2018-03-08 17:31:29

O mesmo Herrera craque da selecção do México

O mesmo Herrera craque da selecção do México

Herrera está a fazer a sua melhor época no F.C.Porto

Foi a pedra de toque do clássico. O Sporting procurou sempre jogar subido, para retirar espaço ao F.C.Porto. E porquê o espaço? Porque os dragões, fruto do seu futebol físico e com predominância ao duelo individual e à vertigem, dão-se bem com essa componente do jogo. O F.C.Porto foi um vencedor justo de um clássico quase equilibrado e, sobretudo, ganhou essa pequena vantagem na primeira parte.

Porque o F.C.Porto tem Marega. Determinante. Que está muito longe de ser Messi. Aliás, as limitações técnicas são a grade lacuna do maliano. No clássico, jogou preferencialmente sobre a direita, com Otávio, muito próximo, a dar-lhe jogo, bem como Gonçalo Paciência, que teve a preocupação de segurar a bola e distribuir. Gonçalo entrou na equipa tal como Soares entrou no jogo da Taça da Liga frente ao mesmo adversário. Frente ao Sporting, dada a perspectiva dos leões pressionarem alto, é fundamental existir um jogador que segure e que distribua. Que responda ao passe longo. Que ligue os sectores. Mas o melhor em campo foi mesmo Herrera.

Injustamente estigmatizado na temporada passada por ter provocado o canto que deu o empate ao Benfica no Dragão, o mexicano prova que é tudo menos inapto. Aliás, num dos plantéis mais fracos dos últimos anos, Herrera faz parte do pequeno lote que está uns furos acima. Perfeito domínio do espaço e da transição, equilibrando a equipa na forma como sobe. Inteligência. Esta época, sobretudo, subiu em critério e acerto no passe. Subiu ou ganhou confiança para isso, como acontece na selecção do México. Agora é cá e lá. Define sempre bem, muito embora não seja um tecnicista. Não é o jogador que dá colorido à equipa. É o elemento que provoca o cinzento harmonioso de uma equipa que ilude muito mas que no fundo sabe que provoca ilusões.

Em toda a estratégia do F.C.Porto, os laterais foram fundamentais na forma como souberam libertar a equipa. Apesar de algumas falhas defensivas, Dalot é suficientemente maduro para ligar a equipa, com critério (por dentro e por fora) e muita velocidade. Percebe-se que a saída de Layún esteve relacionada com a ascensão do lateral português. Mais garantias, prata da casa e a confirmação de um valor seguro e não de uma promessa.

Como acontece no lado do Sporting com Rafael Leão. Sinceramente, fiquei impressionado com a exibição que realizou frente ao Moreirense, dias antes. Arranque, potência, capacidade de driblar em velocidade e destreza para aparecer em zonas de finalização. Só lhe falta perder alguma da timidez para aparecer mais no jogo: pedir bola, dar-se ao jogo, reivindicar. Porque tem um potencial tremendo e vai dar muito ao Sporting. A um Sporting que se estabilizou na parte final do clássico do Dragão, aquando da entrada de Rúben Ribeiro.

Com dificuldades para suster a pressão dos dragões, o Sporting perdeu algum do seu equilíbrio. Seja como for, o F.C.Porto bloqueou alguma da força da leão: a ligação, ou melhor, a ligação a três entre Mathieu, William Carvalho e Bruno Fernandes. É uma espécie de esqueleto que, no Dragão, se foi equilibrando com a mudança de Bryan Ruiz para um dos corredores. No entanto, só na segunda parte apareceu mais Sporting quando essa ligação foi reforçada com a entrada de Rúben Ribeiro. Inteligente a forma como temporiza, como se desloca para as alas, como acrescenta criatividade e dá critério ao jogo da equipa, revitalizando os colegas. Aí sim os dragões, mais desgastados e com linhas recuadas, sentiram dificuldades em estancar o ataque do Sporting. E acabaram por beneficiar do factor sorte para ganhar o jogo na parte final.

Com este resultado, o F.C.Porto volta a uma espécie de sina: arrisca-se, tal como há cinco anos, a ser campeão com um plantel bastante fraco. Do outro lado, um Sporting com um plantel bem mais equilibrado mas que vive sempre com a perspectiva de perder pontos escusados jogo após jogo. Falta segurança interna e externa. Falta um maior domínio da componente extraordinária do jogo: a comunicação, a motivação, a estabilidade. No meio de todo o contexto extra – futebol que vai enchendo jornais (não mata ninguém mas vai moendo), foi um pequeno episódio que me deixou mais perplexo esta temporada: numa altura em que o Sporting era líder, Bruno de Carvalho envolveu-se numa troca de palavras com António Salvador, Presidente do Braga. Com o Braga? Que está em 4º lugar e não vai ser campeão? Para quê? Qual o benefício? Não sei responder. A única coisa que eu acho é que o pensamento do presidente leonino de “em campo respondes tu, que eu cá fora não deixo ninguém sem resposta” é errado. Muito errado. E inadequado para quem quer ganhar.

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