O que estamos a criar realmente: Jogadores ou funcionários?

O que estamos a criar realmente: Jogadores ou funcionários?

O que queremos enquanto educadores físicos? Cidadãos capazes de pensar, de agir e de regular autonomamente a sua atividade física, ou pessoas dependentes de outros para agir, para pensar, sem espirito critico e sem criatividade, no fundo: queremos jogadores/alunos ou funcionários?

Este é um problema justificado pela falta de abertura na partilha, dificuldade na comunicação entre os professores/treinadores e os alunos/jogadores. A capacidade de incluir e de relacionar os alunos no seu processo de ensino aprendizagem, a meu ver parece ter nítidos benefícios naquilo que está relacionado com variáveis como o empenho, a integração/retenção de conteúdos e a autoavaliação permanente, entre outros…

No entanto, uma vez que há estádios de crescimento, mais do que dar autonomia, o especialista em Atividade Física deve ter em conta as necessidades dos alunos/jogadores, para que deste modo, consiga guiar o aluno a desenvolver aquilo que necessita para o seu desenvolvimento ao mesmo tempo que fomenta o gosto pela atividade, integrando aquilo que são as crenças dos alunos, percebendo que, principalmente nos primeiros estádios de desenvolvimento existe uma forte hipótese do aluno procurar aquilo que gosta e não aquilo que necessita. Nós enquanto profissionais devemos relacionar os 2 conceitos nas aulas/treinos de modo a potenciar um maior desenvolvimento.

 Seguidamente, falámos do conceito de heterogeneidade, conceito esse que até há bem pouco tempo era visto como um problema, vemos agora que pode ser uma solução e servir de alavanca para o evolução e desenvolvimento das turmas/equipas, se utilizado de forma adequada e com objetivos definidos. Tendo em conta este tema, a aula continuou com a afirmação de que as crianças devem ter uma educação que os habilite com termos técnicos e não só, mas mais que isso, que não limite a sua fantasia motora, isto é, mais do que aprender a jogar, sejam eles próprios a criar jogo, sejam eles próprios a inventar e a explorar aquilo que é o seu desenvolvimento. Com este intuito foram dados vários exemplos pelos treinadores das suas realidades mais ligadas, desta vez ao treino desportivo em que se abordaram temáticas que assentam no jogador que tem facilidades nas ações individuais, no entanto naquilo que é a utilidade dessas ações para o jogo (coletivo) estão descontextualizadas e não se apresentam como fatores facilitadores do jogo coletivo.

Mas será o jogador pode ser bom individualmente sem ser bom coletivamente? Após pensar mais aprofundadamente sobre o assunto penso que não, uma vez que só se as ações individuais só são realmente efetivas se contextualizas no jogo e colocadas em prol de um coletivo. Deste modo, é importante que os treinadores percebam que determinado jogador tem características que podem ser benéficas para colocar ao serviço do coletivo, e que faça o jogador perceber o jogo como um todo. Mais do que isso, também o resto da equipa deve perceber o modo de se adaptar ao contexto e às ações e desequilibro criados pelo colega, de modo a que todos inventem jogo, e não fique apenas 1 jogador responsável pelo jogo.

Podemos então concluir que mais do que repetição, treino é criatividade, é dar aos jogadores oportunidades de inventar, de serem protagonistas do seu próprio jogo, de se superarem constantemente, conceitos estes que se relacionam com o contexto escolar, uma vez que tanto o Desporto de Formação como a Educação Física são atividades educativas, em que o valor está no desenvolvimento pessoal.

 

Sandro Jesus     19/01/2018

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