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Tue, 10 Oct 2017 20:29:14
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McEachran. O condutor do sonho inglês.

A geração do novo século faz sonhar todo um povo que em Inglaterra anseia pelo regresso aos triunfos internacionais da selecção dos três leões.

Enquanto todas as atenções estão centradas nos fantásticos Phil Foden, Jadon Sancho e Angel Gomes, há um miúdo frazino no meio campo que encanta ainda bastante mais todos quanto os que lhe entendem o jogo. George McEachran não é muito potente fisicamente, não é forte, nem tão pouco alto. Fisicamente tem um perfil que até à tão pouco era desdenhado no país que inventou o futebol.

Tem porém tudo o que mais importa para ter impacto no jogo. Um binómio qualidade de decisões / capacidade técnica que impressiona, e faz toda a sua equipa girar ao seu redor, e jogar! Dos seus pés e decisões saem bolas sem fim para dentro da estrutura adversária, progride quando há espaço, atrai, liga de forma vertical, e mesmo quando o espaço escasseia, tem sempre ideias ofensivas. A facilidade com que coloca os colegas em posição de poder criar perigo tornam-o uma das maiores promessas mundiais entre os jogadores que ligam todo o jogo ofensivo.

Não houve top de maiores promessas no Mundial sub 17 que contemplasse a presença de McEachran. O tempo provará o erro.

 

George McEachran from Videos para “Lateral esquerdo” on Vimeo.

Thu, 13 Aug 2020 21:48:02
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Pedro Porro: Alvalade como próximo passo

Pedro Porro, internacional sub 21 espanhol, é um jovem defesa direito que pertence aos quadros do Manchester City desde a época 2019/20, mas que não teve espaço no plantel de Guardiola e foi emprestado ao Real Valladolid, tendo efetuado uma época com alguns altos e baixos, realizando um total de 15 jogos pela equipa espanhola.

Ainda sem espaço nos Citizens e previsivelmente reforço do Sporting Clube de Portugal para as próximas duas temporadas, o que poderá oferecer à equipa portuguesa?

Pedro Porro tem atuado normalmente num sistema de 4 defesas, mas tanto no Girona Futbol Club em 18/19 como no Real Valladolid, atuou esporadicamente como ala direito numa defesa a 5, tal como Ruben Amorim utiliza na equipa portuguesa.

Caso seja contratado pelos Leões, Porro terá tudo para se assumir como dono do corredor direito da equipa portuguesa, com características muito fortes no momento ofensivo, destacando-se qualidades técnicas como a capacidade de condução e passe ainda em zona de construção e de drible e cruzamento em zonas mais adiantadas, sendo este último um dos seus maiores pontos fortes com elevada eficácia nos cruzamentos.

No momento defensivo, revela muito compromisso e eficácia nos momentos de pressão e reação à perda, revelando uma percentagem de 61% de desarme e 59% nos duelos individuais. Detetamos alguma dificuldade em fechar o espaço interior quando atua numa defesa a 4, algo que poderá ser menos notado na equipa portuguesa, dado que Ruben Amorim privilegia a defesa com 5 elementos.

Apesar do compromisso defensivo já referido, Pedro Porro apresenta dificuldades notórias nos duelos aéreos e defesa do cruzamento do lado contrário, aspetos que deverão ser trabalhados na equipa portuguesa. 

Pedro Porro

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Tue, 28 Jul 2020 09:54:36
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O EFEITO DA IDADE RELATIVA: RELEVANTE OU IRRELEVANTE NO FUTEBOL DE FORMAÇÃO?

Idade relativa vs Idade Cronológica

Todos nós já ouvimos alguém dizer: “Eu sou mais velho do que tu”. Na realidade, poderá existir diferenças entre idades cronológicas, fazendo com que uma pessoa seja “mais velha” do que outra. Portanto, podemos considerar que a idade cronológica de um ser humano são o número de dias desde o seu nascimento até ao momento atual. É o tempo que o ser humano tem de vida.

Por sua vez, e de acordo com Barnsley et al. 1992, a idade relativa refere-se à diferença de idades em crianças agrupadas no mesmo escalão etário. Segundo Vaeyens et al. 2005, a abordagem mais comum para o estudo deste fenómeno passa pela estratificação da amostra em trimestres de nascimento, analisando a variabilidade da distribuição do número de sujeitos por trimestre (Malina,2005) em determinados grupos de elite ou, mais recentemente, na influência efetiva da idade na performance desportiva (Costa et al., 2012).

Tendo em conta as definições suprarreferidas, podemos fazer a divisão dos trimestres da seguinte forma:

  • 1º Trimestre – Janeiro a Março;
  • 2º Trimestre – Abril a Junho;
  • 3º Trimestre – Julho a Setembro;
  • 4º Trimestre – Outubro a Dezembro.

Atendendo a esta distribuição, se formos comparar um atleta que nasceu em janeiro e um atleta que nasceu em dezembro, haverá diferenças morfológicas entre os dois?
De acordo com Helsen, Hodges, Van Winckel e Starkes (2000), quando nos referimos ao efeito da idade relativa, devemos sempre atender à existência de eventuais diferenças de experiência em função da idade. Segundo estes autores, dois jovens do mesmo ano de nascimento, podem vivenciar experiências muito diferentes, se um nascer no início do ano e o outro no final do mesmo ano, o que pode significar uma desvantagem para os nascidos no final do ano.

As fases sensíveis para o desenvolvimento das capacidades condicionais e coordenativas

As crianças em fase de desenvolvimento são seres individuais, que requerem uma atenção redobrada e minuciosa para que lhe possam ser transmitidas as bases necessárias a um bom desenvolvimento motor. Nesse sentido, importa perceber que o desenvolvimento motor é:

“a mudança progressiva na capacidade motora de um indivíduo, desencadeada pela interação desse indivíduo com seu ambiente e com a tarefa em que ele esteja engajado. Em outras palavras, as características hereditárias de uma pessoa, combinadas com condições ambientais específicas (como por exemplo oportunidades para prática, encorajamento e instrução) e os próprios requerimentos da tarefa que o indivíduo desempenha, determinam a quantidade e a extensão da aquisição de destrezas motoras e a melhoria da aptidão dessa pessoa.” (Gallahue, D.)

Será, também, nestas idades, que as crianças deverão ser estimuladas para desenvolver as suas capacidades condicionais (força, velocidade, resistência e flexibilidade) ou as capacidades coordenativas (equilíbrio, ritmo, reação, diferenciação cinestésica e orientação espacial). Nesse sentido, importa perceber que existem fases sensíveis para o desenvolvimento dessas mesmas capacidades.

Tal como podemos observar nas figuras 1 e 2, alguns autores defendem que se deve começar a estimular a flexibilidade e as capacidades coordenativas mais cedo, e posteriormente, o desenvolvimento da velocidade, força e resistência.

Figura 1 Fases sensíveis para o desenvolvimento das capacidades condicionais e coordenativas Figura 2 Fases sensíveis para o desenvolvimento das capacidades condicionais e coordenativas

Relação entre a idade relativa e as fases sensíveis para o desenvolvimento das capacidades motoras

Tendo em conta todos os dados já apresentados, e voltando à pergunta inicial, será que haverá diferenças morfológicas entre um atleta nascido em janeiro e um atleta nascido em dezembro?

Helsen (2005) afirma que, diferenças entre a idade relativa próxima de 12 meses podem resultar em significativas variações antropométricas dentro de um mesmo grupo, diferenças essas com maior significância durante os períodos de rápido desenvolvimento morfológico (pico de crescimento). Até mesmo a diferença da capacidade de desenvolvimento motor de uma criança que nasce no primeiro semestre competitivo de um ano em relação a uma criança que nasce no segundo semestre competitivo do mesmo ano, pode ser um fator de desmotivação para a continuidade numa modalidade desportiva.

Embora pareça haver diferenças na maturação, força e capacidades motoras, também devemos ter em conta as capacidades psicológicas quando nos referimos ao efeito da idade relativa. Segundo Musch e Grondin, 2001, em função da sua idade, os jovens não apresentam diferenças apenas na sua maturidade física, mas também na sua maturidade psicológica.

Portanto, e baseando-se na literatura existente sobre o efeito da idade relativa, podemos afirmar que os atletas nascidos nos 2 primeiros quartis, poderão ter vantagens sobre os atletas nascidos nos 2 últimos quartis. Para reforçar esta ideia, e de acordo com a figura 3, rapidamente conseguimos perceber que 75,95% dos atletas da formação do Sport Lisboa e Benfica, do Futebol Clube do Porto e do Sporting Clube de Portugal nasceram nos 2 primeiros trimestres do ano. Apenas 24,04% dos atletas destes clubes nasceram nos 2 últimos trimestres do ano.

Figura 3

Podemos então concluir que os atletas nascidos nos 2 primeiros trimestres do ano, poderão ter mais vantagens na prática desportiva, em detrimento dos nascidos nos 2 últimos trimestres do ano. Estas vantagens, revelam-se, sobretudo, no que respeita ao desenvolvimento das capacidades físicas e motoras e que permite aos atletas destes quartis evidenciarem um desenvolvimento mais acentuado do que os outros atletas, do mesmo ano de nascimento.
Será então viável manter os mesmos formatos competitivos nos escalões de formação, e continuar a considerar as idades cronológicas em vez das idades relativas ou até outro tipo de variável?

Referências Bibliográficas

Barnsley, R.H; Thompson, A. H., e Legault, P. (1992) Family Planning: Football style. The relative age effect in football. International Review of Sport Sociology, 27, 78 – 87.

Costa, A. M., Louro, H., Ferreira, S., Marques, M. C., Marinho, D. A. (2012). The relative age effect among elite youth competitive swimmers. European Journal of Sports Science (in press).

GALLAHUE,  D.  L.  (1996)   Developmental  physical  education  for  today’s  children. Dubuque, IA: Brown & Benchmark.

Helsen, W. F.; Van Winckel, J e Williams, M.A. (2005). The relative age effect in youth soccer across Europe.

Helsen, W.; Hodges, N.; Van Winckel, J; & Starkes, J. (2000) The roles of talent, physical precocity and practice in the development of soccer expertise

Musch, J. e Grondin, S. (2001). Unequal competition as impediment to personal development: A review of the relative age effect in sport. Developmental review, 21, 147 – 167 (2001) Université Laval, Québec, Canada.

Semião, P. (2012). Efeito da idade relativa na aptidão física em contexto escolar. Relatório de estágio. Universidade da Beira Interior, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas – Departamento de Ciências do Desporto, Covilhã, Portugal

Vaeyens, R. ; Philippaersts, R. e Malina R. (2005). The relative age effect in soccer: a matchrelated perspective.

Sun, 09 Aug 2020 12:25:00
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O Treino de Guarda-Redes: O que trabalhar na retoma dos treinos?

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A pandemia que vivemos trás consigo novos desafios a quem vai iniciar em breve os seus treinos e as suas pré-épocas. Após um tempo demasiado longo de paragem e de inatividade, os desafios que nos coloca a presente situação são claramente diferentes do que seria a retoma normal da pré-época. Há um conjunto de questões importantes a serem colocadas antes de partimos para o trabalho: quanto foi o tempo de paragem? O que os Guarda-Redes (GR) fizeram durante essa paragem? As respostas e reflexões que apresento são mais predominantes numa realidade de futebol sénior, mas podem-se aplicar à formação.

É importante perceber que longos tempos de paragem e inatividade trazem grandes desafios ao processo de treino. Estamos a voltar a começar do zero, ou quase do zero. Mas isso também é uma possibilidade para procurar diferentes soluções. No caso dos Guarda-Redes as perdas são enormes, pelo menos pelo que tenho inferido, principalmente e para além das físicas, a noção de controlo corporal em gestos mais complexos, a noção de tempo e espaço que afeta a leitura de trajetórias e a perceção de quando e onde atacar a bola e toda a “sensibilidade” corporal e das mãos ao cair e ao tocar na bola. Se era “pezudo” vai parecer mais “pezudo”. Claro que há exceções, daí ser importante perceber o que cada um dos nossos GRs andou a fazer durante este tempo de paragem (quando não foi possível a nós controlar parte desse trabalho off season).

Começando pelo desenvolvimento do que são as capacidades físicas, acho importante, se tivermos tempo para o fazer, começar de uma lógica extensiva para uma lógica mais intensiva e de uma lógica de capacidades mais gerais para as capacidades mais específicas. Iniciar pela resistência progredindo ou a par da força e depois seguir para a velocidade e outros tipo de força mais baseadas na velocidade, como por exemplo a potência ou a força explosiva. Não nos podemos esquecer que as estruturas musculo-tendinosas não estão preparadas ainda para receber esforços de alta intensidade. Aliás, até o podem receber mas a capacidade base não estando lá, o risco de lesão e de o treino não ter efeito é grande. Como já ouvi por aí dizer quando nos referimos à força: não havendo músculo bem trabalhado e desenvolvido de nada vale o especificar para ser potente ou rápido porque a sua capacidade máxima rapidamente será atingida. O que quero dizer com isto é que é importante periodizar pensando em todas estas componentes. Criar uma base para o que vem depois.

Quanto ao trabalho mais específico, acho importante irmos com calma na introdução de conceitos técnico-táticos. Principalmente se forem de maior complexidade ou aos quais os GRs não estão habituados. Porque o que vai sustentar a ação tática normalmente será a ação técnica. É por aí que devemos começar. Partindo do exemplo do momento de jogo da defesa de baliza, que é o que eu acho que se deve começar, antes de colocar o GR a voar e a defender grandes remates temos de “bater” nas bases: a posição base, os deslocamentos e as técnicas gerais. E ir progressivamente introduzindo mais algum conteúdo. E aproveitar este tempo para corrigir, se possível, algum vício que venha a afetar a performance no futuro. Depois introduzir referências de jogo, a baliza. Muitos contactos com bola são fundamentais, tanto com as mãos como com os pés, afinal se calhar temos GRs que não tocam na bola há 5 meses. Quanto às quedas tenham calma. Vamos na progressão, vamos começar sentados e dar conforto ao GR na sua queda. E daí por diante. Podemos ou não misturar os contextos de jogo, mas se queremos passar uma ideia clara e temos tempo devemos simplificar e focar-nos em pouca coisa de cada vez.

Para concluir: não há fórmulas mágicas! O contexto dita muito do que é a nossa ação como Treinadores no processo de treino. Mantenham o clima aberto e vão falando com os vossos GRs. Como eles se sentem e como eles reagiram a determinado trabalho. Fica a dica: para aguentar tempos de tempestade a casa tem de ter boas fundações. Não vamos começar a construir a casa pelo telhado. Pode doer, pode ser difícil, às vezes até pode ser chato, mas acreditem que irá fazer a diferença.

Juntos somos mais fortes,

Miguel Menezes
Thu, 15 Nov 2018 12:25:51
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Fair Play e a formação esportiva

Fair Play e a formação esportiva

Respeito, ética, empatia e reciprocidade acima de tudo no esporte.

O Esporte é uma ferramenta que influencia o comportamento humano. A emoção causada por ele influencia diretamente na capacidade emocional e intelectual dos envolvidos, atuando no comportamento e postura dos seres humanos. Isso acontece porque o esporte é um fenômeno que mexe com razão e emoção de uma forma intensa. Uma forma encontrada para balancear isso foi adoção do Fair play no esporte.

O ‘Fair play’ é uma filosofia adotada no meio esportivo que está diretamente vinculada à ética no jogo. É o jogar limpo, jogar justo, ter espírito esportivo.

O objetivo é estimular que os praticantes joguem sem violência, de maneira justa, sem prejudicar intencionalmente seus adversários e, não menos importante, dentro das regras da competição desportiva.

A expressão vem desde os Jogos Olímpicos de 1896, quando o Barão Pierre de Coubertin disse a seguinte expressão:

 “Não pode haver jogo sem fair play. O principal objetivo da vida não é a vitória, mas a luta”

Essa expressão valoriza o jogo limpo, o respeito, a empatia e a reciprocidade a seus adversários, mostrando que eles também são parte importante do jogo em si assim como você. Ela ainda transmite a ideia de que você precisa se empenhar e competir conforme as regras, ou será desclassificado. Hoje em dia inclusive é comum ver esse espírito de Fair Play sendo difundido pela sociedade em geral, como uma forma de valorizar ideais universais como um padrão de comportamento ético social e moral, por exemplo.

Só que ao contrário do que muita gente acha, o Fair Play não consta oficialmente nas regras oficiais de nenhum esporte. Nas regras do Futebol escritas pela FIFA por exemplo não há nenhum texto explicitando que, caso um jogador se machuque durante o jogo o adversário precisa colocar a bola para fora para que o jogador machucado seja atendido. O que há é um acordo implícito entre os esportistas, mas que nem sempre acaba sendo respeitado. E aí entramos na discussão sobre o Fair Play: existe mesmo?

GOLEAR OU NÃO NA FORMAÇÃO

 Falta de respeito ou respeito máximo ao adversário? Eis a grande questão.

A ideia de escrever sobre o Fair play aqui surgiu de uma discussão que participei essa semana em um grupo do Facebook que faço parte, o ‘Artigos científicos em Futsal’. Nessa postagem havia uma imagem com um placar de um jogo entre crianças na Alemanha que ficou 86×0 e a pergunta:

“Na sua opinião, faltou respeito (Fair play) ou faz parte do jogo?”

Na minha opinião, não faltou respeito e golear faz parte do jogo.

Defendo o fato de que se pudesse ganhar o jogo de 100, que fosse. Para mim, falta de respeito é parar de fazer gols, mostrando ao adversário que não estamos ganhando de mais porque não queremos. E digo isso com a tranquilidade de quem já goleou e foi goleado. Você menosprezar o seu adversário é a pior das ações que você pode tomar enquanto esportista ou mesmo em sua vida normal.

Mas, nesta discussão, pude ver boas ações e opções tomadas por outros treinadores para valorizar o esforço do adversário. Trocar o time e dar minutos para aqueles que jogam pouco tempo, testar alguns conceitos que você quer ver seu time praticando, deixar o adversário colocar mais jogadores em campo foram algumas citadas e que eu acabei achando válidas. Nós, como formadores que somos, antes de sermos treinadores, temos que ter essa preocupação com a conduta de nossos atletas em situações como essas. Como meu jogador vai se comportar quando estiver ganhando um jogo de goleada? E como ele vai se comportar em uma situação de derrota por goleada?

Se eu somente valorizo a vitória, como vou cobrar dos meus atletas que eles saibam se comportar quando estiverem perdendo?

Tentei procurar informações sobre o jogo na Alemanha e o máximo que encontrei foi uma nota publicada no site Freie Pesse, dizendo que o time derrotado fez tudo errado na defesa e que não conseguiu jogar, enquanto seus adversários acertaram tudo. Foram 40 gols no primeiro tempo e 46 gols marcados no segundo tempo.

Diante desse fato, fica o questionamento: será que ao invés de respeito ou falta de respeito, eu não posso ter sofrido uma goleada pelo fato do meu time estar em um dia extremamente ruim?

GOLEAR, SER GOLEADO FAZ PARTE DO JOGO.

O que não é negociável é o Fair play. E nunca vai ser.

86×0 nem é a maior goleada do futebol mundial.

A maior goleada do futebol mundial aconteceu em 2002, em jogo válido pelo campeonato nacional de Madagascar, na África: 149×0 para o Adena sobre o Olympique L’Emyrne. Entretanto, esse jogo não é reconhecido oficialmente pela FIFA, já que os jogadores do Olympique fizeram vários gols contras em protesto por sucessivos erros de arbitragem contra a equipe. A FIFA, mesmo não tendo o Fair play escrito nas regras oficiais do Futebol, promove o comportamento ético desde a Copa de 1986, após o gol de mão de Maradona contra a Inglaterra. A entidade, desde 1997, organiza uma semana de seu calendário internacional junto das Confederações com atividades que realcem a importância do Fair play dentro e fora de campo.

No caso do Futsal, a maior goleada que se tem registro é de uma vitória do Brasil sobre o Timor Leste por 76×0. A partida foi válida pelos Jogos da Lusofonia e Timor Leste já havia perdido para Portugal por 56×0 antes no mesmo torneio. Entretanto, lendo notícias sobre o jogo, não há relatos de agressões por parte dos jogadores de Timor Leste, mesmo com o placar. Há relatos de reconhecimento da superioridade técnica dos jogadores brasileiros e elogios quanto a postura dos mesmos, sem menosprezá-los em nenhum momento.

Em outro episódio envolvendo goleadas, talvez a mais famosa em tempos mais recentes, os 7×1 da Alemanha sobre o Brasil na semifinal da Copa do Mundo do Brasil em 2014, o capitão alemão Philip Lahm, disse na época:

“No intervalo, nós conversamos sobre continuar jogando apropriadamente e mostrando respeito. Todo mundo no time tomou aquela atitude no segundo tempo. Nós não queríamos nos exibir ou ridicularizar os adversários. Se acabou com uma vantagem maior, não era tudo o que queríamos. Nosso objetivo era mostrar respeito aos nossos rivais e aos fãs”

No intervalo a Alemanha já ganhava do Brasil por 5×0. E, mesmo com os alemães não acreditando no que estava acontecendo, eles optaram por manter a postura profissional e seguir jogando em respeito à Seleção brasileira e acabaram aplicando a maior goleada sofrida pelo Brasil em sua história.

E novamente em nenhum momento vimos qualquer ato de violência ou desrespeito entre as equipes. Tanto a Alemanha como o Brasil seguiram jogando de forma limpa até o fim e no final venceu a melhor equipe.

Isso só reforça o quanto o respeito e a empatia ao seu adversário devem ser sempre valorizados independente de qualquer vitória ou derrota. E reforça ainda mais o que nós, formadores, devemos trabalhar o Fair play sim na formação com nossos atletas. A nossa postura em quadra ou campo diz e reflete muito em quem somos fora dela também, independente da faixa etária.

O Fair play é o código de ética implícito do esporte que pode ser totalmente adaptado para a nossa sociedade. Seus valores podem e devem ser trabalhados à exaustão com nossos atletas durante o seu processo formativo pois a influência dos mesmos ocorrerá tanto na vida esportiva quando no pessoal. Sem o Fair play, o esporte perde a sua alegria e ações de caráter duvidoso passarão a dominar as ações, podendo causa o fim do fenômeno esportivo no mundo. Assim, o trabalho dos valores éticos e morais do esporte devem ser defendidos por todas as pessoas envolvidas nele.

Se você apresentar o devido respeito ao adversário, jogando de maneira ética, limpa, correta, valorizando o esforço dele, o placar do jogo será algo sempre secundário.

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Fri, 06 Apr 2018 11:02:00
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LIVERPOOL - SERÁ CAOS OU ORGANIZAÇÃO?

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SERÁ QUE CONSEGUIR ORGANIZAR UMA EQUIPA COMO A DO LIVERPOOL DÁ MUITO TRABALHO, OU É PURA SORTE?


Muito ou pouco se falou do jogo entre o Liverpool e o Manchester City. Duas concepções de jogo e duas ideias de jogo bem diferentes. Para o caso não interessa estarmos a falar sobre essas diferenças. O que me interessa, tem a ver com a definição que muitos dão aos conceitos de ambos os treinadores.  
Do lado do City é a inteligencia, a paciência que predomina. Do outro lado o jogo é caracterizado como sendo intenso e caótico.
Como me interesso muito por futebol e conheço ligeiramente a equipa de Kloop, fui ao dicionário ver o que significa a palavra caos.


O que é o Caos:


Caos significa desordem, confusão e tudo aquilo que está em desequilíbrio

Teoria do Caos:
Trata-se do princípio que afirma que uma pequena alteração ou mudança no início de um evento, no decorrer deste processo, transforma-se em consequências desproporcionais e imprevisíveis.

Posto isto a minha intervenção vem no sentido de esclarecer que para mim a equipa do Liverpool é tudo menos desorganizada, confusa e desequilibrada. 
É uma equipa que defensivamente se organiza de forma zonal e pressionante. Quando não tem a bola procura de imediato recuperá-la subindo as suas linhas de pressão com coberturas permanentes e mantendo a equipa o mais compacta possível. 
A sua linha de 4, encurta quando a equipa pressiona no meio campo adversário  mantendo as distâncias entre os sectores reduzida. Jogam sempre em função da posição da bola e dos companheiros. 

Ofensivamente e nas transições opta na grande maioria das vezes por acções onde a velocidade de deslocamento dos jogadores é alta o que pressupõe à partida um maior acumular de erros, mas tal não significa que a equipa não sabe o que faz e que não coloca em campo todo um manancial de conceitos tácticos que são treinados. 

Podemos discutir conceitos e até dizer que gosto mais de um do que de outro, mas futebol é arte, é cultura e como arte e cultura que é assenta muito da sua beleza na diversidade daqueles que a praticam e na diversidade das ideias de jogo daqueles que comandam as equipas. Dizer-se que um treinador e uma equipa "respeitam" o jogo e que um outro já não o faz, só porque não joga dentro dos nossos padrões parece-me uma ideia muito redutora.

Ficam aqui alguns exemplos do que atrás referi:






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