Hugo Martins - Treinador do 1º Dezembro, um jovem Treinador a ter em conta!

Hugo Martins - Treinador do 1º Dezembro, um jovem Treinador a ter em conta!

Perceba o que pensa Hugo Martins sobre o jogo e fica a entender porque na eliminatória anterior da Taça de Portugal o 1º de Dezembro pela sua mão esteve perto de fazer história.

Quem é o Hugo Martins e quando começou a ligação ao Futebol?

Sou uma pessoa emotiva que é totalmente apaixonada pelo jogo de futebol. Esta paixão iniciou se os 3 anos de idade quando comecei a ir a muitos treinos e jogos do meu Pai na altura a representar o Marítimo e mais tarde no Algarve no Portimonense e Farense.

A minha ligação federativa ao futebol   inicie a  aos 11 anos no Estoril Praia, aliás  onde acabei por fazer toda a minha formação desportiva.

 

 

Como foi o teu percurso até a este momento?

Iniciei o meu percurso como treinador no Fontainhas de Cascais onde de resto estive cerca de 5 anos e me possibilitou treinar em todos os escalões do clube. Estive até ao ano de 2013/14 a trabalhar em vários projectos de formação quer como treinador quer como coordenador técnico. Clubes como o Oeiras, Casa Pia e At. Cacém permitiram-me um grande crescimento. Depois seguiram se experiências como treinador adjunto no Desportivo de Chaves e União da Madeira nas duas principais e profissionais divisões nacionais.

 

Como preparaste a tua equipa para o jogo da Taça de Portugal com o Benfica? Houve atenções especiais?

Foi uma preparação atípica, houve uma enorme mediatização sobre a nossa equipa durante toda a semana de treinos. Nós lidámos bem com essa nova e efêmera realidade e estivemos todos focados e extremamente motivados durante toda a preparação do jogo frente ao tricampeão Nacional.

 

O que tentaste potencializar na tua equipa de forma a que conseguisses criar problemas ao Benfica?

Procurei trabalhar a nossa organização defensiva com maior profundidade bem como as nossas transições especialmente a ofensiva.

Defender bem mas sem nunca deixar de tentar agredir o adversário através de jogadas onde pudéssemos aproveitar a subida dos laterais do adversário.

 

Como analisas esse jogo? O que para ti teve melhor e menos bem?

Destaco nesta partida acima de tudo o carácter dos meus jogadores, ele foi determinante para a componente estratégica do jogo, fomos uma EQUIPA na verdadeira acepção da palavra e só assim foi possível equilibrar a luta contra um conjunto de forças tão díspar.

 

No capítulo das emoções e dado à visibilidade do jogo que sensações tiveste ao longo do jogo?

Acreditei sempre antes e durante o jogo que iríamos dar uma boa resposta no desafio, como tal apesar das câmaras e microfones eu estive igual ao de sempre confiante e sempre ligado ao jogo.

Uma referência à enorme felicidade que senti com a numerosa e ruidosa presença dos nossos adeptos, eles tornaram o jogo ainda mais especial.

 

Defrontar o campeão nacional da forma como fizeram foi um dos melhores momentos que tiveste no futebol?

Felizmente já tive muitos momentos especiais ao longo destes anos mas sem dúvida um dos grandes momentos que tive no futebol.

 

Que referencias tens para a tua carreira de treinador?

Hoje vejo que aprendi muito mais do que pensava e muito mais do que apenas de futebol com o meu Mestre Luis Norton de Matos. Embora que por motivos diferentes treinadores como Guardiola e Diego Simeone são as minhas grandes referências no alto rendimento.

 

 

 

 

Na preparação da tua equipa, como é um Microciclo tipo em período de competição?

No microciclo tipo treinamos normalmente à segunda-feira para acelerar a recuperação dos jogadores com maior tempo de utilização no jogo, este trabalho é dirigido pelo André Gomes e o Ricardo Laranjo juntamente com os fisioterapeutas. Os jogadores menos e não utilizados trabalham com intensidade alta geralmente em espaços reduzidos, é um treino onde incluímos regularmente 2 jogadores provenientes dos júniores. Na terça-feira folga para todo o plantel.

Na quarta-feira realizamos trabalho em espaços reduzidos geralmente com exercícios de inferioridade e superioridade numérica e com mudanças rápidas de comportamento ofensivo/defensivo. Nos treinos de quinta e sexta-feira trabalhamos a estratégia para o jogo e consolidamos o nosso modelo de jogo através de um trabalho em espaço e número de jogadores mais alargado. Os esquemas tácticos são trabalhados igualmente nestas duas sessões. No sábado o trabalho de reacção é a grande prioridades da sessão.

Acrescento que o visionamento do vídeo sobre o jogo disputado é realizado antes da sessão de treino de segunda-feira ou quarta-feira e o vídeo sobre o próximo adversário antes da sessão de treino de quinta-feira.

 

Qual o momento do jogo em que investes mais tempo de preparação? E porquê?

O processo defensivo ocupa da minha parte maior tempo numa fase inicial do nosso processo. Tendo em conta que realizo com frequência trabalho sectorial e intersectorial leva a que muitas vezes o trabalho do processo ofensivo seja operacionalizado por membros da minha equipa técnica. Nós procuramos que haja um equilíbrio entre o tempo de preparação dos vários momentos do jogo.

 

No teu modelo, treinas mais que um sistema táctico? Quando começas a treinar o alternativo?

Acredito mais nas dinâmicas e comportamentos colectivos que propriamente nos sistemas tácticos. Mas sim temos um sistema definido e nuances do mesmo. Por exemplo com o nosso sistema se colocar este ou aquele jogador numa determinada posição vão aparecer diferenças no nosso jogar.

 

 

Como te defines enquanto Líder de uma equipa de futebol? Que características mais relevantes do Líder podem conduzir ao sucesso na gestão de grupo?

No meu entender existem ideias e características que se distinguem na minha liderança tais como ser um líder presente, a supremacia do grupo, a complexidade, a contextualização, a competência, a honestidade, o trabalho duro, a emocionalidade, a exigência e o foco na arquitectura do futuro entregando tudo ao presente.

 

Como preparas a prelecção ao grupo antes dos jogos? E neste caso particular do jogo da taça?

Utilizo todas as unidades de treino para comunicar com a equipa sobre a nossa organização e estratégia para o jogo seguinte, como tal a dita preleção antes dos jogos é curta e muitas vezes predominantemente de carácter motivacional. A única coisa diferente na preparação do jogo com o Benfica em relação aos outros jogos foi o facto de termos observado 2 vídeos em dois dias diferentes sobre o adversário.

 

Como é composta a tua equipa técnica e de que forma distribuis e delegas funções nesses elementos?

A minha jovem e competente equipa técnica é composta pelo Carlos Daniel treinador de Guarda Redes, André Gomes preparador físico, Ricardo Laranjo recuperador físico e analista, Bruno Figueiredo e o Paulo Morais são os treinadores assistentes. Eu como líder procuro envolver todos os treinadores no nosso processo, todos somos importantes e existe liberdade/ responsabilidade para cada um na sua especificidade planificar e operacionalizar o treino contudo quem assume a responsabilidade final sou eu. O Ricardo Laranjo por exemplo além de ajudar o André no trabalho de prevenção e optimização de rendimento dos jogadores faz igualmente o trabalho de análise aos adversários. O Paulo Morais além do trabalho de campo vai iniciar um trabalho de caracterização da amostra do ponto de vista sociólogo do grupo de trabalho.

 

O que podemos esperar do 1º de Dezembro no Campeonato?

Podemos esperar uma equipa organizada, intensa, agressiva com bons valores individuais mas em que a sua força reside no colectivo.

 

Onde te vês daqui a cinco anos?

É um espaço temporal alargado não sei esta actividade é tão instável, mas seguramente ambição e motivação não vão faltar esteja lá onde estiver. E como os sonhos dos grandes sonhadores nunca se concretizam, são sempre transcendidos...

 

Que opinião tens da WI COACH?

Não hesitei ao convite por acreditar que é um espaço interessante de partilha de conhecimentos e experiências. Muito obrigado

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