Entrevista a Sérgio Boris

Entrevista a Sérgio Boris

Sérgio Boris, treinador do Cova da Piedade tem subido na sua carreira a pulso. Começou na formação, passou pelas distritais e chega agora aos campeonatos profissionais com a subida conquistada. Um treinador, cujo trabalho, valerá a pena acompanhar!

Quem é o Sérgio Boris e quando começou a ligação ao Futebol?

O Sérgio é uma pessoa simples que tem duas grandes paixões: o futebol e a família. A minha ligação ao futebol começou aos 8 anos no Belenenses.

 

Como foi o teu percurso até a este momento?

 Foi um percurso de conquista. Comecei a treinar na formação e quando me senti preparado aceitei um convite para treinar seniores. Depois foi evoluir ano após ano. Entrei num “prédio sem elevador” e cheguei ao futebol profissional, degrau a degrau. Ninguém me deu uma equipa do CPP ou agora da 2ª Liga. Tive que subir de divisão para poder treinar nesses campeonatos. Veremos o que o futuro nos reserva.

 

Qual a sensação de fazer história com esta subida?

É boa, muito boa! Sentir que contribuímos para a alegria de tanta gente é de facto gratificante. Tive um senhor que se agarrou a mim a chorar e a dizer-me, repetidamente, que há 40 anos que esperava pelo dia da subida. É daqueles momentos que marcam uma carreira.

 

A quem dedicas esta subida de divisão?

 Eu costumo dizer que sou apenas o rosto mais visível de uma estrutura que trabalhou muito para que este feito fosse uma realidade. A vitória é de todos. A título pessoal, naturalmente, que dedico à minha família. É por eles e para eles que ganho cada jogo e que atinjo cada objectivo.

 

O que podemos esperar do Cova da Piedade na Final deste campeonato?

Iremos jogar a Final com uma ambição enorme e com o objectivo de sermos campeões nacionais. Sabemos que iremos encontrar um adversário forte mas temos 50% de hipóteses de vencer. Com tudo o que temos de melhor, espirito de grupo, organização colectiva e um compromisso com o objectivo, iremos dar tudo.

 

Ganhar a final do campeonato (jogo com o vencedor da zona norte) e ser campão é um objectivo ou é um bónus depois do objectivo subida?

Jogar esse jogo é algo que nós conquistamos pelo percurso que fizemos até aqui. Não concordo que uma final deva ser encarada como um bónus. Os objectivos reformulam-se. Subimos de divisão e agora queremos ser campeões nacionais.

 

Como defines o Campeonato de Portugal Prio?

 Muito competitivo mas, em minha opinião, mal estruturado.

 

Já tens o teu futuro definido? Para o ano iremos ver o Sérgio Boris a continuar no Cova da Piedade ou irás abraçar outro projecto?

Assinei com o Clube desportivo Cova da Piedade até 2018.

 

Quais os aspectos que consideras fundamentais para dotar o Cova da Piedade de condições para ter sucesso na próxima época?

 É importante profissionalizar o clube nas mais variadas áreas. Um acompanhamento cuidado e pormenorizado fará a diferença nos momentos de decisão.

 

Que referencias tens para a tua carreira de treinador?

Gosto do Simeone, não por ser melhor ou pior mas pelo que ganha com planteis e orçamentos, incomparavelmente, inferiores aos seus mais diretos adversários.

 

Como respondes quando o adversário te coloca sobre pressão alta, tentando impedir a tua equipa de construir desde trás? Que comportamentos a tua equipa adopta nessas situações?

Cada jogo tem as suas características e especificidades. Responder a esta questão de forma clara não é possível. Mas tentamos sair mais directo, com arrastamentos individuais ou colectivo, por ambos os corredores laterais, na referência ou no espaço. Tudo isto depende do trabalho de observação e análise realizado para o jogo.

 

Como te defines enquanto Líder de uma equipa de futebol? Que características mais relevantes do Líder podem conduzir ao sucesso na gestão de grupo?

Frontalidade, verdade, compromisso e partilha de cada momento. Não acredito na teoria do “ganhamos, ganharam os jogadores, perdemos, perdeu o treinador”. Quando ganhamos e quando perdemos somos todos os responsáveis. O treinador, como líder deve ser o primeiro a dar a cara pelo grupo, numa perspectiva colectiva e nunca individualista. É uma frase batida mas que considero uma grande verdade: “o colectivo sobrepõem-se sempre as individualidades”. Um bolo será sempre maior inteiro que depois de partido em fatias, pois pelo caminho ficam sempre algumas migalhas. No futebol, muitas vezes, as “migalhas” são os pormenores que fazem a diferença nos momentos de decisão.

 

Como preparas a prelecção ao grupo antes dos jogos?

Não falo muito do jogo. Sobre este faço-o durante a semana. Agarro-me sempre ao principio da verdade, depois tento explorar estratégias de motivação que tenham um registo global ou focado, especificamente, no nosso grupo. Em Leiria, por exemplo, fechei a palestra expondo na parede a frase do treinador do adversário a um jornal, em que dizia que o Casa Pia e o Leiria eram as melhoras equipas e que a subida seria disputa entre elas. Depois deste momento a motivação já existente aumentou mais ainda, depois desta partilha entre equipa técnica e jogadores.

 

Como é composta a tua equipa técnica e de que forma distribuis e delegas funções nesses elementos? Tens algum elemento especializado na vertente comportamental de forma a coadjuvar-te no sentido de potencializar o rendimento dos jogadores e da equipa?

Formei a minha equipa técnica da seguinte forma: Um Observador que me desse do adversário tudo o que preciso e não preciso (Vitor Cruz). Procurei alguém em quem confiasse e que dominasse a parte dos guarda-redes (Pedro Alves). Juntei quem melhor pudesse discutir comigo o treino (Falcão) e alguém que me desse suporte para operacionaliza-lo (Zé Manel). Para o momento de análise do jogo, na identificação de erros e de janelas de oportunidades (Fredy). No apoio a esta equipa técnica tive um director desportivo fantástico que falar dele é “apenas” dizer que foi a melhor aquisição do CDCP na época 2015/2016. Sou humilde o suficiente para dizer que sem esta gente comigo, dificilmente, teríamos feito o que fizemos.

 

Que objectivos tens para o teu futuro profissional?

Não vivo com nenhuma obsessão especial. Quero fazer a melhor carreira possível sem passar por cima de ninguém. Tenho uma filosofia de vida que defendo: “A consciência é a nossa melhor arma” e a minha tem que estar sempre tranquila. Como te disse antes, o meu prédio não tem elevador, só escadas. No entanto, isso nunca será razão para desistir embora não me ilude e sei, perfeitamente, que neste jogo as regras não são iguais para todos.

 

Que opinião tens da WI COACH?

Tem um espirito positivo, com bons artigos e a partilha com um leque alargado de profissionais. Gosto e espero que se mantenha por muito tempo, pois começa a ser uma mais valia nesta área do futebol.

 

Pedíamos uma mensagem para partilhar com todos os treinadores que são seguidores da WICoach.

 

O Cova da Piedade da época 2015/2016 é a prova viva que o sonho comanda a vida e desistir não é opção. Sorte para todos e parabéns WICOACH.

 

Obrigado pela colaboração.

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