2018-02-08 12:26:58

O tal craque Sérgio Oliveira

O tal craque Sérgio Oliveira

Afirmação de Sérgio Oliveira não é surpresa, é confirmação

Há uns tempos, quando se falava da formação do F.C.Porto, um nome vinha logo à baila: Sérgio Oliveira. Jogava a médio-defensivo. Evidenciava-se pelo forte potencial, pelo excelente remate e pela capacidade técnica, elevada para a idade que tinha na altura. Sempre gostei mais de o ver jogar como médio-defensivo, se bem que nos últimos anos de formação Sérgio tivesse sido puxado para zonas mais dianteiras.

Até aos dias de hoje, acusou alguma irregularidade no seu percurso. E, às vezes, a irregularidade é o percurso para o êxito. É certo que Sérgio Oliveira rubricou grandes exibições frente a Sporting de Braga e Sporting mas, se calhar, o mais importante é ter mantido um nível exibicional muito alto, quer ao longo de ambas as partidas quer no desenrolar das próprias partidas.

E outro aspecto fundamental: o comportamento táctico. O comportamento sem bola. Em ambos os jogos, Sérgio Oliveira teve, muitas vezes, a tarefa de condicionar o início da construção do adversário e, ao mesmo tempo, de auxiliar a linha defensiva quando o adversário conseguia sair a jogar. Não é fácil. É tarefa para jogador maduro. Em complementaridade com Herrera. Que progride, que define com critério, que assegura os equilíbrios. Um dos melhores jogadores do campeonato português, no ano passado estigmatizado por ter cometido o erro que deu o empate ao Benfica no Dragão e que, mais utilizado, poderia ter sido decisivo para mais dois ou três pontos nas contas finais.

A complementaridade entre Herrera e Sérgio foi fundamental para os dragões adquirirem o equilíbrio necessário. Mas também as diagonais de Corona, que retiraram adversários da frente e deram espaço de manobra a Brahimi. Percebendo que Fábio Coentrão é um jogador instável em termos físicos, o F.C.Porto abusou das incursões em velocidade pelo flanco direito. E a estratégia resultou. Se bem que o Sporting tivesse dado boa resposta. Aliás, foi um bom jogo em termos de estratégia. Sérgio Conceição beliscava e arriscava, Jesus percebia e ripostava. Entre bancos houve claramente um empate o que, feitas as contas de forma fria, só beneficiou o F.C.Porto.

O Sporting. Boa resposta na colocação de três jogadores na zona central, para impedir situações de confronto individual com os avançados portistas. Sérgio Conceição leu bem uma das debilidades da sua equipa: a falta de jogo aéreo da linha avançada (sobretudo em situações de confronto directo) e, por isso, colocou Soares no onze. Já Jorge Jesus percebeu que o Porto, sem Danilo, tem dificuldades na transição defensiva quando a transição contrária, a ofensiva, é feita na zona central. Daí Gelson no meio. Com espaço à sua frente para gerar desequilíbrios, para servir os avançados que abriam nas alas.

No Sporting, há um jogador fundamental que tem passado um pouco à margem do elogio público. Falo de Acuña. Um dos melhores extremos do campeonato português. É notável a inteligência táctica que tem, sobretudo se pensarmos que veio directamente da liga argentina. Foi Acuña o primeiro a perceber o forcing que o F.C.Porto estava a realizar pelo flanco direito e o primeiro a apoiar Coentrão. Minimizando o problema e minimizando o desequilíbrio. E o Sporting, sem William Carvalho, é uma equipa mais recuada. Mais propensa à transição. Mais propensa a jogar em função do adversário e menos em termos de domínio.

Os dragões ganham vantagem nesta eliminatória, se bem que tudo esteja aberto para uma segunda mão que só vai ser jogada em abril. As equipas não são constantes. São dinâmicas. E este espaçamento no calendário beneficia o Sporting. Que se reforçou muito bem no inverno, que tem potencial para crescer e se solidificar.

Por falar em solidez, o Benfica está melhor. Mais regular. Apesar da lesão de Krovinovic ter sido um rude golpe, certo é que as águias vão passando nos seus testes e amealhando os pontos necessários para se manterem na luta. Frente ao Rio Ave, na falta de táctica que venham as bolas paradas. Como faz o F.C.Porto. Como fez o F.C.Porto para desbloquear o jogo em Vila do Conde. O que surpreende neste Benfica é a sua capacidade de reciclagem. O que muitas vezes não há em belo, há-o em termos de inteligência emocional. E continuo a afirmar: o Marítimo-Benfica (primeiro jogo pós-Basileia) foi absolutamente essencial: táctica de lado, atestado de confiança aos jogadores acima de tudo. Inteligência emocional. Que vale pontos. Que vale vitórias.

Partilhar:

Sobre Gil Nunes

Gil Nunes

...

  • LinkedIn
  • E-mail

Comentários

Filtrar Artigos

Últimos Vistos

O que se passa hoje?