Entrevista a Pepa

Entrevista a Pepa

Com um discurso direto e assertivo, Pepa mostra-nos o porquê do seu Feirense estar a causar sensação na 2ºLiga. Com objectivos bem traçados e ideias bem vincadas, não surpreende o futebol positivo e de qualidade apresentado pela sua equipa.

Quem é o Pepa fora do Futebol?

Sou uma pessoa simples, dedicada a apenas duas coisas: Família e futebol. São as minhas prioridades e sinceramente nem tenho vida social. Sou viciado na minha família mais chegada e no futebol.

 

Como foi o seu percurso até este momento?

Passei por todos os escalões da formação (Sacavenense, Odivelas, Taboeira e Benfica). As experiências em séniores são como adjunto no Tondela e treinador principal na Sanjoanense e agora Feirense.

 

Sabendo que existem vários jogadores com vícios (prejudiciais ao bom futebol), que estão habituados a jogar de maneira diferente, como os convence /molda /ensina ao/o seu jogar?

Com frontalidade, simplicidade e tendo muita paciência para os jogadores. Cada cabeça tem um mundo lá dentro e o meu foco é fazer todas as individualidades pensarem como um todo e no coletivo. Acaba por ser tudo muito natural e uma liderança que dá liberdade/responsabilidade a todos os jogadores e staff.

 

Na Liga em que está a competir existe uma ideia generalizada de ser uma competição muito física, de luta, do cruzamento para a área e disputada nos limites. Como prepara a sua equipa no treino para o jogo, sabendo que não são estas as característica do seu jogar?

Sabemos que 75% das equipas jogam dessa forma, mas nós temos a nossa identidade e não fugimos dela. Mas temos de estar e estamos preparados para entrar sempre de fato de macaco e não termos surpresas nenhumas. Fazemos muita análise para não sermos surpreendidos pelos adversários. Isto sem nunca massacrar o grupo de trabalho com o adversário, até porque mais importante que o adversário, está a nossa identidade e personalidade.

 

Qual o momento do jogo que mais trabalha? Qual a fase dentro desse momento que mais trabalha? Como trabalha a fase de criação da sua equipa?

Trabalhamos todos os momentos de forma exaustiva, sectorial e intersectorial. A nossa fase de criação passa por percebermos se na construção conseguimos sair por dentro ou por fora, se temos o MC de frente para o jogo ou não. A relação entre os médios interiores com os alas e laterais tem um importância fundamental na nossa organização ofensiva.

 

Estando a treinar na 2º Liga, quais acha que são as principais diferenças em relação à 1º Liga?

Menos espaço para jogar, logo havendo menos espaço existe também menos tempo para pensar e executar.

 

Diz-se que na 2º Liga há menos espaço para jogar, sabendo que os campos têm praticamente as mesmas dimensões, o que leva os treinadores a pensarem desta forma? O jogo não será aquilo que os jogadores e treinadores querem que ele seja?

Respondi isso na pergunta anterior, existem jogos na 2ª liga parecidos aos da 1ª liga, mas quando uma equipa assenta o seu jogo no futebol directo e bolas paradas dificulta e muito o decorrer do jogo. Por muito que se queira jogar, existem muitas situações de duelos individuais e as segundas bolas passam a ganhar uma importância capital.

 

Quais os seus treinadores de referência? Qual o que mais o marcou como jogador?

Paulo Sérgio enquanto me treinou na Olhanense. Agora aprecio muito o trabalho do Paulo Fonseca e respetivo trajeto. Assim como a dinâmica, intensidade e linha defensiva das equipas do Jorge Jesus.

 

Como é um Microciclo tipo em período de competição?

Depende se jogamos domingo-domingo ou se jogamos sábado-quarta-domingo. Se jogarmos sábado-quarta-domingo não temos folgas e treinamos sempre de manhã. Quando temos domingo-domingo treinamos na segunda-feira, folgamos na terça, quarta-feira duas sessões de treino e depois quinta, sexta e sábado de manhã.

 

Qual a maior dificuldade que sente na operacionalização do seu modelo, quando o apresenta aos jogadores?

Apenas quando o jogador não entende português ou inglês, porque de resto não sinto nenhuma dificuldade de operacionalizar na teoria e na  prática.

 

Que critérios utiliza para a palestra aos jogadores no dia de jogo? O que é mais relevante na sua comunicação nesse momento?

Variar a palestra, soltar o grupo, ser objetivo e sintético. Nunca passo os 15 minutos de palestra nos dias de jogo. Eles já sabem o que vamos ter de fazer.

 

Sabendo que nunca abdica do seu jogar, do seu modelo, treina mais que um esquema táctico? Quando começa a treinar o alternativo?

Depois de ter os princípios bem definidos e com as relações bem assimiladas entre os vários sectores. Depois o sistema alternativo fica muito mais simples de implementar.

 

Como é composta a sua equipa técnica e de que forma distribui e delega funções nesses elementos?

Treinador principal que supervisiona todo o grupo, delega e confia nos seus elementos. Treinador-adjunto com maiores responsabilidades tácticas. Outro treinador-adjunto com maiores responsabilidades a nível individual. Treinador de GR. Dois observadores com funções distintas, um responsável pela análise das equipas adversárias e respetivos relatórios/vídeos e outro responsável pela análise e gravação dos nossos treinos e jogos, assim como os cortes definidos.

 

Onde se vê daqui a 5 anos?

Liga do campeões.

 

Qual a sua opinião sobre os treinadores Portugueses?

Os melhores do mundo.

 

Que opinião tem da WI COACH?

Um projeto com pernas para andar e que serve para ajudar e muitos os jovens treinadores.

 

Muito obrigado pela colaboração. 

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