2018-06-07 15:42:59

A democracia não se estica

A democracia não se estica

Estratégia do Conselho Directivo leonino tem tudo para fracassar

É a zorra. A confusão total. Bruno de Carvalho tenta, através do golpe, segurar um cargo que, através da democracia, já sabe que lhe vai fugir. Faz política. Ou não faz, porque a política deve ser outra coisa. Do outro lado da barricada, e com mais ou menos lógica, lutam outros pelo Sporting mas respeitando as regras da democracia. E é assim que deve ser. E este segundo grupo vai ganhar. Não pela razão, não pelo argumento, não pela interpretação legal. Vai ganhar porque a democracia não se estica. A partir do momento em que a democracia se torna elástica deixa de ser democracia. Passa a ser uma espécie de ditadura. Uma zorra.

 O que é mais incrível é que o Sporting, campeão nacional de hóquei em patins, de andebol, de voleibol e de futebol feminino (entre outros resultados de mérito), entra num processo autodestrutivo num ano em que as coisas até nem estão a correr mal. Na equipa sénior, um hipotético e possível segundo lugar seria algo de razoavelmente positivo, a que se juntariam a Taça da Liga e a também possível conquista da Taça de Portugal. É só fazer as contas. E comparar. Comparar com o F.C.Porto e com uma frase absolutamente decisiva de Sérgio Conceição logo no início de época. “Nós não estamos assim tão longe de vencer quanto isso”. Verdade. O F.C.Porto de Nuno Espírito Santo, há um ano, terminou o campeonato em 2º lugar a seis pontos do Benfica.

 E, a meu ver, era um bocadinho por aí. É certo que a qualidade do plantel do Sporting era manifestamente melhor do que a dos seus rivais. A constante efervescência leonina faz com que o imprevisto apareça mais vezes do que costuma ser normal. Há o contexto difícil, é certo. Há um contexto que faz com que o Sporting seja uma lavandaria permanente. Agora, bem feitinhas as contas, o Sporting tinha um plantel muito superior ao dos seus rivais. Com estabilidade, com critério, com a mensagem de que a vitória não está assim tão longe, o Sporting tinha todas as condições para encarar a próxima temporada com algum optimismo.

 Fez-se exactamente o contrário. Veja-se que o Sporting contratou, há bem poucos meses, um dos mais promissores centrocampistas brasileiros da actualidade: Wendel, que estava em processo de desenvolvimento. Há poucos meses, também, o Sporting garantiu Raphinha, uma das principais referências do campeonato que passou. Ou Marcelo, um central de qualidade inquestionável. Para além disso, o Sporting é um grande fornecedor de jogadores à selecção nacional, agora que estamos à porta do campeonato do mundo e da maior das montras. Já para não falar, novamente, do melhor plantel do campeonato português. Tudo isto!

 Tudo isto transformado em pó. Em nada. Em Assembleias Gerais, em Comissões Transitórias da Mesa da Assembleia Geral. Em conferências de imprensa. Em histrionia de Bruno de Carvalho – quase que uma vontade patológica em ser constantemente o centro das atenções. Em demissões, em pedido de eleições antecipadas. Em alvoroço. Um alvoroço quando o mar está ali tão perto…

 Indiferente a todo este alvoroço, o Benfica opta pelo caminho da paz e da estabilidade. Reforça o plantel bem cedo, para não cometer os erros da época passada. O avançado Ferreyra é sinónimo de rendimento imediato, despachando-se as interrogações e as incógnitas. Fazendo-se esquecer Mitroglou. Também para a dianteira foi contratado Castillo. O nigeriano Ebuehi acrescenta qualidade no processo ofensivo, muito embora necessite de algum trabalho no aspecto defensivo. Na defesa, Conti parece indiscutível para a zona central, sector que vacilou de sobremaneira no início da temporada que findou. Também Guilavogui, do Wolfsburgo, parece ser uma boa alternativa a Fejsa e, se bem que o sérvio pareça indiscutível, a falta de uma réplica afigurou-se como um problema nos últimos anos.

 Já os dragões parecem avançar para o lateral direito João Pedro, depois de confirmadas as saídas de Diogo Dalot para o Manchester United e de Ricardo Pereira para o Leicester. O F.C.Porto, que apertou o cinto até ao máximo para reconquistar fôlego financeiro, sabe que não pode entrar em loucuras nesse campo. Por uma questão de lógica e por uma questão histórica: os dragões nunca se deram muito bem em tempos de abundância. Seja como for, a reconquista do título representou tranquilidade e nova ponderação de objectivos. É tempo de se elevar ligeiramente a fasquia. Com plantel melhorado, sem dúvida, mas com novos objectivos para o ano que se avizinha. Tal como o Benfica, também os dragões não parecem dispostos a cair nos mesmos erros do passado recente.

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