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Tue, 10 Oct 2017 20:29:14
18

McEachran. O condutor do sonho inglês.

A geração do novo século faz sonhar todo um povo que em Inglaterra anseia pelo regresso aos triunfos internacionais da selecção dos três leões.

Enquanto todas as atenções estão centradas nos fantásticos Phil Foden, Jadon Sancho e Angel Gomes, há um miúdo frazino no meio campo que encanta ainda bastante mais todos quanto os que lhe entendem o jogo. George McEachran não é muito potente fisicamente, não é forte, nem tão pouco alto. Fisicamente tem um perfil que até à tão pouco era desdenhado no país que inventou o futebol.

Tem porém tudo o que mais importa para ter impacto no jogo. Um binómio qualidade de decisões / capacidade técnica que impressiona, e faz toda a sua equipa girar ao seu redor, e jogar! Dos seus pés e decisões saem bolas sem fim para dentro da estrutura adversária, progride quando há espaço, atrai, liga de forma vertical, e mesmo quando o espaço escasseia, tem sempre ideias ofensivas. A facilidade com que coloca os colegas em posição de poder criar perigo tornam-o uma das maiores promessas mundiais entre os jogadores que ligam todo o jogo ofensivo.

Não houve top de maiores promessas no Mundial sub 17 que contemplasse a presença de McEachran. O tempo provará o erro.

 

George McEachran from Videos para “Lateral esquerdo” on Vimeo.

Mon, 13 Aug 2018 21:34:20
35

Quatro laterais direitos que o Benfica pode contratar

Sergi Palencia já foi apontado ao Benfica e enquadra-se no perfil que as Águias pretendem. Um jogador jovem, com potencial e que permita futuramente fazer um encaixe financeiro significativo. Alejandro Grimaldo é dono da lateral esquerda e chegou proveniente da La Masia, a mesma escola de Sergi Palencia. O lateral direito destaca-se essencialmente no capítulo ofensivo e sendo o Benfica um candidato ao título português, necessita de laterais com qualidade no processe ofensivo e com capacidade de criarem desequilíbrios. O espanhol consegue desde logo oferecer capacidade em progressão desde trás. É rápido e ágil, caso não tenha uma forte marcação directa, rapidamente sai em progressão e desbloqueia possíveis dificuldades na 1ª fase de construção. Já no último terço do terreno joga particularmente encostado à linha, apesar de ter um movimento particular no qual progride para dentro e procura tabelas rápidas onde dá e espera que a bola lhe seja devolvida. Sabe ler o jogo e vendo que não existem opções viáveis de passe mais adiantadas, faz a bola recuar para que a equipa construa novamente. Tem também um bom controlo de bola.

 

Defensivamente e um pouco à imagem do seu antigo companheiro, Alex Grimaldo, precisa de limar algumas arestas. É um jogador baixo e com dificuldades nos duelos aéreos, tendo também dificuldades frente a oponentes mais físicos. Dada a sua rapidez consegue muitas das vezes corrigir erros de posicionamento. Não define muito bem os apoios e tende a alargar bastante o seu posicionamento para com o central. Ofensivamente também tem algumas lacunas, como a qualidade nos cruzamentos e falta-lhe mais chegada a zonas de finalização. Obviamente ainda não é um lateral feito, mas a sua entrada no plantel poderia ser feita da mesma forma que a de Alex Grimaldo, de modo a proporcionar algumas facilidades ao espanhol.

 

Estatísticas/jogo:

  • 26 passes com média de 81% de acerto;
  • 0.33 passes chave;
  • 3.5 cruzamentos com 32% de acerto;
  • 5 desarmes tentados com sucesso em 62%;
  • 2.5 dribles com uma taxa de acerto de 58%;

 

 

 

 

Segue-se outro espanhol na lista, aparecendo agora a sugestão de Javier Manquillo. O espanhol prometeu bastante nas categorias base do Atlético de Madrid e com sucessivas internacionalizações pela Espanha, mas em sénior não correspondeu ao potencial e colecionou um vasto número de empréstimos, até se transferir em definitivo para o Newcastle na época passada. O lateral iniciou a época a bom ritmo nos Magpies e foi praticamente titular toda a primeira volta, a segunda volta é que foi madrasta e ele poucos minutos somou. Ainda é jovem, 24 anos e quem sabe uma vinda para o campeonato Português não serviria para este relançar a carreira. Ofensivamente iria acrescentar qualidade ao jogo do Benfica. É um lateral muito rápido e ágil, oferecendo ao invés de Palencia qualidade nos cruzamentos e maior apetência para penetrar na área adversária. Demonstra alguma capacidade para sair da pressão em zonas recuadas do terreno visto ter capacidade de drible curto, mas por vezes tende a exagerar e pode comprometer a equipa. Seria uma escolha válida naquilo que Rui Vitória pede ao seu lateral direito com o movimento típico de extremo aberto e lateral por dentro, soltando depois o extremo no espaço criado pela atração do lateral adversário. Como já foi destacado acima, os cruzamentos são um dos pontos fortes de Manquillo, bem como a sua entrada na área adversária. Não temporiza tanto o jogo e mesmo sem grandes opções viáveis, parte em lances individuais que podem culminar com um remate. Pode alinhar também à esquerda, o que é sempre um bónus.

 

Defensivamente tem lacunas óbvias e perderá bastante para André Almeida. Contudo e partindo do princípio que o Benfica reforce a ala direita, nunca será para contratar um jogador idêntico ao do português, mas sim um com perfil mais ofensivo e que tenha impacto nas áreas mais adiantadas do terreno. É lento a recuperar nas transições defensivas e não diferencia situações de troca de posição, caso de o extremo fazer a sua posição momentaneamente e ser ele a pressionar mais em cima. É facilmente atraído para fora de posição, deixando espaço nas costas. Não sendo propriamente fraco no jogo aéreo perde lances porque lê mal o tempo de salto e acaba por vezes a desequilibrar-se, fruto da má colocação dos apoios. Tende a usar os apoios fixos e é surpreendido com bolas nas costas, conseguindo ainda assim corrigir o lance fruto da sua velocidade. Será uma contratação mais arriscada fruto de alguns falhanços em clubes de maior nomeada, existindo sempre a desconfiança de novo fracasso. Ainda assim o espanhol já mostrou ter talento e seria certamente uma opção diferente para rodar com André Almeida, dependendo do jogo em questão. Caso se exibisse a um nível alto, aí poderia mesmo ganhar o lugar de titular absoluto.

 

Estatísticas/jogo:

  • 26 passes com média de 75% de acerto;
  • 0.5 passes chave;
  • 0.3 cruzamentos com 17% de acerto;
  • 4 desarmes tentados com sucesso em 70%;
  • 1.1 dribles com uma taxa de acerto de 61%;

 

Depois de um duo espanhol, segue-se agora um jogador de um mercado no qual as águias pescam praticamente todos os anos um jogador. Fabricio Bustos actua pelo Independiente e é a próxima sugestão para a lateral direita encarnada. Desta lista é o meu predilecto e aquele que certamente renderia muito numa possível transferência futura. O problema prende-se com o investimento inicial e até a cobiça de outros clubes de maior nomeada. O argentino está muito valorizado e seria sempre um investimento avultado, bem como já é seguido por vários clubes das principais ligas europeias (fala-se inclusive no Bayern). Fabricio Bustos tem a alcunha de Tractor, devendo-se essa ao facto de passar os 90 minutos constantemente a fazer piscinais pelo seu flanco e sempre com uma atitude incrível de entrega ao jogo. Ofensivamente traria muito ao Benfica e poderia desequilibrar de várias maneiras. É extremamente rápido e envolve-se bastante em tabelas de modo a ganhar espaço para os cruzamentos, cruzando bem e sempre que tem mais do que uma opção disponível para soltar, escolhe aquela que dará mais possibilidades de a equipa ter sucesso. Tecnicamente também é evoluído e tem a capacidade de sair da pressão no flanco. Apresenta alguma qualidade nos passes de meia distância e caso os avançados procurem movimentos de ruptura no espaço, este conseguirá dar a bola em condições viáveis para o sucesso da jogada. Também se destaca pela pressão em perdas de bola que acontecem na sua zona ofensiva, é bastante expedito e procura ganhar através de carrinhos a bola, para que a equipa continue o seu movimento ataque.

 

Defensivamente e apesar da sua baixa estatura, acaba até por surpreender tendo já algumas qualidades. Com a sua rapidez consegue cobrir o espaço defensivo, mesmo estando longe do local para onde vai a bola (factor importante para equipas que joguem com a linha defensiva subida). Mostra também já alguns aspectos de jogador matreiro, temporizando muito bem os tempos de ataque à bola, para pôr fim a várias jogadas perigosas, geralmente com o uso de carrinhos. O seu índice de trabalho é extremamente elevado e é peça importante nas transições defensivas, recuperando sempre para ajudar a equipa. As suas debilidades prendem-se com o jogo áereo, dificuldades em disputas físicas (apesar da sua entrega é franzino) e algumas das qualidades, podem acabar a virar-se contra si. O seu excesso de entrega ao jogo, pode levar a falhas posicionais defensivas, admoestações desnecessárias e até alguma falta de discernimento, fruto do desgaste a que este próprio se sujeita. Seria a opção mais cara desta lista, mas tenho a certeza que o Benfica iria ter uma evolução notória na ala direita com Bustos e não teria problemas em lucrar com ele mais tarde, já que tem tudo para ser um dos grandes laterais direitos nestes anos que se seguem. Quem sabe não será é já tarde demais para pescar este argentino, que parece estar já na mira de várias equipas europeias.

Estatísticas/jogo:

  • 53 passes com média de 85% de acerto;
  • 0.48 passes chave;
  • 1.1 cruzamentos com 12% de acerto;
  • 4 desarmes tentados com sucesso em 70%;
  • 2.8 dribles com uma taxa de acerto de 55%;

 

 

 

 

Depois de uma dupla espanhola, segue-se agora uma dupla de argentinos. José Luis Gómez é o nome que se segue, tendo já sido apontado ao clube encarnado por diversas vezes. Actua pelo Lanús e destaca-se maioritariamente à imagens dos anteriormente referidos, no capítulo ofensivo. Alia a rapidez e a agilidade com a resistência, sendo capaz de cobrir o flanco pelos 90 minutos, um pouco à imagem de Bustos. O argentino tem também outras características idênticas à do seu compatriota, como um elevado índice de trabalho, desgastando-se imenso em prol do colectivo. Ofensivamente mostra boas indicações no jogo sem bola, movimentando-se de forma inteligente para receber e poder posteriormente cruzar, outra das suas boas valências. Tecnicamente também é interessante, tendo argumentos para se livrar dos oponentes fazendo uso do seu drible curto, pese seja mais forte a tocar na frente e ir ganhar espaço, já que é bastante rápido como foi referido. Ao contrário de Bustos, não consegue destacar-se no passe longo (mais limitado na visão de jogo e capítulo das decisões), sendo pouco provável que arrisque passes no espaço para o avançado. É elemento importante nas transições ofensivas, fruto da sua rapidez e controlo de bola ganha rapidamente metros, chegando a zonas perigosas sem grandes dificuldades.

 

Defensivamente destaca-se na marcação directa ao seu adversário e na capacidade de desarme, sendo mais limitado no posicionamento e na capacidade de antecipação, não sendo tão forte a prever aquilo que o adversário poderá fazer. O jogo aéreo também não é o seu forte, mas já não é tão débil em confrontos físicos. Fruto das suas limitações de posicionamento, também não denota grande capacidade de liderança, não corrigindo possíveis erros posicionais de colegas. É propenso ao nervosismo e caso o jogo não lhe esteja a sair bem, mostra alguns sinais de desconcentração e alheamento do mesmo.  Mostra qualidade na transição defensiva e pressiona desde logo o portador, executando inclusive algumas faltas inteligentes para permitir que a equipa se recomponha. Utiliza a sua intensidade e explosão na vertente defensiva, para evitar que o adversário tenha tempo para pensar e consiga executar sem pressão, saindo inclusive da sua posição na defesa para executar esta tarefa. José Luis Gómez é outra das soluções para a lateral encarnada e até algo idêntico a Bustos, apesar de ser menos promissor e ligeiramente inferior em qualidade, tem o bónus de ser mais barato e consequentemente um alvo mais realista.

Estatísticas/jogo:

  • 49 passes com média de 72% de acerto;
  • 0.7 passes chave;
  • 1.1 cruzamentos com 12% de acerto;
  • 3.2 desarmes tentados com sucesso em 75%;
  • 1.3 dribles com uma taxa de acerto de 77%;

 

 

 

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Fri, 10 Aug 2018 13:24:50
26

Modernize o seu clube com o Software EMJOGO

Muito mais que um software para gestão de um clube desportivo, o EMJOGO tem como missão acompanhar a evolução, objetivos e necessidades constantes que os clubes vão sentindo ao longo dos anos.

Software para gestão de um clube desportivo

Desenvolvido a pensar exclusivamente nos clubes desportivos, o Software EMJOGO procura melhorar a sua Gestão e Comunicação tornando-os mais eficientes e eficazes nas suas tarefas diárias.

Trata-se de uma Plataforma na Cloud onde é disponibilizado um conjunto de ferramentas com objectivo de optimizar os recursos já existentes nos clubes, ajudar na gestão/relação com os sócios e acompanhar toda a informação dos atletas a nível financeiro, desportivo (treino e competição), médico, escolar, e muito mais.

 O EMJOGO procura centralizar o trabalho de todos os intervenientes de um clube desportivo, eliminando desperdício de tempo, recursos operacionais, desorganização e perda de informação. De uma forma rápida e fácil, os responsáveis de cada área têm acesso no momento a informação valiosa para o controlo e tomada de decisão.

Para Gil Guilherme, co-fundador e CEO do EMJOGO, o novo modelo global e integrado de Certificação da FPF que tem o objetivo de avaliar, reconhecer e certificar a atividade de todas as Entidades que disponibilizam formação nas modalidades de futebol e futsal, é apenas um reforço da missão da empresa e a importância da modernização tecnológica nos clubes desportivos.

Em Portugal e a pensar já em outros horizontes

O EMJOGO é o resultado de anos de experiência e conhecimento em desenvolvimento de Software e no dirigismo de clubes desportivos. Desde 2015 tem-se vindo a evoluir a plataforma para uma solução mais abrangente de forma a acompanhar as várias necessidades e objetivos dos clubes desportivos. Não se trata portanto de um produto fechado, mas sim um serviço especializado onde procuram relacionar-se como um parceiro tecnológico e evoluir em conjunto com os clubes.

Em jogo estão clubes em todo Portugal e, para além do futebol, também contam com outros desportos, como o Futsal, Basquetebol e Andebol. É um software a começar em Portugal mas já preparado para outros mercados.

Modernize o seu clube… entra em jogo!

Para começar é muito fácil, basta irem ao website www.emjogo.pt e solicitarem um pedido de demonstração. Terão acesso à plataforma durante 15 dias gratuitos e sem qualquer compromisso. Para qualquer ajuda e/ou esclarecimento adicional terão uma pessoa a acompanhar em todo o processo.

Entre emjogo.pt

Um novo parceiro do FDF, mais novidades em breve!!!

Mon, 28 May 2018 14:57:00
22

Fullham - Organização Ofensiva

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Análise aos dois jogos do playoff de acesso à Premier League entre o Fulham e o Derby County.




Aspetos Chave:

  • Equipa posicionada num sistema tático 1-4-3-3. Procura um tipo de jogo de posse, procurando controlar o jogo. Boa mobilidade dada pelos jogadores do meio campo, alas criativos, o PL (Mitrovic) é muito solicitado em apoio.
  • Guarda redes procura jogar para um dos centrais que abrem para receber. DC direito Odoi (destro), DC esquerdo Ream (canhoto). McDonald normalmente é o médio que procura baixar para receber a bola dos centrais.
  • Os centrais não têm problemas em ter a bola, em alguns dos casos assumem a progressão.
  • Laterais bem abertos, Fredericks na direita procura mais a condução com bola e combinações, enquanto que Targett procura jogar mais no espaço, em alguns casos procura o cruzamento a meio do meio campo ofensivo para a área onde ataca Mitrovic.
  • Médios procuram garantir linhas de passe, apresentam boa mobilidade. McDonald (destro) está no vértice mais recuado. Os dois médios mais interiores, Cairney (canhoto) procura estar sobre a meia-direita e Johansen (canhoto) sobre a meia-esquerda. Em alguns momentos, principalmente a construir, estes colocam-se nos corredores. Muita tranquilidade quando a bola está com num destes jogadores. Johansen é quem avança mais vezes, realizando movimentos de rutura.
  • Alas garantem boa mobilidade, quando o jogo está no seu corredor procuram estar abertos estando o ala do lado contrário por dentro e vice-versa. Quando o jogo está no corredor central estes procuram movimentos de fora para dentro. Sessègnon (canhoto) mais pela esquerda, Ayité (destro) e Kamara (canhoto) pela direita. Reparo para Sessègnon, que com apenas 18 anos apresenta um grande potencial.
  • PL Mitrovic, procura estar sempre em apoio, fazendo uso do seu corpo para segurar o jogo e servir os seus colegas. Consegue rodar com facilidade, remata fácil com qualquer um dos pés.
  • No último terço, quando jogam pelo centro, os alas estão por dentro, Mitrovic é o jogador alvo para segurar e servir os alas no espaço, um dos médios que aparece para rematar (normalmente é Johansen, que faz uso do remate exterior) ou rodar e rematar. Atacam a área normalmente entre 3 a 4 jogadores.



Ricardo Alves
Mon, 13 Aug 2018 10:33:52
19

Entrevista Exclusiva a Ricardo Barros – Leixões Sport Clube

Entrevista Exclusiva a Ricardo Barros – Leixões Sport Clube

“(…) em Portugal, existem cada vez menos pontas de lança puros e isso depois espelha-se na seleção, que tem sempre grande dificuldade em utilizar um ponta de lança com alguma consistência.”

1. Com que idade deste os teus primeiros toques na bola? 

Ricardo Barros: Comecei muito cedo a jogar futebol, tinha 7 anos.

2. Entraste no clube da terra, Clube Desportivo de Paços de Brandão, com que idade?

Ricardo Barros: Entrei para o clube da minha terra, Clube Desportivo de Paços de Brandão, com os mesmo 7 anos. Foi lá que tudo começou.

3. Quem era esse miúdo de 7 anos de Paços de Brandão?

Ricardo Barros: Um miúdo reguila, sem faltar ao respeito a ninguém, mas sim gostava muito de brincar e rir, faceta que mantenho hoje.

4. Em formação, experimentaste diferentes posições ou especializaste-te como Ponta de Lança?

Ricardo Barros: Joguei em várias posições, só nos juniores é que me fixei a ponta de lança.

5. Sentes que, em formação, é importante experienciar diferentes posições no terreno para um melhor entendimento do jogo?

Ricardo Barros: Penso que mais importante que as diversas posições que se possa experimentar, o fundamental é ensinar as dinâmicas do futebol.

6. Voltando ao teu percurso, depois de teres feito toda a tua formação no Clube Desportivo de Paços de Brandão seguiu-se uma curta experiência sénior no vizinho Sporting Clube de Espinho, como recordas esse momento?

Ricardo Barros: Momento bastante importante, visto que vinha de uma realidade completamente diferente. Encontrei uma equipa muito experiente onde aprendi bastante, comecei a ver o futebol de uma forma mais especializada.

7. Para no ano seguinte, com 21 anos, teres finalmente a oportunidade de provar o teu valor, com 30 jogos ao serviço do São João de Ver. Esse ano correu bem, não correu Ricardo?

Ricardo Barros: Sim, correu muito bem. Joguei sempre e fiz golos. No São João de Ver tinha vários jogadores que já conhecia, era uma família em campo, conseguimos a reviravolta em 12 jogos, isso demonstra a união que existia.

8. Naturalmente despertas a atenção de clubes de maior nomeada e é o Marítimo que te vai buscar. Como correu experiência pessoal e futebolística na Madeira?

Ricardo Barros: Não correu como esperava, em termos futebolísticos, por vários motivos. Mas cresci muito como pessoa nesse ano. Pela primeira vez fui viver para longe da minha família e isso amadurece-te muito. Tens que te desenrascar sozinho.
Por obra do destino fiquei a morar com o Ricardo Alves (actualmente meu companheiro de equipa), criamos uma grande amizade que a partilhamos ainda hoje.

Ricardo Barros ao serviço do Marítimo.

9. De regresso a Aveiro, voltas ao São João de Ver para, de novo, demonstrares produtividade efetiva e voltas a chamar a atenção, desta feita do Feirense, como surgiu essa oportunidade de jogares na segunda liga e logo num plantel recheado de qualidade?

Ricardo Barros: Depois de uma experiência menos boa no Marítimo regresso para um clube onde me sentia em casa e feliz, então, naturalmente, voltei a fazer uma boa época e despertei a atenção do Feirense.

Ricardo Barros com as cores do São João de Ver.

10. Os 3 golos marcados em 35 jogos realizados pelo Feirense, aparentemente, não foram suficientes para convencerem os responsáveis para a tua permanência em Santa Maria da Feira. Seguiram-se duas experiências, uma mais curta, no Benfica de Castelo Branco e outra mais efetiva, no Sertanense. Conta-nos um pouco sobre esse período da tua carreira.

Ricardo Barros: Nas primeiras 4 jornadas no Feirense fiz 2 golos, depois perdi algum espaço, talvez um pouco injusto na altura, porque sentia que ia fazer grande temporada. Depois segui para o Benfica de Castelo Branco, onde fui muito bem recebido e fiz amizade com a maioria das pessoas.
Mas, contudo, achei que não seria o projecto para me relançar novamente e decidi mudar-me para o Sertanense. Clube onde encontrei o Mister Sérgio Gaminha e a sua equipa técnica que, em conjunto com a extraordinária equipa que tínhamos, na maioria jovens, fizemos uma grande temporada, num clube pequeno com algumas dificuldades, mas que, todos os anos projecta jogadores para campeonatos profissionais e nesse aspecto devo realçar o trabalho do presidente que faz de tudo para manter o clube no patamar que está.

Ricardo Barros no controlo da bola ao serviço do Sertanense.

11. E assim foi, a boa performance no Sertanense projeta-te, em 2015/2016, para Matosinhos, onde fazes uma das tuas melhores temporadas de sempre, a nível individual, 12 golos em 50 partidas realizadas. O Leixões marcou-te, desde logo, naquela altura, apesar de um 18º lugar, num campeonato a 24 equipas?

Ricardo Barros: Sim, o Leixões marca todos os jogadores que passam por lá, é sem duvida um clube diferente no qual me identifico. Foi uma decisão acertada na altura, confiaram em mim e dei o melhor de mim para realizar uma grande temporada.
Foi uma época de grande sacrifício, visto que tínhamos um orçamento baixo e tínhamos como objectivo a manutenção, conseguimos no último jogo, um jogo que nunca irei esquecer.

Ricardo Barros a comemorar mais um golo com as cores do Leixões Sport Clube.

12. Na temporada seguinte, várias propostas surgiram, mas o projeto Cova da Piedade era de facto aliciante. Como tudo aconteceu? Como foi viver a experiência de treinar e jogar com Silas e companhia?

Ricardo Barros: Sim, tive várias propostas, mas o projecto do Cova da Piedade cativou e decidi aceitar. O director desportivo na altura André Dias contactou o meu empresário Nuno Correia e apresentou todas as condições do clube e o projecto em si, decidi arriscar. Foi ótimo, fiz grandes amizades no clube.
Quanto ao Silas, foi uma dessas amizades que ainda mantenho contacto com muita regularidade, já com 40 anos de idade, foi dos jogadores mais talentosos que tive o prazer de jogar, agora como treinador acredito que irá ter muito sucesso porque vive o futebol com muita paixão e inteligência quando assim é o sucesso está mais próximo.

Ricardo Barros com o Grande Silas.

13. Antes do inicio de Março surge uma proposta tentadora, financeiramente falando, para seguires viagem para a Coreia do Sul. Primeira aventura fora do país, como sentes, agora mais distante, que correu essa experiência a nível pessoal/humano dadas as grandes diferenças culturais?

Ricardo Barros: Experiência enriquecedora mas difícil. Culturas completamente diferentes, estilos de vida diferentes, basicamente tudo diferente, não me adaptei e decidi voltar para iniciar a época novamente em Portugal.

Ricardo Barros em foto de apresentação no Gwangju FC da Coreia do Sul.

14. O que teve mais impacto sobre ti? O estilo de vida, a mentalidade, os hábitos, a gastronomia ou os métodos de treino?

Ricardo Barros: Todas tiveram o seu impacto visto que difere bastante para o nosso país, lógico que, por exemplo, a gastronomia é mesmo muito diferente. Tinha amigos que não tinham problema nenhum em comer uma malagueta grande à dentada, isso fazia parte da refeição.
Estilo de vida difere um pouco de Portugal, começam o dia mais cedo e por volta das 18h jantam, 22h já anda pouca gente na rua. Mentalidade rigorosa e exigente.
Quanto aos métodos de treino era parecidos com os de Portugal.

Ricardo Barros na Coreia do Sul.

15. Regressando ao futebol propriamente dito, chegas em Março, jogas os únicos 56 minutos na segunda jornada do campeonato, és suplente não utilizado na terceira jornada e mais tarde vem a lesão. Não correu de facto bem, a nível futebolístico, a experiência no Gwangju FC, certo Ricardo?

Ricardo Barros: Sim, não correu bem, e depois lesionei-me. Não me adaptei ao país e quando assim é o melhor é mesmo regressar a “casa”.

16. E assim foi, regressas a uma casa onde tinhas sido feliz, ao Estádio do Mar. No entanto, mais uma lesão, esta mais grave, impede-te de brilhar ainda mais. Uma lesão que te tornou mais forte para enfrentares esta nova temporada ao serviço dos Bébés do Mar?

Ricardo Barros: Sim, regresso para a casa onde fui mais feliz e onde me sinto bem. Comecei o campeonato muito bem, com 3 golos em 4 jogos e tenho uma lesão grave que me leva ao bloco operatório. Ultrapassada essa barreira, sinto-me bem fisicamente e estou pronto para fazer uma grande temporada e ajudar a equipa.

Ricardo Barros – Leixões Sport Clube.

17. Com o plantel renovado e reforçado, quais são as expetativas coletivas e individuais para esta nova época no Leixões?

Ricardo Barros: As expetativas colectivas passam por ganhar cada jogo que disputamos, se assim for estamos mais perto do sucesso. Em termos individuais é trabalhar todos os dias para melhorar e a cada jogo que disputar dar o melhor de mim para ajudar a equipa.

18. Com o futebol em constante mutação os pontas de lança, para além dos “10 clássicos”, são os que mais têm sofrido. Concordas com isso?

Ricardo Barros: Sim, concordo com isso, porque, em Portugal, existem cada vez menos pontas de lança puros e isso depois espelha-se na seleção, que tem sempre grande dificuldade em utilizar um ponta de lança com alguma consistência.
O clássico número 10 é uma discussão que tenho várias vezes porque sou um defensor nato. Passo a explicar, quando tens um jogador que transborda magia só tens que lhe dar liberdade para que possa colocar isso em campo e te ajude nos objectivos. Logicamente que podes moldar e corrigir um jogador desses, mas agora estamos tão fixados nas tácticas padrão que acabamos por limitar esses jogadores.

19. Sentes que as tuas caraterísticas de força, combatividade e constante apoio à construção de jogo da tua equipa são pouco valorizadas pelo comum dos adeptos, que acabam, somente ou maioritariamente, por valorizar o golo?

Ricardo Barros: Depende, tudo é uma questão de visão. Porque se gostas dessas características vais valorizar se preferes um jogador que faça um finta mesmo que essa finta não dê objectividade nenhuma não vais gostar dessas tais que referiste.
Mas, logicamente, que o golo modifica tudo, se os fazes está tudo bem se não começa a criar-se uma desconfiança. O futebol é mesmo assim, tens que aprender a viver com isso, senão tens que escolher outra posição. 

20. Concordas com a velha máxima que diz: “O importante não é estar na área, mas sim, surgir na mesma no momento certo”?

Ricardo Barros: Não, penso que se estás bem posicionado estás mais perto do golo e, maioritariamente, os golos são feitos na área. Depois existem as fases. Por vezes parece que a bola vai ter contigo, noutra fase ela anda sempre a “fugir”. É aí que tens que a procurar mais. Também está muito relacionado a questões confiança.

Perguntas de resposta rápida:

1. Melhor/es Momento/s Desportivo?

Ainda está para vir.

2. Ídolo /Jogador referência?

A Minha Mãe/Zlatan.

Zlatan Ibrahimovic

3. Melhor jogador com quem jogaste?

Podia dizer alguns que já terminaram a carreira, mas vou dizer um nome de um talento puro que pode vir a jogar em grandes clubes, Dieguinho (Cova da Piedade).

4. Jogador que mais dificuldades te causou?

Joguei contra vários bons centrais, mas não consigo destacar um que acho que me tenha assustado.

5. Melhor Treinador?

Todos me ajudaram a evoluir.

6. Melhor Golo?

Feirense vs Leixões 15/16.

7. Melhor Assistência?

Leixões vs Benfica B 15/16.

8. Filme Favorito?

Amigos Improváveis.

9. Série Favorita?

Prison Break.

10. Música Favorita?

U2 – With or Without You.

11. Algo que não dispensas diariamente?

Família e Amigos.

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Fri, 06 Apr 2018 11:02:00
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LIVERPOOL - SERÁ CAOS OU ORGANIZAÇÃO?

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SERÁ QUE CONSEGUIR ORGANIZAR UMA EQUIPA COMO A DO LIVERPOOL DÁ MUITO TRABALHO, OU É PURA SORTE?


Muito ou pouco se falou do jogo entre o Liverpool e o Manchester City. Duas concepções de jogo e duas ideias de jogo bem diferentes. Para o caso não interessa estarmos a falar sobre essas diferenças. O que me interessa, tem a ver com a definição que muitos dão aos conceitos de ambos os treinadores.  
Do lado do City é a inteligencia, a paciência que predomina. Do outro lado o jogo é caracterizado como sendo intenso e caótico.
Como me interesso muito por futebol e conheço ligeiramente a equipa de Kloop, fui ao dicionário ver o que significa a palavra caos.


O que é o Caos:


Caos significa desordem, confusão e tudo aquilo que está em desequilíbrio

Teoria do Caos:
Trata-se do princípio que afirma que uma pequena alteração ou mudança no início de um evento, no decorrer deste processo, transforma-se em consequências desproporcionais e imprevisíveis.

Posto isto a minha intervenção vem no sentido de esclarecer que para mim a equipa do Liverpool é tudo menos desorganizada, confusa e desequilibrada. 
É uma equipa que defensivamente se organiza de forma zonal e pressionante. Quando não tem a bola procura de imediato recuperá-la subindo as suas linhas de pressão com coberturas permanentes e mantendo a equipa o mais compacta possível. 
A sua linha de 4, encurta quando a equipa pressiona no meio campo adversário  mantendo as distâncias entre os sectores reduzida. Jogam sempre em função da posição da bola e dos companheiros. 

Ofensivamente e nas transições opta na grande maioria das vezes por acções onde a velocidade de deslocamento dos jogadores é alta o que pressupõe à partida um maior acumular de erros, mas tal não significa que a equipa não sabe o que faz e que não coloca em campo todo um manancial de conceitos tácticos que são treinados. 

Podemos discutir conceitos e até dizer que gosto mais de um do que de outro, mas futebol é arte, é cultura e como arte e cultura que é assenta muito da sua beleza na diversidade daqueles que a praticam e na diversidade das ideias de jogo daqueles que comandam as equipas. Dizer-se que um treinador e uma equipa "respeitam" o jogo e que um outro já não o faz, só porque não joga dentro dos nossos padrões parece-me uma ideia muito redutora.

Ficam aqui alguns exemplos do que atrás referi:






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