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Tue, 10 Oct 2017 20:29:14
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McEachran. O condutor do sonho inglês.

A geração do novo século faz sonhar todo um povo que em Inglaterra anseia pelo regresso aos triunfos internacionais da selecção dos três leões.

Enquanto todas as atenções estão centradas nos fantásticos Phil Foden, Jadon Sancho e Angel Gomes, há um miúdo frazino no meio campo que encanta ainda bastante mais todos quanto os que lhe entendem o jogo. George McEachran não é muito potente fisicamente, não é forte, nem tão pouco alto. Fisicamente tem um perfil que até à tão pouco era desdenhado no país que inventou o futebol.

Tem porém tudo o que mais importa para ter impacto no jogo. Um binómio qualidade de decisões / capacidade técnica que impressiona, e faz toda a sua equipa girar ao seu redor, e jogar! Dos seus pés e decisões saem bolas sem fim para dentro da estrutura adversária, progride quando há espaço, atrai, liga de forma vertical, e mesmo quando o espaço escasseia, tem sempre ideias ofensivas. A facilidade com que coloca os colegas em posição de poder criar perigo tornam-o uma das maiores promessas mundiais entre os jogadores que ligam todo o jogo ofensivo.

Não houve top de maiores promessas no Mundial sub 17 que contemplasse a presença de McEachran. O tempo provará o erro.

 

George McEachran from Videos para “Lateral esquerdo” on Vimeo.

Sat, 17 Aug 2019 10:43:39
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O SC Braga de Ricardo Sá Pinto

O SC Braga pretende na época que agora iniciou, regressar às noites europeias que na época passada se viu privado, após eliminação numa pré-eliminatória de acesso à fase de grupos. Para tal, passou com distinção o primeiro teste frente aos dinamarqueses do Brondby. Segue-se o play-off frente ao Spartak Moscow para atingir o objectivo europeu.

Titulares e Sistema táctico:

Dispostos em 1x4x3x3: Matheus; Esgaio, Pablo, Bruno Viana, Caju; Palhinha, André Horta, João Novais; Wilson Eduardo, Paulinho, Murilo;

A importância de Palhinha

O jovem médio português assume grande importância no processo defensivo da equipa a meio campo,muito devido ao seu apurado sentido de antecipação, fruto de um posicionamento defensivo bastante evoluído, garantindo à equipa equilíbrio defensivo e um número elevado de recuperações de bolas.

O motor da equipa

Ricardo Sá Pinto montou a sua equipa alicerçada no corredor central do meio campo que assume papel fundamental no processo ofensivo da equipa.

Na teoria João Novais aparece ao lado de Palhinha com André Horta um pouco mais adiantado no corredor central. Contudo, na prática são as dinâmicas que potenciam esta zona do terreno como um verdadeiro motor. Observamos várias trocas posicionais entre os dois médios mais ofensivos, umas vezes com João  Novais a participar na fase de construção de jogo deste trás, com André realmente a pisar terrenos mais adiantados, garantindo ser o elo de ligação para o Braga ligar com sucesso a 1ª com a 2ª fase de jogo. Noutras vezes, surge André Horta mais recuado a assumir a construção de jogo desde trás, e é Novais que se encontra mais adiantado no terreno havendo a respectiva troca de funções que pelas diferentes características próprias de cada um, trazem outro tipo de dinâmicas completamente distintas a cada fase do jogo.



Quais as características de João Novais?

  • Remates de média e longa distância
  • Maior chegada a zonas de finalização
  • Passe longo
  • Transporte de bola

A importância do regresso de André Horta

  • Temporização do jogo
  • Maior criatividade técnica
  • Visão de jogo
  • Qualidade de passe (último passe)

O corredor central e a sua importância defensiva…

Além da importância ofensiva, o meio campo bracarense dado à pressão média/alta que procura exercer ao longo do jogo com o constante cortar de linhas de passe, assente num importante rigor e posicionamento defensivo, assume extrema importância defensiva também.

O Papel dos laterais

A grande diferença entre o ano passado e esta época, estará na maior projecção e participação ofensiva de ambos os laterais, neste caso Caju e Esgaio, também eles seleccionados para titulares muito devido às características ofensivas de ambos.

Alem disto, demonstram bom entrosamento e boas rotinas com extremos, ao intercalarem na perfeição movimentos interiores e exteriores.

Extremos a jogar com o “pé trocado”…

O modelo de jogo do novo treinador prevê princípios em que em dados períodos, pede-se que os extremos joguem no lado contrário ao seu pé dominante, explorando sobretudo diagonais com bola e entradas pelo corredor central. Noutras alturas, e mediante o que o jogo vai pedindo, troca os seus médios-ala de lado, jogando de feição com o seu pé dominante e consequentemente dando maior largura ao ataque e explorando maior número de acções com cruzamento para zonas de finalização.

Aspeto a rever e melhorar

O jogar dos Arcebispos evidencia pouca presença em zonas de finalização, numérica e não só… Colocam dentro da área poucos jogadores para finalizar, mais concretamente 2 (avançado e extremo) e por vezes um dos médios mais ofensivos na zona de penalidade.

Contudo, é sobretudo devido à inclusão de Paulinho no papel de único avançado que se pode justificar essa falta de presença dentro da área. Não por o jogador não ser um bom finalizador, aliás ainda no jogo analisado marca um golo pleno de sentido de oportunidade, mas por ser um atacante que gosta de baixar e ajudar na construção de jogadas e de “ter bola”, não sendo uma referência e um Avançado de área.

A inclusão do internacional egípcio Hassan no plantel não será por mero acaso e como ponta de lança possante fisicamente, bom jogo aéreo e instinto goleador que é, pode perfeitamente desempenhar essas funções de referência atacante da equipa.

Certo é que tanto o Braga de Abel Ferreira, como o de Ricardo Sá Pinto contam com um plantel recheado de opções e qualidade para cada posição. Aliado a isso, conta ainda com jogadores com larga experiência, várias épocas de emblema ao peito e portanto, mais que identificados com a cidade/clube. Além de conseguir manter o núcleo duro, o presidente António Salvador ainda conseguiu reforços que vêm acrescentar algo mais, casos de André Horta, Galeno, Caju, Diogo Viana, ou o regresso de Hassan.

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Tue, 06 Aug 2019 13:56:44
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(Novo) Estatuto do estudante atleta

A falta de expectativas e de tempo eram dois dos principais obstáculos à continuidade da prática desportiva pelos jovens. Estudos recentes demonstram que, na adolescência, os jovens deixam de praticar desporto federado por se sentirem já cansados e, muitos deles, por verem defraudadas as suas expectativas de uma possível carreira de atleta. No caso dos jovens do interior, a certeza de que, ao irem para o ensino superior, deixam de ter condições para jogar leva a que antecipem esse abandono por volta dos 15-16 anos.

Com a criação do estatuto do estudante atleta federado, abre-se uma nova expectativa para estes jovens. A importância do desporto na formação dos estudantes do ensino superior é reconhecida por todos. Os responsáveis pela oferta educativa nesse nível de ensino vão ter de ponderar e valorizar as componentes desportivas e culturais que disponibilizam aos estudantes.

A ausência de um estatuto que defendesse os estudantes atletas complicava, e muito, a conciliação do tempo de forma a não faltar a aulas para ir a treinos ou vice-versa.

O estatuto do estudante atleta vem acabar com esse “dilema” entre estudos e desporto. Era uma antiga reivindicação da Federação do Desporto Universitário e vai ajudar os estudantes que queiram conciliar os estudos do ensino superior com o desporto.

Na prática, esta aprovação representa um alargamento de um conjunto de condições favoráveis a que os estudantes possam conciliar a atividade académica com a atividade de praticante desportivo. Alguns dos benefícios incluem o direito a alterar a data de exames ou a permissão de faltas.

Ter-se-ão, sem dúvida, perdido atletas com potencial devido às dificuldades impostas pelos horários, exames, prazos de entrega de trabalhos… Tal como milhares de atletas não completaram as respetivas licenciaturas por terem colocado a evolução desportiva à frente de tudo o resto! Ora, num mundo ideal, as duas atividades devem ser paralelas e complementares.

«O Médico que só sabe Medicina nem Medicina sabe.» Abel Salazar

Cabe agora às instituições e professores cumprir a legislação e não criar dificuldades a estes atletas. Através das instituições escolares, clubes, associações e entidades diversas, as regiões têm de disponibilizar uma oferta desportiva diversificada e de qualidade para serem competitivas.

A prática desportiva federada tem influência no desempenho profissional e que, de entre as competências adquiridas na prática desportiva, a liderança assume um papel fundamental. É certo que as competências adquiridas na prática desportiva federada, quando devidamente aplicadas em contexto laboral, são muito úteis e acrescentam valor.

O desporto pode ensinar: trabalho em equipa, força mental, objetivos partilhados, competir para resultados, plano de jogo, treino, comunicação, gestão do tempo, e avaliação de desempenho. A estas competências acrescente-se a mais importante: ética.

No momento de procurarem novos colaboradores, as empresas começam a prestar especial atenção ao curriculum desportivo, para além do académico e profissional.

«(…) o Desporto não é só uma atividade física é, sobre o mais, humana.» Manuel Sérgio.

O desporto estimula a paixão, a disciplina, a coragem, a liderança, a responsabilidade e a resiliência, como nenhuma outra atividade. Os estudantes que praticam desporto são melhores alunos e serão melhores trabalhadores e melhores seres humanos.

 

Vítor Santos

Embaixador do Plano Nacional para a ética no Desporto

Thu, 08 Aug 2019 19:32:00
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Quando eu crescer...

Dia-Criancas-Carreira-Sonhos-2016-NOVAREJO.jpg

      Falo tanto e tantas vezes de futebol que por vezes me esqueço da verdadeira beleza do mesmo. 
    Sei que o futebol é uma realidade completamente distinta do restante e, isso verifica-se com a quantidade de gente e valores que move em seu redor. Será por isso mesmo que muitas das vezes nos esquecemos de desfrutar dos momentos únicos e maravilhosos que presenciamos quando acompanhamos o atleta A, B ou C, seja por ser nosso filho(a), amigo(a), jogador(a) preferido(a) ou o homem/mulher dos nossos sonhos!
     Numa dessas conversas que tenho frequentemente ouvi de alguém que lidava diariamente com o meu trabalho algo do género "esta época foi espetacular e só te tenho a agradecer pela oportunidade de estar tão próximos dos miúdos (leia-se - dos meus miúdos), foi algo de especial pois, consegui conhecê-los de outra forma e ver e aprender com as atitudes especiais, que eles têm uns com os outros e que me fazem também refletir". E é mesmo isto...
   Tantas são as vezes que queremos e exigimos dos miúdos algo mais, como uma maior superação, uma maior concentração, uma margem de erro mínima, um sem fim de critérios para que sejam melhores aqui e ali. Até aí tudo bem, desde que não seja desmesurado até concordo! Mas e o lado deles? Onde fica o espaço de diversão e a margem de erro que deveriam ter para aprender e melhorar? Onde fica aquela 1h30m que deveriam ter para jogar com os colegas e aprender por si próprios o valor e sacrifício de trabalhar em equipa, de se superar constantemente para querer ser o melhor, de saber o quanto dói uma derrota e ter de chegar à escola no primeiro dia da semana e não ouvir falar de outra coisa que não seja isso pois, naquele momento, só aquilo lhes importa, alguém venceu e alguém perdeu. Como pode um Treinador por um jogador ter errado algo, "rebentá-lo" ao ponto de aos 5 minutos de jogo já o ter substituído porque não conseguiu fazer isto ou aquilo? Como pode um Pai chatear-se com o seu filho porque não conseguiu fazer aquele remate que daria aquele golo importantíssimo para a equipa? Ele tentou e estava só a fazer o que lhe dava prazer, até àquele momento...


    No fundo, esquecemo-nos cada vez mais que no nosso tempo, jogávamos na rua sem que nenhum pai ou treinador nos dissesse o que fazer. Não tínhamos medo de errar e experimentávamos fazer isto e aquilo porque queríamos melhorar o que achávamos que não éramos tão bons! E se errávamos, tínhamos os mais velhos a dar-nos na cabeça e um "não inventes pá" e um acumulado de palavrões até chegar a um "na próxima vais para a baliza" e era através disso que tínhamos de aprender com os erros e de lidar à nossa maneira dentro do tempo que precisássemos para enxergar isso. 
      Com tanta sede de vitória passa-nos ao lado que muitas das vezes vamos ouvir um "pai quando eu crescer quero ser médico" ou outra profissão qualquer e que o que está realmente em causa é o futuro de um menino e que, como em tudo na vida, precisa de deixar de gatinhar e passar a andar, futuramente correr e ser livre. Esse menino de quem esperamos o melhor remate da sua vida ou aquela finta espetacular precisa de perder para aprender o sabor da vitória! 
     A verdade é que o Futebol é um Desporto de inclusão e nesse sentido as crianças irão aprender certos valores que lhes serão claramente uma mais valia no seu futuro quer seja pessoal, profissional ou social. Qualquer um que tenha participado como atleta numa equipa de futebol terá com toda a certeza histórias de uma época e aposto (com muitas certezas) que nem terão sido campeões nesse ano e talvez nem perto! Porque assim é o nosso crescimento, feito de aprendizagens e momentos marcantes que nos levam a escolher o nosso caminho. Talvez, também por isso, quem pratica ou praticou futebol saberá o valor de trabalhar em equipa e a quantidade de sacrifícios necessários para um bom trabalho de equipa. Ou, talvez por isso mesmo, saberá que conversas de balneário entre parceiros são AS  CONVERSAS DE BALNEÁRIO e o que se conversa no balneário fica no balneário.


    São estes valores fundamentais que irão modelar a nossa personalidade e a forma como iremos agir no futuro quer a nível profissional ou social certo? Certo! Então deixemo-los crescer com os seus erros, apoiemos mais vezes e critiquemos menos. Quando criticarmos que seja de forma assertiva e construtiva para ajudar mais e prejudicar menos! Que nas suas quedas os deixemos cair mas os ajudemos a levantar porque é essa a função do educador! Que nos foquemos mais no que é positivo e no esforço que os vemos a colocar em algo, no quanto essa criança quer algo para ver também o bem dos seus colegas de equipa e passemos a dar maior valor a isso. Que aproveitemos os seus sorrisos e as suas gargalhadas e lhes ensinemos como o golo é um momento de explosão de alegria e delírio e deve ter um festejo condizente ao momento.
    Porque quando chegar o momento em que a criança/adolescente queira ser outra profissão qualquer, saberemos que nunca lhes retirámos a ilusão de ser jogador de futebol nem os privámos de serem felizes durante o tempo em que quiseram estar a fazer outra coisa qualquer que não fosse estar enfiado numa qualquer divisão agarrado ao telemóvel. 
E o quanto é importante sonhar...

" Tudo o que um sonho precisa para ser realizado é de alguém que acredite que ele pode ser realizado." - Roberto Shinyashiki.

Ricardo Carvalho
Thu, 15 Nov 2018 12:25:51
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Fair Play e a formação esportiva

Fair Play e a formação esportiva

Respeito, ética, empatia e reciprocidade acima de tudo no esporte.

O Esporte é uma ferramenta que influencia o comportamento humano. A emoção causada por ele influencia diretamente na capacidade emocional e intelectual dos envolvidos, atuando no comportamento e postura dos seres humanos. Isso acontece porque o esporte é um fenômeno que mexe com razão e emoção de uma forma intensa. Uma forma encontrada para balancear isso foi adoção do Fair play no esporte.

O ‘Fair play’ é uma filosofia adotada no meio esportivo que está diretamente vinculada à ética no jogo. É o jogar limpo, jogar justo, ter espírito esportivo.

O objetivo é estimular que os praticantes joguem sem violência, de maneira justa, sem prejudicar intencionalmente seus adversários e, não menos importante, dentro das regras da competição desportiva.

A expressão vem desde os Jogos Olímpicos de 1896, quando o Barão Pierre de Coubertin disse a seguinte expressão:

 “Não pode haver jogo sem fair play. O principal objetivo da vida não é a vitória, mas a luta”

Essa expressão valoriza o jogo limpo, o respeito, a empatia e a reciprocidade a seus adversários, mostrando que eles também são parte importante do jogo em si assim como você. Ela ainda transmite a ideia de que você precisa se empenhar e competir conforme as regras, ou será desclassificado. Hoje em dia inclusive é comum ver esse espírito de Fair Play sendo difundido pela sociedade em geral, como uma forma de valorizar ideais universais como um padrão de comportamento ético social e moral, por exemplo.

Só que ao contrário do que muita gente acha, o Fair Play não consta oficialmente nas regras oficiais de nenhum esporte. Nas regras do Futebol escritas pela FIFA por exemplo não há nenhum texto explicitando que, caso um jogador se machuque durante o jogo o adversário precisa colocar a bola para fora para que o jogador machucado seja atendido. O que há é um acordo implícito entre os esportistas, mas que nem sempre acaba sendo respeitado. E aí entramos na discussão sobre o Fair Play: existe mesmo?

GOLEAR OU NÃO NA FORMAÇÃO

 Falta de respeito ou respeito máximo ao adversário? Eis a grande questão.

A ideia de escrever sobre o Fair play aqui surgiu de uma discussão que participei essa semana em um grupo do Facebook que faço parte, o ‘Artigos científicos em Futsal’. Nessa postagem havia uma imagem com um placar de um jogo entre crianças na Alemanha que ficou 86×0 e a pergunta:

“Na sua opinião, faltou respeito (Fair play) ou faz parte do jogo?”

Na minha opinião, não faltou respeito e golear faz parte do jogo.

Defendo o fato de que se pudesse ganhar o jogo de 100, que fosse. Para mim, falta de respeito é parar de fazer gols, mostrando ao adversário que não estamos ganhando de mais porque não queremos. E digo isso com a tranquilidade de quem já goleou e foi goleado. Você menosprezar o seu adversário é a pior das ações que você pode tomar enquanto esportista ou mesmo em sua vida normal.

Mas, nesta discussão, pude ver boas ações e opções tomadas por outros treinadores para valorizar o esforço do adversário. Trocar o time e dar minutos para aqueles que jogam pouco tempo, testar alguns conceitos que você quer ver seu time praticando, deixar o adversário colocar mais jogadores em campo foram algumas citadas e que eu acabei achando válidas. Nós, como formadores que somos, antes de sermos treinadores, temos que ter essa preocupação com a conduta de nossos atletas em situações como essas. Como meu jogador vai se comportar quando estiver ganhando um jogo de goleada? E como ele vai se comportar em uma situação de derrota por goleada?

Se eu somente valorizo a vitória, como vou cobrar dos meus atletas que eles saibam se comportar quando estiverem perdendo?

Tentei procurar informações sobre o jogo na Alemanha e o máximo que encontrei foi uma nota publicada no site Freie Pesse, dizendo que o time derrotado fez tudo errado na defesa e que não conseguiu jogar, enquanto seus adversários acertaram tudo. Foram 40 gols no primeiro tempo e 46 gols marcados no segundo tempo.

Diante desse fato, fica o questionamento: será que ao invés de respeito ou falta de respeito, eu não posso ter sofrido uma goleada pelo fato do meu time estar em um dia extremamente ruim?

GOLEAR, SER GOLEADO FAZ PARTE DO JOGO.

O que não é negociável é o Fair play. E nunca vai ser.

86×0 nem é a maior goleada do futebol mundial.

A maior goleada do futebol mundial aconteceu em 2002, em jogo válido pelo campeonato nacional de Madagascar, na África: 149×0 para o Adena sobre o Olympique L’Emyrne. Entretanto, esse jogo não é reconhecido oficialmente pela FIFA, já que os jogadores do Olympique fizeram vários gols contras em protesto por sucessivos erros de arbitragem contra a equipe. A FIFA, mesmo não tendo o Fair play escrito nas regras oficiais do Futebol, promove o comportamento ético desde a Copa de 1986, após o gol de mão de Maradona contra a Inglaterra. A entidade, desde 1997, organiza uma semana de seu calendário internacional junto das Confederações com atividades que realcem a importância do Fair play dentro e fora de campo.

No caso do Futsal, a maior goleada que se tem registro é de uma vitória do Brasil sobre o Timor Leste por 76×0. A partida foi válida pelos Jogos da Lusofonia e Timor Leste já havia perdido para Portugal por 56×0 antes no mesmo torneio. Entretanto, lendo notícias sobre o jogo, não há relatos de agressões por parte dos jogadores de Timor Leste, mesmo com o placar. Há relatos de reconhecimento da superioridade técnica dos jogadores brasileiros e elogios quanto a postura dos mesmos, sem menosprezá-los em nenhum momento.

Em outro episódio envolvendo goleadas, talvez a mais famosa em tempos mais recentes, os 7×1 da Alemanha sobre o Brasil na semifinal da Copa do Mundo do Brasil em 2014, o capitão alemão Philip Lahm, disse na época:

“No intervalo, nós conversamos sobre continuar jogando apropriadamente e mostrando respeito. Todo mundo no time tomou aquela atitude no segundo tempo. Nós não queríamos nos exibir ou ridicularizar os adversários. Se acabou com uma vantagem maior, não era tudo o que queríamos. Nosso objetivo era mostrar respeito aos nossos rivais e aos fãs”

No intervalo a Alemanha já ganhava do Brasil por 5×0. E, mesmo com os alemães não acreditando no que estava acontecendo, eles optaram por manter a postura profissional e seguir jogando em respeito à Seleção brasileira e acabaram aplicando a maior goleada sofrida pelo Brasil em sua história.

E novamente em nenhum momento vimos qualquer ato de violência ou desrespeito entre as equipes. Tanto a Alemanha como o Brasil seguiram jogando de forma limpa até o fim e no final venceu a melhor equipe.

Isso só reforça o quanto o respeito e a empatia ao seu adversário devem ser sempre valorizados independente de qualquer vitória ou derrota. E reforça ainda mais o que nós, formadores, devemos trabalhar o Fair play sim na formação com nossos atletas. A nossa postura em quadra ou campo diz e reflete muito em quem somos fora dela também, independente da faixa etária.

O Fair play é o código de ética implícito do esporte que pode ser totalmente adaptado para a nossa sociedade. Seus valores podem e devem ser trabalhados à exaustão com nossos atletas durante o seu processo formativo pois a influência dos mesmos ocorrerá tanto na vida esportiva quando no pessoal. Sem o Fair play, o esporte perde a sua alegria e ações de caráter duvidoso passarão a dominar as ações, podendo causa o fim do fenômeno esportivo no mundo. Assim, o trabalho dos valores éticos e morais do esporte devem ser defendidos por todas as pessoas envolvidas nele.

Se você apresentar o devido respeito ao adversário, jogando de maneira ética, limpa, correta, valorizando o esforço dele, o placar do jogo será algo sempre secundário.

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Fri, 06 Apr 2018 11:02:00
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LIVERPOOL - SERÁ CAOS OU ORGANIZAÇÃO?

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SERÁ QUE CONSEGUIR ORGANIZAR UMA EQUIPA COMO A DO LIVERPOOL DÁ MUITO TRABALHO, OU É PURA SORTE?


Muito ou pouco se falou do jogo entre o Liverpool e o Manchester City. Duas concepções de jogo e duas ideias de jogo bem diferentes. Para o caso não interessa estarmos a falar sobre essas diferenças. O que me interessa, tem a ver com a definição que muitos dão aos conceitos de ambos os treinadores.  
Do lado do City é a inteligencia, a paciência que predomina. Do outro lado o jogo é caracterizado como sendo intenso e caótico.
Como me interesso muito por futebol e conheço ligeiramente a equipa de Kloop, fui ao dicionário ver o que significa a palavra caos.


O que é o Caos:


Caos significa desordem, confusão e tudo aquilo que está em desequilíbrio

Teoria do Caos:
Trata-se do princípio que afirma que uma pequena alteração ou mudança no início de um evento, no decorrer deste processo, transforma-se em consequências desproporcionais e imprevisíveis.

Posto isto a minha intervenção vem no sentido de esclarecer que para mim a equipa do Liverpool é tudo menos desorganizada, confusa e desequilibrada. 
É uma equipa que defensivamente se organiza de forma zonal e pressionante. Quando não tem a bola procura de imediato recuperá-la subindo as suas linhas de pressão com coberturas permanentes e mantendo a equipa o mais compacta possível. 
A sua linha de 4, encurta quando a equipa pressiona no meio campo adversário  mantendo as distâncias entre os sectores reduzida. Jogam sempre em função da posição da bola e dos companheiros. 

Ofensivamente e nas transições opta na grande maioria das vezes por acções onde a velocidade de deslocamento dos jogadores é alta o que pressupõe à partida um maior acumular de erros, mas tal não significa que a equipa não sabe o que faz e que não coloca em campo todo um manancial de conceitos tácticos que são treinados. 

Podemos discutir conceitos e até dizer que gosto mais de um do que de outro, mas futebol é arte, é cultura e como arte e cultura que é assenta muito da sua beleza na diversidade daqueles que a praticam e na diversidade das ideias de jogo daqueles que comandam as equipas. Dizer-se que um treinador e uma equipa "respeitam" o jogo e que um outro já não o faz, só porque não joga dentro dos nossos padrões parece-me uma ideia muito redutora.

Ficam aqui alguns exemplos do que atrás referi:






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