O jogador "moderno" - jogar em várias posições?

O jogador

Hoje em dia, assisto a jogos de clubes de TOP e observo que existe uma flexibilidade tática sem precedentes. Os treinadores mudam a estrutura tática várias vezes durante o jogo. Ou seja, os treinadores dessas equipas procuram jogadores que sejam capazes de, durante 90 minutos, jogar em mais do que uma posição.

Lembro-me de ver no mesmo jogo o Lahm jogar em três posições diferentes.  O mesmo aconteceu com Xabi e Mascherano.

Esta tendência leva a que os treinadores de formação tenham de ter atenção a esta evolução, de forma a prepararem os jovens para esta nova realidade. Para terem sucesso no futuro, os jovens jogadores terão de ganhar experiencia em jogar em várias posições e estarem mentalmente preparados para aceitar a mudança.

A academia do Ajax – “De Toekomst”, já se preparou para esta mudança. As equipas de formação são compostas por apenas 16 jogadores, o que propicia que os jogadores joguem numa época pelo menos em 3 posições de forma bem definida.

Outra alteração é o método de seleção rigoroso. Baseiam-se no TIPS, sigla que significa Technique, Intelligence, Personality e Speed, porque consideram que são as condições que um jogador precisa para vingar no futebol moderno.

Uma das grandes diferenças que observo em outros clubes, menos preparados para formar, é a tendência para especializar desde muito cedo um jogador a uma posição. Já ouvi um jovem de 12 anos dizer que jogou mal porque sempre foi avançado e o treinador mudou-o para médio e não sabe jogar nessa posição.

Outra grande diferença é a seleção dos jogadores para as posições, com base no tamanho, nível de agressividade, velocidade e capacidade técnica. Os mais fortes e mais altos vão ser centrais, os mais rápidos vão jogar nos corredores laterais, os mais habilidosos vão ser avançados, etc… O problema disto é que os treinadores tomam estas opções para ganhar jogos, em vez de o objetivo ser desenvolver jogadores.

Os jogadores precisam de ser capazes de se adaptarem a várias posições, para terem o máximo de vivencias e estímulos possíveis durante a fase onde ainda se pode errar. E assim aprendem o jogo, descobrem novas formas de resolver os problemas em campo e não apenas as funções de uma posição especifica.

Por exemplo, um jogador que seja avançado durante todo o processo formativo, nunca vai beneficiar da experiencia de jogar a médio centro ou defesa central e de ver todo o jogo de frente.

Normalmente quando vemos uma equipa de jovens, sabemos à partida que os defesas são os jogadores com menos “qualidade”, o que pode criar problemas ao desenvolvimento motor e psicológico do próprio jogador.

Penso que a preparação Holística do jogador, só vai beneficiar o futebol no futuro. Vão aprender o jogo de forma integral e estarão mais preparados para o sucesso neste “novo” futebol.

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Sobre Tiago Botelho

Tiago Botelho

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