2016-01-29 10:24:13

Peseiro não inventou no primeiro jogo

Peseiro não inventou no primeiro jogo

Sistemas não se mudam de um dia para o outro. Mas as mensagens sim

No seu primeiro jogo à frente dos dragões, Peseiro não inventou. Também não podia. Com

três dias de treino antes do primeiro jogo não há milagres. Mas há mensagens que podem ser

assimiladas de imediato.

 

Frente ao Marítimo, Peseiro não introduziu as suas ideias mas introduziu o antídoto. Tentou

curar maus vícios. Jogo muito pelo centro, para se evitar a ida compulsiva às alas. Herrera(que

quanto a mim será substituído por Imbula a breve-prazo no onze inicial) junto de Danilo

Pereira para pegar no jogo a partir da primeira linha, e com isso dar profundidade a Aboubakar

e a Corona, que se juntou ao camaronês numa linha de dois avançados. Sente-se que Peseiro

vai apostar num 4x4x2, mas tem trabalho hercúleo para fazer. Sobretudo cá atrás. O Porto vai

reagindo mal à pressão alta do adversário e tem dificuldades em ajustar as suas marcações.

Com Lopetegui, relembre-se, defendia as bolas paradas de forma individual e não à zona. O

Porto sofre, tendencialmente, muitos golos na sequência de livres ou cantos.

 

Outro bom primeiro sinal foram as substituições efectuadas. Com o Marítimo a conseguir sair

a jogar em transição com frequência, Peseiro não apostou no reforço da defesa. Nada disso. A

melhor forma de defender é obrigar o adversário a prevenir-se do nosso ataque. Suk e Varela

para o jogo. Vitória sábia em jogo sem revoluções. Caminho correcto.

 

Os dragões que passam a contar com Marega e José Sá. Contratações de risco, sim, mas de

risco controlado. Não falamos de certezas absolutas. Ambos os jogadores apresentam um

potencial tremendo. Sobretudo isso. E falo sobretudo do possante avançado maliano, de

arranque poderoso e finalização fácil com ambos os pés. Se partir da ala para o meio é a sua

especialidade natural, também joga bem de cabeça. Mas ainda é algo anárquico no seu jogo.

Falta-lhe escola. Falta-lhe treino. Tal como a sua nova equipa, onde trabalho é a palavra

decisiva nesta altura da época.

 

Trabalho apresenta o Sporting. Em Paços de Ferreira, o triângulo do miolo não se desfez.

William Carvalho aguentou-se, e a sua presença permitiu o agigantamento de Adrien(na

recuperação e na construção na primeira parte) e depois a magia de João Mário. Trata-se de

um jogador que brilha não pelas fintas que faz nem pelos golos sensacionais que marca.

Destaca-se pela inteligência que demonstra, sobretudo na criação de espaços e na definição

dos ritmos da equipa. Faz este último ponto de forma quase inconsciente. Falta, de facto, um

central ao Sporting de maior rendimento. Mas Bruno César, que não é um desequilibrador

nato, deu aos leões duas vantagens imediatas: capacidade de tiro frequente e eficiência no

aparecimento em zonas de finalização. Mas, sem Teo Gutierrez, faltam ali movimentos de apoio

a um Slimani que, pós-Jardel, é o jogador que melhor finaliza ao segundo poste no

campeonato português.

 

Na Luz, Renato Sanches assume-se como figura da equipa. É notável a forma como recebe e

tenta entrar pelo meio-campo adversário adentro. No entanto, tal também se reflecte em

irreflectidas perdas de bola. Pizzi vai pisando os terrenos certos, quer na ala quer no meio. E

serve de muleta preciosa ao jovem Renato. Com isso, também, liberta Jonas para zonas

próximas do ponta-de-lança, no caso Mitroglou que, possante e robusto, prende os centrais

adversários. O Benfica, quando não exposto em termos defensivos e quando não obrigado a

socorrer-se da criação de jogo pelos seus laterais, é uma equipa que vai crescendo. No

entanto, o seu limite de crescimento tem um alcance menos amplo quando comparado com o

do F.C.Porto, por exemplo.

 

Mais cá para baixo, aguça-se a luta pela permanência. O Boavista, até há umas jornadas a esta

parte, carecia de referências no seu meio-campo e no seu ataque. A meu ver era uma equipa

muito curta, com indefinições a partir do momento em que tentava construir alguma coisa.

Agora, com Rúben Ribeiro e Iriberri, há uma maior luminosidade e uma maior lógica. Nesta

última jornada, somou-se algum demérito do Tondela, equipa que tem muito talento na frente

de ataque mas que não é equilibrada. Era ver os dianteiros boavisteiros dominarem e saírem a

jogar após passe longo, isto perante a passividade dos tondelenses. Em bolas paradas, as

marcações ficaram a desejar. Em Tondela, a primeira mudança de treinador foi aquela que me

causou mais estranheza. O Tondela de Vítor Paneira jogava bom futebol e, sinceramente,

parecia-me uma equipa bem mais equilibrada.

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