 ou 2 substituições)

Como mencionei no ponto 3, o prolongamento, tal como os penaltis, serve exclusivamente para determinar um vencedor de determinado jogo/eliminatória. Nesse sentido não concordo com a existência de mais substituições. Aliás eu vou mais longe e diria que nos prolongamentos a equipa que marcasse primeiro seria a vencedora (golo de ouro que já foi abolido pela FIFA).

10 – Substituições sem parar o jogo

Estou de acordo com esta medida, desde que: cada equipa só possa efetuar um número máximo de 3 substituições e que estas sejam feitas junto do 4º árbitro.

Em forma de conclusão penso que tal como em tudo na vida, o Futebol desde a sua origem até aos dias de hoje, tem vindo a sofrer várias modificações a todos os níveis, nomeadamente às suas regras. Estou plenamente de acordo que se possa copiar o melhor que as outras modalidades têm e transportá-las para o futebol desde que depois sejam adaptadas e não iguais ao desporto original (caso raras excepções), mas nunca abolindo as regras específicas da modalidade.

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