2016-02-16 13:31:32

Pep Guardiola e o Inovar Através das Raízes

«(...) passem os anos que passarem, quem verdadeiramente é amante futebol bem jogado, e/ou quem foi educado a ver o jogo de futebol na sua essência, sem olhar a resultados, irá sempre pesquisar e querer saber mais sobre estas equipas que tanto foram faladas, mas que nem sempre ganharam.»

Honestamente, escrevo este artigo mais pelo que tenho lido, do que propriamente o que tenho visto, mas escrevo-o porque as opiniões são quase unânimes e porque me sustento, essencialmente, nas detalhadas análises do blog Paradigma Guardiola.

No entanto, a essencial razão pela qual escrevo, é mais para falar no jogo que tanto nos apaixona e faz muitos de nós quererem tanto intervir nesta área, inspirando-se em Guardiola, e deixarem o seu cunho pessoal em trabalhos de qualidade, que visam valorizar o futebol enquanto jogo.

É curioso constatar de onde provêm a influência das "inovações" de Pep Guardiola e do seu Bayern Munich, sobretudo na organização ofensiva e na constante busca de Guardiola em estratégias para desorganizar o seu adversário: das raízes do Futebol.

Guardiola chama as raízes do futebol, da essência do jogo, aos dias de hoje, inspirando-se em equipas e conceitos dos "primórdios do futebol" como o "Jogo Bonito" implementado por Izidor Kürschner - que, curiosamente, treinou o Bayern Munich também, durante os anos 20 - no Brasil; em Flávio Costa, adjunto de Kürschner no Flamengo dos anos 40 e que deu continuidade ao desenvolvimento do movimento ofensivo "A Diagonal" e que viria a ser o treinador - por morte de Kürschner, desse Flamengo que conquistou 3 Campeonatos Carioca seguidos; e Gustav Sebes, seleccionador húngaro nos anos 50, que venceu a Medalha de Ouro Olímpica em 1952 e, no Mundial de 1954... perde para a República Federal da Alemanha (R.F.A.) a poucos minutos da final.

E porque é que eu falei deste ponto, da derrota na final? Simples: porque, passem os anos que passarem, quem verdadeiramente é amante futebol bem jogado, e/ou quem foi educado a ver o jogo de futebol na sua essência, sem olhar a resultados, irá sempre pesquisar e querer saber mais sobre estas equipas que tanto foram faladas, mas que nem sempre ganharam.

Um perfeito exemplo disso é a Selecção da Holanda de 1974, que ainda hoje apaixona muitos que nem nascidos eram naquele tempo, como é o meu caso, mas que sempre quis saber a dinâmica dessa equipa, da do Barcelona que perdeu na final 4-0 com o Milan, e vou querer saber das dinâmicas desta Hungria que perdeu contra a R.F.A. Ao invés disso, vejo nos meus círculos mais próximos, zero comentários acerca da curiosidade de saber como jogavam estas R.F.As que derrotaram as Selecções apaixonantes da Hungria de 1954 e a Holanda de 1974. Vejo menos comentários acerca do Milan que venceu por 4-0 o Barcelona. O Dream Team de Johan Cruyff!!!

Tudo isto para deixar patente o meu contentamento por me aperceber que existem muitas pessoas a dar primazia ao futebol bem jogado e, com isso, estarem a regressar às origens - ainda que por influências de Guardiola - em que o jogo era tudo, e tudo valia para jogar com qualidade e apaixonar as multidões.

E isso, sim, é meio caminho para um dia se sonhar poder ser-se eterno, na História do Futebol. Não pelos resultados, mas pela qualidade do futebol praticado, que empatiza as multidões!

Que Deus permita que Pep continue no Futebol durante muitos anos.

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Sobre João Costa

João Costa

Priveligiar o futebol enquanto jogo, é o principal objectivo....

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