2017-09-06 11:27:56

Tudo está bem quando se ganha

Tudo está bem quando se ganha

Alguns erros colocaram Portugal no limite. Felizmente tudo correu pelo melhor

Erros que não chegaram a sê-los. Portugal abordou os dois jogos - Ilhas Faroé e Hungria - de forma competente, mas com alguns erros pontuais que podiam ter deitado tudo a perder. E Fernando Santos teve culpa. Não uma grande culpa mas uma culpa pequenina. Porque não pode dizer, em conferência de imprensa de antevisão, que Portugal vai ter um jogo mais fácil e outro mais difícil. Isto porque não estamos dez pontos à frente mas sim três pontos atrás. Qualquer deslize é ( ou seria) bilhete imediato para o play-off.

Na fase de apuramento para o Euro 2016, as Ilhas Faroé foram a Atenas bater a Grécia por 2-0, e com isso retirar os helénicos da fase final. Em 2007, a Rússia teve tarefa complicada em Andorra para levar de vencida os locais e qualificar-se para o Euro. Já este ano, a selecção do Montenegro bateu a Dinamarca e a Roménia, e tem causado uma grande surpresa no Grupo E, dominado pela Polónia. É certo que este discurso do “David a vencer o Golias” é muito bonito mas, no caso, interessa para se contextualizar um discurso que deve ser harmonioso. Portugal está em 2º lugar do grupo e não tem apuramento garantido. É também muito bonito dizer-se que cada jogo é uma final. Mas, bonito por bonito, interessa mais esta última mensagem.

Frente às Ilhas Faroé, a selecção portuguesa fez o que tinha a fazer. Importantíssimo o regresso de João Mário à equipa. Neste jogo em particular, a equipa necessitava de uma maior mobilidade pelo corredor central para confundir as marcações nórdicas, e dar espaço de manobra à dupla de avançados . Com Bernardo Silva em campo, a selecção ganha uma maior capacidade de circulação de bola. Um grande benefício é também a boa forma de João Moutinho, ele que no Mónaco tem sido titular indiscutível e, com isso, acrescenta também qualidade à selecção, pois define melhor que Adrien Silva. O jogo acabou por se tornar fácil, isto apesar de Portugal ter sofrido um golo perfeitamente infantil e inadmissível: lançamento lateral, bola penteada e finalização pronta é algo que já não se usa. Sobretudo numa selecção. Um jogo que ficou marcado pelo regresso de Nelson Oliveira. Um elemento que interessa convocar pois, de um momento para o outro, pode “rebentar” e tornar-se no jogador de top que se viu nos escalões de formação.

Uma selecção que, na minha opinião, entrou frente à Hungria com a principal preocupação de não deixar o adversário chegar à vantagem. O forte jogo aéreo dos magiares fez Fernando Santos colocar Danilo Pereira e Bruno Alves de início, bem como Fábio Coentrão, mais hábil a explorar zonas centrais que Eliseu. Para surpreender o adversário, a selecção portuguesa precisava de explorar mais os corredores e daí a entrada de Gelson Martins no onze. O extremo sportinguista teve uma exibição desinspirada e, com isso, condicionou a dinâmica da equipa. Para agravar a situação, Fábio Coentrão lesionou-se e, fruto da estratégia desenhada, a equipa portuguesa ficou gripada. Decisiva, mais uma vez, a presença de João Mário que, alimentando os corredores e a zona central, fez quilómetros para equilibrar a equipa e levá-la ao triunfo. Pena foram os dois deslizes na segunda parte: um logo após o golo, o outro mesmo ao cair do pano. Dois brindes ao adversário que podiam ter sido fatais. Mas é como diz o ditado: “tudo está bem quando acaba bem”. Tudo está bem quando se ganha.

Fernando Santos, quanto a mim, percebeu o erro e corrigiu-o rapidamente para a dupla jornada que resta. É lógico que a questão do transporte até Andorra é pertinente mas, valha a verdade, a diferença de qualidade entre ambas as equipas é brutal. Mas nestas situações convém interpretar os cenários de forma rígida, de forma inflexível. Tomar Andorra como se de um Brasil se tratasse. Porque o jogo frente a Andorra vai ter impacto, nem que seja reduzido, naquilo que Portugal poderá fazer frente à Suiça, três dias depois.

E “tudo está bem quando acaba bem”, até em relação à gestão da situação de Adrien Silva. Também não fica bem a uma selecção dispensar um jogador supostamente por uma questão de transferência desportiva. Se tivesse dado empate ou derrota frente às Ilhas Faroe abrir-se-iam telejornais a falar da ausência de Adrién. É claro que, em face das boas exibições de Moutinho no Mónaco e do contexto dos dois jogos, adivinhava-se a não utilização de Adrién. Previa-se. Mas este aspecto também entrou no domínio dos “microerros”. Erros que não chegaram a sê-los. Para bem de Portugal. 

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