2019-02-21 16:08:36

Benfica está um degrau acima

Benfica está um degrau acima

Benfica mostra atributos que o definem como equipa mais forte da liga portuguesa

Estão separados por um ponto, com vantagem para os dragões. Em face do historial, em face do contexto, é legítimo afirmar-se que as duas equipas – F.C. Porto e Benfica – são as principais candidatas ao título. E também é legítimo lançar-se a discussão para cima da mesa: qual das equipas está mais forte? Eu respondo de forma clara: o Benfica. Sem dúvida.

O Benfica tem sido demolidor na forma como encara as partidas, apresentando uma dinâmica de jogo que não só é rica no seu conteúdo, na sua identidade, como também na abordagem perante os adversários. É lógico que pode argumentar-se que frente ao Desportivo das Aves, em face da diferença de valor entre as duas equipas, esse trabalho até que seria desnecessário. Ou provavelmente desnecessário, dado que o cenário – qualidade dos técnicos - não é assim tão linear. Fosse como fosse, Bruno Lage entrou em jogo com o objectivo bem definido: fazer prevalecer o domínio da sua equipa e ser tacticamente hábil, de forma a contrariar o adversário e o seu principal trunfo: os tais jogadores rápidos da frente de ataque. Ou principalmente Mama Baldé, o maior eixo de desequilíbrio dos nortenhos.

Como tal, o Benfica tinha de evitar os contra-ataques e a possível exploração da profundidade. Do espaço livre nas costas. Nada como jogar por antecipação Por isso, Bruno Lage colocou Gabriel e Samaris em posição estratégica, num controlo de espaço aquando da posse de bola. Ou seja, procurando não cair na rápida transição ofensiva do adversário e estancando uma hemorragia que, ao fim ao cabo, não chegou a acontecer. Antes prevenir do que remediar. E depois fazer a diferença.

Uma diferença que se faz através da consolidação da primeira fase de construção, com os centrais devidamente envolvidos no jogo ofensivo. O Benfica sai, não aos poucos mas num ápice, daquele estilo refém das transições ofensivas, que fazia com que os encarnados se tornassem previsíveis. Depois, João Félix faz a diferença. A ponte entre todos. Alguns sítios da especialidade revelaram, esta semana, um aspecto curioso do craque benfiquista: a multilateralidade, ou seja, a forma como recebe com o pé não-dominante e passa para o pé forte sem perder o controlo do que está a fazer e, por conseguinte, causar um desequilíbrio brutal no adversário.

Se há duas semanas critiquei Marcel Keizer, esta semana tenho de dizer que fiquei surpreendido pela positiva. O holandês colou Borja à zona central e estendeu os laterais, definindo grande parte do jogo em 3x4x3. O Sporting de Braga ficou preso nas suas movimentações e acabou por se tornar presa fácil. É lógico que os próximos adversários do Sporting já estarão a par desta alteração táctica e tudo será mais previsível. Seja como for, não se tira o mérito a uma dinâmica distinta que, pela primeira vez, deu vitória a Keizer ao nível do factor treinador. E o “abre-latas” Bruno Fernandes foi novamente decisivo. É daqueles jogadores que ultrapassam a própria componente da importância táctica e do posicionamento em face do estupendo rendimento individual que apresentam.

Já os dragões enfrentaram um bem organizado Vitória de Setúbal que causou algumas dificuldades, sobretudo porque esteve demasiado recuado no terreno. No entanto, nota alta para os dragões na forma como conseguiram encontrar novas soluções de penetração no último reduto do adversário. Um pouco em antítese com a dinâmica mais física e robusta que tem sido apanágio ao longo de toda a temporada. A presença de Otávio – que consegue ocupar várias posições no decurso do jogo – foi determinante para confundir o adversário mas foi sobretudo Óliver quem mais se destacou. O espanhol foi decisivo em todos os momentos do jogo, evidenciando-se quer ao nível do passe quer ao nível da forma como encontrou espaço para os avançados explorarem a profundidade. Destaque, também, para os desequilíbrios causados por Adrián Lopez, ele que começa a perder a timidez e a não ter medo de arriscar. Está mais avançado, mais livre, mais comprometido com o jogo e, muito embora tenha características distintas das de Brahimi, certo é que o F.C.Porto ganha uma maior presença em termos de finalização. No meio da razia de avançados, nada como uma boa notícia: a confirmação do “renascimento” de Adrián Lopez. Factores positivos, factores de crescimento que, devidamente mensurados e comparados, não me fazem mudar de opinião. O Benfica está mais forte. 

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