2017-07-14 16:43:14

Há males que vêm por bem

Há males que vêm por bem

Óliver tem de render mais do que na época passada

A prioridade é vender bem e aproveitar o bom núcleo de emprestados de que o clube dispõe. E comece-se por aqui. Se calhar, não há clube em Portugal com um leque de jogadores de tanta qualidade a rodar noutras paragens. Portanto, o caminho da triagem é o necessário neste momento. É o caminho correcto. Porque há males que às vezes vêm por bem.

As duas principais vendas dos dragões acabaram por ser certeiras e recheadas. Em primeiro lugar André Silva para o renascido Milan; depois Rúben Neves para o Wolverhampton. Podemos até argumentar que ambos os jogadores podiam ter sido mais utilizados na última época. Podemos argumentar que são jovens e com boa margem de progressão. Mas, no caso, importava mais pensar-se no factor financeiro e encaixar-se uma verba significativa para se corresponder às exigências do fair-play financeiro da UEFA. Ou seja, o F.C.Porto vendeu jogadores com muito valor mas elementos que não eram propriamente indiscutíveis.

É certo que os tempos são diferentes. Isto porque Nuno Espírito Santo e Sérgio Conceição também o são. E o caminho está a ser feito, com o recurso ao tal leque de jogadores emprestados que deveria ser mais curto. Se Sérgio Conceição optar pela implementação do 4x4x2, terá de testar as respostas de Marega e de Aboubakar. O primeiro mais adepto da profundidade e com muitas rotinas assimiladas com Soares. O segundo mais explosivo, de remate fácil, de conquista rápida de espaço. Dois jogadores que oferecem soluções distintas em situações distintas. Algo de muito positivo, e algo de difícil de concretizar caso as contas dos dragões estivessem no verde.

Para o meio, há a questão da potenciação de Óliver Torres. Um jogador que, no ano passado, apareceu pouco em zonas de criação, condicionando-se com isso o jogo ofensivo da equipa. O pensamento-base será colocá-lo mais na dianteira, onde a sua capacidade de tomar decisões, de forma mais rápida que todos os outros, poderá ser determinante. Lembro-me, por exemplo, do jogo em casa frente ao Vitória de Setúbal, quando apareceu esporadicamente em zona de criação e criou um golo vindo do nada. Se a potenciação de Óliver é importante, também a recuperação de Herrera o pode ser. Sem estigmas, sem condicionalismos. Perceber que não está ali Zidane nem Rui Costa, mas que está ali um elemento com grande capacidade em termos de penetração e conquista rápida de profundidade, características que podem ser determinantes frente às ditas equipas mais pequenas. Também Mikel Agu cresceu muito em Setúbal, ele que nos escalões de formação garantiu fiabilidade e solidez na posição 6, mas que no Sado parece ter ganho algo mais em termos de ofensividade.

Na defesa, e falando de emprestados, o regresso de Ricardo Pereira era inevitável. Extremo transformado em lateral com êxito. Sempre foi um jogador com potencial, lateral arrojado, que necessitava de estabilidade em termos de presença no onze. Uma questão psicológica, até. Precisava de jogos nas pernas, de chegar ao campo e saber que ia jogar. Que era titular. Com esse aspecto, desenvolveu-se com mais tranquilidade e aprimorou detalhes. E hoje é bem mais jogador do que aquele que saiu do F.C.Porto há duas épocas.

Também na linha defensiva, Diego Reyes cresceu imenso na sequência da sua passagem por Espanha. Lembro-me dos tempos de Luís Castro em que se afirmou, muito jovem, como titular e se destacou até por não ter medo de ter a bola nos pés e sair a jogar. Depois, ficou um pouco manchado pela exibição de Munique. Tem o handicap de ver Felipe e Marcano como soluções imediatas, deixando pouco espaço à sua utilização. Tem valor para ficar, não se sabe se será a sua opção. Seja como for, é mais um activo a ter em conta e uma nota que vale a pena realçar: o F.C.Porto empresta bem e não faz rodar os seus atletas ao acaso.

Por último, a questão Casillas. Que optou pela estabilidade e pela continuidade. Pelo perfil tranquilo do atleta, adivinhava-se uma decisão do género. Contudo, é também uma transmissão de confiança à estrutura e ao clube. Ninguém quer ficar em navio que está prestes a afundar-se. Se fica, é porque confia no projecto e antevê títulos. E, se calhar, também vê que há males que vêm por bem!

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