2016-01-28 14:30:56

Com José Peseiro o F.C.Porto vai jogar o dobro

Com José Peseiro o F.C.Porto vai jogar o dobro

A vinda de José Peseiro é uma «pedrada no charco» e uma passo à frente por parte dos dragões

O Futebol Clube do Porto contratou um tremendo treinador de futebol. Mas um tremendo

treinador de futebol! Melhor escolha não podia ter feito. Trata-se de um técnico com uma

ideia de jogo predominantemente ofensiva, o que resolve desde já um problema: a

cristalização do ataque e os momentos de definição, o tal crítico último terço do terreno que

tantos problemas causou em Guimarães. Onde os dragões fizeram uma das melhores exibições

da época. Mas voltemos a José Peseiro.

 

É relativamente consensual dizer-se que, quer Sporting quer Braga de Peseiro, jogavam um

futebol espectacular e atractivo. O treinador conseguiu elevar uma fasquia que, à posteriori, se

revelou demasiado pesada. Em ambos os casos, faça-se uma análise emocional e realista. Pelo

caminho da emoção constata-se que há uma diferença grande entre as expectativas que foram

criadas e o que aconteceu. Mas eu prefiro ir pela realidade: àquela data, há quantos anos o

Sporting não conseguia atingir uma final europeia e estar às portas do título nacional? E o

Braga de Peseiro, que conquistou uma Taça de Liga e, na Liga dos Campeões, eliminou a

fortíssima Udinese da altura? Quantas vezes o Braga, na sua história, conseguiu jogar em Old

Trafford de igual para igual com o Manchester United?

 

Com Peseiro, os três grandes passam a ser, todos eles, bem orientados. Sem margem para

dúvidas. Em Cascais, o Benfica passou no difícil reduto do Estoril. Tal como na primeira volta,

Rui Vitória foi decisivo na mudança do jogo. Acima de tudo, a equipa precisava de mais bola

junto dos centrais adversários, mais corpo a corpo, mais tabelinha e entrada dos médios.

Mitroglou mudou o jogo e, com o grego, toda a equipa se galvanizou numa segunda parte em

que alcançou uma vitória justa. E os sinais para o Benfica são positivos, até nos detalhes:

Gonçalo Guedes não tem capacidade física para jogar ao mais alto nível a época toda e cumpre

período sabático previsível; Carcela, que sabe jogar pelo flanco e equilibrar o miolo, cumpriu

pela primeira vez os 90 minutos. O Benfica cresce ao ritmo da sabedoria e da capacidade de

gestão do seu treinador.

 

O Sporting. Já se sabe que o Sporting tem alguns problemas frente a defesas fechadas, em face

da pouca capacidade de desequilíbrio do seu meio-campo. Desta vez, frente ao Tondela, veio à

tona o “saudável problema” de Rui Patrício. Ora, se Patrício é um dos melhores do mundo em

situações de um contra zero(veja-se o ano passado com Marco Silva), é também um guarda-

redes banal no controlo da profundidade da sua linha defensiva. Ou seja, mede mal a distância

entre o seu espaço de acção e a linha dos seus defesas. O “saudável problema” transformou-

se, neste jogo, no problema a sério. A expulsão do guardião condicionou uma partida que não

mais foi a mesma. O Sporting reagiu e logrou empatar pois o Tondela é uma das equipas que

pior defende na liga. Mas é uma das equipas que melhor ataca. A jogar contra dez, o Tondela

causou perigo e chegou ao empate porque é, aliás, muito provável que marque golos em todos

os jogos. O Tondela tem Nathan, Romário Baldé e Murillo, três jogadores de grande

capacidade individual, e que fazem a diferença de um momento para o outro.

 

Porto com uma das melhores exibições da temporada frente ao Guimarães. Quase sempre a

pressionar alto, com os médios instalados no meio-campo adversário. Agressivo e a recuperar

a bola em zonas muito adiantadas. Com um futebol atractivo que procura mais o meio e

menos as alas. Há dois problemas que estão perfeitamente identificados pela estrutura: a falta

de desequilíbrio individual pelo meio e a indefinição das jogadas de último terço de terreno: os

alas portistas causam muito perigo mas passam quando deviam rematar e rematam quando

deviam passar. Há pouco falei de Patrício para, com ele, também defender Casillas(que até

nem é o meu tipo de guarda-redes favorito). Já se sabe que Casillas é sofrível em bolas pelo ar.

Mas não é excepcional noutros parâmetros do jogo? Não é excepcional em remates de fora da

área, por exemplo?

 

Excepcional esteve o Boavista frente ao Setúbal, depois de ter estado bastante bem frente ao

F.C.Porto. Os boavisteiros tiveram um duro revés com a lesão de Tengarrinha, que se fixava

como médio-defensivo, mas tudo compensaram com a contratação de dois jogadores que,

quanto a mim, fazem a equipa valer o dobro: falo do médio Rúben Ribeiro, um criativo que

joga e faz jogar. Faz jogar Renato Santos, por exemplo, que se exponencia à medida da

qualidade do colectivo que o envolve. E parece ter acertado na mouche na contratação do

avançado Iriberri. Faltava clarividência ao ataque axadrezado. E um bocadinho mais de

organização no ataque. Cumpridos estes dois requisitos, não ponho o Boavista no rol das

melhores equipas da Liga. Mas penso que passa a ter qualidade suficiente para se manter na

Primeira Liga.

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Sobre Gil Nunes

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