2020-12-21 08:49:41

Reflexão da importância do treino de força no futebol

Será o Treino de força nefasto para a o rendimento dos atletas ou poderá potenciar a performance dentro de campo?

            Ao longo dos anos o futebol tem sofrido variações nas regras de jogo e no modo como os profissionais compreendem e o observam. Estas medidas alteraram dinâmicas na partida, nomeadamente na dimensão tática, que é cada vez mais pensada e indispensável, devendo o gesto técnico ser associado à capacidade de realizá-lo de modo mais explosivo(1). Por sua vez, conduziu à elevação da intensidade que os jogadores empregam, aumentando a velocidade de jogo(2).

            A preparação física, vem sendo uma constante preocupação, querendo jogadores capazes de realizar os diversos movimentos, como, saltar, fazer um sprint de curta ou longa distância, mudanças de direção, rematar, travar, entre outras, à máxima velocidade com o menor incremento de fadiga. Assim sendo, é desejável que o treino das qualidades físicas seja meticulosamente desenvolvido com atuação no treino de força, potência, agilidade, coordenação, entre outras.

            Antes de aprofundar na reflexão do tema principal, é crucial que entenda que a força poderá ser definida, como a capacidade de se aplicar esforço contra uma determinada resistência ou movimento indesejável, ou seja, vencer a inércia do corpo alterando-lhe a velocidade(3) e não apenas como o treino de bodybuilder que objetiva o ganho de massa muscular.

            Na literatura, é reportado que o treino de força adequado à modalidade e ao atleta tem a capacidade de aumentar a estabilidade articular reduzindo o risco de lesão(4). Em relação à prevalência de lesões, é conotado pelos estudos que os membros inferiores, no caso do futebol, são os mais suscetíveis(5) com os isquiotibiais a liderarem com 37%, logo de seguida os adutores com 23%, o quadríceps com 19% e no tornozelo com 13% de incidência(6). Apesar deste fenómeno ser multifatorial, uma das fortes explicações é a relação de forças desadequada entre os quadríceps e os isquiotibiais(7,8,9), surgindo a importância do trabalho de reforço muscular neste último grupo muscular.

            No que diz respeito à potencialização da performance dos atletas, alguns estudos concluem que existem correlações extremamente fortes entre o treino de força máxima dos membros inferiores e a melhoria na capacidade de aceleração, nos tempos de sprint de 30m e de 10m, bem como nas provas de 10m com mudanças de direção, tal objetivo, deverá ser alcançado pelo fornecimento, preferencial, aos atletas por adaptações neurais com ênfase na mobilização máxima da ação concêntrica, no exercício de agachamento(10,11,12,13,14). Se pensarmos que cerca de 96% dos sprints são inferiores a 30m, sendo 49% não superiores a 10m(15), compreendemos a importância do treino de força.

            O modo como o treino de força é associado ao futebol, tem sentido alterações positivas, deixando de ser visto como algo que pode “deixar o atleta mais lentos dentro de campo devido ao ganho da massa muscular”, para uma ferramenta útil na mitigação de lesões e na potencialização da performance física. Para além destes inúmeros benefícios, o treino de força acarreta uma melhoria da saúde óssea, da mobilidade articular e da aptidão cardiorrespiratória.

 

 

Conclusão 

           Os benefícios desta tipologia de treino devem ser compreendidos pelos treinadores de modo a criarem espaço e oportunidade para que ele aconteça. A prescrição descontextualizada e indiscriminada deverá ser erradicada, dando lugar há programação assente nos princípios de treino com uma avaliação física prévia.

            Em textos futuros irei aprofundar o treino de força nos jovens atletas e da importância do treino de potência.

 

 

 

Referencias

 

(1) Bompa, T. O. (2001). Periodização: Teoria e Metodologia do Treinamento. São Paulo: Phorte ed.

(2) Buhrle M, Schmidtbleicher D. (1977). Influence of maximum strength training on movement velocity. Leistungssport. Vol 7. Pp 3–10.

(3) Cometti, G., Maffiuletti, N. A., Pousson, M., Chatard, J. C., & Maffulli, N. (2001). Isokinetic strength and anaerobic power of elite, subelite and amateur French soccer players. International Journal of Sports Medicine. Vol, 22, nº 1, pp 45–51.

(4) Coombs R, Garbutt G. (2002). Developments in the use of the hamstring/quadriceps ratio for the assessment of muscle balance. Journal Sports Sci. Vol 1, pp 56-62.

(5) Crosier, J. (2004). Factors associated with recurrent hamstring injuries. Sports Medicine. Vol 34, pp 681–695.

(6) Ekstrand, J., Hagglund, M., & Wálden, M. (2011). Epidemiology of Muscle Injuries in Professional Football (Soccer). American Journal of Sports Medicine, pp 1226-1232.

(7) Engebretsen, A. H, Myklebust, G, Holme, I, Engebretsen, L, & Bahr, R. (2010). Intrinsic risk factors for hamstring injuries among male soccer players: a prospective cohort study. American Journal Sports Medicine. Vol 38 nº 6, pp 1147-53.

(8) Hoff, J., & Helgerud, J. (2004). Endurance and Strength Training for Soccer Players. Sports Medicine. Vol 34 nº 3, pp 165–180.

(9) Nunes & Pereira (1998). A evolução da força reactiva em jovens praticantes federadps de futebol no escalão etário de 16-18 anos. Dissertação de Mestrado em Ciências do Desporto Treino do Jovem Atleta. UTL-FMH. Lisboa.

(10) Rahnama N, Reilly T, Lees A. (2002). Injury risk associated with playing actions during competitive soccer. British Journal Sports Medicine. Vol 36, pp 354–9.

(11) Shephard, R. J., & Shephard, R. O. Y. J. (2010). Biology and medicine of soccer : An update. Journal of Sports Sciences. Vol. 17, pp 757–786.

(12) Stolen, Chamari, Castagna, & Wisloff. (2005). Applied Physiology of Soccer. Sports Medicine. Vol 3, nº 1, pp 501–536.

(13) Tumilty, D. (1993). Physiological Characteristics of Elite Soccer Players. Sports Medicine: Evaluations of Research in Exercise Science and Sports Medicine. Vol 16, nº 2, pp 80–96.

(14) Valquer W., Barros TL. & Sant’anna M., (1998) High intensity motion pattern analyses of Brazilian elite soccer players. In Tavares, IV World Congress of Notational Analysis of Sport; 1998 Sep 23-27; Porto. Porto: FCDEF-UP.

(15) Wisløff, U., Castagna, C., Helgerud, J., Jones, R., & Hoff, J. (2004). Strong correlation of maximal squat strength with sprint performance and vertical jump height in elite soccer players. British Journal of Sports Medicine. Vol 38, nº 3, pp 285–288.

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