2021-02-12 19:03:19

Como ganhar jogos de Futebol? - Proposta para um Jogo de Qualidade (3ª Parte)

No último artigo "Como ganhar jogos de Futebol? - A minha receita: Coragem! (2ª Parte)" apontei a Potenciação Tática e a Coragem como dois fatores cruciais para as Equipas terem um Padrão de Jogo de Qualidade. Para chegarem a este desempenho as equipas necessitam ter Modelos de Jogo bem consolidados para os diferentes momentos do jogo. Neste artigo vou apresentar uma proposta de Modelo de Jogo.

Este Modelo que vai ser apresentado pretende ser genérico e não entrar muito nos detalhes, como por exemplo o sistema tático ou subprincípios mais específicos. Vou deixar os detalhes, e as situações concretas para Potenciação Tática, para o próximo artigo.

Eu identifico num Jogo de Futebol 6 Momentos. Eis o que eu sugiro, genericamente, para cada um desses momentos:

ORGANIZAÇÃO OFENSIVA

  • Equipa com um jogo de posse, ligado entre os diferentes setores e corredores, predominantemente curto.
  • Paciente na circulação, até encontrar o jogador livre, capaz de acelerar o jogo;
  • Provocação dos adversários se estes ficam em contenção, sobretudo do corredor central (CC);
  • Boa gestão de ritmos (temporização, aceleração e manutenção da Posse);
  • A equipa deve variar e alternar, de forma inteligente e criteriosa, o:
    • Jogo curto x Jogo longo;
    • Jogo interior x Jogo Exterior;
    • Jogo entre linhas x Ataque à Profundidade.
  • Boas dinâmicas de trocas posicionais;
  • Muita utilização dos apoios frontais e das dinâmicas de 3º Homem, que permitem deixar jogadores de frente para o jogo;
  • Fazer bom uso das situações de superioridade numérica (2x1, 3x2, etc.);
  • Grande conhecimento/associações entre jogadores de setor e corredor;
  • Saber em que contextos de jogo e com quem provocar o 1x1;
  • Bom preenchimento das Zonas Cruciais[1] a atacar;
  • Rematar no contexto certo, uso do extrapasse se colega mais bem posicionado;
  • Inteligência na gestão da bola e muita comunicação;
  • Antecipação de cenários e das jogadas por parte dos jogadores;
  • Valorização do coletivo e da forma de jogar da equipa em detrimento da do adversário (exceção a pequenas nuances estratégicas). 

TRANSIÇÃO DEFENSIVA

  • Reação rápida à perda da bola ou até mesmo antecipação desse momento;
  • Compreensão coletiva se é momento de Pressão ou Contenção (baixar e fechar espaços) – aqui entra naturalmente a estratégia do treinador;
  • Se for momento de Pressão, esta deve ser muito forte sobre o portador da bola e fecho das linhas de passe, de forma organizada e coletiva, mas sem nunca perder o equilíbrio e permitir espaços entre linhas.

 ORGANIZAÇÃO DEFENSIVA

  • Defesa à zona pressionante;
  • Pressão bem organizada (com os indicadores bem definidos e percebidos por todos), sem perder o equilíbrio e deixar espaços entre linhas;
  • Zonas Vitais[2] sempre ocupadas; 
  • Equipa a formar um bloco compacto, com pouca distância entre setores, independentemente se alto, médio ou baixo;
  • Linha defensiva muito bem alinhada e com os indicadores de controlo da profundidade negativa bem definidos (bola descoberta x bola coberta);
  • Basculação rápida (controlo da largura);
  • Encurtamentos rápidos.

TRANSIÇÃO OFENSIVA

  • Muita capacidade de tirar da Pressão e acelerar;
  • Velocidade na saída para contra-ataque;
  • Em contra-ataque ocupar bem os 3 corredores;
  • Boa perceção coletiva se o contexto de jogo é para acelerar ou ficar com bola.

BOLA PARADA OFENSIVA

  • Muita criatividade na elaboração destas jogadas;
  • Preparação ao ínfimo pormenor;
  • Muito agressividade no ataque à bola nas Zonas Cruciais[1];
  • Colocação de muitos jogadores para ganhar ou rematar as 2ªs bolas.

BOLA PARADA DEFENSIVA

  • Organização ao ínfimo pormenor na defesa à zona;
  • Bom posicionamento nas Zonas Vitais[2];
  • Muita agressividade no ataque à bola;
  • Ganho das 2ªs bolas e jogadores referência para a Transição Ofensiva.

O leitor que tem acompanhado os meus artigos pode estar a pensar que direciono muito os textos para um determinado estilo de jogo. Acaba por ser verdade, mas não o faço apenas porque considero este estilo mais atraente, mas sim mais eficiente e eficaz e assente nas conclusões de um estudo académico (abordado nos artigos anteriores).

[1] Zonas Cruciais – Espaços dentro e fora da área, no corredor central, onde a probabilidade de se fazer golo é maior.
[2] Zonas Vitais – Espaços dentro e fora da área, no corredor central, onde a probabilidade de o adversário fazer golo é maior.

Joel Roque | Treinador UEFA B

*Imagem retirada do site: www.totalfootballanalysis.com

 

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Sobre Joel Roque

Joel Roque

Sou um Treinador de Futebol UEFA B, licenciado em Gestão do Desporto, com 39 anos. Estou à procura de uma colocação profissional no Futebol como: Treinador Principal numa equipa Sénior distrital ou de Formação (campeonato nacional), Coordenador Técnico na Formação, Treinador Adjunto, Observador, ou Analista numa equipa profissional. Como Treinador eu tenho uma grande satisfação de...

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