2018-07-27 17:19:21

Sérgio Conceição dá murro certeiro

Sérgio Conceição dá murro certeiro

As mensagens de Sérgio Conceição têm resultado na perfeição. Timing certo e palavras escolhidas com critério

Em futebol, meio com meio não dá um. Dá meio e com tendência para descer. Que o diga o Benfica na época passada, que não substituiu convenientemente Éderson, Lindelof e Nélson Semedo. A componente de laboratório é essencial numa equipa competitiva, que ambiciona por títulos. No entanto, essa mesma componente tem de ser regrada e devidamente enquadrada. O conservadorismo é perigoso mas o irrealismo também.

Lembro-me, por exemplo, de Fernando Santos dizer por diversas vezes que apostar às cegas em jogadores jovens é matá-los. Cristiano Ronaldo foi a excepção, e uma excepção que se tornou numa referência mundial. A juventude não é inimiga da competitividade, longe disso. Agora, há que pesar os prós e os contras de se lançar algo que se está a produzir. O risco é bom mas há um limite para esse mesmo risco. Porque o jogo de futebol é um sistema, que balança caso um dos elos esteja mais débil. E as grandes equipas não podem correr esse risco.

Mais uma vez Sérgio Conceição acertou em cheio. Percebeu, após o jogo frente ao Portimonense, que os dragões corriam o risco de entrar numa espiral recessiva, à semelhança do que aconteceu com o Benfica na temporada passada. Impunha-se um líder, impunha-se uma mensagem forte. Não faz sentido andarmos com experiências. Se queremos elevar a fasquia dos nossos objectivos, precisamos de respostas imediatas. Prontas. Mais vale uma boa resposta do que dois pontos de interrogação. Porque os jogadores jovens são bem-vindos mas devem existir num determinado contexto. Agora, o fim supremo é a vitória da equipa. E isso está acima de tudo.

De facto, quem via Sérgio Conceição como um treinador emocional, com os nervos à flor da pele, não deixa de ficar surpreendido com esta sua nova face. Um dos trunfos da vitória portista na temporada passada foi a estabilidade emocional demonstrada pelo treinador e a forma como soube enviar mensagens fortes e precisas. Lembro-me que começou bem: “não estamos assim tão longe de voltarmos a vencer”. Em cheio! E, nesta temporada, volta a acertar com precisão, no timing certo. Os dragões precisavam dessa mensagem!

Ciente de que perdeu o campeonato no início da temporada passada e não no fim, o Benfica apostou numa boa fornada de reforços. Sem grandes experiências. Produtos acabados. Como Ferreyra ou Conti, por exemplo. Ainda é muito prematuro dizer-se se os novos reforços são apostas acertadas ou não. Mas o propósito de caminho parece estar correcto. Pelo menos, alguns pormenores.

Um pormenor chamado Alfa Semedo, por exemplo. As suas características são diferentes das de Fejsa, é certo, mas pela primeira vez desde há algumas temporadas, os encarnados apresentam uma solução de banco para a posição 6. É lógico que a presença de Fejsa no onze é indiscutível mas o sérvio não é propriamente um fenómeno de regularidade. Importa arranjar uma peça forte, que segure todo o sistema. Uma peça que se destacou no Moreirense e nunca devia ter saído do Benfica, onde se formou. Foi uma das revelações da temporada passada – capacidade técnica, recuperação, boa visão de jogo, combatividade. Solução equilibrada pois saberá adequar-se como recurso e com a perfeita noção de que Fejsa é um dos melhores jogadores do campeonato português.

Em Alvalade, José Peseiro vai pegando no que de bom o Sporting tem e acrescentando critério. Peseiro é o homem certo para repor a ordem num cenário que chegou a ser dantesco nos últimos tempos. Com tempo, com paciência, o Sporting voltará aos seus velhos tempos. E José Peseiro merece-me um tremendo respeito pessoal: tal como Carlos Queiróz nunca recebeu o devido reconhecimento – o Sporting nunca jogou tão bem como em 2005; a recuperação do F.C.Porto tem muito do seu dedo; foi despedido do Sporting de Braga a seis pontos do líder e tendo jogado no recinto de todos os grandes. No entanto, ao contrário de Carlos Queiróz, nunca entrou em atritos supérfluos nem em cenários mesquinhos para chamar a atenção da opinião pública. Sempre na sombra, à espera da sua hora. Que um dia vai chegar!

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