Entrevista a Vitor Paneira

Entrevista a Vitor Paneira

Futebol de ataque, ideias bem definidas e uma ambição tremenda...leia e partilhe a entrevista com Vitor Paneira, antigo craque nos relvados, tem tudo para ser craque no banco.

Depois do jogador de topo que foi, dos vários treinadores que teve, qual foi o que mais o marcou e porquê?

Toni e Ericsson. Toni pela importância que teve na minha carreira e Ericsson pela abordagem que tinha na altura para o futebol, com ideias muito diferentes das quais tinha vivenciado até ao momento em que o conheci.

 

O que é que mudou na relação entre treinador / jogador do tempo em que jogava para agora?

Mudou tudo. O rigor, o profissionalismo/exigência  a mentalidade... a diferença no treino, o cuidado e acompanhamento fora do relvado.

 

Sabendo que existem vários jogadores com vícios (prejudiciais ao bom futebol), que estão habituados a jogar de maneira diferente, como os convence /molda /ensina ao seu jogar?

O jogador não se ensina, corrigisse dentro de uma ideia pré-definida pelo treinador, e depois a verdade é que todo o jogador gosta de jogar e gosta de ter a bola, há uns tempos um jogador, com alguma experiencia de 1ª Liga(lateral de posição) disse-me que “era o melhor treinador que tinha conhecido porque em organização ofensiva o deixava passar do meio campo e puder fazer parte dela”, é só um exemplo para percebemos o quanto o jogador gosta de jogar bem, ter bola e ser importante no jogo e no jogar da equipa.

 

Na Liga em que está a competir existe uma ideia generalizada de ser uma competição muito física, de luta, do cruzamento para a área e disputada nos limites. Como prepara a sua equipa no treino para o jogo, sabendo que não são estas as característica do seu jogar?

Em todas as ligas têm de haver a capacidade de adaptação ao futebol que se pratica, que não é o estilo que defendo, mas tenho que preparar a minha equipa em função do que vou encontrar no jogo sem nunca perder a “minha” identidade de jogo.

 

Qual o momento do jogo que mais trabalha? Qual a fase dentro desse momento que mais trabalha? Como trabalha a fase de criação da sua equipa?

Todos os momentos de jogo têm que ser trabalhados, trabalho mais o ofensivo porque as minhas equipas são equipas que gostam de ter bola e atacar,  a 1ªfase de construção pois o meu jogo é um jogo de posse, logo para a bola chegar aos médios avançados com critério temos de ter uma boa  construção,  criando exercícios parecidos com o contexto de jogo, com saída baixa privilegiando sempre a saída pelos centrais/laterais, procurando depois o jogo interior.

 

Considera que em determinados jogos, fruto das características do adversário, abdicar de tentar ter tanta bola e dar prioridade a transições mais rápidas pode aproximar a equipa do sucesso ou considera que se deve manter sempre fiel aos seus princípios, neste caso a posse de bola, independentemente do adversário?

Repetindo o que disse há pouco, tentamos sempre não perder a identidade (que é ter bola), mas adaptando-nos ás características do adversário.

 

Que importância dá à análise dos adversários? Sabendo que já treinou em variadas divisões e que há clubes com menos posses, como o fazia nesses mesmo clubes, por exemplo no Vila Meã, Gondomar, Marco, Ribeirão….

Exatamente da mesma forma em que trabalhei nas divisões superiores, observando sempre 4 jogos (no mínimo) do adversário, para pudermos estar o mais possível identificados com o adversário, tendo eu de assumir todos os custos que isso acarreta.

 

Actualmente qual o seu treinador de referência?

Guardiola

 

Quando jogava já tinha esta percepção acerca do futebol? Esta visão?

Sim, em função do que foi o meu passado futebolístico, sempre tive esta ideia do jogo, também porque joguei sempre em clubes vencedores, que tinham a ambição de ganhar e de querer jogar bem.

 

Como é um Microciclo tipo em período de competição?

Folga Segunda, Treino terça de tarde (recuperação e adaptação), quarta manha(treino força e correção do jogo passado) e tarde,(trabalho técnico tático) quinta de tarde,(tático já em vista o adversário) sexta de manha( velocidade e treino reduzido com variâncias em função do jogo de domingo) e sábado manha (bolas paradas)e domingo jogo

 

Qual a maior dificuldade que sente na operacionalização do seu modelo, quando o apresenta aos jogadores?

A primeira fase de adaptação pois em função das características de jogo que os jogadores tinham

 

Que critérios utiliza para a palestra aos jogadores no dia de jogo? O que é mais relevante na sua comunicação nesse momento?

O jogo foi preparado durante a semana, então as palestras são curtas e objetivas e com um grau de motivação para a nossa equipa

 

Sabendo que nunca abdica do seu jogar, do seu modelo, treina mais que um esquema táctico? Quando começa a treinar o alternativo?

Treino sempre um sistema alternativo desde a pré-epoca, mas logicamente o alternativo menos vezes do que o habitual, durante as paragens do campeonato voltamos a trabalhar o alternativo.

 

Como é composta a sua equipa técnica e de que forma distribui e delega funções nesses elementos?

Por 5 elementos, o Treinador adjunto foca-se na equipa adversaria, preparador físico com a parte física, o Treinador de GR com a área dos GR, parte de observação de jogo e treino com um outro Adjunto.

 

Onde se vê daqui a 5 anos?

A trabalhar na 1ª Liga num projeto ambicioso e ganhador

 

Qual a sua opinião sobre os treinadores Portugueses?

Muito bom no treino, excelente leitura de jogo, mas um pouco conservadores.

 

Que opinião tem da WI COACH?

É uma plataforma importante para o futebol e para os treinadores portugueses, pois podem trocar e expor as suas ideias .

 

 Agradecemos muito a sua disponibilidade de partilhar conhecimentos connosco. Pedíamos uma mensagem para todos os treinadores que são seguidores da WI Coach.

Adaptem-se mas nunca percam aquilo que é a vossa ideia de jogo.

Abraço e obrigado eu por puder partilhar algumas ideias.

 

 

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