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Tue, 10 Oct 2017 20:29:14
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McEachran. O condutor do sonho inglês.

A geração do novo século faz sonhar todo um povo que em Inglaterra anseia pelo regresso aos triunfos internacionais da selecção dos três leões.

Enquanto todas as atenções estão centradas nos fantásticos Phil Foden, Jadon Sancho e Angel Gomes, há um miúdo frazino no meio campo que encanta ainda bastante mais todos quanto os que lhe entendem o jogo. George McEachran não é muito potente fisicamente, não é forte, nem tão pouco alto. Fisicamente tem um perfil que até à tão pouco era desdenhado no país que inventou o futebol.

Tem porém tudo o que mais importa para ter impacto no jogo. Um binómio qualidade de decisões / capacidade técnica que impressiona, e faz toda a sua equipa girar ao seu redor, e jogar! Dos seus pés e decisões saem bolas sem fim para dentro da estrutura adversária, progride quando há espaço, atrai, liga de forma vertical, e mesmo quando o espaço escasseia, tem sempre ideias ofensivas. A facilidade com que coloca os colegas em posição de poder criar perigo tornam-o uma das maiores promessas mundiais entre os jogadores que ligam todo o jogo ofensivo.

Não houve top de maiores promessas no Mundial sub 17 que contemplasse a presença de McEachran. O tempo provará o erro.

 

George McEachran from Videos para “Lateral esquerdo” on Vimeo.

Sun, 25 Oct 2020 23:52:15
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Pressão e intensidade: as ações que deram o tom do empate

Pressão e intensidade: as ações que deram o tom do empate

Um jogaço no Beira-Rio. Internacional e Flamengo justificaram a briga acirrada pela liderança do Brasileirão. Quatro gols, dez cartões amarelos, bolas na trave e equilíbrio que reflete a tabela. Os cariocas buscaram o empate por 2 a 2 já nos acréscimos, e os gaúchos seguem em primeiro pelos critérios de desempate. Abel Hernández e Galhardo fizeram para o Colorado, Pedro e Everton Ribeiro igualaram. 

Inicialmente Inter gera sua costumeira pressão na saída de bola adversária, com um bloco de marcação alto, na tentativa de induzir o Flamengo a realizar lançamentos longos e recuperar a segunda bola e apostar em transições pelo corredor direito de ataque, tendo Heitor como catalisador de cruzamentos para o aproveitamento em finalização de Thiago Galhardo e Abel Hernandez. 

Com esta ação o time colorado conseguiu abrir o placar já nos minutos iniciais, com Patrick ao pressionar Isla, recuperando a posse e com um cruzamento rasteiro encontra Abel em infiltração para finalizar. 

O contra veneno do Flamengo foi utilizar a mesma ação contra a saída de jogo colorada e dificultar a saída adversária. Desta forma gerou a mesma pressão e empatou a partida logo após sofrer o gol, pelos pés de Pedro, um dos destaques do time rubro-negro. 

A partida então se desenhou com o Flamengo com maior posse, ao realizar maiores situações de quebra dos encaixes de marcação do Inter, principalmente com a mobilidade de Vitinho e Everton Ribeiro, que transformaram o lado direito como setor forte de construção de jogo.  
Já Vitinho encontrava espaços à frente da área pelos espaços que Rodrigo Lindoso cedia ao gerar coberturas, mas mesmo ao ceder espaços ao adversário Inter não abdicou de gerar pressão alta na saída, sendo coordenada por Patrick, que é o jogador que melhor demonstra a ideia de jogo de Eduardo Coudet dentro de campo. Assim o Inter ampliou o placar, com falha de Gustavo Henrique, aproveitada por Thiago Galhardo. 

Grande trabalho do Inter sem bola diante do Flamengo. Pressão e intensidade como soluções para atacar. Finalizou 8 vezes mesmo com só 33% de posse, tendo Patrick com 10 ações sem bola bem sucedidas. Uma máquina de fazer pressão. Flamengo distante do seu melhor jogo, na primeira etapa. 

Além da pressão, Inter conseguia gerar quebra de marcação da linha defensiva do Flamengo, com as movimentações da dupla de atacantes Thiago Galhardo e Abel Hernandez, que demonstrava muita convergência de movimentos, mudança de funções ofensivas, ao desestabilizar seus marcadores, na busca por gerar espaços para a chegada dos companheiros da linha de três meias. 

Inter mantém o 4-1-3-2 de sempre, com Marcos Guilherme ao lado de Edenilson e Patrick, atrás de Abel-Galhardo. Dome apostou em Gerson na esquerda, com Vitinho por dentro atrás de Pedro. Éverton Ribeiro completa a linha de armadores do 4-2-3-1. 

No início da segunda etapa, Dome mudou na volta do intervalo, ao posicionar Gerson pelo meio junto a Arão e Thiago Maia, por dentro, de frente pro jogo. Vitinho ficou com a missão de abrir o campo agora, pelo lado esquerdo. Com a mudança o Flamengo se postou mais avançado, ao ocupar a zona da entrelinha com mais jogadores, sendo mais agressivo no ataque. Já o Inter realizou uma marcação de bloco médio, com algumas perseguições na saída. Mesmo com um cuidado maior ao fechar espaços, voltou a ceder zonas de progressão no entrelinhas, muito bem exploradas pelo Flamengo, principalmente por Pedro, que descia para o setor e desestabilizava a linha de marcação dos centrais, gerava apoios aos companheiros e também buscava realizar pivôs com ótima qualidade no domínio. 

Ao perceber estas questões Coudet colocou em campo Rodrigo Dourado, para aumentar a proteção à frente da área e Andrés D’Alessandro na tentativa de reter mais a posse de bola em campo ofensivo, mas pouco foi efetivo em realizar a ação. Tendo ainda dificuldades em conter o Flamengo, Coudet lançou em campo Damian Musto, no lugar do volante Rodrigo Lindoso, para continuar com a proteção a frente da área com dois médios defensivos, Moisés no lugar de Uendel cansado e William Pottker como opção de saída em velocidade de contra-golpes.

Com as alterações realizadas pelo mandante, Dome buscou aumentar o poderio ofensivo com as entradas de Lincoln e Michael. Assim o Flamengo foi mais agressivo pelos corredores e em com um cruzamento de Gerson da intermediária, que encontrou Everton Ribeiro em infiltração para marcar o gol de empate que selou o placar de um espetacular duelo no estádio Beira-Rio.

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Tue, 20 Oct 2020 09:24:02
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Covid e os desportos coletivos

Estamos a viver uma época histórica para toda a nova geração de crianças e adolescentes.

A pandemia declarada veio pôr a nu muitas das fragilidades já conhecidas, quer a nível político, social e de saúde.

As constantes indecisões e contradições políticas sobressaem com o desespero de muitas famílias e o setor empresarial.

São famílias inteiras remetidas para o desemprego, são entidades patronais a terem de fechar a porta e são, acima de tudo, restringidas muitas liberdades, nomeadamente para quem não aceita as indicações controversas, já que muitas são baseadas em contraditórios científicos.

Tivemos um confinamento aceitável por não se conhecer os efeitos na saúde e as suas consequências, mas houve muito tempo para se delinear e tomar medidas mais assertivas.

O medo foi implantado e incrementado pela comunicação social e pelos próprios estados de cada país, não sabendo se a necessidade era por razões cívicas ou apenas para atormentar as sociedades, por imposições economicistas.

Mas com o tempo e após imensos estudos, muitos deles já existentes, veio a verificar-se que os efeitos não são bem o que nos tentam impingir. É verdade que o vírus existe, tal como muitos outros vírus que também matam e em maior número confirmado. Mas o perigo, segundo as autoridades, continua a ser a propagação.

É aqui que entra o constante contraditório das normas e recomendações das entidades e dos profissionais que estudam e têm conhecimento de causa.

E onde entra o futebol de formação e todas as outras atividades coletivas?

Se as crianças têm de estar na escola, o qual concordo em absoluto, porquê raio têm de usar a máscara se não a sabem usar? Não por haver falta de indicações, mas apenas porque são crianças.

Não estaremos a criar outro tipo de problemas de saúde física e mental a essas crianças? Os entendidos dizem que sim, mas os governos não discutem os estudos e os conhecimentos existentes.

Se a indicação é usar, então que se use, mesmo discordando, mas por favor, sejam abertos ao desporto coletivo, simplificando as regras e não atribuindo as responsabilidades aos pais. Desse modo estamos a fazer com que as pessoas sintam medo, pelos constantes bombardeamentos de informação e contrainformação, levando a que esses pais não se sintam seguros por terem os seus filhos a praticarem desporto.

Deixem o desporto coletivo combater o vírus com a imunidade do atleta e ao mesmo tempo ajudar na imunidade da sociedade.

Se as consequências para as crianças são fracas ou nulas, salvo situações de saúde próprias, não faz sentido as crianças terem a oportunidade de esquecerem os problemas da sociedade, reforçando o seu sistema imunitário e mental ao praticar desporto, serem coibidas de o fazer apenas porque a sociedade, mais uma vez, quer resolver problemas com outros problemas.

Façam um estudo sobre a vontade e necessidade dessas crianças quererem praticar desporto coletivo e irão chegar à conclusão que todas querem exceto as que são “aterrorizadas” em casa e pela sociedade em geral.

Claro que se devem ter cuidados. Claro que as crianças devem estar um pouco mais distanciadas dos avós. Mas se já andam na escola já não têm de o fazer? Então, não as vamos privar da distração, do companheirismo, da superação, da sua felicidade. Privá-las do desporto coletivo é ir contra os direitos fundamentais da criança.

Já não se trata de manter os clubes por falta de recursos, mas sim da saúde das nossas crianças.

Wed, 09 Sep 2020 16:36:00
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A frustração no desenvolvimento dos atletas

 

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Quantos de nós já presenciaram atletas que num momento de frustração querem desistir? E aqueles atletas que querem fugir para outros contextos de sucesso? Na minha opinião, no futebol como na vida, qualquer atleta inevitavelmente é exposto a este tipo de sentimento e isso pode ser importante para o seu crescimento.



A frustração é algo negativo?

A frustração pode ser um obstáculo significativo para alcançar os objetivos desportivos. Muitos atletas, na formação e/ou profissionais, já experienciaram esse sentimento de frustração quando consecutivamente não se é capaz de obter um pretendido desempenho (físico, técnico, ou tático em contexto competitivo). Pessoalmente, prefiro atletas que se sintam frustrados do que atletas que se sintam indiferentes com o seu rendimento ou desempenho. Obviamente que cabe ao treinador ajudar os atletas a lidar com esse possível insucesso para não os deixar cair numa cadeia emocional negativa.

Existem também alguns clubes que apostam no trabalho dos escalões da formação que habitualmente lidam com algum insucesso (refira-se aqui insucesso como a derrota, embora saibamos que na formação pode não ser este o fator mais importante e não é apenas isso que conta) colocando os jogadores a competir no escalão acima para, por exemplo, criar um contexto de dificuldade e possível frustração para que no futuro, quando chegarem ao futebol sénior, estejam mais preparados para lidarem com isso. Além das dificuldades dentro do campo, os clubes fazem passar esses atletas por serem suplentes e até a ficarem fora dos convocados vários jogos, para também se preparem quando isso acontecer no futebol sénior. Atletas que são formados apenas em contextos de sucesso não estão preparados para o futuro e quando acontecerem as primeiras dificuldades irão preferir abandonar ou procurar outro contexto facilitador onde possam ter mais sucesso.



Como se pode ajudar os atletas?

Em idades jovens o papel dos pais parece-me ser fundamental. Os pais deverão ser positivos e ajudarem na procura de soluções quando os filhos ficarem frustrados e assim os jovens atletas provavelmente adotarão essa abordagem para a frustração. A formação, num todo, deve ajudar e explicar ao atleta que nos momentos de sucesso e de vitórias não está sempre tudo bem e nas derrotas ou em outros insucessos não está sempre tudo mal.

O treinador também tem um papel importante pois, a maneira como reagem à frustração dos seus jovens atletas também afetará a forma como eles aprendem a lidar com sua desilusão. Se os treinadores ficarem impacientes, a frustração dos atletas pode aumentar e transformar-se em raiva e desespero, impedindo ainda mais os jovens atletas de resolver os seus problemas. Se os treinadores responderem à frustração questionando o porquê de estarem insatisfeitos e discutindo como podem ajudá-los a lidar com isso, então os jovens atletas são mais propensos a acalmar e seguir o exemplo dos treinadores na procura de soluções.

É fundamental que os jovens atletas trabalhem com objetivos individuais e coletivos, estabelecendo metas e fazendo constantes reavaliação das situações. O foco não pode ser apenas a vitória, mas sim essas metas.

“Não deixes que as frustrações te dominem, domina-as! Faz dos erros uma oportunidade para crescer. Na vida, erra quem não sabe lidar com os seus fracassos.”


Rui Gomes
Thu, 15 Nov 2018 12:25:51
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Fair Play e a formação esportiva

Fair Play e a formação esportiva

Respeito, ética, empatia e reciprocidade acima de tudo no esporte.

O Esporte é uma ferramenta que influencia o comportamento humano. A emoção causada por ele influencia diretamente na capacidade emocional e intelectual dos envolvidos, atuando no comportamento e postura dos seres humanos. Isso acontece porque o esporte é um fenômeno que mexe com razão e emoção de uma forma intensa. Uma forma encontrada para balancear isso foi adoção do Fair play no esporte.

O ‘Fair play’ é uma filosofia adotada no meio esportivo que está diretamente vinculada à ética no jogo. É o jogar limpo, jogar justo, ter espírito esportivo.

O objetivo é estimular que os praticantes joguem sem violência, de maneira justa, sem prejudicar intencionalmente seus adversários e, não menos importante, dentro das regras da competição desportiva.

A expressão vem desde os Jogos Olímpicos de 1896, quando o Barão Pierre de Coubertin disse a seguinte expressão:

 “Não pode haver jogo sem fair play. O principal objetivo da vida não é a vitória, mas a luta”

Essa expressão valoriza o jogo limpo, o respeito, a empatia e a reciprocidade a seus adversários, mostrando que eles também são parte importante do jogo em si assim como você. Ela ainda transmite a ideia de que você precisa se empenhar e competir conforme as regras, ou será desclassificado. Hoje em dia inclusive é comum ver esse espírito de Fair Play sendo difundido pela sociedade em geral, como uma forma de valorizar ideais universais como um padrão de comportamento ético social e moral, por exemplo.

Só que ao contrário do que muita gente acha, o Fair Play não consta oficialmente nas regras oficiais de nenhum esporte. Nas regras do Futebol escritas pela FIFA por exemplo não há nenhum texto explicitando que, caso um jogador se machuque durante o jogo o adversário precisa colocar a bola para fora para que o jogador machucado seja atendido. O que há é um acordo implícito entre os esportistas, mas que nem sempre acaba sendo respeitado. E aí entramos na discussão sobre o Fair Play: existe mesmo?

GOLEAR OU NÃO NA FORMAÇÃO

 Falta de respeito ou respeito máximo ao adversário? Eis a grande questão.

A ideia de escrever sobre o Fair play aqui surgiu de uma discussão que participei essa semana em um grupo do Facebook que faço parte, o ‘Artigos científicos em Futsal’. Nessa postagem havia uma imagem com um placar de um jogo entre crianças na Alemanha que ficou 86×0 e a pergunta:

“Na sua opinião, faltou respeito (Fair play) ou faz parte do jogo?”

Na minha opinião, não faltou respeito e golear faz parte do jogo.

Defendo o fato de que se pudesse ganhar o jogo de 100, que fosse. Para mim, falta de respeito é parar de fazer gols, mostrando ao adversário que não estamos ganhando de mais porque não queremos. E digo isso com a tranquilidade de quem já goleou e foi goleado. Você menosprezar o seu adversário é a pior das ações que você pode tomar enquanto esportista ou mesmo em sua vida normal.

Mas, nesta discussão, pude ver boas ações e opções tomadas por outros treinadores para valorizar o esforço do adversário. Trocar o time e dar minutos para aqueles que jogam pouco tempo, testar alguns conceitos que você quer ver seu time praticando, deixar o adversário colocar mais jogadores em campo foram algumas citadas e que eu acabei achando válidas. Nós, como formadores que somos, antes de sermos treinadores, temos que ter essa preocupação com a conduta de nossos atletas em situações como essas. Como meu jogador vai se comportar quando estiver ganhando um jogo de goleada? E como ele vai se comportar em uma situação de derrota por goleada?

Se eu somente valorizo a vitória, como vou cobrar dos meus atletas que eles saibam se comportar quando estiverem perdendo?

Tentei procurar informações sobre o jogo na Alemanha e o máximo que encontrei foi uma nota publicada no site Freie Pesse, dizendo que o time derrotado fez tudo errado na defesa e que não conseguiu jogar, enquanto seus adversários acertaram tudo. Foram 40 gols no primeiro tempo e 46 gols marcados no segundo tempo.

Diante desse fato, fica o questionamento: será que ao invés de respeito ou falta de respeito, eu não posso ter sofrido uma goleada pelo fato do meu time estar em um dia extremamente ruim?

GOLEAR, SER GOLEADO FAZ PARTE DO JOGO.

O que não é negociável é o Fair play. E nunca vai ser.

86×0 nem é a maior goleada do futebol mundial.

A maior goleada do futebol mundial aconteceu em 2002, em jogo válido pelo campeonato nacional de Madagascar, na África: 149×0 para o Adena sobre o Olympique L’Emyrne. Entretanto, esse jogo não é reconhecido oficialmente pela FIFA, já que os jogadores do Olympique fizeram vários gols contras em protesto por sucessivos erros de arbitragem contra a equipe. A FIFA, mesmo não tendo o Fair play escrito nas regras oficiais do Futebol, promove o comportamento ético desde a Copa de 1986, após o gol de mão de Maradona contra a Inglaterra. A entidade, desde 1997, organiza uma semana de seu calendário internacional junto das Confederações com atividades que realcem a importância do Fair play dentro e fora de campo.

No caso do Futsal, a maior goleada que se tem registro é de uma vitória do Brasil sobre o Timor Leste por 76×0. A partida foi válida pelos Jogos da Lusofonia e Timor Leste já havia perdido para Portugal por 56×0 antes no mesmo torneio. Entretanto, lendo notícias sobre o jogo, não há relatos de agressões por parte dos jogadores de Timor Leste, mesmo com o placar. Há relatos de reconhecimento da superioridade técnica dos jogadores brasileiros e elogios quanto a postura dos mesmos, sem menosprezá-los em nenhum momento.

Em outro episódio envolvendo goleadas, talvez a mais famosa em tempos mais recentes, os 7×1 da Alemanha sobre o Brasil na semifinal da Copa do Mundo do Brasil em 2014, o capitão alemão Philip Lahm, disse na época:

“No intervalo, nós conversamos sobre continuar jogando apropriadamente e mostrando respeito. Todo mundo no time tomou aquela atitude no segundo tempo. Nós não queríamos nos exibir ou ridicularizar os adversários. Se acabou com uma vantagem maior, não era tudo o que queríamos. Nosso objetivo era mostrar respeito aos nossos rivais e aos fãs”

No intervalo a Alemanha já ganhava do Brasil por 5×0. E, mesmo com os alemães não acreditando no que estava acontecendo, eles optaram por manter a postura profissional e seguir jogando em respeito à Seleção brasileira e acabaram aplicando a maior goleada sofrida pelo Brasil em sua história.

E novamente em nenhum momento vimos qualquer ato de violência ou desrespeito entre as equipes. Tanto a Alemanha como o Brasil seguiram jogando de forma limpa até o fim e no final venceu a melhor equipe.

Isso só reforça o quanto o respeito e a empatia ao seu adversário devem ser sempre valorizados independente de qualquer vitória ou derrota. E reforça ainda mais o que nós, formadores, devemos trabalhar o Fair play sim na formação com nossos atletas. A nossa postura em quadra ou campo diz e reflete muito em quem somos fora dela também, independente da faixa etária.

O Fair play é o código de ética implícito do esporte que pode ser totalmente adaptado para a nossa sociedade. Seus valores podem e devem ser trabalhados à exaustão com nossos atletas durante o seu processo formativo pois a influência dos mesmos ocorrerá tanto na vida esportiva quando no pessoal. Sem o Fair play, o esporte perde a sua alegria e ações de caráter duvidoso passarão a dominar as ações, podendo causa o fim do fenômeno esportivo no mundo. Assim, o trabalho dos valores éticos e morais do esporte devem ser defendidos por todas as pessoas envolvidas nele.

Se você apresentar o devido respeito ao adversário, jogando de maneira ética, limpa, correta, valorizando o esforço dele, o placar do jogo será algo sempre secundário.

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Fri, 06 Apr 2018 11:02:00
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LIVERPOOL - SERÁ CAOS OU ORGANIZAÇÃO?

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SERÁ QUE CONSEGUIR ORGANIZAR UMA EQUIPA COMO A DO LIVERPOOL DÁ MUITO TRABALHO, OU É PURA SORTE?


Muito ou pouco se falou do jogo entre o Liverpool e o Manchester City. Duas concepções de jogo e duas ideias de jogo bem diferentes. Para o caso não interessa estarmos a falar sobre essas diferenças. O que me interessa, tem a ver com a definição que muitos dão aos conceitos de ambos os treinadores.  
Do lado do City é a inteligencia, a paciência que predomina. Do outro lado o jogo é caracterizado como sendo intenso e caótico.
Como me interesso muito por futebol e conheço ligeiramente a equipa de Kloop, fui ao dicionário ver o que significa a palavra caos.


O que é o Caos:


Caos significa desordem, confusão e tudo aquilo que está em desequilíbrio

Teoria do Caos:
Trata-se do princípio que afirma que uma pequena alteração ou mudança no início de um evento, no decorrer deste processo, transforma-se em consequências desproporcionais e imprevisíveis.

Posto isto a minha intervenção vem no sentido de esclarecer que para mim a equipa do Liverpool é tudo menos desorganizada, confusa e desequilibrada. 
É uma equipa que defensivamente se organiza de forma zonal e pressionante. Quando não tem a bola procura de imediato recuperá-la subindo as suas linhas de pressão com coberturas permanentes e mantendo a equipa o mais compacta possível. 
A sua linha de 4, encurta quando a equipa pressiona no meio campo adversário  mantendo as distâncias entre os sectores reduzida. Jogam sempre em função da posição da bola e dos companheiros. 

Ofensivamente e nas transições opta na grande maioria das vezes por acções onde a velocidade de deslocamento dos jogadores é alta o que pressupõe à partida um maior acumular de erros, mas tal não significa que a equipa não sabe o que faz e que não coloca em campo todo um manancial de conceitos tácticos que são treinados. 

Podemos discutir conceitos e até dizer que gosto mais de um do que de outro, mas futebol é arte, é cultura e como arte e cultura que é assenta muito da sua beleza na diversidade daqueles que a praticam e na diversidade das ideias de jogo daqueles que comandam as equipas. Dizer-se que um treinador e uma equipa "respeitam" o jogo e que um outro já não o faz, só porque não joga dentro dos nossos padrões parece-me uma ideia muito redutora.

Ficam aqui alguns exemplos do que atrás referi:






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