2017-12-28 15:51:00

Zidane o melhor do mundo? Nem pensar!

Zidane o melhor do mundo? Nem pensar!

Real Madrid colecciona falhas colectivas graves maquilhadas por equipa de valores fantásticos

Foi um jogador brilhante e, lembrando o Mundial 2006, talvez o último daqueles mosqueteiros que conseguiam levar a equipa às costas até à final. Como Cruyff, Romário ou Maradona, por exemplo. Hoje em dia, argumentam uns que por falta de talento puro e argumentam outros pela evolução do futebol em si (eu faço parte deste segundo grupo), já não há heróis. Há colectivos menos inexpugnáveis, mais difíceis de serem contrariados pela irreverência e pelo lampejo. Mas eu tiro o chapéu a Zidane. Como jogador.

Como treinador nem pensar. Eu costumo dizer que a melhor forma de vermos a equipa do Real Madrid é compará-la a uma equipa da NBA. É imaginar uma equipa com o Lebron James (e neste caso Lebron seria CR7), o Stephen Curry e o Kevin Durant. A partir daí é só ser prático. Bases, extremos e postes? Não são necessários. Triplistas? Para quê? Transição defensiva, transição ofensiva, ressalto, circulação? Zero. Treinador? Qualquer um. É claro que estou a exagerar mas, seja como for, com uma equipa destas nas mãos, em que o desequilíbrio individual é de tal forma acentuado em relação às outras equipas, o papel do treinador fica imensamente facilitado.

Duas situações. Ao ver o Real Madrid jogar no Campeonato do Mundo de Clubes e ao ver a modestíssima equipa do Al Jazeera conquistar situações de dois contra zero antes do meio-campo, constato um bom exemplo de ausência de comportamentos colectivos nos merengues. Frente ao Barcelona, a minha opinião manteve-se. E fortaleceu-se. O primeiro golo foi gritante: entre Busquets, que iniciou a jogada, e Suarez, que a concluiu, não houve qualquer jogador do Real Madrid colocado entre a bola e a baliza. O que se viu foi Kovacic, que entrou na partida única e exclusivamente com a função de marcar Messi, a sair para deixar terreno livre a Rakitic construir a seu bel-prazer. E o Barcelona nem fez um jogo soberbo. Ciente da marcação individual a Messi, bastava ao argentino arrastar o seu marcador directo para zonas laterais e soltar o meio e a zona de decisão, para os seus colegas fazerem a diferença. Isto é a estratégia do melhor treinador do mundo? Nem pensar.

Esta forma de ver o jogo não é, quanto a mim, definidora de uma equipa colectiva mas antes de uma equipa que está preocupada com a qualidade individual dos outros. Uma antítese, inclusive quando tomamos em linha de conta que a melhor equipa em termos individuais é o Real Madrid. Um mau enquadramento de como parar o Barcelona. Porque o Barcelona não é só Messi e há mais craques a fazerem a diferença. Mas ainda assim a qualidade individual do Real Madrid é muito superior. Cristiano Ronaldo, Bale, Benzema, Asensio, Modric, Casemiro, Marcelo, enfim…

Há também o argumento válido da falta de motivação na sequência da dupla conquista da Liga dos Campeões. Que é compreensível. Junta-se também o argumento de que existe abundância em excesso, e a abundância em excesso é sinónimo de pouca clarividência na decisão. Já não compreendo tão bem o argumento da dificuldade em gerir egos. Porque no Real Madrid existe um jogador com cinco Bolas de Ouro, que é o número 1 e a referência da equipa, puxando automaticamente para uma posição secundária todos os demais egos. E é muito mais fácil gerirem-se egos de quem luta pelo 2º lugar do que gerirem-se egos de quem quer ser rei. E chegamos à questão Cristiano Ronaldo.

É óbvio que, sem a conquista do Campeonato de Espanha, a conquista da sexta Bola de Ouro fica mais complicada. Ronaldo fica mais dependente daquilo que vai fazer na Liga dos Campeões e no Mundial. É um jogador mais intenso que Messi; participa mais no processo defensivo, com papel fundamental nas bolas paradas. Perde em muitas coisas, também. Em criatividade, em leitura de jogo, em capacidade de jogar entrelinhas. As comparações são mais que muitas. Eu prefiro Cristiano Ronaldo. Por uma razão e deixo as comparações de parte: o grande é grande mesmo quando o contexto é pequeno. E não estou a ver Messi, fruto do seu próprio contexto, a triunfar com tanta facilidade numa equipa de menor dimensão. É claro que este é um exercício utópico mas que não se enquadre como uma espécie de patriotismo rapioqueiro. É uma resposta à complexa equação de quem está a preferir um em relação ao outro pelo gosto e pela exacerbação de um ou de outro factor. Para se sair desta escuridão é preciso uma lanterna. Que seja a minha lanterna. 

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