2017-06-22 14:28:25

Fernando Santos é o CR7 dos seleccionadores

Fernando Santos é o CR7 dos seleccionadores

Astúcia do seleccionador português tem sido fundamental para o êxito

Correcções acertadas. Cristiano Ronaldo elogiou Fernando Santos no final do jogo frente à Rússia e estou certo que o capitão português percebeu a notável influência que o treinador tem tido nesta Taça das Confederações. Em dois momentos: primeiro foi certeiro nas substituições frente ao México, salvando uma partida algo complicada; depois, soube ser versátil para contornar e tocar nos pontos mais débeis da Rússia (sobretudo ao nível da defesa).

Vou começar pela partida frente ao México. E os mexicanos foram ladinos. Chocaram de frente com uma debilidade muito específica da selecção portuguesa: a dificuldade que Fonte tem em sair a jogar (daí Ricardo Carvalho ter jogado mais vezes na fase de grupos do Euro),sobretudo quando tem à sua frente William Carvalho, que pega no jogo mais à frente que Danilo Pereira. Dito e feito. Sempre que Fonte tinha a bola, os mexicanos pressionavam as opções próximas de passe, obrigando Fonte a bater longo. E a bater mal. Depois, os mexicanos optaram também por um meio-campo de alta rotação, com Herrera a assumir-se como primeiro construtor. Herrera de posição 6. Aliás, a excelente exibição de Herrera leva-me a pensar por que razão o F.C.Porto, em determinados jogos, não optou por esta solução, até porque foi uma das fragilidades evidenciadas ao longo de toda a época.

Por falar em jogadores do F.C.Porto, com Layún em campo, tinha de se apostar em Quaresma. O mexicano é batível no duelo individual e o português é especialista. Aí a aposta foi ganha. A estratégia foi bem desenhada num 4x4x2 que se transformava em 4x3x3, aproveitando-se alguma dificuldade mexicana em defender os corredores. Mas Portugal não teve um problema. Teve um problema triplo. Três jogadores em claro sub-rendimento – o já referido Fonte, Raphael Guerreiro e Moutinho – que emperraram a máquina. Uma máquina que estava muito pensada em termos do papel dos médios interiores. Se André Gomes estava encarregue de conseguir oferecer linhas de passe de forma constante, já Moutinho estava dedicado à intensidade e a ligação rápida entre os sectores. Mas Moutinho esteve em off, e com isso a selecção portuguesa ressentiu-se. Ainda foi saindo em transição aqui e acolá na primeira parte, mas faltava algo ao jogo.

Algo que Fernando Santos soube acrescentar. Corrigir. Foi determinante. Vendo que não conseguiria obter uma grande superioridade colectiva, colocou Adrien para garantir um jogo mais apoiado e garantir solidez. Depois, a velocidade de Gelson para continuar a ferir o México nos corredores e a assegurar o contra-ataque rápido. Saber ser dominado em vez de dominar de forma compulsiva. E o empate foi o resultado justo, pois a haver um vencedor teria de ser o México. Sem dúvida.

Frente à Rússia, as peças tinham de ser trocadas. Fonte e Moutinho tinham mesmo de sair do onze. O mesmo não se aplicava a Raphael Guerreiro, pois a diferença de atributos em relação a Eliseu ainda é substancial. Depois, as restantes alterações foram tácticas. Portugal precisava de beliscar a Rússia em zonas mais centrais e, como tal, era necessário condicionar a construção de jogo a partir da linha defensiva. A entrada de Bernardo Silva foi importante na criação de jogo interior a partir de diagonais e, também, a bloquear as subidas do lateral esquerdo russo. Do outro lado, André Gomes ia fazendo o mesmo com o lateral contrário, colocando a selecção portuguesa em posição privilegiada – por um lado provocava a subida do adversário e deixava-se a jeito para jogar em transição rápida; depois, conseguia fazer circular a bola em zonas adiantadas. No campo da finalização, a presença de André Silva permite algo de fundamental a Cristiano Ronaldo: a colocação de zonas de finalização e, sobretudo, em situações frequentes de duelo individual.

É lógico que a ausência de João Mário condiciona a estratégia portuguesa, pois garante a circulação em zonas adiantadas e, com isso, a transição rápida por parte do adversário. Portugal já não tem o dez clássico, e não é uma equipa propriamente sedutora no seu jogo. É uma equipa mais virada para o resultado. Que nesta competição não pode jogar tanto em função do adversário como fez no euro mas que também não pode ter um domínio assumido. Não está a jogar frente às Ilhas Faroé nem contra Andorra. A Taça das Confederações é uma prova de meio tempo. De maturidade. E de termos a certeza que Fernando Santos tem percebido todo o contexto. E Portugal até consegue estar mais forte do que esteve no euro2016. Vale a pena sonhar. Vale a pena acreditar na selecção. Vale a pena confiar em Fernando Santos. Um dos melhores seleccionadores do mundo da actualidade. 

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