Jogar o que o jogo dá. Realidade ou utopia?

Sabendo-se que num mundo ideal o que se quer é ter um modelo de jogo onde os jogadores jogam o que o jogo dá, concordas que essa visão é utópica? Desenvolve. Sendo utópica, quais são os princípios gerais que defendes no teu modelo de jogo?

Isso dava horas de discussão mas sim, concordo que é utópica. Primeiro porque para mim, partimos logo de uma premissa errada que é jogar o que o jogo dá. Não será antes, o jogo dá aquilo que jogamos? Por exemplo, uma equipa que defenda mais atrás terá (em princípio) mais espaço nas costas do adversário quando recupera a bola, quando estamos a ver o jogo dessa equipa faz sentido dizer que o contexto de jogo lhe está a dar esse espaço ou o modo como se comporta é que lhe dá esse espaço? Portanto, para mim, se os comportamentos que promoves na tua equipa influenciam o jogo, então o que tu queres é influenciar o jogo a teu favor e isso significa que tens de ter bem definido para ti, quais as situações que te favorecem mais e as que te favorecem menos. Fazendo isso, começas a perceber que vais eliminando algumas situações de jogo que queres evitar que a tua equipa jogue indo contra a visão de ser forte em qualquer situação.
Em segundo lugar, e para mim a razão mais óbvia, são os jogadores. Como queres ser forte a aproveitar o espaço com ataques rápidos se tens jogadores lentos e que não são extraordinários no 1x1 por exemplo? Mais, cada jogador percepciona o contexto de forma diferente e de acordo com as suas capacidades, numa mesma situação, um jogador com boa capacidade de passe longo percepciona uma oportunidade de aproveitar o espaço nas costas do adversário isolando um colega enquanto que outro jogador percepciona a falta de espaço no centro de jogo e de linhas de passe próximas e joga para trás. Afinal o que é que o jogo dava? Aproveitar o espaço nas costas ou conservar a posse de bola por não haver linhas de passe? Ambas as decisões foram as mais acertadas e estamos a falar da mesma situação. O jogo não dá só uma coisa a cada momento, dá uma infinidade de coisas pelo que é impossível preparar a equipa para essa infinidade de coisas em todos os momentos.
Por último, parece-me extremamente improvável conseguir criar hábito em coisas contraditórias e existem princípios que não sendo contraditórios transmitem ideias contraditórias.
No meu modelo de jogo procuro privilegiar a posse de bola, querendo criar as situações de finalização mais simples possível para que sejam também as mais eficazes. Ter linhas de passe próximas para garantir soluções ao portador e uma transição defensiva forte, quero que o adversário tenha a bola o menor tempo possível e isso significa que lhe quero tirar o máximo de tempo e espaço para jogar. Estamos a falar de um modelo em que a equipa ataca preferencialmente de forma curta e apoiada, defende com referências zonais e com o bloco alto de forma a retirar espaço ao adversário nas zonas próximas do centro de jogo, é agressiva na recuperação da bola, especialmente na transição defensiva.

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Sobre Blessing Lumueno

Blessing Lumueno

A nossa ideia de jogo assenta em dois pilares fundamentais. O ofensivo: jogar com bola, o mais longe possível da nossa baliza. O defensivo: organizar-nos por referências zonais que nos permitam defender a nossa baliza....

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