2016-02-17 12:04:30

Benfica mais racional vence Zenit

Benfica mais racional vence Zenit

Benfica foi mais cauteloso e venceu Zenit com mérito

O Benfica aprendeu com os erros. Ou seja, a estratégia de 4x4x2 manteve-se em relação ao

jogo com o F.C.Porto mas, desta vez, houve mais contenção e preocupação com os equilíbrios

quando a equipa perdia a bola. O Benfica europeu foi bem mais seguro, mais racional, do que

o Benfica que se apresentou para consumo interno. Aí pecou por uma falsa premissa: um

colectivo tem de ser bem melhor – e melhor não chega – do que uma equipa que,

individualmente, é bem mais talentosa.

 

Contra o Zenit, os riscos foram calculados. Jonas foi, mais uma vez, o elemento fundamental. O

brasileiro deslocava-se para a faixa e possibilitava as entradas de Pizzi e de Gaitán ao centro.

Esta movimentação foi fundamental pois, quando o Benfica perdia a bola, não perdia o

equilíbrio. Depois, para defender um Zenit que é forte nas alas, os encarnados tiveram os seus

médios com constantes preocupações de dobras para se evitarem as situações de um contra

um. Sobretudo a Hulk.

 

Ao ver Hulk a ser controlado pela equipa encarnada, lembrei-me do que aconteceu no duplo

confronto do F.C.Porto frente ao Manchester United, quartos de final da Liga dos Campeões

de 2008/09. Hulk puxado para zonas recuadas e sem espaço para progredir. Bem o Benfica,

também aqui, em termos colectivos, com alguns desempenhos acima do normal. Foi o caso de

André Almeida – muito versátil em termos ofensivos – e Lindelof que, quase de forma

irracional, foi saindo a jogar e resolvendo de forma instintiva um dos pontos fracos dos

encarnados – começar a jogar através dos centrais.

 

Contra o F.C.Porto, o Benfica até que nem fez um mau jogo. Na primeira parte conseguiu

aproveitar as subidas extemporâneas dos médios portistas e a criação fácil de situações de

confronto individual na defesa azul e branca. No entanto, os encarnados foram derrotados por

uma espécie de tridente diabólico constituído por Brahimi, Casillas e José Peseiro.

 

José Peseiro. Na minha opinião, o técnico acertou em cheio na estratégia ofensiva: Brahimi em

cima de Samaris em movimentação constante para retirar as referências posicionais ao grego.

Com isso, também Renato Sanches se viu confundido. Alas portistas a jogarem com mais

liberdade, e a tabelarem com frequência com os elementos do centro do terreno. O primeiro

golo portista nasce de uma falha pontual em termos de dobra; já o segundo é uma desatenção

colectiva grave dos encarnados: jogadores dispersos a darem muito espaço de manobra aos

azuis-e-brancos que, mais talentosos, construíram um golo até com alguma facilidade. Daí até

ao final o Porto baixou as suas linhas, foi prudente nas transições ofensivas, e geriu a vitória.

 

Houve também o factor Casillas. Foi um jogo à medida do seu ponto mais forte – o

desempenho entre os postes e as situações de um contra zero. Não abundaram os

cruzamentos largos. Seja como for, Iker Casillas respondeu com eficiência a todos os lances de

maior perigo e fez mesmo uma defesa impossível ao impedir o autogolo de Martins Indi. Fez a

diferença! Excelente!

 

Já o Sporting venceu com alguma naturalidade na Madeira. Era previsível a vitória leonina, até

pela tendência que tem apresentado em ter bom rendimento fora de portas. O leão teve,

neste jogo, talvez o melhor desempenho dos centrais em toda a temporada: irrepreensível o

regressado Ruben Semedo em parceria com um Coates de inegável qualidade. Na frente, mais

do que a estratégia, destacaram-se as rotinas apresentadas por todos os elementos. Jogadores

sempre perto do portador da bola, muita linha de passe criada, jogo em progressão feito de

forma equilibrada com William Carvalho – uns furos acima do que tem apresentado esta

temporada – a garantir mais solidez no processo de transição defensiva.

 

Todavia, o Sporting vive numa turbulência permanente criada de forma despropositada. Não

deixa de ser paradigmático: o líder da prova, para quem o silêncio deveria ser de ouro e bom

conselheiro, é quem mais fala e reivindica. O Sporting vai gerando uma pressão invisível em

Alvalade, quando o factor casa deveria, ao invés, funcionar a seu favor.

O Sporting tem o melhor colectivo do campeonato e condições de excelência para se sagrar

campeão nacional. Porém, quando ouvimos tanto burburinho, ficamos com a sensação de que

o Sporting corre o risco de se construir e destruir na mesma temporada.

 

Quem cresce sem burburinho é Diogo Jota, do Paços de Ferreira. Que talento! Dá gosto vê-lo a

jogar, ele que é decisivo na forma como cria desequilíbrios permanentes na frente ofensiva do

Paços de Ferreira. É rápido a jogar, rápido a driblar, a pensar e também a decidir. Só esta

semana sacou duas grandes penalidades de uma forma tão astuta que, por momentos, pensei

estar a ver um jogador trintão e no auge da sua matreirice!

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