2017-03-23 17:45:06

Antevisão ao clássico: como está o F.C.Porto?

Antevisão ao clássico: como está o F.C.Porto?

2016/2017 deu a conhecer um dragão de duas faces

Não é Soares, é Óliver. Apesar da capacidade de finalização de Soares ter passado a ser uma mais-valia para os portistas, certo é que a recente subida de forma dos dragões se deveu a um outro factor – a colocação de Óliver em zonas de criatividade, de último passe, sempre de frente para o jogo, gerando desequilíbrio positivo a favor da sua equipa.

É claro que uma equipa não é um conjunto de jogadores isolados. Tem um contexto. Tem um sistema associado. Mexer na peça “a” implica mexer na peça “b” e por aí sucessivamente. Daí que, para entrar Óliver, seja também essencial a presença de André André na equipa, para se garantir pressão na dianteira, recuperação de bola em zonas altas e movimentos entrelinhas. Fazer uma espécie de trabalho de bastidores para que Óliver possa subir ao palco e dar aquilo que os outros não têm – pensamento e compreensão do jogo um segundo antes que todos os demais.

Para além de Óliver há, quanto a mim, um jogador no campeonato português que também tem esse mesmo atributo: é Jonas. Une-os esse factor não trabalhável, esse factor inato. Ao treinador cabe, depois, colocá-los no contexto apropriado para que, em determinada zona do terreno, o cérebro possa fazer a diferença. E ganhar jogos. Aliás, focando em Óliver, o golo do F.C.Porto frente ao Vitória de Setúbal acontece num lance em que o espanhol aparece esporadicamente em zona privilegiada de criação, após perda de bola do adversário.

O F.C.Porto de Nuno Espírito Santo trouxe, e ainda bem, uma abordagem diferente ao jogo, em que a posse se misturou com a transição e as mudanças bruscas do ritmo. Com isso, a influência de Óliver baixou em relação à sua primeira passagem de dragão ao peito. E a partir daqui faz-se a ponte para o jogo que marcou uma mudança de paradigma: o jogo frente ao Tondela. Em que o Porto percebeu definitivamente que, naquele quadro táctico, a probabilidade de haver dificuldades frente a equipas com defesas muito recuadas era tremenda. Era preferível colocar-se um jogador mais central, mais entrelinhas, em vez de um ala que tendesse para o meio. Entrou André André e saiu Corona. Ou seja, transformar-se um Porto dependente do espaço concedido pelo adversário num Porto mais propenso à criação de espaço no sentido positivo e negativo do termo.

A chave do eventual êxito do F.C.Porto passa por conviver bem com esse duplo paradigma. E não entrar em deturpações. É claro que é tudo muito subjectivo mas, quanto a mim, existiram dois jogos que entraram em choque com o caminho que os dragões pretendem trilhar: frente à Juventus (em que se jogou em excesso em função do adversário) e este último frente ao Setúbal.

O problema não estava no sistema de jogo. Estava na substituição de uma peça. Estabilizado um onze base com André André como elemento determinante, convinha encontrar-se um jogador com perfil semelhante, que oferecesse algo de parecido à equipa, não a desvirtuando do espelho do tal segundo paradigma. Falo de Herrera. É verdade que Herrera teve responsabilidades no empate frente ao Benfica mas também é verdade que Herrera contribuiu para imensas vitórias. Nesta altura, convém ao F.C.Porto não entrar no caminho do estigma. Não entrar no caminho do estereótipo. Do patinho feio. Mas nada de dramático. O jogo frente ao Setúbal confirmou um Porto melhor mesmo passando-se por cima da tal concepção dos dois paradigmas. O Porto está mesmo mais forte. E sabe o que quer dentro de campo.

Mas tem imprecisões. Há coisas a melhorar. As frequentes zonas de tiro concedidas aos adversários em posição frontal, por exemplo. Contra o Porto, os adversários geralmente rematam muito. Outra imprecisão que noto é alguma tendência de Alex Telles em bater na profundidade em vez de construir em posse e alimentar zonas centrais. E é verdade que Brahimi desequilibra muito mas será que é constante na última decisão? E a dupla André Silva – Soares, como reagirá frente a equipas de maior dimensão no esquema fiel de primeiro paradigma?

É, certamente, um Benfica-Porto que se afigurará como determinante para o desfecho do campeonato. Esta semana falei do Porto e da sua convivência entre os dois paradigmas que criou. Para a semana darei a minha opinião sobre os encarnados, onde o erro me parece mais de gestão do plantel e da dependência excessiva em Fejsa!

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