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A Wicoach traz-lhe as novidades dos melhores bloggers do mundo do futebol.

Tue, 10 Oct 2017 20:29:14
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McEachran. O condutor do sonho inglês.

A geração do novo século faz sonhar todo um povo que em Inglaterra anseia pelo regresso aos triunfos internacionais da selecção dos três leões.

Enquanto todas as atenções estão centradas nos fantásticos Phil Foden, Jadon Sancho e Angel Gomes, há um miúdo frazino no meio campo que encanta ainda bastante mais todos quanto os que lhe entendem o jogo. George McEachran não é muito potente fisicamente, não é forte, nem tão pouco alto. Fisicamente tem um perfil que até à tão pouco era desdenhado no país que inventou o futebol.

Tem porém tudo o que mais importa para ter impacto no jogo. Um binómio qualidade de decisões / capacidade técnica que impressiona, e faz toda a sua equipa girar ao seu redor, e jogar! Dos seus pés e decisões saem bolas sem fim para dentro da estrutura adversária, progride quando há espaço, atrai, liga de forma vertical, e mesmo quando o espaço escasseia, tem sempre ideias ofensivas. A facilidade com que coloca os colegas em posição de poder criar perigo tornam-o uma das maiores promessas mundiais entre os jogadores que ligam todo o jogo ofensivo.

Não houve top de maiores promessas no Mundial sub 17 que contemplasse a presença de McEachran. O tempo provará o erro.

 

George McEachran from Videos para “Lateral esquerdo” on Vimeo.

Fri, 27 Mar 2020 22:25:00
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ProScout Vintage: Uma Alemanha perdida

Uma Alemanha que já não existe, o que aconteceu aos grandes clubes da RDA – República Democrática Alemã? Neste ProScout Vintage mergulhamos na história de uma parte do futebol germânico que já não existe, mas que deixou um marco na história do país, mas também a nível internacional.

Oberliga: A Origem

Começamos pela formação da DDR-Oberliga, o principal escalão de futebol de clubes da Alemanha Oriental, formada no pós 2ªguerra mundial, substituindo a Gauligas, a liga de futebol alemã-nazi, com a época inaugural a ter o seu pontapé de saída em 1949-1950, com o ZSG Horch Zwickau a ser o campeão inaugural. Esta liga operava inicialmente com 14 equipas, inicialmente a época era jogada do Outono até à Primavera. De 1956 até 1960 a liga passou a jogar-se no calendário típico soviético à altura, Primavera até Outono. Em 1961/62 a liga voltou ao calendário original e desta feita de forma estendida, ou seja, as equipas passariam assim a jogar 3 vezes entre si, casa, fora e campo neutro.  Finalmente na época 1991/92 a liga foi fundida com a Alemanha Ocidental, que apenas levou 2 clubes a participar na Bundesliga, o FC Hansa Rostock e o Dynamo Dresden. A junção dos dois campeonatos foi não mais do que uma absorção na verdade, ditando assim a queda da grande maioria das formações da Alemanha Oriental.

Oberliga: Um Regresso ao Passado

No ano de 1994 nasce uma nova divisão no terceiro escalão do futebol alemão, formado por aqueles que antes formavam a Alemanha Oriental, a Regionalliga Nordost. O único clube da antiga DDR-Oberliga que não participou nesta divisão foi o Hansa Rostock que à altura gozava ainda da sua participação no escalão máximo. Em 2000 esta liga foi descontinuada, com os clubes a serem divididos entre outras Regionalligas e NOFV-Oberligas, que formavam o 4º escalão do futebol alemão. Na época de 2012/13 a Regionalliga Nordost regressa, mas desta feita como uma divisão no 4º escalão da Alemanha até aos dias de hoje.

Os Clubes, a Política e…Os “Dynamos

Depois da 2ª guerra mundial, os aliados abandonaram as suas posições nos clubes de futebol na Alemanha. No caso do futebol no Este da Alemanha, a história é complexa, com muitos clubes a serem realojados em diferentes cidades, renascendo até com novos nomes sob a típica marca soviética, era comum ler nomes como “Dynamo” ou “Lokomotiv”. Talvez o mais complexo caso seja até do clube com maior sucesso da Oberliga, falamos do Berliner FC Dynamo (BFC Dynamo), formado em 1966 debaixo da umbrela do SC Dynamo Berlin, mas isso será explicado mais à frente. O BFC Dynamo detém o maior número de vitórias na velha Oberliga, com 10 campeonatos seguidos entre 1979 e 1988. Actualmente este clube pode ser visto a competir na recém-formada Regionalliga Nordost.  

A equipa do BFC Dynamo depois de vencer o seu primeiro título de campeão em 1979

BFC Dynamo e SC Dynamo Berlin? Como é isto? Adicionamos outro nome, Dynamo Dresden! Muitos “Dynamos” é uma grande complicação, e é mesmo, mas a história é a seguinte. O SC Dynamo Berlin foi formado como clube desportivo na Alemanha Oriental em 1954, o nome Dynamo vem da associação desportiva SV Dynamo que tutelava todos os clubes sob a mesma “marca” na Alemanha Oriental, associação esta detida pelas forças de segurança. Com a ascensão da popularidade de clubes como o Hertha BSC, Blau-Weiss 1890 Berlin e Tennis Borussia Berlin que estavam a levar os fãs da cidade de Berlim para o Ocidente, a SV Dynamo precisava urgentemente de trazer uma equipa competitiva para Berlim Oriental e foi aí que nasceu a controversa mudança do histórica Dynamo Dresden para a cidade de Berlim para jogar sob o desígnio de SV Dynamo Berlin, ganhando uma taça da Alemanha Oriental, a FDGB-Pokal em 1959. Nos anos 60 foram ofuscados pelo ASK Vorwärts Berlin detidos pelas forças militares, ganhando 5 títulos de campeões da Oberliga durante a década de 60, juntando-os ao título de 1958. O enfraquecimento do SV Dynamo Berlin era óbvio e não passou mais de uma equipa do fundo da tabela, acabando mesmo por cair na 2ª liga. Os factores políticos e os jogos de poder do Ministro da Segurança do Estado Erich Mielke saíram furados e para agravar a situação, nasceu uma guerra entre o menino bonito dos Stasi – SV Dynamo Berlin – e o SG Dynamo Schwerin, devido à transferência abusiva de 3 jogadores do SG Dynamo Schwerin para o SV Dynamo Berlin, com membros do Partido Socialista Unificado da Alemanha e funcionários do SV Dynamo em Schwerin a contestarem fortemente a disparidade entre os 2 clubes, como exemplo, é conhecido que na época de 1964-65, o orçamento dado ao SV Dynamo para jogadores e restante staff era de 315.559 marcos, enquanto que no caso do SG Dynamo Schwerin era apenas de 19.428 marcos. Com o forte protesto sobre a equipa de Berlim foi assim gorada a transferência dos 3 jogadores.

ASK Vorwärts Berlin, a grande equipa da Alemanha Oriental na década de 60

Em 1965 nasce uma nova revolução no futebol da Républica Democrática Alemã, com o futebol a ganhar um novo estatuto entre a elite desportiva, desassociando os departamentos de futebol dos grupos desportivos para serem então criados clubes de futebol independentes e aquela que ficou conhecida como a nata do futebol da Alemanha Oriental, uma lista de clubes agora altamente profissionalizados,  Schwerpunktclubs, os clubes foco da liga que eram o BFC Dynamo, FC Union Berlin, SG Dynamo Dresden (Apesar de ainda associado a uma associação desportiva), FC Rot-Weiss Erfurt, FC Vorwärts Frankfurt, Hallescher FC Chemie, FC Carl Zeiss-Jena, FC Karl-Marx -Stadt,  FC Lokomotiv Leipzig, FC Magdeburg e FC Hansa Rostock. Do outro lado os Betriebssportgemeinschaften, ou apenas BSG, que eram clubes menores usados como uma espécie de piscina de talentos com os seus jogadores a serem transferidos para os clubes elite da liga. Apenas por uma vez um clube sob desígnio BSG venceu a Oberliga, tendo sido o BSG Chemie Leipzig em 1964.

FC Lokomotiv Leipzig em 1965, um dos clubes da elite da Oberliga

Nas competições Europeias os clubes da Alemanha Oriental nunca chegaram perto do sucesso dos rivais da Alemanha Ocidental, mas honras sejam feitas às brilhantes campanhas nomeadamente na extinta Taça dos Clubes Vencedores das Taças, com a honra máxima a pertencer ao FC Magdeburg que venceu a prova em 1974, batendo na final o AC Milan por 2-0 em Roterdão. Em 1981 o FC Carl Zeiss-Jena foi finalista da prova, tendo sido batido na final pelo Dinamo Tbilisi por 2-1 em Düsseldorf, uma oportunidade única desperdiçada para uma equipa da Alemanha Oriental vencer uma grande prova europeia em solo da Alemanha Ocidental e por curiosidade, nas meias finais, o Zeiss-Jena havia derrotado os portugueses do SL Benfica por 2-1 no agregado (vitória caseira de 2-0 e derrota em Lisboa de 1-0). Em 1987 foi a última grande chance para um clube da Oberliga levantar de novo um troféu europeu, mas o Lokomotiv Leipzig viu a sua grande campanha chegar ao fim em plena final diante do todo poderoso Ajax, derrota de 1-0 em Atenas.

FC Magdeburg celebra a vitória na Taça Dos Clubes Vencedores Das Taças da UEFA em 1974

A Selecção e o Grande Mundial de 1974

Apesar do maior sucesso da selecção da Alemanha Ocidental a formação da Alemanha Oriental era também vista como um peso pesado no panorama europeu. Os seus maior sucessos internacionais foram a medalha de ouros nos Jogos Olímpicos de 1976 no Canadá, batendo na final a poderoso selecção Polaca à altura, que vinha de um respeitável 3º lugar no Mundial de 1974. Outro grande mérito da Alemanha Oriental foi o Europeu de Sub-18 em 1986, batendo a Itália na final.

Alemanha Ocidental contra Alemanha Oriental, Mundial 1974, um jogo carregado de emoções fortes e significado político

O mundial de 1974 realizado na Alemanha Ocidental, com a formação anfitriã a ser a grande favorita a vencer a prova, com grandes craques no seu leque como Franz Beckenbauer e Gerd Müller, que acabaram mesmo por vencer o mundial na sua casa, diante da Laranja Mecânica de Johan Cruijff na final. Mas uma dos mais bonitos capítulos desta prova chegou pela Alemanha Oriental, que estava recheada também de um leque de jogadores talentosos e estava apostada em realizar uma boa prova na casa do seu grande rival e de facto conseguiram dar uma boa imagem, batendo mesmo na 1ª fase de grupos a Alemanha Ocidental por 1-0, golo solitário de Sparwasser, que colocou a Alemanha Oriental como primeiros no grupo. Acabariam então por cair na 2ª fase de grupos, ficando em 3º num grupo de muito respeito, opondo-os a grandes selecções como o Brasil e a finalista Holanda. A outra selecção seria a Argentina que estava ainda longe dos seus tempos áureos e acabaram mesmo em último no grupo. A vitória sobre a Alemanha Ocidental teve um sabor especial, tendo sido a única vez em que as duas Alemanhas se cruzariam numa grande competição.

Os Craques

Uns mais conhecidos, outros nem tanto, mas um dos grandes objectivos na Oberliga era o desenvolvimento sustentado de jogadores que pudessem elevar os clubes e selecção a patamares elevados a nível internacional. Apresentamos então alguns dos melhores produtos vindos da Alemanha Oriental.

Jürgen Croy

Guarda-redes que fez a sua carreira ao serviço do BSG Sachsenring Zwickau, que não era um clube de topo no país, mas a sua qualidade valeu-lhe o controla das redes da Alemanha Oriental, como um dos melhores da sua geração. Com 86 internacionalizações, este porteiro fez parte da equipa que bateu a Alemanha Ocidental no Mundial de 1974 e também da equipa que viria a vencer a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de 1976 na Canadá.

Matthias Sammer

O nome dispensa apresentações, não só é aquele que foi a mais conhecida exportação do Leste da Alemanha, mas também é um dos maiores talentos de sempre do futebol alemão. Jogou em clubes como o Internazionale e Dynamo Dresden, mas foi no Borussia Dortmund que conheceu maior sucesso, vencendo a Bundesliga e a Supertaça em 1995 e 1996, ano esse em que foi também eleito o melhor jogador do futebol europeu. Em 1997 chegou ao topo do futebol de clubes vencendo a Liga Dos Campeões Europeus e a Taça Intercontinental pelo Dortmund. Sammer foi ainda internacional por 23 vezes pela Alemanha Oriental, juntando depois 51 presenças pela selecção já unificada. O seu feito maior pela selecção foi a vitória no Europeu de 1996 tendo também vencido a Bola de Ouro nesse ano.

Dirk Stahmann

Este defesa central é considerado talvez como o melhor jogador da história do FC Magdeburg, jogando toda a sua carreira no clube, tendo vencido 3 Taças da Alemanha Oriental, em 1978, 1979 e 1983. Mesmo após o declínio do clube depois da reunificação da Alemanha, Stahmann ficou mesmo jogando no 4º escalão do futebol alemão. A nível internacional conta com 46 internacionalizações.

Hans-Jürgen Dörner

O capitão mais condecorado do Dynamo Dresden, capitaneou a equipa desde 1977 até à sua reforma. Este líbero e lateral chegou à equipa de Dresden em 1968, tendo vencido pelo clube 5 Oberligas e 5 taças da Alemanha Oriental. A título de curiosidade, foi em 1999 votado pelos adeptos como o melhor jogador de sempre do clube. A nível internacional conta com 96 presenças pelas selecção da Alemanha Oriental tendo vencido a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de 1976. Dörner fez ainda carreira como treinador treinando a selecção sub23 da Alemanha Oriental entre 1985 e 1990, o Werder Bremen em 1996/97, FSV Zwickau em 1998/99, Al-Ahly em 2000/01, VfB Leipzig entre 2001 e 2003 e finalmente o Radebeuler BC 08 entre 2006 e 2010. Actualmente trabalha no departamento de prospeção do Dynamo Dresden.

Bernd Bransch

Era este senhor o líder da Alemanha Oriental que jogou o mundial de 1974, onde viria a ter a honra de bater a Alemanha Ocidental num dos grandes feitos pelo seu país. A sua outra grande honra foi a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de 1976. Jogador do ano da Alemanha Oriental por 2 vezes, em 1968 e 1974, conta com 64 internacionalizações. Jogou toda a sua carreira no SC Chemie, com excepção para a época de 1973/74 onde representou o FC Carl Zeiss-Jena.

Reinhard Lauck

Este médio foi um dos grandes heróis da Alemanha Oriental com uma prestação ainda hoje recordada diante da Alemanha Ocidental no Mundial de 1974. A nível internacional conta com 33 internacionalizações. A nível de clubes representou o Union Berlin entre 1968 e 1973, mudando-se depois para o BFC Dynamo onde viria a ajudar a equipa a vencer 3 campeonatos de seguida, em 1979, 1980 e 1981.

Eberhard Vogel

Detém o número recorde de presenças no escalão máximo de clubes na Alemanha Oriental (440 jogos), tendo jogado entre 1961 e 1970 no FC Karl-Marx-Stadt e depois no FC Carl Zeiss-Jena ente 1970 e 1982. A nível internacional tem 74 presenças pela selecção da Alemanha Oriental e fez parte da honrosa equipa que foi ao Mundial de 1974. Um dos seus maiores reconhecimentos como jogador foi a nomeação como jogador do ano de 1969 na Alemanha Oriental e é hoje reconhecido como um dos melhores de sempre no seu país.

Jürgen Nöldner

Um dos mais talentosos jogadores da Alemanha Oriental, um médio de características ofensivas que deslumbrava ao serviço do à altura dominante Vorwärts Berlin tendo sido campeão por 5 vezes. Apelidado de “Puskás da Alemanha Oriental” conta ainda com 30 internacionalizações pela Alemanha Oriental, marcando por 16 vezes, tendo também feito o golo mais rápido da história da selecção diante da Áustria. Em 1964 conquistou um medalha de bronze nos Jogos Olímpicos do Japão numa equipa composta apenas por jogadores da Alemanha Oriental a representar toda a Alemanha. Em 1966 foi eleito o melhor jogador da Alemanha Oriental.

Um médio ofensivo muito viajado pela Europa, tendo representado o Hansa Rostock, BFC Dynamo onde venceu 2 campeonatos da Oberliga em 1987 e 1988, Hamburg SV, Lazio, Eintracht Frankfurt e Bari. Depois da reunificação da Alemanha ele foi um dos jogadores mais procurados pelos clubes germânicos. A nível internacional representou a selecção da Alemanha Oriental e a reunificada Alemanha.

Jürgen Sparwasser

Médio Ofensivo ou avançado, Sparwasser foi o homem no sítio certo nas grandes ocasiões. Começou a sua carreira no modesto BSG Lokomotiv Halberstadt e em 1965 mudou-se para FC Magdeburg, onde viria a ajudar o seu clube a vencer o maior troféu de sempre a entrar no país, a Taça dos Clubes Vencedores das Taças em 1974, o maior feito de um clube da Alemanha Oriental. Conta também com 49 internacionalizações pela Alemanha Oriental e fez parte da equipa que jogou o Mundial de 1974 tendo sido ele o grande herói da partida diante da Alemanha Ocidental marcando o golo solitário da única partida alguma vez disputada entre Alemanhas.

Hans-Jürgen Kreische

Golos, golos e mais golos é melhor forma de descrever este avançado da antiga Alemanha Oriental. Um dos melhores jogadores da história do Dynamo Dresden, clube onde fez toda a carreira, entre 1964 e 1978. Pelo clube fez uns impressionantes 127 golos na Oberliga. A nível internacional tem 50 presenças na selecção da Alemanha Oriental, com um total de 25 golos. Foi o melhor marcador da selecção em 1971, 1972, 1973 e 1976 tendo também sido eleito jogador do ano no seu país em 1973. Fez ainda parte da equipa que disputou o Mundial em 1974 e também parte da equipa que levou o bronze para casa nos conturbados Jogos Olímpicos de 1972 em Munique.

Martin Hoffmann

Atacante da Alemanha Oriental, representou o FC Magdeburg entre 1973 e 1985, fazendo parte da equipa que trouxe a Taça Dos Clubes Vencedores das Taças 1974. Conta com 62 internacionalizações pela Alemanha Oriental, marcando 15 golos. Fez também parte da histórica equipa que participou no Mundial de 1974. Em 1976 também deu o seu contributo na selecção olímpica da Alemanha Oriental que traria a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de 1976 de Montreal, Canadá.

Joachim Streich

Outro grande goleador da Alemanha Oriental. Ponta de lança que representou clubes como Aufbau Wismar, FC Hansa Rostock e FC Magdeburg, mas foi a nível internacional que mais se evidenciou no futebol da Alemanha Oriental, sendo o jogador com mais internacionalizações e também com mais golos marcas, 55 golos em 102 participações.

Ulf Kirsten

“O espião”, Kirsten tem uma história curiosa, tendo sido informante do Stasi sob o nome de código “Knut Krüger”.  Começou a sua carreira de futebolista ao serviço do Dynamo Dresden, tendo sido um dos primeiros jogadores da Alemanha Oriental a jogar na Bundesliga, este ao serviço do Bayer Leverkusen onde fez uns impressionantes 350 jogos e 182 golos tendo sido o 5º maior marcador da história da liga e ainda participou na final da Liga Dos Campeões de 2002 que o Bayer Leverkusen viria a perder para o Real Madrid. A nível internacional conta com 49 presenças pela Alemanha Oriental e 51 pela reunificada Alemanha, onde viria a participar nos mundiais de 1994, 1998 e europeu de 2000.

A história do futebol da Alemanha Oriental é um calvário de jogos políticos, manobras poucos claras e muita controvérsia, mas é uma peça da história, não só do futebol alemão, mas também da Europa. Hoje em dia, os clubes e a selecção da Alemanha Oriental não vêm muitos os seus méritos reconhecidos, mas eles estão lá e têm uma história riquíssima, pelos bons e maus motivos. Actualmente apenas uma equipa nascida da antiga Alemanha Oriental joga na Bundesliga, o Union Berlin, mas o declínio da grande maioria dos seus antigos compatriotas é por demais evidente e muito dificilmente nos próximos tempos veremos um ressurgimento desses clubes no principal escalão, mas ficam então as suas histórias para serem contadas.

FC Union Berlin celebrou no final da época 18-19 a súbida à Bundesliga pela 1ª vez

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Tue, 17 Mar 2020 11:55:34
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PARENTALIDADE CONSCIENTE EM CLIMAS EMOCIONALMENTE INCONSCIENTES

«É oficial…é pandémico…é prevenível…é evitável.»

O novo coronavírus (covid–19) é uma realidade, está disseminado mundialmente, mas existem muitas formas de preveni-lo e por isso diversos caminhos para evitá-lo.

«Protegendo-me, protejo cada um…cada um protegendo-se, protege-me»

Importa salientar que estas situações têm, na sua veiculação noticiosa, sempre uma enorme velocidade de propagação. Isto acontece uma vez que despoleta em nós sinais máximos de alerta. Sempre que o Ser Humano é colocado perante uma possível ameaça à sua sobrevivência, ativam-se no nosso organismo “sirenes” sinalizadoras de que algo não está em normal funcionamento. A informação que nos chega pelos cinco sentidos, ativa as nossas memórias (pensamentos). Soam, exteriorizando-se, os alertas emocionais (sentimentos). Motiv…ações, permitem comportamentos eficazes no sentido de afastarmos o estímulo desagradável.

Ainda não temos uma noção clara da expressão do coronavírus no nosso país, mas sabe-se que as crianças e jovens saudáveis podem lidar mais facilmente com o vírus e recuperar mais rapidamente. Isto significa que os pais, à partida, podem ter alguma tranquilidade. Mas é igualmente importante relembrar que os nossos filhos não são imunes, e estão maioritariamente impreparados, para lidar com o medo e o pânico que se tem gerado ao seu redor.

Mundialmente designado por covid–19, humana e emocionalmente conhecido por MEDO, na sua máxima expressão chama-se, pânico. Acompanha-nos desde os nossos primórdios, sendo a emoção mais preditora e condicionadora do comportamento humano. A sua emergência natural salva-nos…a sua emergência, por ineficaz gestão, cria atropelos esvaziando hipermercados inteiros.

Durante esta fase de maior manifestação viral não é saudavelmente aconselhável a ida a parques, cinemas ou mesmo centros comerciais, mas também não é, parentalmente desejável, que os filhos passem horas a fio em frente a telemóveis, televisores ou tecnologias de qualquer tipo.

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Como tal, disponibilizam-se aqui, um conjunto de “ferramentas” educativas, preventivas e relacionais, para que possa continuar a tornar-se um “construtor” da relação com o(s) seu(s) filho(s).

Consciencialize-se de que é muito mais importante, as suas atitudes que as suas palavras – 93% da comunicação humana é não-verbal. Como tal é importante que torne congruente, as suas verbalizações com as suas expressões corporais – Não adianta dizer ao seu filho “fica tranquilo que isto não é nada de grave” e depois ter um ar de pânico perante as notícias na televisão. Temor dos pais = ansiedade nos filhos;

A parentalidade consciente não é “despejar”, unidirecionalmente, para o seu filho um conjunto de regras e indicações a adotar, antes perguntar-lhe também o que ele sabe e acha sobre este tema – A partir daí seja um guia a caminhar em conjunto e não apenas um ordenador dos caminhos que ele deve seguir;

Tomar consciência da parentalidade significa, também, evitar a exposição permanente aos órgãos de comunicação social – A constante repetição de notícias traumáticas, torna-se verdade absoluta para o nosso cérebro…o mesmo não distingue realidade de fição. Como tal, por cada vez que o cérebro processa a entrada de informação potencialmente perigosa, irá repetir um processo de ativação de defesa do organismo, com a emissão de alertas cada vez mais intensos, potenciadores de elevados níveis de stresse e ansiedade;

Estar consciente da relação parental implica falar sempre a verdade – Somente com uma base de verdade os jovens poderão encontrar as suas próprias ferramentas de gestão pessoal. Ao contrário do que possamos pensar, as crianças e jovens, sabem muito melhor que nós, quando estamos em processo “criativo”, em inverdade;

Conscientemente ensine a correta higienização e explique o papel dela na prevenção – Ensine ao seu filho que o vírus se espalha pelo ar em pequenas gotículas respiratórias que ficam no ar e podem viver na pele, tecidos e outras superfícies. Esses vírus podem infetar as outras pessoas se entrarem nos olhos, nariz ou boca;

A parentalidade é um processo de crescimento e preparação para lidar com as reações de medo do seu filho – umas serão mais óbvias do que outras, tais como pesadelos, andar mais agarrado a si e mais exigente ou fazer mais birras. Um discurso simples, divertido e sereno de que isso é compreensível e aceitável, dar-lhe-á a segurança necessária para que possa gerir eficazmente o processo;  

Preventivamente, existem igualmente medidas importantes a serem implementadas. Lavar frequentemente as mãos com água e sabão — demorar cerca de 2 minutos nesse processo; Ao espirrar ou tossir, tapar o nariz e a boca com um lenço de papel ou com o braço; Cada lenço de papel tem apenas uma utilização – de seguida o mesmo deve ser colocado no lixo; Não partilhar com outras pessoas utensílios que vão à boca, como copos, garrafas e talheres; Evitar tocar com as mãos em mucosas de olhos, nariz e boca;

Relacionalmente, a parentalidade pode também sair bastante mais reforçada. Aproveite esta fase de recato caseiro para jogar UNO e outros jogos de cartas, de tabuleiro, ou de caixa como puzzles e pictionary; Dançar ou jogar ao elástico com as cadeiras lá da sala; Criar desafios desportivos – desafiem os filhos a melhorarem as suas performances desportivas seja em “toques na bola sem cair”, agachamentos, flexões ou qualquer outra destreza física; Ler em conjunto; Praticar a respiração relaxante em família – inspire profundamente pelo nariz, expandindo a sua zona abdominal e expire completa e tranquilamente pela boca, contraindo o abdominal. Faça-o 3 a 5 vezes e no final comentem os resultados obtidos; Arrumar aquelas gavetas que queremos arrumar há anos, ou a arrecadação; Cozinhar em conjunto novas receitas e tratar das plantas e mini hortas;

A informação dada aos filhos deve ser adaptada à sua idade. Uma das recomendações é que nos diálogos a propósito do Covid-19 os pais tentem transmitir aos filhos que “alguma coisa está nas mãos deles, que podem fazer algo” que os façam sentir algum nível de autonomia, responsabilidade e controlo. Eles ficarão bastante mais motivados e comprometidos para os passos seguintes.

Para quem tem filhos adolescentes é preciso perceber o que querem saber, porque em faixas etárias como a da adolescência muitas vezes as fontes de informação que os jovens têm como mais credíveis são as redes sociais e os amigos. Sabemos que nessas redes há mais desinformação e que pode potenciar-se aí o medo e o pânico sobre estes surtos. Planeie a comunicação com o seu filho. Dê-lhe informação ajustada à forma como ele apreende e interpreta o mundo.

«Ninguém o conhece melhor que você…ninguém o poderá ajudar melhor que você.»

Verdadeiramente o mundo que nos rodeia, mais nada é, do que a interpretação que dele fazemos, isto é, a atribuição de significado, o valor e importância, que damos a tudo aquilo que nos acontece, enquanto experiências vividas. Por isso é comum ouvirmos “ a vida não tem sentido”… para que tenhamos constantemente a oportunidade de lhe darmos o sentido que mais nos aprouver. Dessa forma é da nossa inteira responsabilidade decidirmos com que óculos queremos VER

«Vê o copo meio cheio ou meio vazio? Tudo tem um lado positivo…Veja-o a transbordar!»

Vejo amigos que constantemente adiavam encontros, ansiosos por um abraço; Vejo casais que reencontraram o poder de um beijo; Vejo imensas pessoas que viviam na inércia, a praticarem, em casa, um conjunto de actividades físicas; Vejo horas marcadas para elogiarmos profissionais que na semana passada ignorávamos na ida ao hospital; Vejo imensas pessoas passando mensagens positivas de ajuda ao outro, descentrando-se de si mesmas; Vejo transformações incríveis, no anterior desperdício alimentar; Vejo famílias inteiras que não se encontravam regularmente, a falar em saudade; Vejo crianças desejosas de brincar na rua, desligando-se das tecnologias; Vejo, vejo…vejo e felizmente sinto, que afinal continuamos a saber, SER Humanos, aproveitando cada experiência e acontecimento de vida, seja de enorme alegria e divertimento ou de apreensão e medo, para com isso «creSERmos», despertando um pouco mais a cada dia, para a consciência da parentalidade e das relações humanas, de cada dia.

«É oficial…não é um pandemónio…pois é prevenível…e evitável!»

Evite hoje um Abraço!, para que amanhã nos possamos todos Abraçar novamente! neste novo Mundo!

Thu, 19 Mar 2020 18:42:00
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GUARDA-REDES: Contexto de Atraso (Fundamentos)

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Tenho vindo a desenvolver vários artigos (para consulta no blog Futebol Apoiado) sobre os vários contextos de jogo no que diz respeito ao Guarda-Redes e ao seu treino. Neste artigo venho-vos falar sobre o contexto de atraso ao Guarda-Redes.

Jogar com os pés para o Guarda-Redes é hoje em dia um requisito básico em qualquer equipa do mundo. É uma das capacidades que mais se tem desenvolvido no Guarda-Redes e certamente uma das características mais distintas do que chamamos um Guarda-Redes moderno. Independentemente do modelo de jogo: apoiado, direto ou em transições, o Guarda-Redes tem um papel fulcral em todos eles. O Guarda-Redes é um dos iniciadores do jogo e pode ser a primeira peça no processo de ataque. Qualquer que seja o estilo ou modelo de jogo há princípios que a meu ver são fundamentais no contexto de atraso.


      o   Cobertura Ofensiva: Nome bonito para um princípio essencial do futebol. Dar linha de passe ao colega de equipa. Mobilidade. Criar espaço.


      o   Zonas: Há zonas a evitar quando queremos dar cobertura ao nosso colega de equipa. A zona da baliza é de evitar (quando o contexto assim o permite). Mas também temos de perceber que quando começamos a sair demasiado fora da “nossa zona” estaremos a expor-nos. Uma referência simples é a linha da pequena área. Com isto não quero dizer que não haja momentos em que não vamos sair da “nossa zona”.

      o   Profundidade:Tempo e espaço são as duas variáveis que temos de relacionar. Se queremos ter mais tempo para decidir e executar confortavelmente este é um princípio base. “Baixar” ou “aprofundar” o posicionamento, criando uma distância maior de segurança para o colega e principalmente para os adversários, vai ajudar imenso na qualidade e conforto da tarefa.


     o   Orientação Corporal: Corpo aberto e orientado para o jogo permite um maior leque de oportunidades e aumentar a minha capacidade de ver o jogo.


     o   Comunicação:Verbal para comunicar ao meu colega que sou linha de passe, mas também gestual (o braço) para demonstrar onde quero a bola (em que pé ou em que lado do corpo).


      o   Campo de visão / Observar: Não conseguimos tomar decisões se não formos capazes de ler o jogo. E este é um ponto extremamente importante. Não olhar a bola ou os pés. Importante manter a cabeça levantada e constantemente “ler a envolvência” para possíveis linhas de passe ou adversários. Relaciona-se muito com o ponto sobre o corpo aberto.


     o   Leitura da pressão: Na sequência do que observo tenho que decidir onde está a pressão e como se está a posicionar perante os meus colegas. Quais são os indicadores que me estão a dar de pressão. Que linhas de passe estão a cobrir. E daqui irei sustentar a decisão do que fazer quando receber a bola.


     o   Zonas de referência: Muito relacionado com o modelo de jogo. Por norma as equipas terão determinadas linhas de passe pré-definidas, quer sejam curtas (lateralizar ou jogo interior) ou longas (na largura ou na profundidade). Vai dar ao Guarda-Redes o conforto de saber que caso não tenha outra solução pode e deve procurar essas zonas de referência.


     o   Receção orientada: Sim eu sei que nem sempre jogamos a dois toques. E muitas vezes seremos “obrigados” a jogar de primeira. Mas quando a cobertura ofensiva é bem realizada a receção orientada é primordial na qualidade de execução do passe. Claro está que quanto mais nos aproximamos da execução técnica tudo o que estava antes também é muito importante. A meu ver a receção orientada é uma arma importante que vai permitir orientar o jogo para onde quero e muitas vezes bater adversários da pressão e proteger a bola do adversário.


     o   Qualidade de passe: Este é o momento final. A execução. Claro está que sem qualidade de passe tudo o resto vai ao ar. Mesmo assim a importância de trabalhar os vários tipos de passe é importante em qualquer modelo de jogo. Porque eles vão acontecer.



Outro aspeto essencial a termos em conta é a lateralidade (capacidade de utilizar ambos os pés, tanto na receção como no passe) porque nos vai abrir o leque de oportunidades a explorar no jogo e criar indefinição em quem pressiona. Mais ainda, pode acontecer de por recurso termos utilizar o pé não dominante. Essencial é também a confiança dada ao Guarda-Redes e o seu à vontade e conforto com bola. Todos conhecemos Guarda-Redes que executam bem, mas não facilitam, e outros que para além de executarem bem mostram um conforto a executar, mesmo sob pressão, como se não fosse nada com eles. Pronto, e depois há os pezudos. Mas nem todos podem ser perfeitos.

Estas são as bases a meu ver fundamentais no contexto de atraso ao Guarda-Redes. Há muitos outros detalhes que podemos aprofundar e cá estarei para os desenvolver em próximos artigos. Estarei sempre aberto à vossa discussão e dúvidas que possam ter.

Não queria deixar de concluir este artigo sem vos deixar com um dos Guarda-Redes mais fascinantes no que vim a falar anteriormente. A ideia ajuda. Mas meus amigos, sem à vontade e qualidade nada disto seria possível. Irresistível!


Juntos somos mais fortes,



Miguel Menezes
Thu, 15 Nov 2018 12:25:51
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Fair Play e a formação esportiva

Fair Play e a formação esportiva

Respeito, ética, empatia e reciprocidade acima de tudo no esporte.

O Esporte é uma ferramenta que influencia o comportamento humano. A emoção causada por ele influencia diretamente na capacidade emocional e intelectual dos envolvidos, atuando no comportamento e postura dos seres humanos. Isso acontece porque o esporte é um fenômeno que mexe com razão e emoção de uma forma intensa. Uma forma encontrada para balancear isso foi adoção do Fair play no esporte.

O ‘Fair play’ é uma filosofia adotada no meio esportivo que está diretamente vinculada à ética no jogo. É o jogar limpo, jogar justo, ter espírito esportivo.

O objetivo é estimular que os praticantes joguem sem violência, de maneira justa, sem prejudicar intencionalmente seus adversários e, não menos importante, dentro das regras da competição desportiva.

A expressão vem desde os Jogos Olímpicos de 1896, quando o Barão Pierre de Coubertin disse a seguinte expressão:

 “Não pode haver jogo sem fair play. O principal objetivo da vida não é a vitória, mas a luta”

Essa expressão valoriza o jogo limpo, o respeito, a empatia e a reciprocidade a seus adversários, mostrando que eles também são parte importante do jogo em si assim como você. Ela ainda transmite a ideia de que você precisa se empenhar e competir conforme as regras, ou será desclassificado. Hoje em dia inclusive é comum ver esse espírito de Fair Play sendo difundido pela sociedade em geral, como uma forma de valorizar ideais universais como um padrão de comportamento ético social e moral, por exemplo.

Só que ao contrário do que muita gente acha, o Fair Play não consta oficialmente nas regras oficiais de nenhum esporte. Nas regras do Futebol escritas pela FIFA por exemplo não há nenhum texto explicitando que, caso um jogador se machuque durante o jogo o adversário precisa colocar a bola para fora para que o jogador machucado seja atendido. O que há é um acordo implícito entre os esportistas, mas que nem sempre acaba sendo respeitado. E aí entramos na discussão sobre o Fair Play: existe mesmo?

GOLEAR OU NÃO NA FORMAÇÃO

 Falta de respeito ou respeito máximo ao adversário? Eis a grande questão.

A ideia de escrever sobre o Fair play aqui surgiu de uma discussão que participei essa semana em um grupo do Facebook que faço parte, o ‘Artigos científicos em Futsal’. Nessa postagem havia uma imagem com um placar de um jogo entre crianças na Alemanha que ficou 86×0 e a pergunta:

“Na sua opinião, faltou respeito (Fair play) ou faz parte do jogo?”

Na minha opinião, não faltou respeito e golear faz parte do jogo.

Defendo o fato de que se pudesse ganhar o jogo de 100, que fosse. Para mim, falta de respeito é parar de fazer gols, mostrando ao adversário que não estamos ganhando de mais porque não queremos. E digo isso com a tranquilidade de quem já goleou e foi goleado. Você menosprezar o seu adversário é a pior das ações que você pode tomar enquanto esportista ou mesmo em sua vida normal.

Mas, nesta discussão, pude ver boas ações e opções tomadas por outros treinadores para valorizar o esforço do adversário. Trocar o time e dar minutos para aqueles que jogam pouco tempo, testar alguns conceitos que você quer ver seu time praticando, deixar o adversário colocar mais jogadores em campo foram algumas citadas e que eu acabei achando válidas. Nós, como formadores que somos, antes de sermos treinadores, temos que ter essa preocupação com a conduta de nossos atletas em situações como essas. Como meu jogador vai se comportar quando estiver ganhando um jogo de goleada? E como ele vai se comportar em uma situação de derrota por goleada?

Se eu somente valorizo a vitória, como vou cobrar dos meus atletas que eles saibam se comportar quando estiverem perdendo?

Tentei procurar informações sobre o jogo na Alemanha e o máximo que encontrei foi uma nota publicada no site Freie Pesse, dizendo que o time derrotado fez tudo errado na defesa e que não conseguiu jogar, enquanto seus adversários acertaram tudo. Foram 40 gols no primeiro tempo e 46 gols marcados no segundo tempo.

Diante desse fato, fica o questionamento: será que ao invés de respeito ou falta de respeito, eu não posso ter sofrido uma goleada pelo fato do meu time estar em um dia extremamente ruim?

GOLEAR, SER GOLEADO FAZ PARTE DO JOGO.

O que não é negociável é o Fair play. E nunca vai ser.

86×0 nem é a maior goleada do futebol mundial.

A maior goleada do futebol mundial aconteceu em 2002, em jogo válido pelo campeonato nacional de Madagascar, na África: 149×0 para o Adena sobre o Olympique L’Emyrne. Entretanto, esse jogo não é reconhecido oficialmente pela FIFA, já que os jogadores do Olympique fizeram vários gols contras em protesto por sucessivos erros de arbitragem contra a equipe. A FIFA, mesmo não tendo o Fair play escrito nas regras oficiais do Futebol, promove o comportamento ético desde a Copa de 1986, após o gol de mão de Maradona contra a Inglaterra. A entidade, desde 1997, organiza uma semana de seu calendário internacional junto das Confederações com atividades que realcem a importância do Fair play dentro e fora de campo.

No caso do Futsal, a maior goleada que se tem registro é de uma vitória do Brasil sobre o Timor Leste por 76×0. A partida foi válida pelos Jogos da Lusofonia e Timor Leste já havia perdido para Portugal por 56×0 antes no mesmo torneio. Entretanto, lendo notícias sobre o jogo, não há relatos de agressões por parte dos jogadores de Timor Leste, mesmo com o placar. Há relatos de reconhecimento da superioridade técnica dos jogadores brasileiros e elogios quanto a postura dos mesmos, sem menosprezá-los em nenhum momento.

Em outro episódio envolvendo goleadas, talvez a mais famosa em tempos mais recentes, os 7×1 da Alemanha sobre o Brasil na semifinal da Copa do Mundo do Brasil em 2014, o capitão alemão Philip Lahm, disse na época:

“No intervalo, nós conversamos sobre continuar jogando apropriadamente e mostrando respeito. Todo mundo no time tomou aquela atitude no segundo tempo. Nós não queríamos nos exibir ou ridicularizar os adversários. Se acabou com uma vantagem maior, não era tudo o que queríamos. Nosso objetivo era mostrar respeito aos nossos rivais e aos fãs”

No intervalo a Alemanha já ganhava do Brasil por 5×0. E, mesmo com os alemães não acreditando no que estava acontecendo, eles optaram por manter a postura profissional e seguir jogando em respeito à Seleção brasileira e acabaram aplicando a maior goleada sofrida pelo Brasil em sua história.

E novamente em nenhum momento vimos qualquer ato de violência ou desrespeito entre as equipes. Tanto a Alemanha como o Brasil seguiram jogando de forma limpa até o fim e no final venceu a melhor equipe.

Isso só reforça o quanto o respeito e a empatia ao seu adversário devem ser sempre valorizados independente de qualquer vitória ou derrota. E reforça ainda mais o que nós, formadores, devemos trabalhar o Fair play sim na formação com nossos atletas. A nossa postura em quadra ou campo diz e reflete muito em quem somos fora dela também, independente da faixa etária.

O Fair play é o código de ética implícito do esporte que pode ser totalmente adaptado para a nossa sociedade. Seus valores podem e devem ser trabalhados à exaustão com nossos atletas durante o seu processo formativo pois a influência dos mesmos ocorrerá tanto na vida esportiva quando no pessoal. Sem o Fair play, o esporte perde a sua alegria e ações de caráter duvidoso passarão a dominar as ações, podendo causa o fim do fenômeno esportivo no mundo. Assim, o trabalho dos valores éticos e morais do esporte devem ser defendidos por todas as pessoas envolvidas nele.

Se você apresentar o devido respeito ao adversário, jogando de maneira ética, limpa, correta, valorizando o esforço dele, o placar do jogo será algo sempre secundário.

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Fri, 06 Apr 2018 11:02:00
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LIVERPOOL - SERÁ CAOS OU ORGANIZAÇÃO?

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SERÁ QUE CONSEGUIR ORGANIZAR UMA EQUIPA COMO A DO LIVERPOOL DÁ MUITO TRABALHO, OU É PURA SORTE?


Muito ou pouco se falou do jogo entre o Liverpool e o Manchester City. Duas concepções de jogo e duas ideias de jogo bem diferentes. Para o caso não interessa estarmos a falar sobre essas diferenças. O que me interessa, tem a ver com a definição que muitos dão aos conceitos de ambos os treinadores.  
Do lado do City é a inteligencia, a paciência que predomina. Do outro lado o jogo é caracterizado como sendo intenso e caótico.
Como me interesso muito por futebol e conheço ligeiramente a equipa de Kloop, fui ao dicionário ver o que significa a palavra caos.


O que é o Caos:


Caos significa desordem, confusão e tudo aquilo que está em desequilíbrio

Teoria do Caos:
Trata-se do princípio que afirma que uma pequena alteração ou mudança no início de um evento, no decorrer deste processo, transforma-se em consequências desproporcionais e imprevisíveis.

Posto isto a minha intervenção vem no sentido de esclarecer que para mim a equipa do Liverpool é tudo menos desorganizada, confusa e desequilibrada. 
É uma equipa que defensivamente se organiza de forma zonal e pressionante. Quando não tem a bola procura de imediato recuperá-la subindo as suas linhas de pressão com coberturas permanentes e mantendo a equipa o mais compacta possível. 
A sua linha de 4, encurta quando a equipa pressiona no meio campo adversário  mantendo as distâncias entre os sectores reduzida. Jogam sempre em função da posição da bola e dos companheiros. 

Ofensivamente e nas transições opta na grande maioria das vezes por acções onde a velocidade de deslocamento dos jogadores é alta o que pressupõe à partida um maior acumular de erros, mas tal não significa que a equipa não sabe o que faz e que não coloca em campo todo um manancial de conceitos tácticos que são treinados. 

Podemos discutir conceitos e até dizer que gosto mais de um do que de outro, mas futebol é arte, é cultura e como arte e cultura que é assenta muito da sua beleza na diversidade daqueles que a praticam e na diversidade das ideias de jogo daqueles que comandam as equipas. Dizer-se que um treinador e uma equipa "respeitam" o jogo e que um outro já não o faz, só porque não joga dentro dos nossos padrões parece-me uma ideia muito redutora.

Ficam aqui alguns exemplos do que atrás referi:






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