Benfica - Zenit

Benfica - Zenit

Algumas notas sobre o que observei ao vivo no Benfica - Zenit

No jogo de ontem, o Benfica entrou expectante e pouco agressivo nos minutos iniciais, na minha opinião. Ainda para mais, tendo um andamento totalmente diferente, nesta fase da época, do do Zenit, que vai iniciar o seu campeonato no dia 28 de fevereiro, ou seja, encontra-se em pré-época.
Com lentidão de processos na primeira e segunda fases de construção, a perder bolas descabidas e não definir bem os lances, sobretudo Samaris, Renato e Pizzi, por não perceberem os momentos em que poderiam/deveriam soltar, variar o centro de jogo, jogar por dentro ou simplesmente circular a bola com paciência.
Os defesas centrais limitavam-se a lateralizar ou trocar a bola entre si, na primeira fase de construção, não progredindo, para criar desequilíbrios e superioridades numéricas, excepção feita à arrancada de Lindelöf que, como eu havia sugerido anteriormente, criou uma situação de perigo, faltando definir melhor o lance já dentro da área do Zenit, muito embora já fosse em esforço, segundo creio.
Destaco também Lindelöf noutro momento, minutos antes, em que este faz um passe a isolar Jonas ou Pizzi (já não me recordo qual dos dois) que estava a dar apoio frontal, totalmente livre, descaído para o corredor direito.
Festejei este passe como se de um golo se tratasse, por já ter visto imenso estas situações acontecerem, desde o início do Campeonato e, só agora é que tinha sido feito, passado mais de uma volta de Campeonato, mais uns jogos na Taça da Liga e jogada a primeira mão dos oitavos de final da Champions. É certo que muitos adeptos ficaram a olhar para mim empávidos, mas eu fiquei contente por um daqueles onze jogadores terem visto o que eu já tinha visto, desde há muitos jogos atrás.
E para melhor esclarecer o porquê do meu festejo desde a bancada: Lindelöf, com apenas 1 passe, ultrapassou 3 (!) linhas sectoriais.
Um aparte, sobre este momento em particular: normalmente, quem faz o apoio frontal é Jonas. E com isto já disse muita coisa!
Não sei porque motivo esta jogada não foi vista mais vezes, se por princípios incutidos por Rui Vitória, se porque os jogadores não viram, ou se por qualquer outro motivo, mas Lindelöf, ontem, deu-me a secreta esperança de que este tipo de lances pode acontecer mais vezes.
Porque ISTO é saber interpretar o jogo!
Para mim, é totalmente descabida a ideia de que um defesa central tem de estar é lá atrás e não pode "inventar" se procurar construir com qualidade, só por se encontrar numa zona mais exposta, caso falhe.
Contudo, se alguém acreditar no contrário, que o diga a defesas centrais como Garay, Badstuber, Stones ou Hümmels, por exemplo.

Ainda assim, o Benfica criou duas boas ocasiões de perigo, entrando com a bola controlada na área de Lodygin.
Jonas só criava perigo com a bola nos pés e, para isso, tinha de baixar em demasia no terreno, para que tal acontecesse. E, longe da baliza adversária, em zonas recuadas, Jonas não cria tanto perigo, por isso, até aí, a estratégia do Zenit estava a sortir efeito.
Gaitán, apesar de ser dos melhores no ataque, ainda assim nem sempre definia bem, decidindo muitas das vezes, a mesma coisa, invariavelmente: bola por dentro do bloco, e nem sempre ela entrava.

Acredito que poderia haver mais dinâmica, sobretudo nas movimentações atacantes no último terço do terreno, em busca de espaços vazios para os jogadores terem a bola, bem como poderia haver mais intensidade e agressividade, em certos momentos, na pressão ao portador da bola, aproveitando os timingzs certos (por exemplo: se eu estiver perto do portador da bola, ele estiver quase a receber a bola, e caso ele não seja tão forte tecnicamente, eu posso perfeitamente fazer a contenção mais perto dele, para forçar o erro do mesmo; ou posso, caso este receba a bola de costas para a minha baliza, na primeira ou segunda fases de construção, sem colegas próximos, e se eu estiver próximo dele, posso pressionar para que ele não se vire para a minha baliza. Porquê deixar que ele se volte quando eu estou perto dele, e não obrigá-lo a jogar para trás?)

Houve momentos, em que as transições eram feitas a passo, quando o que se pedia eram mais unidades na frente, mais rapidez nas transições. E depois, tudo desajustado e com muito pouco ou quase nenhum critério...
Lembro-me, por exemplo, de uma transição defensiva, pelo corredor direito do ataque do Zenit, com Gaitán na contenção e Jardel na cobertura, próximo do vértice da área: Eliseu a recuperar sem qualquer velocidade, depois nem Renato baixou para fechar o espaço criado pelo deslocamento de Jardel, nem Lindelöf ajustou, juntamente com André Almeida, para fechar esse mesmo espaço, podendo aí Renato continuar na posição onde estava.

As grandes lacunas deste Benfica, as que se notam mesmo mais, sem dúvidas que são os laterais!
André Almeida, com uma relação quantidade-qualidade de tomadas de decisão, a roçar o péssimo, e Eliseu, ainda que não tenha estado mal defensivamente, continua com pouco ou quase nenhum critéio com a bola nos pés, optando quase sempre pela opção mais óbvia de todas: bola no apoio frontal, mesmo que Gaitán esteja marcado. Mesmo podendo progredir, em movimentos interiores, para poder atrair um adversário e soltar, Eliseu não tem essa clarividência nem essa capacidade de raciocínio.
E é aí que Grimaldo e Nélson Semedo irão acrescentar algo à organização ofensiva do Benfica, por terem essa visão de jogo e capacidade técnica para executar.

Jimenéz a dar algo mais ao jogo do Benfica. Não se esconde do jogo, não se cingiu apenas ao jogo entre linhas, percebendo que aí, os espaços estavam fechados, buscava envolvimento nas alas, para poder ter bola e arrastar os seus marcadores directos, pressiona com uma alma e uma agressividade totalmente opostas às de Mitroglu nestes momentos, e talvez seja por aí que possa ter sido chamado ao jogo por Rui Vitória, e talvez seja por aí também que seja titular no jogo na Rússia.

Incrível, a facilidade com que os jogadores do Benfica dão aos adeptos o que eles pedem: muito coração, muita entrega... pouco cérebro nos momentos, em que a calma e discernimento são vitais para uma tomada de decisão com qualidade.
Pouca assertividade, e menos critério ainda, nas acções com bola; correrias desenfriadas e absurdas, quando um posicionamento correcto resolveria muitos problemas; cruzamentos sem nexo nenhum, mesmo sabendo que a bola vai contra um adversário, bem como o "chuta" a pedido das bancadas, mesmo sabendo que, muito possivelmente dará em nada... ou então, dará numa transição perigosa para o adversário... incrível! Mais incrível do que o Hulk!
Isso serve para provar o quê? Que somos superiores ao adversário, sustentando-nos nos números?
Também se controlam jogos a defender.
Jorge Jesus, por exemplo, ensinou isso aos adeptos, quando esteve no Benfica. Também se pode ser superior tacticamente, sem que se tenham muitos números, bastando para isso, ter critério nos momentos em que a equipa tem a bola e saiba definir e tomar decisões correctamente.
Dieter Hecking ensinou-nos isso, com o seu Wolfsburg, quando venceu goleou o Bayern de Guardiola, na época passada, bem como Andre Schubert com o seu Borussia Mönchengladbach.
Mas, infelizmente, muitos acreditam que a superioridade se vê através dos números e não na qualidade e critério das tomadas de decisão, mas eu não sou um deles. E também não sou daqueles que, se a bola entra ou vai parar a um colgea, seja de que forma for, foi bem decidido.
Nem sempre o é, no meu ponto de vista.

Quanto ao jogo, acredito que a estratégia para o jogo - tanto do Porto como do Zenit - passou por procurar tirar Jonas do jogo e a buscar a sua referência na frente, que fosse mais forte nos lances individuais - Brahimi e Hulk - para poderem causa desequilíbrios e desbloquearem o jogo através destas situações, sendo que o Zenit recorreu à qualidade dos passes longos de Garay a procurar Dzyuba e Hulk, para um ir à disputa nos lances aéreos, para a bola sobrar para Danny sair na progressão, Witsel para definir com qualidade nos momentos ofensivos ou Hulk para segurar e procurar os lances individuais e apostar nos remates de meia distância, caso houvesse espaço.
De resto, o Zenit, durante o jogo, procurou adoptar a mesma estratégia do Porto: controlar a profundidade e fechar mais os espaços no corredor central para a bola não entrar em Jonas e para que Pizzi jogasse por fora, por ser forte a jogar por dentro do bloco adversário, e procurou as transições rápidas, a explorar a velocidade de Danny e Hulk com Dzyuba a arrastar os marcadores directos, dele e de um dos outros jogadores.
Na circulação de bola, Witsel era a unidade do meio campo mais participativa e Shatov envolvia-se em situações de superioridade no corredor esquerdo do ataque do Zenit, juntamente com Criscito e Danny a descair nessa zona para criar situações de 3x2, sobretudo do lado de André Almeida e Lindelöf.
Dzyuba, disputava os duelos aéreos, quando a bola era batida por Lodygin, movimentando-se sobretudo para a zona de Lindelöf, arrastando consigo Samaris e o sueco para criar superioridade numérica nas segundas bolas.
Na primeira fase de construção do Zenit, Garay, forte nos passes longos, colocava fácil a bola em Dzyuba ou Hulk, talvez por serem mais fortes fisicamente e aguentarem mais o choque nos duelos aéreos ou a segurarem a bola.

Sou da opinião que o contexto deste jogo não pedia tanto bola no pé, antes bola no espaço, juntamente com mais dinâmica nos jogadores sem bola, a atacarem os espaços vazios para poderem receber a bola; talvez também, com outro jogo de corredores laterais - daí que tenha mencionado Nélson e Grimaldo - também talvez se criasse mais perigo, com dinâmicas em superioridade numérica nas alas, por forma a poder abrir espaços no meio.
Neste jogo, e no jogo com o Porto, uma vez que, nem um nem outro
fecharam assim tão bem os espaços, sobretudo no corredor central, permitindo que o Benfica criasse várias situações de golo.
Contudo, faltou clarividência na definição e frieza na finalização das mesmas. Caso sucedesse, acredito que estaríamos a falar de dois jogos completamente distintos.
Mas, por muito que isso custe a muita gente, não se joga contra cones nem varas de treino...

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