2016-02-24 10:52:44

Suk e a titularidade previsível

Suk e a titularidade previsível

No meio da tempestade de erros do nigeriano Chidozie, um sulcoreano levou o F.C.Porto à vitória

É uma jornada que vale pela estatística. Pela frieza dos números. No dragão, a estatística

evidencia os sinais de recuperação e de melhoria significativa da qualidade de jogo. No

encontro frente ao Moreirense, o F.C.Porto fez vinte remates dentro da área. Ou seja, bateu o

recorde da temporada num jogo da Liga NOS e, acima de tudo, mostrou claras melhorias em

termos de jogo interior. E o jogo interior era o “calcanhar de Aquiles” do Porto de Lopetegui.

 

Nesta partida, Peseiro apostou em Suk na frente de ataque por duas razões: primeiro porque o

coreano é o avançado do plantel – demonstrou-o em Setúbal – mais adaptado ao 4x4x2 que

Peseiro pretende; depois porque, de todos os avançados do Porto, é aquele que melhor joga

de cabeça. Ao todo, seis remates de cabeça à baliza, algo que já não se via no F.C.Porto desde

há algum tempo.

 

Nos dragões, a nota negativa dá pelo nome de Chidozie. Se uma coisa é jogar num cenário de

organização defensiva, em que o posicionamento é mais fácil de definir ou então mais fácil de

corrigir, outra coisa é jogar em transição defensiva. Neste cenário, estar no local correcto

significa cobrir uma área vasta, estar no local incorrecto significa cobrir apenas esse local

incorrecto. O nigeriano é rápido, bom no desarme, mas ainda apresenta falhas em termos de

posicionamento. Culpas no golo do Benfica há duas semanas; culpas nos golos do Moreirense

nesta jornada. No primeiro golo, chega inclusivamente a deixar o meio completamente aberto

e à mercê do seu adversário.

 

Por falar em Benfica, os encarnados venceram sem dificuldades em Paços de Ferreira. No

Benfica, destaca-se um jogador que, supostamente quarta opção, vai-se impondo e

inclusivamente resolvendo um problema: sair a jogar a partir da zona central da defesa. Victor

Lindelof. Um jogador que é lateral direito de origem mas que, cumprido o seu processo

adaptativo, não comete os erros de Chidozie, por exemplo. Em Paços de Ferreira, o Benfica

voltou a socorrer-se da mobilidade ofensiva – neste caso mais à largura(Carcela) e menos ao

duelo individual(Gaitán) – para ganhar uma partida em que foi justo vencedor. Mais uma vez

eficiente em termos de bola parada. Falta Fejsa, que acrescenta mais do que Samaris em

termos de transição defensiva. Já o Paços procurou, sobretudo, o seu lado esquerdo para

atacar, com Diogo Jota e Helder Lopes em evidência. Mas viu-se. Viu-se a falta de rotina de

uma equipa que, com uma dezena de ausências, viu abalados os seus eixos de referência.

 

O Sporting venceu mas não convenceu. De facto, as rotinas estão lá mas neste jogo frente ao

Boavista, os leões pareceram algo lentos em todos os processos. Sem William

Carvalho(castigado), Jorge Jesus fez do habitual “plano B” o seu plano “A”. Com Gelson a

titular, o leão acrescentou lateralidade ao seu jogo mas, curiosamente, até foi Schelotto quem

mostrou bons predicados quer a impedir contra-ataques axadrezados quer em termos de jogo

ofensivo. Também Zeegelaar se apresentou em bom nível. Mais dois jogadores se

evidenciaram: Ewerthon(bom no jogo aéreo) e Ruiz(uma referência em termos de bolas

paradas). No entanto, o Boavista mostrou boa qualidade de jogo e, quando conseguia sair em

contragolpe, era sempre um perigo, fruto da introdução de referências ofensivas que Sanchez

tem vindo a fazer. De facto, já ninguém tem dúvidas: o Boavista tem qualidade para se manter

na Primeira Liga.

 

Neste fim-de-semana falou-se da grande penalidade arrancada por Jonas. Nem quero

destacar(mais uma vez) a inteligência do brasileiro em provocar de forma astuta a situação,

nem no erro de análise do árbitro. Quero, sim, falar do mau nível das arbitragens deste ano. É

claro que, caindo o erro sobre os três grandes, o mediatismo fica garantido. Porém, quando os

mesmos não estão envolvidos, verifica-se que o cenário é grave. São erros grosseiros a mais.

Assim de relance aparecem-me na cabeça dois jogos: uma Boavista-Estoril em que uma grande

penalidade inexistente deu o empate à equipa do Estoril; ou um Marítimo-Braga, que ficou

destruído logo na primeira meia-hora quando o árbitro assinalou grande penalidade e

expulsou o insular Maurício. Mas são dois exemplos no meio de um oceano de decisões

polémicas, faltas e faltinhas, discussões a rodos. Não tenho dúvidas: este ano o nível das

arbitragens baixou.

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