2017-07-05 23:03:20

Contratar o que se precisa. Sporting dá bons indícios

Contratar o que se precisa. Sporting dá bons indícios

Bas Dost pode vir a marcar menos golos mas a ser mais determinante

Não arriscar muito porque, se calhar, é mais sensato não se correrem muitos riscos. E foi um dos problemas do Sporting da época passada – a falta de rendimento dos reforços. Ou seja, o Sporting até que passou relativamente bem a natural instabilidade causada pela conquista do europeu, mas depois acabou por fazer uma época decepcionante devido a outras condicionantes: umas mais externas e emocionais, por exemplo, em face da pouca blindagem do clube ao que se passa cá fora; e outras condicionantes mais tácticas e funcionais como, por exemplo, o pouco rendimento de Campbell ou Markovic em face daquilo que seria expectável e daquilo que ambos valem.

É tudo muito precoce até porque ainda estamos no início de Julho e não há conclusões. Há especulações. Seja como for, o Sporting parece estar numa onda de pouco risco. De não cometer o mesmo erro. Contratar jogadores de rendimento imediato, com margem de erro controlável. As características de Doumbia fazem dele um elemento a ter em conta na construção do “2” do “4x4x2”. O jogador não foi contratado ao acaso e basta lembrar o rendimento que teve em parceria com Vagner Love no CSKA de Moscovo para se perceber da sua pertinência na equipa leonina. O tal “2” que faltou a Bas Dost, que faltou ao Sporting no ano passado.

 De acordo com a filosofia de jogo de Jorge Jesus, os laterais são determinantes. Mas também são tremendamente difíceis de encontrar à medida de Jorge Jesus. Isto porque o treinador exige uma série de atributos que não são fáceis de encontrar num só jogador. Por exemplo, uma grande agressividade ofensiva e uma eficiente leitura do espaço na retaguarda. Desde que está no Sporting, Jesus teve sempre dificuldade em encontrar aquilo que precisava. Sempre teve boas soluções – como Schelotto e Zeegelaar – mas sempre foram elementos em fase de estágio. Nunca rubricaram o contrato decisivo. Este ano, com Piccini e Fábio Coentrão, Jesus parece querer resolver o problema de raiz. Rendimento imediato. Nem que para isso seja necessário pagar-se um pouco mais. Porque os laterais são mesmo fulcrais para Jorge Jesus. Quase uma questão de “sem eles, nada feito”.

 Da defesa para o meio-campo, mais dois jogadores chegam a Alvalade com um passado de certeza que deixa poucas dúvidas. Mas, antes dos jogadores, importa estabelecer o objectivo: médios com boa reacção à perda, agressivos, mas que consigam chegar uns metros mais à frente do que aquilo que Adrien Silva faz. Penso que, por essas razões, o Sporting foi contratar Battaglia e Bruno Fernandes. Battaglia é excelente nas transições ofensivas, unindo os sectores rapidamente e aparecendo em zonas de tiro fácil. Já Bruno Fernandes é um jogador mais refinado, mais técnico, com um alcance maior. De facto, imaginar a selecção portuguesa daqui a dez anos é ver lá Bruno Fernandes quase que de forma automática. E o princípio vale tanto para uma equipa profissional como para uma equipa de formação: é mais fácil ensinar um jogador a defender do que a atacar. Porque o contrário implica a componente do dom, do talento natural, da criatividade. Algo que se muda menos através do trabalho.

 Depois, na frente vem Doumbia para ser indiscutível. Para se acabarem com as dúvidas e se criar uma dupla com Bas Dost. É certo que o holandês fez esquecer Slimani no aspecto da finalização. Até marcou mais golos. Mas há um aspecto em que Slimani é melhor: falo da agressividade. Na agressividade no bom sentido. E na vivacidade que tal aspecto dá à frente de ataque. Bas Dost é menos móvel, mais posicional. Ora, para que Bas Dost seja mais rentabilizado, importa também ter um jogador que acrescente essa característica na tal criação de dupla. Estou certo que Bas Dost vai marcar menos golos mas vai ser mais jogador. Mais colectivo.

 É lógico que o Sporting tem um bom lote de jogadores, altamente apetecíveis em termos de mercado. E, assim sendo, torna-se mais importante no Sporting a criação de uma segunda linha que dê as mesmas perspectivas de rendimento. É difícil substituir Gelson, por exemplo, ele que tornou o futebol do Sporting menos laboratorial e soube dar-lhe colorido em espaço correcto. Menos tecnicista mas com uma enorme maturidade em termos de ocupação de espaço, Podence parece ser opção de rendimento imediato. Ele e Francisco Geraldes, um alto valor leonino. E será que William Carvalho e Rui Patrício se mantêm? Acima de tudo, o grande desafio leonino é mesmo esse: garantir a estabilidade. A todos os níveis. Estabilidade interna e externa. Por ora, o Sporting surpreende pela perspicácia e pela inteligência. Contrata à linha, contrata quem precisa. É, na realidade, a equipa que mais me tem surpreendido pela positiva nestes primeiros dias da nova época.

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