2017-11-23 11:04:49

Uma máquina de bolas paradas

Uma máquina de bolas paradas

Falta de poder ofensivo compensado com alta eficácia de bolas paradas

São quinze golos de bola parada e ainda estamos em Novembro. É incrível. Na falta de atacantes que consigam gerar os desequilíbrios necessários, os dragões montaram uma cortina mágica que os leva à liderança. Quase que não há. Quase que não há equipas que consigam ter este nível de aproveitamento nesta situação específica de jogo. Só na Liga dos Campeões, o Porto marcou dez golos e sete deles foram de bola parada. Incrível. E audaz.

Um homem inteligente é, para mim, aquele que sempre reconhece nos outros algo de positivo. Algo de não inapto. O Porto é temível nas bolas paradas mas já era bastante forte no ano passado com Nuno Espírito Santo. Não houve revoluções, não houve terramotos, apenas a constatação de que era necessário um pensamento diferente para se levar o F.C.Porto de volta aos títulos. E às vezes um bom pensamento vale mais do que mil equipas. E passo para a parte mais técnica.

Isto porque o F.C.Porto, como conjunto e frente a equipas de maior dimensão, não consegue gerar jogo suficiente para se instalar confortavelmente no meio-campo adversário. Vai vivendo de transições, da criação de desequilíbrios através de Brahimi e também de algum fulgor ao nível dos corredores. E depois há uma espécie de metamorfose: um refúgio, um estilo de jogo em função do adversário. Que se viu na forma como Sérgio Oliveira bloqueou Talisca ou na forma como a equipa procurou evitar situações de duelo individual com Quaresma. Porque, na prática, os dragões não conseguem ser dominadores frente a um Besiktas compacto, que subiu muito na 2ª parte à custa da entrada do central Medel e da sua capacidade para construir a partir da retaguarda. E isso é notável nos turcos.

É notável e é repetido. O Besiktas tem um excelente treinador, Senol Gunes, que constantemente torna a sua equipa mais forte na 2ª parte. E o treinador é o principal responsável pelo êxito, num grupo onde o Leipzig é a equipa mais poderosa mas que, felizmente para os dragões, se viu traída pela ansiedade dos primeiros jogos. Pelos pingos da chuva, pela notável capacidade de aproveitamento das bolas paradas, os dragões estão a um passo de qualificar e navegam tranquilamente para o mercado de inverno. Com a necessidade urgente de reforço de alguns sectores (ataque, sem dúvida) mas com a tranquilidade de um trabalho bem feito e com resultados. Nada a dizer.

Nada a dizer, mas noutra perspectiva, em relação ao Benfica. Um nada a dizer que é mais um “sem comentários”. A exibição dos encarnados em Moscovo foi péssima, talvez a pior da temporada. Não vale a pena estar-se a falar de sistemas de jogo, de transições, disto ou daquilo, quando simplesmente há uma desconexão total entre todos os sectores. É certo que o factor do contexto pesou, mas também é certo que a lógica de Cruyff permanece sempre bem real. Para o futebol e para tudo. “O grande craque é aquele que, de 0 a 20, no seu pior dia de sempre tem um 8. Nunca nada menos do que isso”. No Benfica, nem oito nem oitenta, sendo que o oitenta serviria para rubricar a grande exibição que nesta temporada ainda não teve, e o oito serviria para se atenuar uma derrota frente a um CSKA que, valha a verdade, não é nada de especial.

Os encarnados ficam assim focados nas competições internas onde podem aproveitar o envolvimento de dragões e leões nas competições europeias. O Sporting apresentou-se compacto, sólido em todos os momentos do jogo, e mostrou que é superior ao Olympiakos. Aliás, tendo em linha de conta o provável relaxamento do Barcelona, não é de todo impossível que o Sporting vença o jogo. A positividade da questão reside no facto do Sporting, a continuar com este alto nível exibicional, poder ter argumentos muito válidos na Liga Europa. E tudo começou até algo tremido, com uma exibição muito vulnerável frente ao Steaua de Bucareste. A partir daí percebeu-se a importância da presença de Bruno Fernandes em campo, ele que acrescenta capacidade de tiro, critério e apoio às investidas dos alas. No miolo, William é muitas vezes puxado para a frente para acrescentar capacidade de construção à equipa, algo que Battaglia não possui de forma tão saliente. Seja como for nada a apontar. Na Liga dos Campeões ou na Liga Europa o Sporting continuará em grande. E não será melhor até ir para a Liga Europa?

Partilhar:

Sobre Gil Nunes

Gil Nunes

...

  • LinkedIn
  • E-mail

Comentários

Filtrar Artigos

O que se passa hoje?