Entrevista a Filipe Coelho

Entrevista a Filipe Coelho

Filipe Coelho, um jovem treinador que tem subido a pulso na sua carreira. Licenciado em Educação Física, passou por todos os escalões de formação até aos Seniores do Casa Pia. Fez um brilharete na Taça de Portugal e está na luta pela subida de Divisão com o historico clube de Lisboa. Acreditamos que veremos o Filipe Coelho na 1ª Liga num futuro próximo

Quem é o Filipe Coelho e quando começou a ligação ao Futebol?

 

Sou uma pessoa com uma enorme paixão pelo futebol e pela família. Foi ao assistir ao vivo a um jogo entre o Belenenses e o Barcelona na época de 86/87 para a taça UEFA, na companhia do meu pai, que me comecei a nutrir um sentimento especial pela modalidade. Após três anos desse jogo e com dez anos de idade iniciei os primeiros treinos e, mais tarde, integrei os Infantis do Estoril Praia. Foi nesse mesmo clube que tive a minha primeira experiência como treinador de futebol, nos “Escolinhas”, há cerca de dez anos.

 

Como foi o teu percurso até a este momento?

Como tive oportunidade de referir, comecei o meu percurso na formação do Estoril Praia, tendo passado depois pelo Vitória de Setúbal, CAC da Pontinha, Real Massamá, passei em todos os escalões de formação. No futebol sénior, a minha primeira experiência aconteceu no GDR das Fontainhas, seguindo-se o Recreativo da Caála (Girabola), o União desportiva Vila-franquense. Neste momento, estou a treinar a equipa sénior do Casa Pia Atlético Clube

 

 Qual foi até hoje o melhor momento que tiveste no futebol?

É difícil escolher o melhor momento. Ser campeão distrital com as escolinhas do Estoril Praia foi, provavelmente, o primeiro grande momento que tive, mas destaco igualmente a subida à Divisão de Honra, em primeiro lugar, com o GDR Fontainhas. Ser campeão distrital com o União Vilafranquense também foi muito especial. Mas há outros momentos que também me marcam muito, embora não tenham necessariamente de estar relacionados com vitórias ou palmarés. Sempre que vejo um jogador com quem já trabalhei na 1ª liga ou em ligas profissionais de futebol sinto um orgulho imenso, porque sei o que trabalharam para lá chegar e honra-me muito tê-los acompanhado

 

 Que referências tens para a tua carreira de treinador?

Não tenho nenhuma grande referência. Procuro inspirar-me nas boas ideias de todos e adaptá-las ao meu modelo e à minha realidade. Felizmente o futebol está recheado de excelentes treinadores e, por isso, o jogo não pára de evoluir de ano para ano.

 

 Como preparaste a tua equipa para esta fase de transição entre a primeira parte da época e esta da subida?

Nesta fase de transição, tivemos de fazer alguns reajustes no plantel, aumentar também os índices físicos, recuperar jogadores que estavam com algumas lesões e, por fim, o mais importante: trabalhar de modo a melhorar o nosso desempenho em campo, através dos vários processos que estão sempre ligados ao modelo de jogo.

 

 Como é um Microciclo tipo em período de competição?

Somos uma equipa amadora (treinamos por norma 4 vezes por semana). Normalmente, folgamos à terça-feira e ao sábado.

 

Qual o momento do jogo em que investes mais tempo de preparação? E porquê?

Varia muito. Nas semanas do período pré-competitivo, colocamos objetivos semanais (organização defensiva, transição defensiva, organização ofensiva e transição ofensiva), variando o principal foco semanalmente assim como a interligação dos vários momentos. Na semana de competição, depende muito da avaliação feita ao último jogo, nomeadamente da identificação dos aspectos a melhorar), e do próximo adversário (e, consequentemente, do plano estratégico a adoptar).

 

No teu modelo, treinas mais que um sistema táctico? Quando começas a treinar o alternativo?

Temos sempre dois sistemas táticos, embora, na minha opinião, os princípios de jogo e a dinâmica do sistema é que são verdadeiramente importantes. Numa primeira fase, foco-me apenas no sistema que vou utilizar mais vezes e naquele que considero mais adequado em função das características dos jogadores. Só começo a treinar o segundo sistema depois de o primeiro estar bem presente em todos os elementos do grupo. Numa segunda fase, quando já conseguirmos que todos se sintam identificados com o que pretendemos, começamos a trabalhar o segundo sistema. Depois vamos variando, consoante o plano de jogo.

 

 Como te defines enquanto Líder de uma equipa de futebol? Que características mais relevantes do Líder podem conduzir ao sucesso na gestão de grupo?

Acredito muito nas “minhas”/“nossas” ideias, na capacidade de quem trabalha comigo e, em especial, nos jogadores. Sou um apaixonado pelo treino, fiel aos meus princípios e valores. Coloco sempre o grupo à frente de qualquer individualidade. Sou optimista e realista. Julgo que uma das principais características que um líder deve ter é a capacidade de perceber que, para liderar, é preciso que exista um grupo. Sem grupos, não há líderes. Não acredito em lideranças fechadas e iguais de ano para ano. É preciso que haja capacidade de adaptação, embora sem nunca se abdicar dos princípios fundamentais.

 

Como preparas a prelecção ao grupo antes dos jogos?

O jogo, na minha opinião, prepara-se durante a semana. A palestra serve, no fundo, para relembrar e focar os aspectos que trabalhámos, bem como para aumentar os níveis motivacionais. Normalmente, divido a prelecção em dois momentos, começando com a revisão dos cinco momentos do adversário através de uma projecção em vídeo (cinco minutos) e terminando com um foco no plano estratégico e no aumento da motivação para o jogo (dez minutos, no máximo). O timing em que estes momentos ocorrem também varia em função daquilo que pode ser a nossa estratégia.

 

 Como é composta a tua equipa técnica e de que forma distribuis e delegas funções nesses elementos? Tens algum elemento especializado na vertente comportamental de forma a coadjuvar-te no sentido de potencializar o rendimento dos jogadores e da equipa?

Trabalham comigo quatro treinadores: dois adjuntos, um treinador de guarda-redes e um treinador estagiário (que se encarrega da análise de equipa e do adversário). Trabalhamos muito em conjunto, com muitas reuniões semanais, durante as quais discutimos tudo, tentando ir ao pormenor em tudo o que envolve o processo de treino. Cada um tem a sua área mais específica, mas é um trabalho muito partilhado e em conjunto e todos sabemos, muito claramente, o que queremos fazer e porque de o estarmos a fazer.

 

 O que podemos esperar do Casa Pia para esta fase final do Campeonato?

Podem esperar o que tem sido até aqui. Ou seja, uma equipa organizada que sabe o que tem de fazer e que joga um futebol de qualidade. Os jogadores têm prazer em jogar bem e consciência de que tem de haver um compromisso colectivo muito forte para conseguirem demostram a sua qualidade coletiva e, consequentemente, a qualidade individual.

 

 Que equipas vês como favoritas à subida de divisão?

Tendo em conta o investimento financeiro, na teoria vejo o União de Leiria, o Benfica de Castelo Branco e o Cova da Piedade.

 

Se fosses jogar com o Barcelona que foi a melhor e mais titulada equipa de 2015 (Champions e Mundial de clubes) como colocarias a sua equipa jogar? Onde os poderias surpreender?

Essa é a tarefa mais difícil, julgo que para qualquer treinador, porque estamos a falar da melhor equipa do mundo. Na minha opinião quando jogas contra uma equipa muito mais forte, tens de ter a noção que se tiveres bola reduzes em muito a probabilidade do adversário te criar perigo. Mas como é obvio teria de analisar ao pormenor o Barcelona e tentar encontrar janelas de oportunidade para exploramos.

 

 Onde te vês daqui a cinco anos?

Não penso muito nisso, espero apenas ter a mesma paixão que tenho pelo treino e estar num clube onde me sinta bem e onde possa ter sucesso.

 

Que opinião tens da WI COACH?

É um projecto muito interessante que está a crescer rapidamente e com muita qualidade. Julgo que pode ajudar muito na partilha de conhecimento e métodos de trabalho entre todos.

 

Agradecemos muito a tua disponibilidade de partilhar conhecimentos connosco. 

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