Entrevista a Ricardo Chéu

Entrevista a Ricardo Chéu

Um Jovem Treinador com vasta Experiência!

Quem é o Ricardo Chéu e quando começou a ligação ao Futebol?

A paixão ao futebol começa com a prática no clube da minha terra natal (Vila Nova de Foz Côa). Mas a ligação ao jogo jogado e às suas diferentes componentes aparecem aos 14 anos com a pesquisa de situação diversas que compõem o jogo. Recordo-me de fazer estatísticas dos jogos de coisas que ainda hoje penso que são uteis no futebol actual. Ter no seio familiar apaixonados pelo futebol em que o tema comum era um simples jogo de futebol era mais do que comum.

 

Como foi o teu percurso até a este momento?

O início deste percurso foi sempre apoiado pelas minhas grandes referências (pais) que sempre me apoiaram naquilo que hoje sou, uma vez que ainda como estudante universitário no Curso de Educação Física e Desporto fui treinar as escolinhas e posteriormente os Infantis do S.C. Salgueiros e sempre com esse apoio incondicional dos meus pais que foram percebendo que era aquilo que eu queria para o futuro.

Após o término do curso seguia-se a primeira experiência no futebol Sénior (A.C.Vila Meã) como adjunto do Eduardo Luís (antigo campeão europeu pelo F.C.Porto). Foi um ano fantástico em que fomos Campeões Nacionais da 3ºDivisão e ainda chegamos aos oitavos de final da taça de Portugal. Seguiu-se o Lourosa (2ªdivisão B) na época 2006/2007 e… em 2007/2008 voltei a treinar os iniciados do Padroense numa época em que foi consomada com o título de campeão de série e respectiva subida de divisão.

Em 2008 / 2009 fui convidado para trabalhar com o Jorge Costa no Olhanense (2ªliga) onde fomos campeões nacionais e subimos á 1ªliga onde nos mantivemos na época seguinte. Em 2010/2011 fomos para a Académica de Coimbra e em 2011/2012 fui para o Santa Clara e 2012/2013 para o Feirense para ser adjunto do Bruno Moura.

A época 2013/2014 inicia-se um novo período na minha carreira em que iniciei como treinador principal no Mirandela numa tarefa difícil, com uma equipa muito jovem e em que as expectativas eram elevadas uma vez que o Mirandela vinha de um ano em que esteve na disputa da subida de divisão, mas nos últimos dias de Dezembro fui convidado a treinar o Académico de Viseu (2ªliga) onde me mantive até ao final da época. Em 2014/2015 iniciei a época em Penafiel (1ªLiga) mas em Outubro estava de regresso ao Académico de Viseu onde me mantive até á época de 2015/2016. A época de 2016/2017 fui substituir o treinador Carlos Brito em Freamunde onde sai passadas 22 jornadas por opção própria.

Neste momento aguardo por um possível convite para voltar ao activo.

 

Que referencias tens para a tua carreira de treinador?

Em termos nacionais tenho alguns treinadores que gosto mais de analisar as suas equipas e que me identifico, Luís Castro, Paulo Fonseca, Marco Silva, José Mourinho… Marcelo Bielsa, Maurizio Sarri, Sampaoli e Pep Guardiola são outras referências.

 

Na preparação da tua equipa, como é um Microciclo/Morfociclo tipo em período de competição?

Acima de tudo partimos do Jogo para o Jogo, ou seja, tentamos identificar situações que correram menos bem no jogo anterior corrigindo-as e trabalhar sobre o jogo que vem a seguir. Normalmente folgamos no dia a seguir á competição (entenda-se jogo Domingo e o jogo seguinte no próximo Domingo). As capacidades inerentes ao jogo são trabalhadas numa componente tática, sem fugir aquilo que defendemos como é “normal” em quase todos os treinadores, independentemente da metodologia que cada um tem, nós temos a nossa forma (nem quero entrar em “guerras” metodológicas). O jogo tem de ser o fio condutor de um processo que tem momentos e como tal nós tentamos seguir esse fio, tornando-o mais resistente, mais forte, mais flexível, mas acima de tudo mais competente com uma ideia comum.

 

Habitualmente, como preparas a tua equipa para um jogo? Que factores tens em conta?

A nossa forma de jogar ou a Ideia de Jogo é que comanda o processo, assim existe sempre a preocupação de valorização da nossa forma de jogar, valorizando o jogo e o jogador. Naturalmente que existem situações que potenciamos em determinadas semanas mais que outras, uma vez que existe uma análise prévia do adversário e sabemos que poderemos explorar mais determinadas situações que os jogadores devem ter presentes no jogo.

 

No processo defensivo, como trabalhas a linha defensiva? Em jogo e integrado ou isoladamente? Quais as orientações e feedbacks em relação à posição dos apoios e posicionamentos em relação à bola?

Na organização defensiva de uma equipa quem a “coordena” é sempre a bola, ou seja, a equipa deverá ter determinados comportamentos sempre em função da bola. Noções de bola coberta e descoberta têm de estar presentes sempre e em função disso existem determinados comportamentos e orientações que vão sendo trabalhados que os jogadores devem comprometer-se no momento, isto leva a equipa a ter um pensamento comum ao momento que o jogo “pede”.

 

No processo ofensivo que relevância dás à primeira fase de criação? Como a trabalhas?

O exercício é o primeiro passo para atingir um fim desejado. A criação de um exercício que tenha as dinâmicas pretendidas para determinado momento. Na aplicação do exercício gosto que seja muitas vezes o jogador a descobrir o fim para o qual está a fazer determinado movimento. Será mais fácil o jogador escolher o caminho desejado pelo treinador porque na aplicação final (jogo) o jogador é que vai tomar a decisão. Assim a primeira fase de construção é um meio para um atingir um fim. Tudo deverá estar encadeado numa cadeia de ideias em que o colectivo é sempre a solução e em que o individual é uma peça do puzzle. Será redutor falar em movimentos e ou dinâmicas, interessa sim perceber que não podemos construir uma casa começando pelo telhado, por isso, claro que este “processo” tem de ser trabalhado até á exaustão.

 

Qual o momento do jogo em que investes mais tempo de preparação? E porquê?

Hoje em dia existem estudos que nos provam que os golos são cerca de 40 ou 50 por cento de situações de bola parada, e nós treinadores na maioria dos casos apenas dedicamos um treino para esse momento, se o objectivo do jogo é fazer golo então deveríamos ~dedicar mais tempo para aquilo que nos dá mais golos…mas no futebol a “nota artística” e a pressão adjacente a essa problemática faz com que nos dediquemos mais aos outros momentos. Penso que o momento mais difícil de trabalhar é a transição defensiva, porque o jogador está pouco preparado para reagir. Mas naturalmente que tem de haver uma hegemonia entre todos os momentos durante uma semana de trabalha em que parece faltar sempre tempo para trabalhar situações que são importantes, mas temos de saber acima de tudo gerir a “carga” dada para que possamos tirar rendimento da individualidade para que o grupo possa sair vitorioso no jogo.

 

No teu modelo, treinas mais que um sistema táctico? Quando começas a treinar o alternativo?

Naturalmente que treinamos mais que um sistema táctico, porque temos de nos preparar para aquilo que o jogo nos dá ou pede em determinado momento, mas sinceramente importa-me mais as dinâmicas para que possa haver uma maior simbiose daquilo que pretendemos.

 

Que diferenças encontras entre o Ricardo Chéu de início de carreira para o actual?

O tempo dá sempre resposta a tudo, hoje sou diferente do que era quando iniciei. Penso mais no momento que a longo prazo , penso mais no pormenor que no global. Vivo cada momento com maior intensidade competitiva para que no final não pense que deveria ter feito assim ou de outra maneira. Aquele momento é para agarrar, trabalhar e tirar proveito. Porque nós só damos valor quando não temos, é assim em tudo da vida e tenho de saber estar naquele momento que consigo controlar, porque existem situações que nós não controlamos e que somos sempre o elo mais fraco. Nós enquanto treinadores somos o comandante do barco, mas quando corre mal mesmo não tendo responsabilidade somos atirados para fora do barco.

 

Que opinião tens da WI COACH?

Sou da opinião que quanto mais “ferramentas” tivermos e sem segredos melhor seremos no futuro, cabendo a cada um tirar proveito do material que nos é cedido. Por isso esta partilha constante que o WI COACH nos fornece só tem benefícios. Continuem com esta partilha fantástica.

 

Agradecemos muito a tua disponibilidade de partilhar conhecimentos connosco.

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