2019-03-01 11:47:24

O combate dos chefes no país dos "2+2 grandes"

O combate dos chefes no país dos

F.C.Porto e Benfica têm disputado liga à parte

O clássico do próximo sábado traz consigo uma reflexão global. Será que ainda vivemos no tempo dos três grandes? Eu penso que não. De acordo com a história do futebol português dos últimos anos, F.C.Porto e Benfica têm vivido um pouco acima de todos os outros, nomeadamente acima de um Sporting que perdeu um pouco da sua influência e um Sporting de Braga que cresceu muito mas a quem faltam os títulos para se cimentar. Eu diria que vivemos num período de “2+2 grandes” dentro de um contexto de escassez de classe média do futebol português.

Nesse cenário, duas respostas são certas e erradas ao mesmo tempo: o campeonato português ganha-se através da regularidade e da eficiência frente às ditas equipas mais pequenas; e o campeonato português, fruto da escassez da classe média, ganha-se no confronto direto entre os candidatos ao título. Daí que, pegando-se nesta segunda equação, eu colocaria a variável do resultado da Luz. O Benfica ganhou por 1-0 o que, pensando-se friamente, conclui-se que o possível empate no Dragão até que não seria mau resultado para os encarnados.

Os encarnados que estão melhores. Estão mais fortes. O Benfica apresenta alguns traços muito interessantes e dominadores. Desde logo a capacidade de reação à perda e a transição defensiva, muito agressiva e eficiente. O Benfica quer bola e, quando não a tem em sua posse, rapidamente a recupera, o que é surpreendente porque quem garantia a eficiência do início de época da transição defensiva era Fejsa e ele agora nem joga – predominância do modelo de jogo em relação ao jogador.

E Gédson, um dos melhores do arranque do campeonato e com traço feroz na transição ofensiva, perdeu relevância com Bruno Lage. O Benfica já não joga assim. É claro que frente ao F.C.Porto o “chip” tem de ser mudado, até porque jogar frente aos dragões equivale a partida de Liga dos Campeões. Um dos principais desafios dos encarnados será o de colocar os seus médios – sobretudo Gabriel – de frente para o jogo, bem como a possibilidade de Pizzi sair da faixa e interferir com o jogo de miolo, potenciando toda uma equipa que tem em João Félix a sua principal estrela: impressionante a forma como causa desequilíbrios de cada vez que toca na bola. De facto, cada receção de João Félix é uma pincelada no xadrez da partida: mais espaço, mais bola, menos adversários ao redor.

O F.C.Porto realizou um excelente jogo frente a um Sporting de Braga muito hábil taticamente mas claramente com falta de crença nas suas capacidades. É certo que as lesões de Brahimi, Marega e Danilo foram um duro revés, mas certo é que há males que vêm por bem. Com este cenário, os dragões conseguiram potenciar as suas segundas linhas, agora mais capacitadas para serem soluções efetivas. Em tudo isto surge um nome acima de todos os outros: Óliver. Que representa um bocadinho o papel que João Félix representa no Benfica. Bola nos seus pés e toda a equipa parece que se agiganta. No caso do espanhol, a sua influência não se faz tanto através da progressão com bola mas antes da capacidade de passe, sobretudo passe comprido como ficou mais uma vez provado frente ao Sporting de Braga. Recuo estratégico do espanhol, bola longa e exploração das costas da linha defensiva adversária. E tal perfil enquadra-se bem numa equipa que tem dois jogadores eficazes na progressão com bola: Brahimi e Corona.

No clássico, o principal desafio dos dragões será o de impedir que o Benfica comece a construir jogo desde trás. Na sua primeira zona de construção. É certo que o Benfica está muito forte na transição defensiva, na organização ofensiva mas tem uma equipa muito jovem que não está preparada para ser dominada. Para levar com um ritmo alto e agressivo. Uma equipa que não permita que Gabriel e João Félix se coloquem de frente para o jogo. Uma equipa que explore as costas dos laterais. Uma equipa, F.C.Porto, que mesmo estando uns furinhos abaixo em termos de rendimento, se consiga potenciar com obstáculos aos quais o Benfica não está habituado.

Espera-se também que seja um clássico pouco envolto em polémica, em antítese com o que aconteceu na Taça da Liga. Aí, o Porto-Benfica foi provavelmente o melhor jogo da época e um dos melhores clássicos dos últimos anos. O que realmente interessa. Em vez de se louvar o sumo da partida, estivemos semanas a discutir o fora de jogo e a influência do videoárbitro, quando nos devíamos ter regozijado por ter mostrado um tremendo espetáculo ao mundo do futebol e potenciado a liga do país campeão europeu.

Uma liga onde o Moreirense vai cimentando posição europeia, mesmo com Loum transferido para o F.C.Porto. O senegalês, contudo, não era o jogador mais determinante da equipa. Olho para o Moreirense e vejo lá um jogador que, com todo o respeito, não entendo como ainda está em Moreira de Cónegos. Falo de Chiquinho. Formado no Leixões e contratado pelo Benfica. Técnica, visão de jogo, drible em progressão e muito colectivo em cada jogada. Como é que foi dispensado do Benfica na pré-temporada? Um daqueles enigmas….

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