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Tue, 10 Oct 2017 20:29:14
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McEachran. O condutor do sonho inglês.

A geração do novo século faz sonhar todo um povo que em Inglaterra anseia pelo regresso aos triunfos internacionais da selecção dos três leões.

Enquanto todas as atenções estão centradas nos fantásticos Phil Foden, Jadon Sancho e Angel Gomes, há um miúdo frazino no meio campo que encanta ainda bastante mais todos quanto os que lhe entendem o jogo. George McEachran não é muito potente fisicamente, não é forte, nem tão pouco alto. Fisicamente tem um perfil que até à tão pouco era desdenhado no país que inventou o futebol.

Tem porém tudo o que mais importa para ter impacto no jogo. Um binómio qualidade de decisões / capacidade técnica que impressiona, e faz toda a sua equipa girar ao seu redor, e jogar! Dos seus pés e decisões saem bolas sem fim para dentro da estrutura adversária, progride quando há espaço, atrai, liga de forma vertical, e mesmo quando o espaço escasseia, tem sempre ideias ofensivas. A facilidade com que coloca os colegas em posição de poder criar perigo tornam-o uma das maiores promessas mundiais entre os jogadores que ligam todo o jogo ofensivo.

Não houve top de maiores promessas no Mundial sub 17 que contemplasse a presença de McEachran. O tempo provará o erro.

 

George McEachran from Videos para “Lateral esquerdo” on Vimeo.

Tue, 26 Jan 2021 18:03:04
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Análise-Treino-Jogo – uma tríade indispensável no Alto Rendimento

Análise-Treino-Jogo – uma tríade indispensável no Alto Rendimento

Na perspetiva de perceber como se trabalha no alto rendimento, a ProScout teve a oportunidade de conhecer, por dentro, a semana de trabalho de uma equipa profissional. A estabilidade e a marca claramente ofensiva das suas equipas levou-nos a abordar o mister Pedro Miguel, que se mostrou disponível para partilhar algumas das suas ideias e metodologias de trabalho.  Este artigo leva-nos a Abril de 2019, altura em que a UD Oliveirense iria receber o SC Farense para a 31ª jornada da Ledman LigaPro.  

Questionado sobre a ideia de jogo e o modelo de jogo adotado pela UD Oliveirense, o treinador destacou que procura que as suas equipas sejam dominadoras, protagonistas e com personalidade para jogar um futebol ofensivo, dinâmico e essencialmente de boas decisões.

Uma ideia de jogo

Desafiado a abrir um pouco mais o livro sobre a sua metodologia de trabalho, Pedro Miguel falou-nos sobre a preparação estratégica para o referido jogo da II Liga.

A preparação para este jogo não foi diferente do que é realizado para todos os jogos disputados. Percebemos que existe sempre um trabalho de análise e observação realizado pela equipa técnica, que posteriormente irá influenciar o planeamento para a semana de trabalho com vista à elaboração do plano de jogo, sempre em consonância com aquilo que são as ideias de jogo da equipa.

Em primeiro lugar, foi observado que o Farense apresentava uma estrutura em 1:4:1:4:1. Em organização defensiva fechava bem o espaço interior mas apresentava alguma dificuldade no controlo defensivo nos corredores laterais, onde além de dar espaço e tempo ao extremo para receber baixo e decidir, permitia situações de igualdade numérica, apresentando alguma dificuldade em controlar o espaço entre o lateral e central.

Análise adversário

Assim, foram definidas duas opções estratégicas que visavam essencialmente explorar estas debilidades, tendo em conta aquilo que é a forma de jogar da Oliveirense e as suas potencialidades.

A primeira opção passou por uma construção a 4, com laterais baixos e extremos abertos, com o objetivo de alargar ao máximo as linhas defensivas do Farense, tanto na largura como na profundidade. A colocação dos interiores numa zona mais alta, pretendia fixar o lateral adversário, com o intuito de libertar mais espaço e tempo para os extremos poderem decidir. A partir desta dinâmica, pretendia-se criar situações de combinações nos corredores para destabilizar ainda mais a estrutura defensiva adversária e tentar chegar a situações de finalização.

Foi ainda planeada uma segunda opção que se baseava numa construção mais a 3, com a inclusão do médio defensivo entre os centrais, colocando mais gente no espaço interior. O objetivo passava por tentar entrar no bloco defensivo do Farense de fora para dentro, atraindo num espaço exterior, para depois procurar outro mais interior.

Tendo em conta o planeamento estratégico para o jogo, o microciclo semanal foi assim pensado tendo em conta aquilo que é o Modelo de Jogo adotado pela equipa e também a forma como se poderia  aproveitar algumas debilidades do adversário, analisadas pela equipa técnica.

Exercícios de Treino tendo em vista o Modelo de Jogo e o próximo adversário.

Em jogo, podemos observar que o planeamento estratégico pensado foi cumprido pelos jogadores, e que através dele, conseguiu-se chegar a zonas de finalização por diversas vezes.

Do Treino para o Jogo

A UD Oliveirense acabaria por bater o SC Farense por 2-1, com os dois golos a nascer de situações planeadas e postas em prática no treino. Executar em treino aquilo que se espera ver em jogo é um princípio balizador do trabalho em alto rendimento. Aquilo que distingue as equipas serão sempre as (boas) ideias, o trabalho realizado para as pôr em prática e a qualidade dos seus intervenientes.

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Wed, 20 Jan 2021 11:01:32
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O Desenvolvimento da Técnica

O processo de criação de uma Cultura de Jogo (Dimensão Táctica) pressupõe a aculturação colectiva e a incorporacção individual de uma determinada intencionalidade, promovendo um desenvolvimento global (de todas as dimensões do rendimento) da equipa e dos jogadores, uma vez que as dimensões Técnica, Física, Psicológica e Estratégica estão unificadas e sobrecondicionadas à Dimensão Táctica. Neste sentido, a Dimensão Técnica emerge, incorpora-se, desenvolve-se e manifesta-se em função de uma determinada forma de jogar. Ou seja, a Técnica é Específica.

Portanto, o treino deve ser coerente e propenso com a forma de jogar no sentido de possibilitar um desenvolvimento Técnico Específico. Simultaneamente, o treino deve comtemplar abertura e variabilidade, de forma a assegurar e promover a maximização das possibilidades dos jogadores do ponto de vista Técnico para que possam dar resposta ao lado imprevisível do jogo (plano micro).

Assim, na construção e operacionalização do treino devem ser comtempladas determinadas preocupações nos diferentes momentos do treino, nomeadamente, nos momentos de aquisição explícita e implícita do jogar e nos momentos de aquisição individual.

Nos momentos de aquisição explícita do jogar condicionam-se os exercícios (contextos de propensão) através da manipulação dos objectivos, das regras, do espaço, do número, da estrutura, do tempo, da pausa e do feedback, com o intuito de os direccionar para a aculturação dos princípios e subprincípios Específicos (plano macro e meso) e de possibilitar a emergência dos subprincípios (plano micro). No que à Dimensão Técnica diz respeito tal significa que, por um lado, a continuidade da vivenciação dos contextos de propensão direcciona o desenvolvimento Técnico no sentido de incorporacção de uma gestualidade e que, por outro lado, a abertura desses mesmos contextos ao plano micro (imprevisibilidade) possibilita a emergência de acções, execuções ou gestos Técnicos (espontaneidade e criatividade) que enriquecem o próprio jogar (colectivo), bem como, o jogador na sua individualidade – desenvolvimento Técnico.

Nos momentos de aquisição implícita do jogar, os jogadores são expostos a situações jogadas em “modo futebol de rua” em que há abertura total do jogar. A propensionalidade destes momentos “selvagens” é garantida de forma não declarada através de determinadas regras, da configuração do espaço, do número de jogadores, da estrutura das equipas e pelo tempo de exercício e de pausa. No entanto, o fundamental destes momentos é exacerbar o lado inesperado e imprevisível do jogo, apelando à emergência e à transcendência Técnica, isto é, à espontaneidade e criatividade dos jogadores, no sentido de promover, o aumento de recursos individuais.

Por fim, os momentos de aquisição individual, em que o foco principal é a Dimensão Técnica, têm como objectivo desenvolver e potenciar as possibilidades individuais dos jogadores. Estes momentos operacionalizam-se através de contextos de agilização “analítica” e podem surgir no âmbito do treino colectivo, bem como, no âmbito do treino individual.  Os contextos de agilização “analítica” , ou seja, agilização Técnica caracterizam-se por serem situações abertas, com elevada variabilidade e diversidade no sentido de enriquecer e potenciar a Técnica dos jogadores. Podendo incluir-se situações direccionadas para a melhoria de acções e execuções Técnicas, para o alargamento da gestualidade, para o desenvolvimento da habilidade motora e para o aumento da sensibilidade (relação do Corpo com a bola). O lado da superação e transcendência assume também um papel muito importante no sentido de apelar à espontaneidade e criatividade.

            Concluindo, a Dimensão Técnica pressupõe uma determinada Técnica Específica (Corporalidade, gestualidade, habilidade, sensibilidade e criatividade) que emerge, incorpora-se, desenvolve-se e manifesta-se em função de um determinado jogar (intencionalidade Táctica). Ou seja, em função de um determinado treinar. Pelo que o treino deve garantir o desenvolvimento Técnico Específico, assegurando que a Técnica esteja em aberto e, ao mesmo tempo, promover a abertura da mesma.

Wed, 09 Sep 2020 16:36:00
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A frustração no desenvolvimento dos atletas

 

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Quantos de nós já presenciaram atletas que num momento de frustração querem desistir? E aqueles atletas que querem fugir para outros contextos de sucesso? Na minha opinião, no futebol como na vida, qualquer atleta inevitavelmente é exposto a este tipo de sentimento e isso pode ser importante para o seu crescimento.



A frustração é algo negativo?

A frustração pode ser um obstáculo significativo para alcançar os objetivos desportivos. Muitos atletas, na formação e/ou profissionais, já experienciaram esse sentimento de frustração quando consecutivamente não se é capaz de obter um pretendido desempenho (físico, técnico, ou tático em contexto competitivo). Pessoalmente, prefiro atletas que se sintam frustrados do que atletas que se sintam indiferentes com o seu rendimento ou desempenho. Obviamente que cabe ao treinador ajudar os atletas a lidar com esse possível insucesso para não os deixar cair numa cadeia emocional negativa.

Existem também alguns clubes que apostam no trabalho dos escalões da formação que habitualmente lidam com algum insucesso (refira-se aqui insucesso como a derrota, embora saibamos que na formação pode não ser este o fator mais importante e não é apenas isso que conta) colocando os jogadores a competir no escalão acima para, por exemplo, criar um contexto de dificuldade e possível frustração para que no futuro, quando chegarem ao futebol sénior, estejam mais preparados para lidarem com isso. Além das dificuldades dentro do campo, os clubes fazem passar esses atletas por serem suplentes e até a ficarem fora dos convocados vários jogos, para também se preparem quando isso acontecer no futebol sénior. Atletas que são formados apenas em contextos de sucesso não estão preparados para o futuro e quando acontecerem as primeiras dificuldades irão preferir abandonar ou procurar outro contexto facilitador onde possam ter mais sucesso.



Como se pode ajudar os atletas?

Em idades jovens o papel dos pais parece-me ser fundamental. Os pais deverão ser positivos e ajudarem na procura de soluções quando os filhos ficarem frustrados e assim os jovens atletas provavelmente adotarão essa abordagem para a frustração. A formação, num todo, deve ajudar e explicar ao atleta que nos momentos de sucesso e de vitórias não está sempre tudo bem e nas derrotas ou em outros insucessos não está sempre tudo mal.

O treinador também tem um papel importante pois, a maneira como reagem à frustração dos seus jovens atletas também afetará a forma como eles aprendem a lidar com sua desilusão. Se os treinadores ficarem impacientes, a frustração dos atletas pode aumentar e transformar-se em raiva e desespero, impedindo ainda mais os jovens atletas de resolver os seus problemas. Se os treinadores responderem à frustração questionando o porquê de estarem insatisfeitos e discutindo como podem ajudá-los a lidar com isso, então os jovens atletas são mais propensos a acalmar e seguir o exemplo dos treinadores na procura de soluções.

É fundamental que os jovens atletas trabalhem com objetivos individuais e coletivos, estabelecendo metas e fazendo constantes reavaliação das situações. O foco não pode ser apenas a vitória, mas sim essas metas.

“Não deixes que as frustrações te dominem, domina-as! Faz dos erros uma oportunidade para crescer. Na vida, erra quem não sabe lidar com os seus fracassos.”


Rui Gomes
Thu, 15 Nov 2018 12:25:51
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Fair Play e a formação esportiva

Fair Play e a formação esportiva

Respeito, ética, empatia e reciprocidade acima de tudo no esporte.

O Esporte é uma ferramenta que influencia o comportamento humano. A emoção causada por ele influencia diretamente na capacidade emocional e intelectual dos envolvidos, atuando no comportamento e postura dos seres humanos. Isso acontece porque o esporte é um fenômeno que mexe com razão e emoção de uma forma intensa. Uma forma encontrada para balancear isso foi adoção do Fair play no esporte.

O ‘Fair play’ é uma filosofia adotada no meio esportivo que está diretamente vinculada à ética no jogo. É o jogar limpo, jogar justo, ter espírito esportivo.

O objetivo é estimular que os praticantes joguem sem violência, de maneira justa, sem prejudicar intencionalmente seus adversários e, não menos importante, dentro das regras da competição desportiva.

A expressão vem desde os Jogos Olímpicos de 1896, quando o Barão Pierre de Coubertin disse a seguinte expressão:

 “Não pode haver jogo sem fair play. O principal objetivo da vida não é a vitória, mas a luta”

Essa expressão valoriza o jogo limpo, o respeito, a empatia e a reciprocidade a seus adversários, mostrando que eles também são parte importante do jogo em si assim como você. Ela ainda transmite a ideia de que você precisa se empenhar e competir conforme as regras, ou será desclassificado. Hoje em dia inclusive é comum ver esse espírito de Fair Play sendo difundido pela sociedade em geral, como uma forma de valorizar ideais universais como um padrão de comportamento ético social e moral, por exemplo.

Só que ao contrário do que muita gente acha, o Fair Play não consta oficialmente nas regras oficiais de nenhum esporte. Nas regras do Futebol escritas pela FIFA por exemplo não há nenhum texto explicitando que, caso um jogador se machuque durante o jogo o adversário precisa colocar a bola para fora para que o jogador machucado seja atendido. O que há é um acordo implícito entre os esportistas, mas que nem sempre acaba sendo respeitado. E aí entramos na discussão sobre o Fair Play: existe mesmo?

GOLEAR OU NÃO NA FORMAÇÃO

 Falta de respeito ou respeito máximo ao adversário? Eis a grande questão.

A ideia de escrever sobre o Fair play aqui surgiu de uma discussão que participei essa semana em um grupo do Facebook que faço parte, o ‘Artigos científicos em Futsal’. Nessa postagem havia uma imagem com um placar de um jogo entre crianças na Alemanha que ficou 86×0 e a pergunta:

“Na sua opinião, faltou respeito (Fair play) ou faz parte do jogo?”

Na minha opinião, não faltou respeito e golear faz parte do jogo.

Defendo o fato de que se pudesse ganhar o jogo de 100, que fosse. Para mim, falta de respeito é parar de fazer gols, mostrando ao adversário que não estamos ganhando de mais porque não queremos. E digo isso com a tranquilidade de quem já goleou e foi goleado. Você menosprezar o seu adversário é a pior das ações que você pode tomar enquanto esportista ou mesmo em sua vida normal.

Mas, nesta discussão, pude ver boas ações e opções tomadas por outros treinadores para valorizar o esforço do adversário. Trocar o time e dar minutos para aqueles que jogam pouco tempo, testar alguns conceitos que você quer ver seu time praticando, deixar o adversário colocar mais jogadores em campo foram algumas citadas e que eu acabei achando válidas. Nós, como formadores que somos, antes de sermos treinadores, temos que ter essa preocupação com a conduta de nossos atletas em situações como essas. Como meu jogador vai se comportar quando estiver ganhando um jogo de goleada? E como ele vai se comportar em uma situação de derrota por goleada?

Se eu somente valorizo a vitória, como vou cobrar dos meus atletas que eles saibam se comportar quando estiverem perdendo?

Tentei procurar informações sobre o jogo na Alemanha e o máximo que encontrei foi uma nota publicada no site Freie Pesse, dizendo que o time derrotado fez tudo errado na defesa e que não conseguiu jogar, enquanto seus adversários acertaram tudo. Foram 40 gols no primeiro tempo e 46 gols marcados no segundo tempo.

Diante desse fato, fica o questionamento: será que ao invés de respeito ou falta de respeito, eu não posso ter sofrido uma goleada pelo fato do meu time estar em um dia extremamente ruim?

GOLEAR, SER GOLEADO FAZ PARTE DO JOGO.

O que não é negociável é o Fair play. E nunca vai ser.

86×0 nem é a maior goleada do futebol mundial.

A maior goleada do futebol mundial aconteceu em 2002, em jogo válido pelo campeonato nacional de Madagascar, na África: 149×0 para o Adena sobre o Olympique L’Emyrne. Entretanto, esse jogo não é reconhecido oficialmente pela FIFA, já que os jogadores do Olympique fizeram vários gols contras em protesto por sucessivos erros de arbitragem contra a equipe. A FIFA, mesmo não tendo o Fair play escrito nas regras oficiais do Futebol, promove o comportamento ético desde a Copa de 1986, após o gol de mão de Maradona contra a Inglaterra. A entidade, desde 1997, organiza uma semana de seu calendário internacional junto das Confederações com atividades que realcem a importância do Fair play dentro e fora de campo.

No caso do Futsal, a maior goleada que se tem registro é de uma vitória do Brasil sobre o Timor Leste por 76×0. A partida foi válida pelos Jogos da Lusofonia e Timor Leste já havia perdido para Portugal por 56×0 antes no mesmo torneio. Entretanto, lendo notícias sobre o jogo, não há relatos de agressões por parte dos jogadores de Timor Leste, mesmo com o placar. Há relatos de reconhecimento da superioridade técnica dos jogadores brasileiros e elogios quanto a postura dos mesmos, sem menosprezá-los em nenhum momento.

Em outro episódio envolvendo goleadas, talvez a mais famosa em tempos mais recentes, os 7×1 da Alemanha sobre o Brasil na semifinal da Copa do Mundo do Brasil em 2014, o capitão alemão Philip Lahm, disse na época:

“No intervalo, nós conversamos sobre continuar jogando apropriadamente e mostrando respeito. Todo mundo no time tomou aquela atitude no segundo tempo. Nós não queríamos nos exibir ou ridicularizar os adversários. Se acabou com uma vantagem maior, não era tudo o que queríamos. Nosso objetivo era mostrar respeito aos nossos rivais e aos fãs”

No intervalo a Alemanha já ganhava do Brasil por 5×0. E, mesmo com os alemães não acreditando no que estava acontecendo, eles optaram por manter a postura profissional e seguir jogando em respeito à Seleção brasileira e acabaram aplicando a maior goleada sofrida pelo Brasil em sua história.

E novamente em nenhum momento vimos qualquer ato de violência ou desrespeito entre as equipes. Tanto a Alemanha como o Brasil seguiram jogando de forma limpa até o fim e no final venceu a melhor equipe.

Isso só reforça o quanto o respeito e a empatia ao seu adversário devem ser sempre valorizados independente de qualquer vitória ou derrota. E reforça ainda mais o que nós, formadores, devemos trabalhar o Fair play sim na formação com nossos atletas. A nossa postura em quadra ou campo diz e reflete muito em quem somos fora dela também, independente da faixa etária.

O Fair play é o código de ética implícito do esporte que pode ser totalmente adaptado para a nossa sociedade. Seus valores podem e devem ser trabalhados à exaustão com nossos atletas durante o seu processo formativo pois a influência dos mesmos ocorrerá tanto na vida esportiva quando no pessoal. Sem o Fair play, o esporte perde a sua alegria e ações de caráter duvidoso passarão a dominar as ações, podendo causa o fim do fenômeno esportivo no mundo. Assim, o trabalho dos valores éticos e morais do esporte devem ser defendidos por todas as pessoas envolvidas nele.

Se você apresentar o devido respeito ao adversário, jogando de maneira ética, limpa, correta, valorizando o esforço dele, o placar do jogo será algo sempre secundário.

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Fri, 06 Apr 2018 11:02:00
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LIVERPOOL - SERÁ CAOS OU ORGANIZAÇÃO?

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SERÁ QUE CONSEGUIR ORGANIZAR UMA EQUIPA COMO A DO LIVERPOOL DÁ MUITO TRABALHO, OU É PURA SORTE?


Muito ou pouco se falou do jogo entre o Liverpool e o Manchester City. Duas concepções de jogo e duas ideias de jogo bem diferentes. Para o caso não interessa estarmos a falar sobre essas diferenças. O que me interessa, tem a ver com a definição que muitos dão aos conceitos de ambos os treinadores.  
Do lado do City é a inteligencia, a paciência que predomina. Do outro lado o jogo é caracterizado como sendo intenso e caótico.
Como me interesso muito por futebol e conheço ligeiramente a equipa de Kloop, fui ao dicionário ver o que significa a palavra caos.


O que é o Caos:


Caos significa desordem, confusão e tudo aquilo que está em desequilíbrio

Teoria do Caos:
Trata-se do princípio que afirma que uma pequena alteração ou mudança no início de um evento, no decorrer deste processo, transforma-se em consequências desproporcionais e imprevisíveis.

Posto isto a minha intervenção vem no sentido de esclarecer que para mim a equipa do Liverpool é tudo menos desorganizada, confusa e desequilibrada. 
É uma equipa que defensivamente se organiza de forma zonal e pressionante. Quando não tem a bola procura de imediato recuperá-la subindo as suas linhas de pressão com coberturas permanentes e mantendo a equipa o mais compacta possível. 
A sua linha de 4, encurta quando a equipa pressiona no meio campo adversário  mantendo as distâncias entre os sectores reduzida. Jogam sempre em função da posição da bola e dos companheiros. 

Ofensivamente e nas transições opta na grande maioria das vezes por acções onde a velocidade de deslocamento dos jogadores é alta o que pressupõe à partida um maior acumular de erros, mas tal não significa que a equipa não sabe o que faz e que não coloca em campo todo um manancial de conceitos tácticos que são treinados. 

Podemos discutir conceitos e até dizer que gosto mais de um do que de outro, mas futebol é arte, é cultura e como arte e cultura que é assenta muito da sua beleza na diversidade daqueles que a praticam e na diversidade das ideias de jogo daqueles que comandam as equipas. Dizer-se que um treinador e uma equipa "respeitam" o jogo e que um outro já não o faz, só porque não joga dentro dos nossos padrões parece-me uma ideia muito redutora.

Ficam aqui alguns exemplos do que atrás referi:






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