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Tue, 10 Oct 2017 20:29:14
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McEachran. O condutor do sonho inglês.

A geração do novo século faz sonhar todo um povo que em Inglaterra anseia pelo regresso aos triunfos internacionais da selecção dos três leões.

Enquanto todas as atenções estão centradas nos fantásticos Phil Foden, Jadon Sancho e Angel Gomes, há um miúdo frazino no meio campo que encanta ainda bastante mais todos quanto os que lhe entendem o jogo. George McEachran não é muito potente fisicamente, não é forte, nem tão pouco alto. Fisicamente tem um perfil que até à tão pouco era desdenhado no país que inventou o futebol.

Tem porém tudo o que mais importa para ter impacto no jogo. Um binómio qualidade de decisões / capacidade técnica que impressiona, e faz toda a sua equipa girar ao seu redor, e jogar! Dos seus pés e decisões saem bolas sem fim para dentro da estrutura adversária, progride quando há espaço, atrai, liga de forma vertical, e mesmo quando o espaço escasseia, tem sempre ideias ofensivas. A facilidade com que coloca os colegas em posição de poder criar perigo tornam-o uma das maiores promessas mundiais entre os jogadores que ligam todo o jogo ofensivo.

Não houve top de maiores promessas no Mundial sub 17 que contemplasse a presença de McEachran. O tempo provará o erro.

 

George McEachran from Videos para “Lateral esquerdo” on Vimeo.

Wed, 03 Jun 2020 11:00:00
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Posse De Bola & Eficácia Ofensiva | Análise feita à 24ª Jornada – Liga NOS 2019/2020

A posse de bola no futebol é um indicador de desempenho bastante discutível no seu sentido prático. O futebol moderno trouxe vários exemplos de equipas que traduzem a mesma nas mais diversas formas atacar.

É consensual que o seguimento que cada equipa dá a uma posse de bola é diferenciado, pois nem todas jogam de igual forma. Contudo, é comum associar a posse de bola como um indicador base para justificar resultados ou sugerir que uma equipa obteve um melhor desempenho do que a outra. Esta posse de bola é apenas um indicador de performance, entre tantos outros, que deve ser contextualizado de igual forma. No fundo deste conceito está a valorização da mesma e seu significado, ou, neste caso a sua eficácia. Não irá adiantar muito a manutenção da posse de bola em meio campo defensivo e com um resultado negativo no jogo.

A evolução do futebol aponta para uma constante adaptação na estratégia e formas de jogar, o que permite, consoante o momento, valorizar de forma diferente a posse de bola. Mas nem todas as equipas dispõe das mesmas armas, e, neste sentido, umas preferem dar a posse de bola ao adversário e depois contra-atacar, esperando que o adversário se desorganize. Outras optam por desenvolver um ataque rápido, independentemente da organização do mesmo, preferem não ter muito tempo a bola, e procuram essencialmente a eficácia no processo. Por fim, existem equipas em que a posse de bola é um fator primordial no jogo, e que, a partir deste ponto, pensam mais no jogo e na forma de chegar ao sucesso. A valorização da posse de bola para determinado tipo de equipas até poderá ser feita com o intuito de desmontar a estrutura do adversário, obrigando o mesmo a pressionar em espaços estratégicos.

Após abordar o tema da posse de bola e as implicações práticas da mesma quanto às várias formas de jogar para cada equipa, iremos partir para uma análise e contextualização da posse de bola referente às equipas da Liga Portuguesa. Os dados apresentados de seguida foram retirados da plataforma Instat.

Posse de bola por jogo

No seguinte ranking da posse de bola (tabela 1), é possível verificar que entre o primeiro classificado e o último, a diferença para o tempo de posse é de 10 segundos, o suficiente para uma equipa obter vantagem através da desorganização do adversário, ou, por outro lado, o tempo necessário para pensar e encontrar a fragilidade do adversário (equipas de topo).

Entre o top-3 das equipas com mais tempo de posse de bola, os valores diferem muito pouco, com a equipa do Sporting Clube de Portugal a liderar o ranking do tempo de posse de bola. Abordando este ponto pelo aspeto defensivo, as equipas mais pequenas geralmente assumem um bloco baixo contra as equipas grandes. Podemos constatar atualmente que o nosso futebol (liga Portuguesa) apresenta uma evolução no sentido em que existem mais equipas a procurar jogar de igual para igual, não necessariamente pelo bloco defensivo, mas pela capacidade de manter a posse de bola com um objetivo. Partindo do princípio que existem adversários a jogar com blocos mais baixos, algum do tempo de posse de bola poderá ter sido consentido à equipa do Sporting. As equipas que não têm capacidade para pressionar em zonas altas do campo não vão arriscar a deixar tanto espaço nas costas da defesa, “oferecendo” desta forma o tempo e espaço ao adversário para ter a bola em primeira fase (meio campo defensivo).

Desta forma, nas últimas 3 jornadas do campeonato, a equipa do Sporting obteve 83% de posse de bola na 24ª jornada, a jogar em superioridade numérica contra o Clube Desportivo das Aves (último classificado). Na 23ª jornada, obteve 65% de posse de bola, contra a equipa do Futebol Clube de Famalicão (sexto classificado) e, finalmente, a 22ª jornada, contra a equipa do Boavista Futebol clube (oitavo classificado) com 63% de posse de bola. Tendo em conta a constatação anterior, estes dados podem bem cruzar com formas de jogar, posicionamentos baixos e/ou mesmo necessidades momentâneas dos adversários. Uma abordagem diferente poderá ser feita em relação ao aspeto ofensivo, pois verificamos nas situações de posse de bola até 5 segundos, que quanto mais baixo descemos no ranking, mais ocasiões temos. Este dado sugere, de algum modo, a necessidade da maioria das equipas em atacar rapidamente. A diferença já não é tão acentuada no desenvolvimento dos ataques entre 5 a 15 segundos. Daqui para frente, quanto mais duração de ataque, menos ocasiões, separando-se assim, as ditas equipas grandes, para as restantes. A equipa do Rio Ave Futebol Clube, uma agradável surpresa, confirma a referência anterior, quando falamos na evolução do futebol em Portugal, pois consegue estar no topo das equipas que mantêm a posse de bola por mais tempo.

A equipa do Sport Lisboa e Benfica surge no 2º lugar neste ranking, apresentando menos posse de bola, consegue ser mais eficaz ao concretizar 52 golos (mais 15 golos do que o líder do ranking). No 3º lugar do ranking, a equipa do Futebol Clube do Porto, é a que tem maior percentagem média de posse de bola por jogo, mas das equipas em que houve menos quantidade de posses de bola. É também das equipas do topo da tabela classificativa da liga Portuguesa que tem mais ataques até 5 segundos de duração, concretizando 50 golos (mais 13 golos do que o líder do ranking). Novamente, com menos tempo para desenvolver o ataque, consegue ser mais eficaz.

Posse de bola em meio campo ofensivo

No seguinte ranking de posse de bola (tabela 2), temos o número de entradas para cada equipa em setor ofensivo.
A equipa do Vitória de Guimarães, 6ª classificado da liga Portuguesa, não sendo a que tem melhor média de ataques por jogo, é a que consegue passar mais tempo em posse de bola no meio campo ofensivo (67%), quarto final de campo (48%) e área do adversário (18%), juntamente com o Porto (esta última). O Vitória de Guimarães, é mais uma equipa em constante evolução quanto aos processos de jogo, e que na presente época participou nas competições Europeias.

Contrariamente ao que vimos na tabela anterior, neste ranking, a equipa do Sporting apresenta-se em último lugar, como a equipa com menos ataques, o que significa que apesar de mais tempo de posse de bola (valores da tabela anterior), é uma equipa que, consoante estes dados, sugere a valorização da mesma com menos objetividade. É apenas o 5º classificado do ranking, no que se refere à posse de bola no meio campo e área do adversário e 4º classificado em relação ao quarto final.

Média de ataques por jogo

O Sporting Clube de Braga é a equipa que lidera o ranking de ataques (tabela 3), no entanto, não significa que também tenha a melhor média de golos. Neste ranking, é a equipa do Benfica que traduz o melhor aproveitamento em relação ao número de ataques, embora estando apenas posicionado em 4º lugar, consegue ser a mais eficaz.

Em relação ao número de ataques, podemos verificar que as equipas com mais eficácia são as que estão presentes também no topo da classificação do campeonato Português à 24ª jornada (Porto – 1ª classificado, Benfica – 2º classificado e Sporting de Braga – 3º classificado).

Em relação ao método de ataque, podemos indicar que nem todas as equipas conseguem jogar em ataque posicional, pois existe uma maior variação em relação ao número médio de ataques através desta forma de jogar. Por outro lado, o mesmo não se sucede no contra-ataque, em que a mesma variação é mínima, sugerindo que a maioria das equipas conseguem, mais facilmente contra-atacar do que realizar um ataque posicional.

A melhor média de golos em ataque posicional é apresentada pela equipa do Sporting de Braga, em conjunto com o Porto. O mesmo já não se sucede em relação ao contra-ataque, pois neste parâmetro, a equipa do Famalicão é a que mais eficácia tem, seguindo-se o Benfica e Vitória de Guimarães.

Se relacionarmos a eficácia das bolas paradas com os restantes métodos, é o segundo que mais eficácia tem em média por jogo. Neste indicador, a equipa do Porto é a que mais eficácia apresenta, seguido de Benfica, Sporting e Moreirense Futebol Clube. Podemos ainda constatar que várias equipas têm mais sucesso nas bolas paradas do que nos restantes métodos, como os casos do Clube Desportivo Santa Clara, Clube Desportivo das Aves, Clube Sport Marítimo, Clube Desportivo de Tondela e Boavista Futebol Clube. Isto significa que este conjunto de equipas podendo ter mais dificuldades em ser eficazes na chegada ao golo através de ataque posicional ou contra-ataque, procuram apostar nas bolas paradas. Neste momento do jogo, realce novamente para o lote de equipas que conseguem ser de algum modo destacadas pelo seu processo de qualidade.

Passes

No ranking de passes (tabela 4), a equipa do Benfica é a que mais ações em média executa por jogo, embora a equipa mais eficaz neste parâmetro seja o Sporting (86%), seguido de Porto (85%) e Benfica (84%). Em termos de precisão no passe ofensivo, a equipa do Sporting é novamente líder (81%), seguida de Benfica e Porto (ambas com 79%).

Se formos a considerar a valorização que cada equipa oferece à manutenção da posse de bola, naturalmente que equipas como o Benfica aparecem no topo. Mas se verificarmos a eficácia em relação aos passes chave, a equipa do Futebol Clube Paços de Ferreira é a que lidera o ranking com 56% de eficácia, seguindo-se a equipa do Vitória de Guimarães (54%), Porto e Moreirense (ambos com 52%). Estes dados conferem o que foi dito no início do artigo: as diferentes equipas podem dar seguimentos diferentes à posse de bola, procurando umas ter a bola mais tempo, com atletas para desequilibrar a qualquer momento, e outras em que, interessa aproveitar o tempo de ataque em curta duração e poucos passes.

Análise individual

Em termos de passes (tabela 5), Wendel (médio do Sporting) é o jogador com mais eficácia na ação (93%), com um total de 1134 ações e uma média 65 passes certos por jogo. Apesar de apresentar uma boa relação entre ação/eficácia, é apenas o 17º do ranking de passes, liderado por Alex Grimaldo (lateral do Benfica), com 1662 ações e uma eficácia de 82%. Estes dados destacam a importância de ambos na etapa de construção das respetivas equipas, o primeiro pelo corredor central e o último corredor esquerdo. Em relação ao passe chave, apesar de Pizzi (médio do Benfica) liderar este ranking, com 88 passes chave em média por jogo, tem apenas uma eficácia de 44%, um pouco distante do melhor jogador neste parâmetro, Acunã (extremo do Sporting), com 67% de eficácia em 45 passes.

Em zonas mais próximas à baliza do adversário, referente a passes dentro da área, temos novamente Pizzi no topo da tabela, embora sem ser o jogador mais eficaz (49% em 247 ações), é Jesús Corona (extremo do Porto) o mais eficaz (55% em 179 ações). Nos cruzamentos, temos Nuno Santos (extremo do Rio Ave) a liderar com 28% de eficácia em 114 ações, perdendo a nível de eficácia neste parâmetro para Ricardo Esgaio (lateral do Sporting de Braga), com 40% de eficácia em 81 ações.

O maior destaque em ataques com golo vai para Pizzi, com uma média de 58% de eficácia. Tem 14 golos marcados (média de 0,60 por jogo) e 8 assistências para golo no campeonato (média de 0,30 por jogo). Na segunda posição deste ranking, da mesma equipa, está Carlos Vinícios (avançado do Benfica), com uma média de 44% de eficácia, conta com 16 golos marcados (média de 1 por jogo) e 5 assistências (média de 0,30 por jogo). Para fechar o top-3, temos Alex Telles (lateral do Porto), com uma média de 42% de eficácia. Este último, conta com 8 golos marcados (média de 0,40 por jogo) e 5 assistências (média de 0,20 por jogo). Estes dados espelham a qualidade a nível individual que as equipas com maior performance dispõe para atingir os melhores resultados.

Análise resumo da eficácia ofensiva à 24ª jornada

Como podemos constatar, existiram vários indicadores de performance apetecíveis de discussão, que de alguma forma conseguem traduzir-se em resultados desportivos, embora uns mais eficazes do que outros (tabela 7).
Assim, podemos concluir que o sucesso não se sucede para a equipa que mais ocasiões dispõe para a manutenção da posse de bola, mas sim na tradução de uma maior eficácia quando a mesma procura um dos objetivos do jogo (marcar golo). Neste caso, o 1º atual classificado da liga Portuguesa, lidera a tabela com menos quantidade de posses de bola, mas com uma maior percentagem de entradas na área do adversário e passes chave. O método de jogo ataque posicional da equipa do Porto e o momento das bolas paradas parecem ser os mais eficazes, numa equipa em que a agressividade está patente, traduz bem a eficácia ofensiva na relação qualidade/quantidade, quer em momentos de jogo, quer em ações.

Em 2º lugar, a equipa do Benfica, parece adotar um estilo de jogo em ataque rápido e contra-ataque (seguindo os dados fornecidos), pois é a equipa que melhor proveito retira através deste último método de jogo. Os números de posses de bola não diferem muito da equipa anterior, tal como a percentagem de entradas na área, embora com uma menor diferença em relação os passes chave. A eficácia das bolas paradas, também aqui bem presente, são efetivadas por jogadores de grande qualidade técnica a nível de execução (como já vimos anteriormente em relação à eficácia do passe), pelo que é bastante previsível este tipo de equipas conseguirem obter golos através deste momento.
Em 3º lugar, a equipa do Sporting de Braga, é a que tem maior número de posses de bola, embora com menos entradas na área do adversário, é através do ataque posicional que retira a maior eficácia para obter golo. Não é das equipas com menos eficácia no contra-ataque, pois neste top classificativo de equipas com probabilidade de serem qualificadas para as competições europeias, é a segunda com maior eficácia. É também a segunda que mais eficácia tem em relação ao passe chave, indicador que ao juntar ambos os métodos patentes nesta equipa, consegue para além de ser moldável, também ser eficaz. Por fim, é nas bolas paradas que a equipa demonstra menos resultados, sendo a pior deste grupo.

Na cauda das equipas com pretensões europeias, a equipa do Sporting é a que menor quantidade de posses de bola tem em média por jogo, pior eficácia a nível do ataque posicional e contra-ataque (este último a par com o Porto). É também a 3ª pior em termos de eficácia nas bolas paradas e passes chave.
Todos estes indicadores de performance originam resultados desportivos, em que, quanto mais objetiva for a posse de bola, maior eficácia terá a equipa.

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Fri, 29 May 2020 12:46:19
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A CONSTRUÇÃO DE UMA CARREIRA DESPORTIVA E ACADÉMICA

Vigésimo Segundo programa do Há conversa no FDF conversamos sobre “A CONSTRUÇÃO DE UMA CARREIRA DESPORTIVA E ACADÉMICA“ temos como convidados duas grandes referencias, no Futebol TARANTINI e no Futsal PEDRO CARY. Numa altura de enormes desafios colocados a todos os intervenientes no futebol e futsal, iremos conversar sobre o percurso desportivo e académico, a conciliação das duas práticas a Carreira Dual, e tudo o que envolve esses percursos e uma segunda formação na preparação do futuro para o pós carreira, a Vida para além da Vida Desportiva. Estão desde já convidados a assistir e a colocar as vossas questões nos comentários. Contamos com Todos, porque Todos fazemos Falta !!! 🌈

E subscreva o canal  do FDF no Youtube

Contamos com a vossa participação online nos próximos programas onde poderão colocar questões aos nossos convidados. #FiquemEmCasa  e participem!

Fri, 22 May 2020 23:00:00
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Treinador de Formação - O Fantástico "Psicólogo Primário"

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Afinal o que é a Competência no Futebol de Formação? Que parâmetros deveriam ser utilizados na avaliação daquilo que deveria ser Competência?  Será que erradamente não atribuímos uma definição pouco concreta do que é ou deveria ser a Competência de um Treinador no Futebol de Formação? Então qual é de facto a missão do Treinador de Formação?!
A colocação da ordem de palavras é importante quando falamos em Desporto, pelo menos na Formação de um Desporto colectivo. 

Competência como condição prévia do sujeito, herdada ou adquirida. É comum definir competência como capacidade de um organismo. Saber respirar, por exemplo, são capacidades herdadas. Nascemos com competência comunicativa, isto é, herdamos a nossa aptidão para a linguagem. Ao mesmo tempo, temos de adquirir competência em uma ou mais línguas pois, essas não são herdadas, mas sim, aprendidas e constituem-se património da nossa cultura e da nossa possibilidade de comunicação.

Nesse caso, competência e desempenho são dimensões diferentes. O caminhar concreto, em uma determinada situação e em função de uma certa necessidade, não é comparável à capacidade de caminhar, independentemente de que o desempenho dessa capacidade esteja ocorrendo ou não, ou seja: ter capacidade de caminhar não é caminhar.

Competência, nesse primeiro sentido significa, muitas vezes, o que se chama de talento, dom ou extrema facilidade para alguma actividade. Há professores cuja competência para ensinar decorre dessa facilidade. É como se fosse uma condição prévia, herdada ou aprendida. Aprendida porque, uma vez que alguém consegue um diploma ou é declarado formado ou habilitado para uma certa função é como se, imediatamente, isso se tornasse um património seu. 
É necessário ter boa matéria prima e é aí que entra um bom Departamento de Recrutamento e cujo trabalho (bom ou mau) nunca pode ser descurado e que pode ter repercussões (positivas ou negativas) que só se sentirão do 5-12 ano. Tendo já jovens talentos, para formar bons jogadores é imperativo essencialmente ter os melhores treinadores, os melhores psicólogos e as melhores infra-estruturas. É tão simples quanto isso, os melhores nas suas respectivas áreas para potenciar a melhor matéria.

Isto aplica-se a qualquer colaborador que possa entrar em contacto com os jovens atletas, mas focando-me agora mais nos treinadores, os atletas precisam de treinadores que para além de competência e profissionalismo, que sejam homens exemplares pois, quer tenham consciência disso ou não, esses treinadores têm nas mãos uma enorme responsabilidade visto que estarão a ter um profundo impacto na formação da personalidade desses jovens, a chamada dimensão humana!



Tendo dito isto, continuo a acreditar que o "Psicólogo Primário" deve ser sempre o treinador, sendo que, esta é uma área em que obviamente alguns treinadores têm maior sensibilidade do que outros e que tem a ver com a própria personalidade dos treinadores pois, há quem tire todos os cursos possíveis sobre Psicologia ou Pedagogia, mas falta-lhes o humanismo ou as competências sociais necessárias para conseguirem compreender os seus “pacientes“.

A medida primária seria a criação de uma estrutura capaz de governar a Formação e Prospecção, uma estrutura que reuniria competências diversas e que tornaria a estrutura mais flexível, moderna e pedagógica, com capacidade de se adaptar às contingências da Formação.

O jogador, o treinador e a equipa. Todos vivem da capacidade de entender a altura para agarrar o momento certo e lançar o futuro.

O jogador nasce erradamente com a noção de que para jogar futebol (e jogar bem, com o reconhecimento do esforço), tem de estar sempre a correr o mais possível. Nada mais errado. O espaço (sua ocupação) e a bola (perceber por onde ela deve andar) é que fazem o jogo, a tal teoria futebolística do que é “jogar bem”. É, em suma, pensar bem o jogo posicional.

O feito do treinador é permitir-lhe descobrir o jogo. Antes era apenas descobrir um... campo de futebol. É muito diferente…

A táctica é a noção dos espaços e a aprendizagem. O instinto tem mais a ver com o momento em que te chega a bola. Há que ler o jogo onde quer que esteja a bola e isso aprende-se. Por exemplo, quando tens dois médios e um vai na pressão, tu dás um passo atrás e fazes a cobertura porque aprendeste, mas, em pleno jogo, isso é instintivo, porque já o fazes desde pequeno. Tens é de saber que depois quando mudas a zona onde jogas, mudas de movimentos. Ou seja, o instinto também se aprende! A liberdade tens de ser tu a dar-te a ti próprio em função de te sentires mais ou menos relaxado segundo estiveres mais acostumado em determinado local do campo. Quanto melhor conheces a posição, mais te atreves no jogo.




Numa entrevista, Guardiola explicou que tinha de escolher entre ter mais um homem na defesa (defesa a 4) ou ter mais um homem no meio-campo (defesa a 3). Entrou com esta segunda ideia (1x3x5x2) mas logo ao fim de 15 minutos com a bola em profundidade tremeu ao ver Thiago deslocado sobre a ala direita (sem se atrever a dar-se liberdade no jogo) e assustou-se com o “três-para-três” da sua linha recuada. Assim, rapidamente reequilibrou-se num 1x4x4x2 que foi mais um 1x4x1x4x1 tal a forma como Muller defendia numa ala e só depois surgia em diagonal no momento ofensivo. Guardiola assumira que tinha solução para tudo menos para parar Messi. É a confissão da insustentável leveza humana. O instinto que decide quando lhe chega a bola, em tese aplicada ao momento em que algo entra no jogo e supera a táctica.

Causa sempre impressão, no entanto, ver um treinador mudar de plano táctico de jogo (sistema) logo aos 15 minutos. Ainda para mais, claro, se ele for Guardiola. Porque neste caso não se trata de elogiar a capacidade da equipa rapidamente se transformar em termos de sistema no decorrer do jogo. Trata-se de um treinador reconhecer que pensou mal o jogo e o que o adversário podia fazer. Muitas vezes, porém, tal passa, muito rapidamente, de controlar o jogo para controlar o ... resultado. Ao não se aperceber dessa linha tão ténue que separa realidades tão diferentes é quando a estratégia se perde como plano pensado e a equipa, em campo, passa apenas a resistir. Mas nem tudo são fintas, defesas desequilibradas e golos. Também há quem veja o jogo, do banco, com o quadro táctico sempre presente. 

Estrutura bem as equipas e dá-lhes um estilo. Uma equipa sem estrelas é uma equipa que “vê-se ao que quer jogar”. Isso é fundamental para ter o mais importante numa equipa dita de nível médio: organização e personalidade.


Ter uma “bela ideia de futebol”. "Caminhar pelo jogo", tem a vantagem de garantir sempre a organização atrás da linha da bola.

Nesta fase debate-se a continuidade de treinadores em face da vontade do clube, isso leva-me a pensar que tal resulta dessa estrutura que entretanto se foi criando (com peças mais articuladas no edifício do futebol), se achar agora já capaz de ser superior ao treinador que ao longo das épocas fez (e refez) sucessivas equipas.
Os treinadores têm, pois, diferentes pesos, impactos e missões em cada clube diferente, e esses pormenores farão toda a diferença. Já os títulos conquistados esses, serão sempre uma consequência dessa mesma Competência e Formação.


Bruno Rodrigues
Thu, 15 Nov 2018 12:25:51
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Fair Play e a formação esportiva

Fair Play e a formação esportiva

Respeito, ética, empatia e reciprocidade acima de tudo no esporte.

O Esporte é uma ferramenta que influencia o comportamento humano. A emoção causada por ele influencia diretamente na capacidade emocional e intelectual dos envolvidos, atuando no comportamento e postura dos seres humanos. Isso acontece porque o esporte é um fenômeno que mexe com razão e emoção de uma forma intensa. Uma forma encontrada para balancear isso foi adoção do Fair play no esporte.

O ‘Fair play’ é uma filosofia adotada no meio esportivo que está diretamente vinculada à ética no jogo. É o jogar limpo, jogar justo, ter espírito esportivo.

O objetivo é estimular que os praticantes joguem sem violência, de maneira justa, sem prejudicar intencionalmente seus adversários e, não menos importante, dentro das regras da competição desportiva.

A expressão vem desde os Jogos Olímpicos de 1896, quando o Barão Pierre de Coubertin disse a seguinte expressão:

 “Não pode haver jogo sem fair play. O principal objetivo da vida não é a vitória, mas a luta”

Essa expressão valoriza o jogo limpo, o respeito, a empatia e a reciprocidade a seus adversários, mostrando que eles também são parte importante do jogo em si assim como você. Ela ainda transmite a ideia de que você precisa se empenhar e competir conforme as regras, ou será desclassificado. Hoje em dia inclusive é comum ver esse espírito de Fair Play sendo difundido pela sociedade em geral, como uma forma de valorizar ideais universais como um padrão de comportamento ético social e moral, por exemplo.

Só que ao contrário do que muita gente acha, o Fair Play não consta oficialmente nas regras oficiais de nenhum esporte. Nas regras do Futebol escritas pela FIFA por exemplo não há nenhum texto explicitando que, caso um jogador se machuque durante o jogo o adversário precisa colocar a bola para fora para que o jogador machucado seja atendido. O que há é um acordo implícito entre os esportistas, mas que nem sempre acaba sendo respeitado. E aí entramos na discussão sobre o Fair Play: existe mesmo?

GOLEAR OU NÃO NA FORMAÇÃO

 Falta de respeito ou respeito máximo ao adversário? Eis a grande questão.

A ideia de escrever sobre o Fair play aqui surgiu de uma discussão que participei essa semana em um grupo do Facebook que faço parte, o ‘Artigos científicos em Futsal’. Nessa postagem havia uma imagem com um placar de um jogo entre crianças na Alemanha que ficou 86×0 e a pergunta:

“Na sua opinião, faltou respeito (Fair play) ou faz parte do jogo?”

Na minha opinião, não faltou respeito e golear faz parte do jogo.

Defendo o fato de que se pudesse ganhar o jogo de 100, que fosse. Para mim, falta de respeito é parar de fazer gols, mostrando ao adversário que não estamos ganhando de mais porque não queremos. E digo isso com a tranquilidade de quem já goleou e foi goleado. Você menosprezar o seu adversário é a pior das ações que você pode tomar enquanto esportista ou mesmo em sua vida normal.

Mas, nesta discussão, pude ver boas ações e opções tomadas por outros treinadores para valorizar o esforço do adversário. Trocar o time e dar minutos para aqueles que jogam pouco tempo, testar alguns conceitos que você quer ver seu time praticando, deixar o adversário colocar mais jogadores em campo foram algumas citadas e que eu acabei achando válidas. Nós, como formadores que somos, antes de sermos treinadores, temos que ter essa preocupação com a conduta de nossos atletas em situações como essas. Como meu jogador vai se comportar quando estiver ganhando um jogo de goleada? E como ele vai se comportar em uma situação de derrota por goleada?

Se eu somente valorizo a vitória, como vou cobrar dos meus atletas que eles saibam se comportar quando estiverem perdendo?

Tentei procurar informações sobre o jogo na Alemanha e o máximo que encontrei foi uma nota publicada no site Freie Pesse, dizendo que o time derrotado fez tudo errado na defesa e que não conseguiu jogar, enquanto seus adversários acertaram tudo. Foram 40 gols no primeiro tempo e 46 gols marcados no segundo tempo.

Diante desse fato, fica o questionamento: será que ao invés de respeito ou falta de respeito, eu não posso ter sofrido uma goleada pelo fato do meu time estar em um dia extremamente ruim?

GOLEAR, SER GOLEADO FAZ PARTE DO JOGO.

O que não é negociável é o Fair play. E nunca vai ser.

86×0 nem é a maior goleada do futebol mundial.

A maior goleada do futebol mundial aconteceu em 2002, em jogo válido pelo campeonato nacional de Madagascar, na África: 149×0 para o Adena sobre o Olympique L’Emyrne. Entretanto, esse jogo não é reconhecido oficialmente pela FIFA, já que os jogadores do Olympique fizeram vários gols contras em protesto por sucessivos erros de arbitragem contra a equipe. A FIFA, mesmo não tendo o Fair play escrito nas regras oficiais do Futebol, promove o comportamento ético desde a Copa de 1986, após o gol de mão de Maradona contra a Inglaterra. A entidade, desde 1997, organiza uma semana de seu calendário internacional junto das Confederações com atividades que realcem a importância do Fair play dentro e fora de campo.

No caso do Futsal, a maior goleada que se tem registro é de uma vitória do Brasil sobre o Timor Leste por 76×0. A partida foi válida pelos Jogos da Lusofonia e Timor Leste já havia perdido para Portugal por 56×0 antes no mesmo torneio. Entretanto, lendo notícias sobre o jogo, não há relatos de agressões por parte dos jogadores de Timor Leste, mesmo com o placar. Há relatos de reconhecimento da superioridade técnica dos jogadores brasileiros e elogios quanto a postura dos mesmos, sem menosprezá-los em nenhum momento.

Em outro episódio envolvendo goleadas, talvez a mais famosa em tempos mais recentes, os 7×1 da Alemanha sobre o Brasil na semifinal da Copa do Mundo do Brasil em 2014, o capitão alemão Philip Lahm, disse na época:

“No intervalo, nós conversamos sobre continuar jogando apropriadamente e mostrando respeito. Todo mundo no time tomou aquela atitude no segundo tempo. Nós não queríamos nos exibir ou ridicularizar os adversários. Se acabou com uma vantagem maior, não era tudo o que queríamos. Nosso objetivo era mostrar respeito aos nossos rivais e aos fãs”

No intervalo a Alemanha já ganhava do Brasil por 5×0. E, mesmo com os alemães não acreditando no que estava acontecendo, eles optaram por manter a postura profissional e seguir jogando em respeito à Seleção brasileira e acabaram aplicando a maior goleada sofrida pelo Brasil em sua história.

E novamente em nenhum momento vimos qualquer ato de violência ou desrespeito entre as equipes. Tanto a Alemanha como o Brasil seguiram jogando de forma limpa até o fim e no final venceu a melhor equipe.

Isso só reforça o quanto o respeito e a empatia ao seu adversário devem ser sempre valorizados independente de qualquer vitória ou derrota. E reforça ainda mais o que nós, formadores, devemos trabalhar o Fair play sim na formação com nossos atletas. A nossa postura em quadra ou campo diz e reflete muito em quem somos fora dela também, independente da faixa etária.

O Fair play é o código de ética implícito do esporte que pode ser totalmente adaptado para a nossa sociedade. Seus valores podem e devem ser trabalhados à exaustão com nossos atletas durante o seu processo formativo pois a influência dos mesmos ocorrerá tanto na vida esportiva quando no pessoal. Sem o Fair play, o esporte perde a sua alegria e ações de caráter duvidoso passarão a dominar as ações, podendo causa o fim do fenômeno esportivo no mundo. Assim, o trabalho dos valores éticos e morais do esporte devem ser defendidos por todas as pessoas envolvidas nele.

Se você apresentar o devido respeito ao adversário, jogando de maneira ética, limpa, correta, valorizando o esforço dele, o placar do jogo será algo sempre secundário.

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Fri, 06 Apr 2018 11:02:00
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LIVERPOOL - SERÁ CAOS OU ORGANIZAÇÃO?

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SERÁ QUE CONSEGUIR ORGANIZAR UMA EQUIPA COMO A DO LIVERPOOL DÁ MUITO TRABALHO, OU É PURA SORTE?


Muito ou pouco se falou do jogo entre o Liverpool e o Manchester City. Duas concepções de jogo e duas ideias de jogo bem diferentes. Para o caso não interessa estarmos a falar sobre essas diferenças. O que me interessa, tem a ver com a definição que muitos dão aos conceitos de ambos os treinadores.  
Do lado do City é a inteligencia, a paciência que predomina. Do outro lado o jogo é caracterizado como sendo intenso e caótico.
Como me interesso muito por futebol e conheço ligeiramente a equipa de Kloop, fui ao dicionário ver o que significa a palavra caos.


O que é o Caos:


Caos significa desordem, confusão e tudo aquilo que está em desequilíbrio

Teoria do Caos:
Trata-se do princípio que afirma que uma pequena alteração ou mudança no início de um evento, no decorrer deste processo, transforma-se em consequências desproporcionais e imprevisíveis.

Posto isto a minha intervenção vem no sentido de esclarecer que para mim a equipa do Liverpool é tudo menos desorganizada, confusa e desequilibrada. 
É uma equipa que defensivamente se organiza de forma zonal e pressionante. Quando não tem a bola procura de imediato recuperá-la subindo as suas linhas de pressão com coberturas permanentes e mantendo a equipa o mais compacta possível. 
A sua linha de 4, encurta quando a equipa pressiona no meio campo adversário  mantendo as distâncias entre os sectores reduzida. Jogam sempre em função da posição da bola e dos companheiros. 

Ofensivamente e nas transições opta na grande maioria das vezes por acções onde a velocidade de deslocamento dos jogadores é alta o que pressupõe à partida um maior acumular de erros, mas tal não significa que a equipa não sabe o que faz e que não coloca em campo todo um manancial de conceitos tácticos que são treinados. 

Podemos discutir conceitos e até dizer que gosto mais de um do que de outro, mas futebol é arte, é cultura e como arte e cultura que é assenta muito da sua beleza na diversidade daqueles que a praticam e na diversidade das ideias de jogo daqueles que comandam as equipas. Dizer-se que um treinador e uma equipa "respeitam" o jogo e que um outro já não o faz, só porque não joga dentro dos nossos padrões parece-me uma ideia muito redutora.

Ficam aqui alguns exemplos do que atrás referi:






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